{"id":744,"date":"2006-05-22T13:24:49","date_gmt":"2006-05-22T16:24:49","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=744"},"modified":"2006-05-22T13:24:49","modified_gmt":"2006-05-22T16:24:49","slug":"desafios-do-jornalismo-ambiental-em-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/desafios-do-jornalismo-ambiental-em-debate\/","title":{"rendered":"Desafios do jornalismo ambiental em debate"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/Cidade2\/media_conjars_Tatiana%20Feldens.JPG?0.41078739787114127\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"329\" height=\"217\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">O evento reuniu 100 pessoas neste final de semana\u00a0na Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS (Foto: Tatiana Feldens\/J\u00c1)<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Patr\u00edcia Benvenuti e Tatiana Feldens<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 dois ingredientes b\u00e1sicos para o bom jornalismo: capacita\u00e7\u00e3o e \u00e9tica. Essa foi a principal conclus\u00e3o do I Congresso de Jornalismo Ambiental do Rio Grande do Sul (Conjars), que reuniu 100 pessoas neste final de semana em Porto Alegre para debater a cobertura ecol\u00f3gica no Estado. O evento, na Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS, tamb\u00e9m antecipou algumas discuss\u00f5es do 2\u00ba Congresso Nacional de Jornalismo Ambiental, que acontece em outubro na capital ga\u00facha.<\/p>\n<p align=\"justify\">A jornalista Elis\u00e2ngela Paim, do N\u00facleo Amigos da Terra Brasil (NAT\/Brasil) faou que um dos pap\u00e9is a imprensa \u00e9 advertir a sociedade sobre os impactos do consumo desenfreado e o modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico. \u201cA m\u00eddia sempre apresenta as coisas em momentos epis\u00f3dicos, nunca em uma vis\u00e3o abrangente\u201d, denuncia.<\/p>\n<p align=\"justify\">A quest\u00e3o do consumo tamb\u00e9m foi tratada pelo fil\u00f3sofo Vicente Medaglia, do Instituto Ga\u00facho de Estudos Ambientais (Inga) como causa da crise socioambiental. \u201cOs valores da sociedade est\u00e3o errados, as sociedades est\u00e3o se auto-destruindo\u201d, acredita. Segundo o ecologista, as pessoas confundem felicidade com consumo. Para ele, a imprensa deve desenvolver um modelo de felicidade que seja sustent\u00e1vel. Mas alertou que o sistema midi\u00e1tico \u00e9 mantido por um sistema insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p align=\"justify\">Entrando no campo da \u00e9tica, o jornalista Roberto Villar Belmonte, da revista Campo Aberto, ressaltou a import\u00e2ncia de pessoas conscientes nas reda\u00e7\u00f5es. \u201cApesar dos nossos condicionamentos, como a ideologia, somos livres para escolher not\u00edcias e fontes\u201d, disse. Villar acredita que a defesa da vida \u00e9 o maior objetivo do jornalismo ambiental e que por isso n\u00e3o devem ser estabelecidas parcerias com as chamadas \u201cempresas da morte\u201d. Como exemplo, cita as entidades ligadas ao ramo dos agrot\u00f3xicos e do fumo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como alternativa \u00e0 m\u00eddia tradicional, o ambientalista Tiago Eduardo Genehr, do Movimento Roessler para Defesa Ambiental, defende o fortalecimento de m\u00eddias alternativas, como ve\u00edculos das pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas. \u201cS\u00e3o pequenas vozes que questionam nosso modo de vida e de consumo. \u00c9 algo bem mais reflexivo e engajado\u201d, comenta. O ambientalista critica a postura da m\u00eddia tradicional, que querendo ser neutra, acaba sendo passiva, e por sua vez deixa de relacionar os fatos, sem chegar na \u201craiz\u201d das quest\u00f5es. \u201cA grande m\u00eddia n\u00e3o questiona e torna verdade informa\u00e7\u00f5es do governo e de assessorias de imprensa\u201d, condena.