{"id":754,"date":"2006-06-16T13:32:50","date_gmt":"2006-06-16T16:32:50","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=754"},"modified":"2006-06-16T13:32:50","modified_gmt":"2006-06-16T16:32:50","slug":"menores-buscam-sustento-nas-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/menores-buscam-sustento-nas-ruas\/","title":{"rendered":"Menores buscam sustento nas ruas"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span class=\"assina\">Carla Ruas<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Crian\u00e7as, jovens e adultos pedem dinheiro, roupas e comida nas cal\u00e7adas do Bom Fim todos os dias. Entre os freq\u00fcentadores da rua, alguns s\u00e3o sem-teto, outros v\u00eam de regi\u00f5es distantes para passar o dia. Todos dependem da caridade alheia.<\/p>\n<p align=\"justify\">O bairro, cada vez mais uma extens\u00e3o do Centro, \u00e9 um local visado em fun\u00e7\u00e3o do constante movimento de pedestres e carros. Ponto emblem\u00e1tico \u00e9 o trecho da rua Fernandes Vieira, entre Hernique Dias e Vasco da Gama.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por ali, dezenas de pessoas se acomodam na tarde-noite, buscando a sobreviv\u00eancia. Abordam donos de autom\u00f3veis estacionados ou retidos no sem\u00e1foro e transeuntes, especialmente os que v\u00e3o fazer compras no supermercado Zaffari.<\/p>\n<p align=\"justify\">A maioria \u00e9 menor de idade. Caso dos garotos E. e L., que moram na Vila Pedreira, no Morro Santana. Ambos com 15 anos tentam a vida como guardadores de carros. \u201cFico cuidando e ganho 1 real ou 50 centavos de cada motorista\u201d, diz E. O amigo L., sempre sorrindo, apesar de n\u00e3o ter os dentes na frente, conta que est\u00e1 na 5\u00aa s\u00e9rie, mas que n\u00e3o sabe ler. Est\u00e1 desiludido com a escola.<\/p>\n<p align=\"justify\">A jovem G., de 16 anos, vem diariamente de \u00f4nibus da Vila Laranjeira, no Morro Santana. Ela mora com a m\u00e3e, est\u00e1 matriculada na 5a s\u00e9rie do Ensino Fundamental, mas troca a sala de aula pela rua Fernandes Vieira. \u201cN\u00e3o gosto muito do col\u00e9gio\u201d, explica. Na cal\u00e7ada, ganha um pouco de dinheiro e mercadorias que leva para casa, e convive com jovens que passam pela mesma realidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Entre os adultos conhecidos na \u00e1rea, est\u00e1 Dona Maria, 32 anos. \u201c\u00c9 aqui que tiro o dinheiro para comer e alimentar minha fam\u00edlia\u201d, diz ela, que se desloca do Morro Santa Tereza, muitas vezes com as crian\u00e7as a tiracolo. \u201cS\u00e3o quatro filhos e n\u00e3o tenho com quem deixar a de dois e a de sete anos\u201d. A mais nova fica brincando dentro de uma caixa de papel\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Maria explica que ganha mais alimento do que dinheiro no local, como arroz, feij\u00e3o e leite. \u201cSe eu n\u00e3o vier para c\u00e1 n\u00e3o tenho como sobreviver\u201d. Ela recebe o benef\u00edcio do bolsa-fam\u00edlia, mas usa o dinheiro (R$100) numa casa que est\u00e1 comprando em uma \u00e1rea invadida. \u201cQuero garantir a minha casinha, depois paro de pedir e procuro um emprego\u201d, sonha.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span class=\"intertit\">Resist\u00eancia de vizinhos e comerciantes<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">O n\u00facleo de menores e adultos que buscam doa\u00e7\u00f5es na Fernandes Vieira, no Bom Fim, incomoda comerciantes e vizinhos. O propriet\u00e1rio da fruteira M\u00e3e Preta, Ademir Jos\u00e9 Siqueira, diz que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 constrangedora para quem \u00e9 abordado. \u201cAs pessoas saem das lojas com sacolas e eles v\u00eam para cima\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A gerente da Padaria P\u00e3o Nosso, na Vasco da Gama, acredita que j\u00e1 perdeu clientes que n\u00e3o gostam desta aproxima\u00e7\u00e3o. Ela reclama de um jovem que fica em frente ao estabelecimento, pedindo dinheiro aos motoristas que estacionam em frente ao seu neg\u00f3cio. O propriet\u00e1rio da Sabra Delicatessen, Marcos Brobacz, reclama da sujeira que fica na cal\u00e7ada. \u201cDe manh\u00e3 sempre tenho que varrer os restos de comida\u201d, diz ele, atribuindo o lixo aos pedintes que consomem alimentos no local.<\/p>\n<p align=\"justify\">Paulo Alves, zelador de um pr\u00e9dio da Fernandes Vieira, alega que o grupo senta em frente ao port\u00e3o, atrapalhando a entrada dos moradores. \u201cO pessoal reclama\u201d, diz. O taxista Udolfo Coste, supervisor do ponto localizado na esquina da Fernandes Vieira com a Henrique Dias ensina que a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o fazer doa\u00e7\u00f5es. \u201cEles vem para c\u00e1 porque os moradores sempre d\u00e3o mercadorias do s\u00faper\u201d. A moradora Evanice Pauletti sugere uma mobiliza\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o de comerciantes e moradores, apostando num mutir\u00e3o de doa\u00e7\u00f5es a ser entregue nas vilas de onde v\u00eam os pedintes.<\/p>\n<p align=\"justify\">O \u00f3rg\u00e3o da Prefeitura respons\u00e1vel por menores nas ruas de Porto Alegre \u00e9 o Servi\u00e7o de Educa\u00e7\u00e3o Social de Rua (Sesrua), ligado \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o de Assist\u00eancia Social e Cidadania (Fasc). Equipes realizam abordagens em locais pr\u00e9-definidos e nos solicitados por telefone. Na abordagem, o jovem de at\u00e9 14 anos \u00e9 aconselhado a ir para o Lar Dom Bosco, que tem oficinas, jogos e educadores.<\/p>\n<p align=\"justify\">De 15 a 18 anos, a op\u00e7\u00e3o \u00e9 a Escola de Porto Alegre, que oferece atividades com professores. O \u00f3rg\u00e3o mant\u00e9m fichas com nome, idade, local de moradia e escolaridade dos menores. O banco de dados confirma que boa parte dos menores e adultos que buscam a sobreviv\u00eancia na rua moram em locais afastados, como Lomba do Pinheiro, Agronomia, e at\u00e9 de Viam\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cN\u00e3o podemos tir\u00e1-los da rua \u00e0 for\u00e7a\u201d, diz a gerente do servi\u00e7o, Isabel Sim\u00f5es da Silva. Ela observa que o trecho do Bom Fim \u00e9 apenas um espelho do que acontece no resto da cidade. O telefone para solicita\u00e7\u00e3o de abordagens do Sesrua \u00e9 3221.2024, de segunda a sexta, das 7h \u00e0s 24h, e s\u00e1bados, domingos e feriados, das 7h \u00e0s 19h.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carla Ruas Crian\u00e7as, jovens e adultos pedem dinheiro, roupas e comida nas cal\u00e7adas do Bom Fim todos os dias. Entre os freq\u00fcentadores da rua, alguns s\u00e3o sem-teto, outros v\u00eam de regi\u00f5es distantes para passar o dia. Todos dependem da caridade alheia. 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