{"id":740,"date":"2006-05-05T13:20:18","date_gmt":"2006-05-05T16:20:18","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=740"},"modified":"2006-05-05T13:20:18","modified_gmt":"2006-05-05T16:20:18","slug":"cunha-provoca-o-debate-sobre-revistas-semanais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/cunha-provoca-o-debate-sobre-revistas-semanais\/","title":{"rendered":"Cunha provoca o debate sobre revistas semanais"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><strong>Elmar Bones<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Com passagem pelas reda\u00e7\u00f5es dos principais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, o jornalista ga\u00facho Luiz Cl\u00e1udio Cunha, 55, vencedor do Pr\u00eamio Esso de Jornalismo em 1979, ocupou o cargo de editor de Pol\u00edtica da sucursal de Bras\u00edlia da revista Isto\u00c9 nos \u00faltimos quatro anos. Foi demitido ap\u00f3s divulgar, em 27 de mar\u00e7o, sua <a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/opiniao_detalhe.php?id=57\">\u201cCarta ao Chefe \u2013 Como a ISTO\u00c9 virou ISTOERA\u201d<\/a>. A mensagem foi enviada ao diretor-editorial da revista, Carlos Jos\u00e9 Marques, com c\u00f3pias para Domingo Alzugaray, diretor da Editora Tr\u00eas, e para o Observat\u00f3rio da Imprensa.<\/p>\n<p align=\"justify\">O texto relata \u2013 com exemplos citando edi\u00e7\u00e3o, mat\u00e9ria, p\u00e1gina, e comparando material original com o publicado \u2013 o \u201cesquentamento de mat\u00e9rias\u201d, com direito a \u201cmelhora da fala dos entrevistados\u201d. Tamb\u00e9m mostra foto-montagens que foram apresentadas como imagens verdadeiras, caso de Jos\u00e9 Dirceu pilotando uma Harley Davidson que ele iria comprar (o ex-ministro est\u00e1 processando a revista, diz nunca ter andado de moto na vida).<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 mais um desgaste para a Isto\u00c9, que sofreu com outros\u00a0epis\u00f3dios recentes: ap\u00f3s dar capa ao caso Ibsen Pinheiro, denunciando que o ex-deputado fora incriminado por um erro de Veja, a revista concorrente publicou mat\u00e9ria \u201cUma farsa chama Isto\u00c9\u201d, em que diz, entre outras coisas, que a revista publica mat\u00e9ria paga. Depois, durante as investiga\u00e7\u00f5es sobre o mensal\u00e3o, outra publica\u00e7\u00e3o da Editora Tr\u00eas foi acusada por Marcos Val\u00e9rio de ter recebido R$ 300 mil para n\u00e3o publicar uma entrevista com a sua secret\u00e1ria.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os epis\u00f3dios narrados por Luiz Cl\u00e1udio Cunha aconteceram ap\u00f3s a ida de Carlos Jos\u00e9 Marques para a dire\u00e7\u00e3o da revista, em janeiro deste ano. \u201cQuero quebrar esta caixa-preta e propor um debate sobre o empobrecimento continuado de algumas de nossas principais revistas semanais. Isto\u00c9 afundou num mar de futilidades e amenidades, tragada por uma pauta desorientada e a\u00e7oitada por textos curtinhos de id\u00e9ias e de talento. Nas suas m\u00e3os, a velha e boa semanal do Seu Domingo morreu, acabou, j\u00e1 era\u201d, ataca o jornalista, em sua carta.<\/p>\n<p>Nesta entrevista ao <strong>J\u00c1<\/strong>, feita por e-mail, Cunha explica os motivos de seu gesto que, at\u00e9 o momento, s\u00f3 est\u00e1 tendo repercuss\u00e3o na internet &#8211; nem as entidades de classe est\u00e3o repercutindo o assunto.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Voc\u00ea fez o que muitos profissionais t\u00eam vontade de fazer, mas n\u00e3o fazem por medo de se queimar no mercado. Voc\u00ea acha que se queimou?