{"id":748,"date":"2006-05-29T13:27:25","date_gmt":"2006-05-29T16:27:25","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=748"},"modified":"2006-05-29T13:27:25","modified_gmt":"2006-05-29T16:27:25","slug":"como-implantar-a-tv-digital-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/como-implantar-a-tv-digital-para-todos\/","title":{"rendered":"Como implantar a TV Digital para todos"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><strong>S\u00e9rgio Lagranha<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O que \u00e9 a tev\u00ea digital para a sociedade brasileira? O que a sociedade quer? Qual o papel das emissoras? Como ser\u00e1 feita a interioriza\u00e7\u00e3o, a inclus\u00e3o social? Com essas perguntas o engenheiro M\u00e1rio Baumgarten, representante da\u00a0 Coaliz\u00e3o DVB Brasil, grupo que re\u00fane principalmente fornecedores europeus de equipamentos de televis\u00e3o e telecomunica\u00e7\u00f5es e que atua em defesa da ado\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o DVB nas transmiss\u00f5es de TV aberta digital no Brasil,\u00a0 come\u00e7ou o debate promovido pela Sociedade de Engenharia do RS \u201cTV Digital \u2013 Defini\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o a ser utilizado no Brasil: Desafios e oportunidades\u201d, que aconteceu nesta quinta-feira (25\/5) em Porto Alegre.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para ele, o debate sobre tev\u00ea digital \u00e9 confuso, pois a discuss\u00e3o pol\u00edtica deveria anteceder a t\u00e9cnica e envolver toda a sociedade.\u00a0 \u201cO consumidor foi deixado de lado e vai pagar a conta. Gastou-se mais de R$ 50 milh\u00f5es com\u00a0estudos nas universidades brasileiras e at\u00e9 agora n\u00e3o se tem um comparativo de custos. Existe a defesa de um modelo sem saber o custo. No mundo o padr\u00e3o de inclus\u00e3o social \u00e9 o europeu. A proposta \u00e9 que a televis\u00e3o seja um computador de baixo custo\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Baumgarten salienta que outro tema esquecido \u00e9\u00a0o operador de rede. Sem um operador, as emissoras de tev\u00ea continuam transmitindo de suas pr\u00f3prias antenas e cada uma permanece dona de seu canal de seis MHz, um verdadeiro latif\u00fandio.<\/p>\n<p align=\"justify\">O representante da Coaliz\u00e3o DVB entende que s\u00f3 respondendo estas perguntas fundamentais poderemos discutir se o modelo ser\u00e1 brasileiro, japon\u00eas ou europeu.\u00a0 \u201cHoje a discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 transparente. Em um ano eleitoral a press\u00e3o das emissoras \u00e9 grande. Existe uma ala do governo defendendo o modelo japon\u00eas, o menos utilizado no mundo\u201d. Baumgarten refere-se ao ministro das Comunica\u00e7\u00f5es, H\u00e9lio Costa, ex-funcion\u00e1rio da Rede Globo, que defende publicamente o modelo japon\u00eas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ele reconhece que a discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 neutra, pois cada lado defende interesses determinados. Sup\u00f5e que o governo federal acabar\u00e1 decidindo por decreto. \u201cDepois vamos descobrir que o modelo japon\u00eas n\u00e3o serve e precisaremos de muita verba para adequ\u00e1-lo. Como n\u00e3o tem verba, ficar\u00e1 tudo como est\u00e1. \u00c9 f\u00e1cil entender\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">O padr\u00e3o europeu (DVB), conforme Baumgarten, j\u00e1 tem 50 ades\u00f5es no mundo e 15 pa\u00edses est\u00e3o estudando a possibilidade de adot\u00e1-lo. \u201cO modelo japon\u00eas s\u00f3 existe no Jap\u00e3o, pois teve uma rejei\u00e7\u00e3o de 100% no resto do mundo. N\u00e3o \u00e9 por problemas tecnol\u00f3gicos. \u00c9 que o governo e a ind\u00fastria definiram um padr\u00e3o dom\u00e9stico. \u00c9 uma forma do governo japon\u00eas proteger suas ind\u00fastrias. Os pre\u00e7os ficam nas alturas, mas o povo tem renda para pagar. Esta \u00e9 a raz\u00e3o da rejei\u00e7\u00e3o dos outros pa\u00edses. Afinal, ningu\u00e9m quer pagar pela reserva de mercado dos japoneses\u201d, explica. Outra d\u00favida de Baumgarten: para quem vamos exportar o modelo japon\u00eas?<br \/>\n<strong><span style=\"color: #cc3333\">Tropicaliza\u00e7\u00e3o do sistema<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 300px;height: 276px\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/reportagem\/med_dilma2.jpg?0.3881056737326641\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"275\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Ministra Dilma Rousseff est\u00e1 estimulando novamente\u00a0as pesquisas\u00a0das universidades brasileiras (Foto: Arquivo\/J\u00c1)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">O segundo palestrante foi o professor Fernando Comparsi de Castro, coordenador das pesquisas do Laborat\u00f3rio Multidisciplinar para Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e Telecomunica\u00e7\u00f5es (LMTIT) do Instituto de Pesquisas Cient\u00edficas e Tecnol\u00f3gicas (IPCT) da PUCRS sobre TV Digital. Ele defende que a tev\u00ea digital brasileira dever\u00e1 ser \u201ctropicalizada\u201d, utilizando tecnologia desenvolvida por centros de pesquisa nacionais para adaptar o padr\u00e3o de transmiss\u00e3o a ser escolhido entre ISDB (japon\u00eas) e o DVB (europeu).