{"id":765,"date":"2006-08-07T13:42:40","date_gmt":"2006-08-07T16:42:40","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=765"},"modified":"2006-08-07T13:42:40","modified_gmt":"2006-08-07T16:42:40","slug":"criadora-da-daspu-tera-biografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/criadora-da-daspu-tera-biografia\/","title":{"rendered":"Criadora da Daspu ter\u00e1 biografia"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_4429\" aria-describedby=\"caption-attachment-4429\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/bsb-mix-034.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4429 size-medium\" title=\"bsb-mix-034\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/bsb-mix-034-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4429\" class=\"wp-caption-text\">Em 2005, Gabriela lan\u00e7ou grife de roupas desenhadas por prostitutas | Fotos: Carlos Matsubara\/J\u00c1)<\/figcaption><\/figure>\n<p align=\"justify\"><span class=\"assina\">Carlos Matsubara, de Bras\u00edlia, especial para o J\u00c1<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">A criadora da marca Daspu, Gabriela Leite, 55 anos, ter\u00e1 sua vida contada em livro. No s\u00e1bado, 5 de agosto, ela revelou, em entrevista exclusiva ao J\u00c1, que assinou um contrato na \u00faltima quinta-feira com a Editora Objetiva para lan\u00e7ar sua biografia em fevereiro de 2007.<\/p>\n<p align=\"justify\">A conversa foi no BSB Mix, evento de moda alternativa, em Bras\u00edlia.<br \/>\nL\u00e1 a Daspu realizou um desfile que teve grande sucesso, como vem ocorrendo com a grife de roupas desenhadas por prostitutas da ONG Davida desde que foi lan\u00e7ada por Gabriela em 2005, no Rio de Janeiro. Desta vez, os aplausos vieram da high society, num dos lugares mais chiques e badalados da cidade, o Pont\u00e3o do Lago Sul.<\/p>\n<p align=\"justify\">A entrada das prostitutas no mundinho fashion foi uma iniciativa de Gabriela que de tanto ouvir o velho chav\u00e3o \u201cvestida como uma puta\u201d pensou criar uma linha de vestu\u00e1rio completa. H\u00e1 desde roupas \u201cde batalha\u201d at\u00e9 as de ativismo (direitos humanos, preven\u00e7\u00e3o a AIDS e DSTs). \u201cNa verdade sempre produzimos moda. Agora estamos nos apropriando de nossas compet\u00eancias tamb\u00e9m nessa \u00e1rea\u201d, entende Gabriela.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ela nasceu no bairro Vila Mariana, em S\u00e3o Paulo. Chegou a cursar Sociologia por dois anos na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). \u201cEntrei virgem na USP e sa\u00ed puta\u201d, lembra, repudiando qualquer outra designa\u00e7\u00e3o para seu of\u00edcio. Odeia ser politicamente correta. \u201cOs hip\u00f3critas tentam fazer desses nomes, como \u2018garota de programa\u2019. Isso eu n\u00e3o aceito\u201d, critica.<\/p>\n<p align=\"justify\">Voltando a USP. Eram os tempos da ditadura e o curso de Sociologia se dividia em duas turmas: os guerrilheiros propriamente ditos e os da contra-cultura. Gabriela se encaixou no segundo. Freq\u00fcentava mais os bares do Redondo do que a sala de aula. Assim conheceu \u201cgente da pesada\u201d, como o escritor maldito dos temas malditos, Pl\u00ednio Marcos e o diretor de teatro Z\u00e9 Celso Martinez.<\/p>\n<p><iframe title=\"Daspu abre 7\u00ba Fumec Forma Moda 2008 - 1\/2 -\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WHHbwIW44X4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cO Redondo era um lugar que todo mundo freq\u00fcentava. S\u00f3 que eu comecei a me cansar dessa coisa de revolu\u00e7\u00e3o de botequim\u201d, conta. Perto dali tamb\u00e9m tinha uma boate de prostitui\u00e7\u00e3o, a La Licorne, muito famosa na \u00e9poca. Muitas vezes as meninas que trabalhavam por ali eram motivos dos papos-cabe\u00e7a do botequim. \u201cFoi ent\u00e3o que pensei pela primeira vez em ir pra prostitui\u00e7\u00e3o\u201d, lembra.