{"id":760,"date":"2006-07-05T13:38:13","date_gmt":"2006-07-05T16:38:13","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=760"},"modified":"2006-07-05T13:38:13","modified_gmt":"2006-07-05T16:38:13","slug":"dias-da-cruz-vai-completar-100-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/dias-da-cruz-vai-completar-100-anos\/","title":{"rendered":"Dias da Cruz vai completar 100 anos"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/Cidade2\/med_diasdacruz.jpg?0.16435866085625472\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Institui\u00e7\u00e3o\u00a0abriga h\u00e1 75 anos pessoas de toda a cidade (Fotos: Helen Lopes)<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Helen Lopes<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A fila come\u00e7a \u00e0s 17h30. Num banco de cimento, embaixo de um telhado meia-\u00e1gua, homens, mulheres, idosos, jovens, sozinhos ou acompanhados com crian\u00e7as esperam a recep\u00e7\u00e3o abrir, todos na procura de um pouso para passar a noite. Tem sem-teto, desempregados, moradores do interior com parente no hospital, pessoas que vieram tentar a vida na Capital e outras que por algum motivo est\u00e3o na rua.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c1s 18h30, come\u00e7a a confer\u00eancia dos dados e a distribui\u00e7\u00e3o das chaves, para que cada um guarde seus pertences. Primeiro entram as mulheres que dormiram na casa no dia anterior, depois as que v\u00eam pela primeira vez, em seguida, os homens, na mesma ordem.<\/p>\n<p align=\"justify\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/Cidade2\/med_denoci_diasdacruz.jpg?0.6916077947275461\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"183\" height=\"239\" align=\"right\" \/>Em comum, a express\u00e3o cansada e a negativa em falar, uns por vergonha, outros por medo. Apenas os primos Luiz Fernando Dutra, de 25 anos, e Denoci Castro(foto), de 21 anos, decidem contar suas hist\u00f3rias. Nascidos em Pelotas, os dois desembarcaram na Capital h\u00e1 um m\u00eas. \u201cViemos trabalhar em Porto Alegre porque l\u00e1 est\u00e1 muito dif\u00edcil\u201d, justifica Castro, que saiu do interior pela primeira vez.<\/p>\n<p align=\"justify\">O primo mais velho est\u00e1 na estrada h\u00e1 mais tempo. \u201cPassei 11 meses em Novo Hamburgo, desses, tr\u00eas foram na rua\u201d, recorda Dutra, pai de uma menina de seis anos. \u201cExistem situa\u00e7\u00f5es em que tu cai um degrau e \u00e9 desacreditado. Agora t\u00f4 me reerguendo\u201d. Eles conseguiram trabalho como servente em uma constru\u00e7\u00e3o na zona sul da cidade.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/Cidade2\/med_luiz_diasdacruz.jpg?0.821030969881213\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Luiz Fernando: &#8220;Agora t\u00f4 me reerguendo&#8221;<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Os dois est\u00e3o dormindo h\u00e1 quase 30 dias no albergue noturno do Instituto Esp\u00edrita Dias da Cruz, na esquina da Avenida Azenha com a Ipiranga. O per\u00edodo m\u00e1ximo de uso de cada visitante \u00e9 de 10 dias nos meses quentes e 15 nos demais. Isso a cada dois meses. Ou seja, a dupla \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/Cidade2\/med_oswaldo_diasdacruz.jpg?0.5142510042861217\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"153\" height=\"176\" align=\"right\" \/>\u201c\u00c9 que os rapazes est\u00e3o trabalhando\u201d, explica o presidente da entidade, Oswaldo Oliveira da Silva (foto). \u201cQuando arrumam emprego ou o parente continua internado ampliamos o prazo, mediante documenta\u00e7\u00e3o, porque sen\u00e3o, ao inv\u00e9s de albergados, teremos moradores\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">O albergue Dias da Cruz funciona desde 1927, de domingo a domingo. \u201cNesses 75 anos, nunca fechamos uma noite\u201d, comemora Oswaldo, de 70 anos. Ele se dedica em tempo integral \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, desde que se aposentou da Brigada Militar.