<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\"><span style=\"color: #000000\">Luiz Cl\u00e1udio Cunha &#8211;<\/span> <\/span><\/strong>Se eu estivesse preocupado com queimaduras, n\u00e3o teria mandado brasa na carta. Qualquer outra considera\u00e7\u00e3o teria tirado dela a sinceridade e a contund\u00eancia necess\u00e1ria para que fosse lida com aten\u00e7\u00e3o. Botei pra fora o que estava entalado na garganta e comprimido no cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pensei muito nas poss\u00edveis conseq\u00fc\u00eancias de mercado que ela poderia produzir, fechando portas aqui ou ali.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pensei mais em abrir uma discuss\u00e3o que fica, quase sempre, confinada a quem demite e a quem \u00e9 demitido \u2013 e depois \u00e9 afogada numa mesa de bar. Foi por isso que resolvi, de forma pensada, mandar uma c\u00f3pia ao Alberto Dines, no Observat\u00f3rio da Imprensa, para n\u00e3o correr o risco de ver minha longa missiva jogada na lixeira do Marques. Se ele n\u00e3o leu, muita gente com certeza leria no Observat\u00f3rio, abrindo a discuss\u00e3o que era meu principal objetivo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Acho que consegui chegar l\u00e1, para desencanto do novo diretor, que n\u00e3o conseguiu captar o lado mais generoso de minha inten\u00e7\u00e3o. Tanto que, dias atr\u00e1s, conversando com um amigo meu, ele se lamentou, achando que eu fui \u201ccovarde e sorrateiro\u201d ao divulgar a carta: \u201cEssas coisas n\u00e3o deviam ser colocadas na rua\u201d, reclamou o Marques. Se a rua condena, \u00e9 porque algo conden\u00e1vel est\u00e1 sendo cometido. O grave \u00e9 que o Marques, pelo jeito, sabe disso.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Quais os fatos que deram origem \u00e0 carta?<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>LCC &#8211;<\/strong> Desde a chegada do Marques \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da revista, em janeiro, as coisas mudaram \u2013 para pior. Na gest\u00e3o anterior, do H\u00e9lio Campos Mello, eu me surpreendi com o n\u00edvel de autonomia e liberdade que a reda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo dava aos seus rep\u00f3rteres. A sucursal de Bras\u00edlia propunha a pauta, discutia a linha da mat\u00e9ria, sugeria a foto, o t\u00edtulo, a chamada, o lead \u2013 e o texto sa\u00eda praticamente inc\u00f3lume. Com o Marques, chegou a idade das trevas. Com seu brilho e sapi\u00eancia, ele determinava o t\u00edtulo, o tom do texto, a abertura da mat\u00e9ria e at\u00e9 a foto, sempre pr\u00e9-determinada por um fax enviado de S\u00e3o Paulo mostrando a cena, a pose, o \u00e2ngulo exato que ele queria ver na ilustra\u00e7\u00e3o produzida pelo fot\u00f3grafo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Subitamente, a equipe de Bras\u00edlia, onde militava gente do talento e da experi\u00eancia de Tales Faria, S\u00f4nia Filgueiras, Donizete Arruda, Amaury Ribeiro Jr, Andr\u00e9 Dusek, se viu reduzida a um bando de rob\u00f4s, esperando o bip redentor do g\u00eanio de S\u00e3o Paulo. Nosso espa\u00e7o profissional foi se estreitando, \u00e0 medida que crescia o espantoso intervencionismo do novo diretor, at\u00e9 que come\u00e7ou o processo de enxugamento da revista. Sem consultar o chefe da sucursal, Tales Faria, ele mandou demitir o Amaury e o Donizete. Tales pediu as contas e eu tamb\u00e9m. Marques mandou dizer que n\u00e3o tinha dinheiro para me demitir. Fiquei ali, como morto-vivo, num projeto que n\u00e3o me agradava, com uma dire\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o confiava, pensando no que fazer. Resolvi botar minha afli\u00e7\u00e3o numa carta, aberta ao dono da editora e ao site de debate dos jornalistas, e desabafei. Uma semana depois fui