<\/p>\n<p align=\"justify\">Depois que o ministro H\u00e9lio Costa deixou de lado as pesquisas brasileiras para aderir ao modelo japon\u00eas, o governo Lula passou a coordena\u00e7\u00e3o do debate a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Castro diz que ela tem estimulado os trabalhos da \u201cacademia\u201d, que desde 1999 desenvolve sistemas pr\u00f3prios para a tev\u00ea digital, abrangendo l.500 pesquisadores de 80 institui\u00e7\u00f5es, agrupados em 22 cons\u00f3rcios.<\/p>\n<p align=\"justify\">A PUCRS foi respons\u00e1vel por duas linhas de pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o no contexto do Sistema Brasileiro da Televis\u00e3o Digital (SBTVD): uma \u00e9 o projeto Saint (Sistema de Antenas Inteligentes) e a outra \u00e9 o projeto Sorcer (Sistema OFDM com Redu\u00e7\u00e3o de Complexidade por Equaliza\u00e7\u00e3o Robusta). O Saint foi concebido de forma a prover robustez adicional ao receptor de televis\u00e3o digital, que consiste em efetuar ajustes eletronicamente na antena receptora da mesma maneira que um usu\u00e1rio faria manualmente objetivando a melhor qualidade de imagem. Isto permite redu\u00e7\u00e3o de custo no receptor, e, portanto, ao usu\u00e1rio final.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Sorcer \u00e9 um sistema de transmiss\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o (modula\u00e7\u00e3o) inovador, genuinamente nacional, concebido de forma a permitir recep\u00e7\u00e3o de televis\u00e3o digital em alta defini\u00e7\u00e3o fixa e m\u00f3vel, a mais de 120 Km\/h. Diferentemente dos demais sistemas OFDM (sigla em ingl\u00eas de Multiplica\u00e7\u00e3o Ortogonal por Divis\u00e3o de Freq\u00fc\u00eancia, tecnologia de transporte de dados por ondas de r\u00e1dio) para transmiss\u00e3o de televis\u00e3o que utilizam um grande n\u00famero de portadoras (normalmente mais de 8.000), o Sorcer utiliza apenas 2048 portadoras, permitindo uma consider\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o de custo no receptor, e, portanto, ao usu\u00e1rio final. Tanto o Sorcer quanto o Saint s\u00e3o tecnologias wireless (sem-fio).<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">Emissoras\u00a0fechadas com o japon\u00eas<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O terceiro plaestrante foi o engenheiro Fernando Ferreira, diretor t\u00e9cnico da RBS TV, representante da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televis\u00e3o e Telecomunica\u00e7\u00f5es (SET) e da Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Empresas de R\u00e1dio e Televis\u00e3o (Agert). Ele defende os interesses das emissoras de televis\u00e3o. Sua explana\u00e7\u00e3o foi t\u00e9cnica. Defini\u00e7\u00f5es de padr\u00f5es, direcionamento tecnol\u00f3gico, defendendo as vantagens da alta defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ferreira diz que a Agert reconhece a necessidade de regulamenta\u00e7\u00e3o da passagem da tev\u00ea aberta para digital. No entanto, disse que nunca viu tanta discuss\u00e3o para passar de um modelo anal\u00f3gico para um digital. No final, explicou a raz\u00e3o das emissoras defenderem o padr\u00e3o japon\u00eas e n\u00e3o o europeu. \u201cO DVB (europeu) n\u00e3o oferece op\u00e7\u00e3o de HDTV (alta defini\u00e7\u00e3o) m\u00f3vel e port\u00e1til em um \u00fanico canal de 6 MHz.\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Os defensores do padr\u00e3o japon\u00eas deixam de esclarecer que ponto central \u00e9 n\u00e3o alterar o modelo de neg\u00f3cios. A possibilidade das emissoras de tev\u00ea transmitir para celulares diretamente sem que seu sinal passe por operadoras de telefonia m\u00f3vel. Al\u00e9m disso, o modelo europeu \u2013 embora tamb\u00e9m permita transmiss\u00e3o simult\u00e2nea em alta defini\u00e7\u00e3o e para celulares \u2013 favorece outros produtores de conte\u00fado, que poderiam usar parte dos canais de UHF e VHF.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em resumo, o que as emissoras querem \u00e9 evitar um operador de rede e que os novos espa\u00e7os no canal de 6 MHz sejam utilizados por outros produtores de conte\u00fado. Enfim, manter tudo como est\u00e1, concentra\u00e7\u00e3o das verbas publicit\u00e1rias, com muito mais espa\u00e7o. As emissoras de televis\u00e3o \u2013 principalmente rede Globo e suas afiliadas como a RBS \u2013 querem manter os mesmos privil\u00e9gios que conquistaram a partir dos governos militares p\u00f3s-64.<\/p>\n<p align=\"justify\">A tev\u00ea digital envolve um mercado que nos pr\u00f3ximos 10 anos vai movimentar em toda a cadeia R$ 150 milh\u00f5es, acredita o professor Fernando Comparsi de Castro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rgio Lagranha O que \u00e9 a tev\u00ea digital para a sociedade brasileira? O que a sociedade quer? Qual o papel das emissoras? Como ser\u00e1 feita a interioriza\u00e7\u00e3o, a inclus\u00e3o social? Com essas perguntas o engenheiro M\u00e1rio Baumgarten, representante da\u00a0 Coaliz\u00e3o DVB Brasil, grupo que re\u00fane principalmente fornecedores europeus de equipamentos de televis\u00e3o e telecomunica\u00e7\u00f5es e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-748","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-c4","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=748"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/748\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}