<\/p>\n<p align=\"justify\">A jornalista da ONG Esta\u00e7\u00e3o Vida, Gisele Neuls, que trabalha h\u00e1 um ano no norte do Mato Grosso, diz que o Estado vive abalado por quest\u00f5es ambientais. A \u00e1rea do Portal da Amaz\u00f4nia \u00e9 composta por 16 munic\u00edpios e 110 mil Km\u00b2, dos quais 31% j\u00e1 foram depredados. A regi\u00e3o \u00e9 caracterizada por uma forte concentra\u00e7\u00e3o de terra e de renda, pela pecu\u00e1ria (\u201conde o trabalho escravo \u00e9 altamente lucrativo\u201d), extra\u00e7\u00e3o madeireira (\u201ca ilegalidade \u00e9 altamente lucrativa\u201d) e assentamentos do Movimento Sem-Terra (MST). \u201c\u00c9 dif\u00edcil trabalhar com esse p\u00fablico, que s\u00f3 v\u00ea a possibilidade de riqueza na explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais\u201d, conta Gisele. De acordo com ela, o pequeno agricultor reconhece o impacto da ocupa\u00e7\u00e3o, mas fica dividido entre um sentimento de culpa e de revolta. \u201cEles sabem do mal, mas dizem que n\u00e3o tem culpa de terem sido levados para l\u00e1. \u00c9 preciso ter muito cuidado para n\u00e3o afugentar ningu\u00e9m\u201d, completa. O trabalho da ONG no local \u00e9 dificultado por interesses coronelistas e pol\u00edticos. A equipe da institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 sofreu amea\u00e7as \u201cindiretas\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">\u201cA import\u00e2ncia do substantivo\u201d<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Wilson da Costa Bueno, doutor em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o e membro da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, discursou sobre a necessidade do jornalismo ambiental, o marketing verde e a eco-propaganda freq\u00fcentarem \u201cgal\u00e1xias distintas\u201d. \u201cN\u00e3o \u00e9 a mesma coisa, mas h\u00e1 uma tend\u00eancia no mercado de aproxima\u00e7\u00e3o, e isso \u00e9 preocupante\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">O professor da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Arte da Universidade de S\u00e3o Paulo (ECA\/SP) tamb\u00e9m critica o que chama de \u201cS\u00edndrome de Lattes\u201d, em que o jornalismo tende a ficar ref\u00e9m do saber t\u00e9cnico de pesquisadores que se sentem os donos da verdade. \u201cRestringir o debate de opini\u00f5es porque elas n\u00e3o v\u00eam de especialistas \u00e9 um erro\u201d, avalia. \u201cTodos devem opinar e n\u00e3o apenas um c\u00edrculo restrito de fontes que j\u00e1 se venderam para as grandes corpora\u00e7\u00f5es\u201d, ataca. Pol\u00eamico, Bueno desafia os que consideram que o jornalismo deve ser neutro. \u201cUm jornalista que se diz neutro \u00e9 no m\u00ednimo babaca\u201d, provoca.<\/p>\n<p align=\"justify\">Semelhante avalia\u00e7\u00e3o tem o jornalista uruguaio Victor Bacchetta, que palestrou na sexta-feira 19 de maio, na abertura do Congresso,. Segundo o membro-fundador da Rede de Comunica\u00e7\u00e3o Ambiental da Am\u00e9rica Latina e Caribe &#8211; Rede Calc, no momento em que o ve\u00edculo define sua pauta de trabalho j\u00e1 deixa de ser neutro, por que dentre os milhares de assuntos, define apenas alguns.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cO jornalista deve tratar o tema escolhido como um especialista ou profissional, sendo objetivo e respons\u00e1vel no tratamento de todas informa\u00e7\u00f5es e das fontes relacionadas. O jornalismo que pretende ser gerador de cidadania deve deixar as opini\u00f5es pessoais e partid\u00e1rias de lado. Sua tarefa principal consiste em apresentar a maior quantidade de elementos e da melhor qualidade poss\u00edvel, para que o leitor possa compreender o tema, sua origem e evolu\u00e7\u00e3o, formando sua pr\u00f3pria opini\u00e3o,\u201d finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O evento reuniu 100 pessoas neste final de semana\u00a0na Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS (Foto: Tatiana Feldens\/J\u00c1) Patr\u00edcia Benvenuti e Tatiana Feldens H\u00e1 dois ingredientes b\u00e1sicos para o bom jornalismo: capacita\u00e7\u00e3o e \u00e9tica. 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