demitido. E a porteira, pelo jeito, continua aberta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta semana, pediu demiss\u00e3o a editora de economia da sucursal de Bras\u00edlia, S\u00f4nia Filgueiras. No Rio de Janeiro, quem acaba de pedir as contas \u00e9 o diretor da sucursal, Mino Pedrosa. Sinal dos tempos. Mino \u00e9 o rep\u00f3rter respons\u00e1vel por dois momentos hist\u00f3ricos do jornalismo brasileiro: a entrevista de Eriberto, o motorista que derrubou Collor, e a investiga\u00e7\u00e3o sobre a viola\u00e7\u00e3o do painel do Senado, que levou \u00e0 ren\u00fancia dos senadores Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es e Jos\u00e9 Roberto Arruda. A ISTO\u00c9 de Marques j\u00e1 n\u00e3o estimula, nem segura profissionais deste quilate.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Voc\u00ea denuncia que, no caso das fotos, ainda havia um problema mais grave, a manipula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>LCC &#8211;<\/strong>Nunca vi, em quase quatro d\u00e9cadas de jornalismo, tanta ousadia no uso desrespeitoso da fotografia. Desrespeito com o profissional que fez a foto, desrespeito com a personagem da foto e, mais grave, desrespeito com o leitor, enganado por uma trucagem que adultera a realidade, que mente, que distorce, que engana. N\u00e3o \u00e9 esta a fun\u00e7\u00e3o do jornalismo, n\u00e3o \u00e9 este o papel do jornalista. Na carta, eu cito o exemplo da surfista catarinense, que teve o rosto montado numa foto captada no Hava\u00ed, e o exemplo grotesco do ex-ministro Z\u00e9 Dirceu montado numa moto que ele nunca viu, nunca teve e nunca dirigiu, pelo simples motivo de n\u00e3o ser motoqueiro. S\u00e3o grossas mentiras, ilustradas, que mostram o n\u00edvel de irresponsabilidade a que pode chegar uma revista entregue a maus profissionais.<\/p>\n<p align=\"justify\">S\u00e3o deslizes \u00e9ticos que merecem uma aten\u00e7\u00e3o redobrada de nossos sindicatos e a condena\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos leitores. N\u00e3o s\u00e3o exemplos isolados. A cada dia, aparecem novos casos, provando que Marques pode ser uma esp\u00e9cie de \u201cserial killer\u201d da \u00e9tica jornal\u00edstica. Vou dar aos leitores do J\u00c1 um novo exemplo \u2013 ainda in\u00e9dito \u2013 de licen\u00e7a po\u00e9tica do incans\u00e1vel Marques. A edi\u00e7\u00e3o 1901 de ISTO\u00c9, de 29 de mar\u00e7o passado, traz a reportagem \u201c\u00cdndio quer vestibular\u201d. \u00c9 um exame exclusivo da Universidade de Bras\u00edlia destinado aos povos ind\u00edgenas. Na p\u00e1gina 52, uma ilustra\u00e7\u00e3o dupla: uma foto de \u00edndios numa sala de aula e, ao lado, a imagem bonita de um \u00edndio de cocar, rosto pintado de vermelho, bra\u00e7os cruzados segurando um caderno e uma caneta Bic.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/Cidade2\/media_indio.jpg?0.59955125297107\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"185\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Foto original sobre os 500 anos do Brasil (Foto: Andr\u00e9 Dusek)<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong> <\/strong><\/span><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/reportagem_2\/med_indio_ja.jpg?0.021396296800770042\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"230\" height=\"149\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Foto \u201cmaquiada\u201d para uso em mat\u00e9ria de 2006 (Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">A legenda da revista diz que as fotos s\u00e3o de Ac\u00e1cio Pinheiro\/Cespe-UnB. Mentira. S\u00f3 a foto da sala de aula \u00e9 de autoria de Ac\u00e1cio. A outra \u00e9 do fot\u00f3grafo Andr\u00e9 Dusek, da sucursal de Bras\u00edlia da ISTO\u00c9, que fotografou o \u00edndio xavante Jo\u00e3o Tsidzapi seis anos antes, numa mat\u00e9ria especial sobre os 500 anos do descobrimento do Brasil. A foto foi publicada na p\u00e1gina 36 da edi\u00e7\u00e3o 1595 de ISTO\u00c9, do dia 26 de abril de 2000. O xavante Jo\u00e3o aparecia com a cara lavada e s\u00e9ria de \u00edndio que n\u00e3o via motivo nenhum para festa. Tanto que n\u00e3o exibia nenhuma tintura no rosto, nem cocar.