<\/p>\n<p align=\"justify\">A rotina de quem procura a casa \u00e9 bem definida. Depois da triagem, seguem para o banho, recebem roupas limpas e chinelos para dormir e s\u00e3o convidados a assistir uma palestra de 10 minutos, religiosa ou com psic\u00f3logas volunt\u00e1rias. Logo ap\u00f3s, a janta \u00e9 servida e \u00e0s 21h v\u00e3o para o dormit\u00f3rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">A disciplina \u00e9 mantida no dia seguinte. \u00c0s 6h30 da manh\u00e3, todos t\u00eam que estar de p\u00e9, pois o caf\u00e9 da manh\u00e3 j\u00e1 est\u00e1 na mesa. \u201cO pessoal reclama de acordar cedo, mas \u00e9 muita gente para se ajeitar, tem que ser assim\u201d, entende o albergado Denoci Castro.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Dias da Cruz tem capacidade para 100 pessoas (62 vagas masculinas e 38 femininas \u2013 meninos de at\u00e9 12 anos ficam com a m\u00e3e). O atendimento \u00e9 feito por dois funcion\u00e1rios com carteira assinada. Os demais s\u00e3o volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 o caso de Alexandre C\u00e2ndido da Silva, que h\u00e1 sete anos atr\u00e1s foi albergado e hoje auxilia na recep\u00e7\u00e3o. \u201cFui parar na rua porque me desentendi com a fam\u00edlia e n\u00e3o tinha como pagar aluguel. Aqui me deram uma m\u00e3o e voltei a trabalhar\u201d, conta o homem de 38 anos, pai de tr\u00eas filhos. H\u00e1 mais de tr\u00eas meses como volunt\u00e1rio, ele acredita que \u201cexiste gente boa nessa situa\u00e7\u00e3o, cada um com algum problema, uns choram, se acomodam, outros d\u00e3o a volta por cima\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">Entidade completa 100 anos em janeiro de 2007<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O Instituto Dias da Cruz surgiu em janeiro de 2007, a partir da iniciativa de um pequeno grupo de adeptos do Espiritismo, que fundaram a Sociedade Esp\u00edrita Dias da Cruz. \u201cA id\u00e9ia de construir um albergue era antiga e pertencia a todo o movimento esp\u00edrita de Porto Alegre\u201d, recorda o presidente da entidade. Esp\u00edrita desde a adolesc\u00eancia, Oswaldo conta que em 1926, os membros do Dias da Cruz fizeram um mutir\u00e3o e constru\u00edram o albergue com 25 leitos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outra a\u00e7\u00e3o da entidade \u00e9 a creche Casa do Pequenino, que tem como objetivo atender crian\u00e7as de fam\u00edlia de baixa renda. \u201cNosso \u00fanico pedido \u00e9 que os pais estejam trabalhando\u201d, ressalta Oswaldo. Inaugurada em 1981, acolhe 153 crian\u00e7as de quatro meses a sete anos. \u201cContratamos professores com pedagogia ou que estejam cursando\u201d, enfatiza a coordenadora Zuleica da Silva.<\/p>\n<p align=\"justify\">At\u00e9 hoje, o Dias da Cruz se sustenta atrav\u00e9s do trabalho de volunt\u00e1rios e de doa\u00e7\u00f5es. Para ajudar \u00e9 necess\u00e1rio pegar um carn\u00ea para dep\u00f3sito banc\u00e1rio, na sede da entidade (Avenida Azenha, 366),\u00a0ou entregar\u00a0alimentos ao mesmo endere\u00e7o. Informa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do telefone: 3223-1938.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Institui\u00e7\u00e3o\u00a0abriga h\u00e1 75 anos pessoas de toda a cidade (Fotos: Helen Lopes) Helen Lopes A fila come\u00e7a \u00e0s 17h30. Num banco de cimento, embaixo de um telhado meia-\u00e1gua, homens, mulheres, idosos, jovens, sozinhos ou acompanhados com crian\u00e7as esperam a recep\u00e7\u00e3o abrir, todos na procura de um pouso para passar a noite. 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