<\/p>\n<p align=\"justify\">O xavante n\u00e3o tinha cocar, nem pintura, nem caderno, nem caneta. De semelhan\u00e7a, entre uma foto e outra, s\u00f3 o adere\u00e7o branco no pulso esquerdo. Marques, pelo jeito, achou a foto original muito descolorida e tascou uma folcl\u00f3rica alegoria para deixar nosso casmurro xavante com cara de cacique carnavalesco da Marqu\u00eas da Sapuca\u00ed. E chegou ao requinte de enfiar o caderno e a esferogr\u00e1fica para sintonizar melhor a foto com o tema da reportagem. Marques, ao que parece, \u00e9 um daqueles brancos que acham que \u00edndio gosta mais de apito do que de respeito \u00e0 sua identidade. Pior: imagina que os leitores fazem parte da tribo de selvagens ignorantes que se deixam enganar por espelhinhos e bugigangas jornal\u00edsticas.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; Qual foi a repercuss\u00e3o? Al\u00e9m do Observat\u00f3rio da Imprensa, algu\u00e9m mais publicou? Fora da internet, alguma coisa? Por que uma rea\u00e7\u00e3o dessas?<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>LCC &#8211;<\/strong>No que me diz respeito, a repercuss\u00e3o foi excelente. Nunca recebi tanto telefonema, tanto e-mail, todos tocantes pela solidariedade, pela for\u00e7a, pelo sentimento coletivo de desabafo. Fora a repercuss\u00e3o em blogs cuja exist\u00eancia eu nem imaginava. Mas senti uma certa aus\u00eancia no debate das chamadas entidades de classe, os sindicatos, que deveriam ser os principais interessados na quest\u00e3o. N\u00e3o sei bem qual a raz\u00e3o, mas a carta passou meio batida pela \u00e1rea. E as graves quest\u00f5es \u00e9ticas que levanto, imagino, seriam um bom tema para reflex\u00e3o de todos n\u00f3s, a come\u00e7ar pelos sindicatos, que se batiam tanto pelo finado Conselho Federal de Jornalismo. Os problemas que levanto na carta n\u00e3o precisam de nenhum CFJ para serem debatidos. Os atuais conselhos de \u00e9tica sindicais j\u00e1 seriam uma inst\u00e2ncia apropriada para isso. Mas eles devem estar ocupados com problemas mais urgentes.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #cc3300\"><strong>J\u00c1 &#8211; E a grande imprensa, em fase t\u00e3o moralista, porque faz que n\u00e3o v\u00ea?<\/strong><br \/>\n<\/span><strong>LCC &#8211;<\/strong>N\u00e3o sei. Talvez n\u00e3o considerem esta quest\u00e3o relevante.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; A ISTO\u00c9 seria um caso extremo no conjunto da imprensa brasileira ou, ao contr\u00e1rio, \u00e9 representativa de um modelo vencedor?<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>LCC &#8211; <\/strong>Infelizmente, n\u00e3o parece ser uma exce\u00e7\u00e3o. E pode ser o exemplo de um modelo perdedor, a partir da gest\u00e3o Marques. Este jornalismo semanal ligeirinho, colorido como uma arara, com a profundidade de um pires e a eternidade de uma bolha de sab\u00e3o, pode estar se espalhando como uma sa\u00edda esperta para a crise econ\u00f4mica, que imp\u00f5e reda\u00e7\u00f5es baratas, enxutas e rent\u00e1veis. A concorr\u00eancia com a m\u00eddia eletr\u00f4nica e o boom da Internet est\u00e3o produzindo um efeito esquisito nas revistas: em vez de se diferenciarem, est\u00e3o cada vez mais mesmerizadas pelo mundanismo, pela futilidade, pela superficialidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o querem incomodar ningu\u00e9m \u2013 nem o poder, nem o c\u00e9rebro do leitor. Reproduzem em suas p\u00e1ginas os modismos e as demandas idiotas de temas que pretendem resumir as graves quest\u00f5es da sociedade: a nova dieta milagreira, os cuidados com o corpo e a est\u00e9tica, a mais recente engenhoca high-tech que vira sonho de consumo, o universo shopping center que resume o horizonte da classe m\u00e9dia que compra revistas cada vez mais amenas. Eu ainda sou otimista e acho que o leitor n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o pode ser o imbecil que eles imaginam.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #cc3300\"><strong>J\u00c1 &#8211; Como v\u00ea a atua\u00e7\u00e3o da imprensa na atual crise pol\u00edtica?<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>LCC &#8211; <\/strong>Sempre que a imprensa sai na frente, com seus perdigueiros, e antecipa fatos e revela bastidores, ela cumpre exemplarmente seu papel. Em v\u00e1rios momentos, agora e no passado recente, isso aconteceu. Quando ela se acomoda, s\u00f3 repercutindo o que os pol\u00edticos e o Congresso debatem, ela patina e perde o passo. Boa parte do relat\u00f3rio da CPI dos Correios foi antecipado e induzido pela cobertura da imprensa. A mesma imprensa que se surpreendeu, no geral, com a contund\u00eancia e precis\u00e3o da den\u00fancia do procurador-geral da Rep\u00fablica, indo al\u00e9m do que dizia a m\u00eddia e do que conclu\u00eda a CPI. Ningu\u00e9m teve a coragem, como o procurador, de chamar Z\u00e9 Dirceu de chefe da quadrilha.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">J\u00c1 &#8211; E os jornalistas, os ditos profissionais? Boris Casoy pedindo impeachment de Lula significa o qu\u00ea?<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>LCC &#8211; <\/strong>Acho que o impeachment pode vir de duas formas: ou pela rejei\u00e7\u00e3o do eleitor, nas urnas de outubro, ou por fatos graves que apontem o envolvimento e a responsabilidade de Lula l\u00e1 com os 40 espertalh\u00f5es denunciados pelo procurador-geral. N\u00e3o cabe aos jornalistas clamar por impeachment ou proclamar inoc\u00eancia do presidente. Os fatos devidamente apurados \u00e9 que v\u00e3o determinar se Lula \u00e9 o sujeito oculto da quadrilha ou uma figura meramente omissa diante de tanta roubalheira. O julgamento pol\u00edtico do presidente, pelo tac\u00e3o precoce do impeachment ou pela vontade soberana do eleitor, vai se processar, no seu devido tempo, na cabe\u00e7a pensante do cidad\u00e3o. O jornalista, como sempre, vai testemunhar a Hist\u00f3ria, n\u00e3o antecip\u00e1-la.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><em>Leia mat\u00e9ria completa na edi\u00e7\u00e3o do Jornal J\u00c1 Porto Alegre, que chega nas bancas em maio.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elmar Bones Com passagem pelas reda\u00e7\u00f5es dos principais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, o jornalista ga\u00facho Luiz Cl\u00e1udio Cunha, 55, vencedor do Pr\u00eamio Esso de Jornalismo em 1979, ocupou o cargo de editor de Pol\u00edtica da sucursal de Bras\u00edlia da revista Isto\u00c9 nos \u00faltimos quatro anos. Foi demitido ap\u00f3s divulgar, em 27 de mar\u00e7o, sua [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-740","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-bW","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/740","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=740"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/740\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}