<\/p>\n<p align=\"justify\">Gabriela estava cansada de trabalhar durante o dia e estudar a noite. J\u00e1 tinha pego o gostinho da vida bo\u00eamia e descobriu que era isso que queria fazer da vida. \u201cN\u00e3o ag\u00fcentava mais bater cart\u00e3o e eu adorava a noite\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span class=\"intertit\">Boca do Lixo<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Com 22 anos e desempregada, parou num botequim para tomar uma cerveja e conheceu um cafet\u00e3o que lhe apresentou a dona de um apartamento de prostitui\u00e7\u00e3o na Boca do Lixo paulistana. \u201cAs grandes coisas da minha vida sempre acontecem em botequins, sempre. Ou porque eu freq\u00fcento demais ou porque eu tenho uma transa com botequim\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A entrada de Gabriela no ativismo aconteceu gra\u00e7as ao sumi\u00e7o de duas colegas. Com o tempo suas amizades passaram a ser as amizades da prostitui\u00e7\u00e3o. \u201cEra uma maravilha, prostitutas, malandros, cafetinas, gar\u00e7ons&#8230; Adorava essa minha vida social, ali no meio da minha marginalia\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ia tudo muito tranq\u00fcilo, at\u00e9 que em 1979 um delegado linha-dura resolveu prender e torturar as prostitutas e travestis da Boca do Lixo. Duas colegas desapareceram, uma delas gr\u00e1vida, foi torturada e morta. \u201cTudo isso estava acontecendo e a sociedade n\u00e3o sabia de nada. Foi quando voltei a pensar a Sociedade\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Organizou uma passeata que foi um esc\u00e2ndalo e retomou a amizade com os amigos do teatro. Os primeiros a apoiar foram os artistas alternativos. \u201cA Ruth Escobar, que nem era do nosso grupo, era do teatro tradicional e ainda n\u00e3o era pol\u00edtica, tinha um teatro na Rua dos Ingleses e ofereceu para a gente fazer uma assembl\u00e9ia\u201d, recorda. A repercuss\u00e3o foi tanta que o delegado foi afastado pelo secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a e tudo voltou ao normal.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foram muitos anos na Boca do Lixo, at\u00e9 que Gabriela resolveu pegar a estrada. Literalmente. De carona em carona, sempre se prostituindo, ela percorreu v\u00e1rios Estados do pa\u00eds. Assim, diz ela, conheceu todos as faces da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/bsb-mix-038.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4432 size-medium\" title=\"bsb-mix-038\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/bsb-mix-038-300x400.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\"><span class=\"intertit\">\u201cMe senti a pr\u00f3pria Hilda Fura\u00e7\u00e3o\u201d<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Morou um ano em Belo Horizonte e adorou a cidade. Na zona boemia de l\u00e1, sentiu-se a pr\u00f3pria Hilda Furac\u00e3o. \u201cGanhei muito dinheiro em BH\u201d. Mas em 1982, depois de passar um final de semana no Rio de Janeiro, se encantou e ficou de vez. Foi morar na Vila Mimosa e virou Est\u00e1cio de S\u00e1 desde criancinha.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cLembro que foi morando na Vila Mimosa que conheci a Benedita da Silva, rec\u00e9m-eleita como vereadora. Ela foi um dia na zona nos convidar para um primeiro encontro de mulheres de favela e periferia\u201d, conta. Foi a primeira vez que Gabriela falou em p\u00fablico. Logo ela, que se diz uma \u201ct\u00edmida de carteirinha\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 em 1997 organizou o I Encontro Nacional das Prostitutas com o apoio financeiro do Instituto de Ensino da Religi\u00e3o (Iser) e de alguns profissionais da m\u00eddia carioca. \u201cFui de zona em zona buscar participa\u00e7\u00e3o das colegas\u201d, recorda. Disso surgiu a Rede Nacional das Prostitutas, uma articula\u00e7\u00e3o de 30 associa\u00e7\u00f5es de todo o Brasil.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s o rompimento com o Iser no ano seguinte, fundou a ONG Davida em parceria com o jornalista Fl\u00e1vio Lenz, editor do jornal Beijo da Rua e seu companheiro at\u00e9 hoje. \u201cAgora \u00e9 f\u00e1cil falar, mas foi muito complicado, quem nos financiava, n\u00e3o quis mais financiar e o Fl\u00e1vio foi chamado at\u00e9 de cafet\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com pouco dinheiro que tinha resolveu montar um restaurante e um pagode no Est\u00e1cio para ajudar nas finan\u00e7as da ONG. Foi o maior sucesso, o nome era Pagode da Vida. \u201cMinha pescadinha da quarta-feira era famos\u00edssima\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Hoje a Davida trabalha forte na quest\u00e3o da Aids participando dos f\u00f3runs estadual do Rio de Janeiro e da articula\u00e7\u00e3o nacional. \u201cA gente interfere nas pol\u00edticas p\u00fablicas das prostitutas l\u00e1 do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span class=\"intertit\">Daspu X Daslu<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">A grande cartada da ONG ainda estava por vir. Em julho do ano passado, durante uma festa de anivers\u00e1rio da Davida, novamente em um botequim, um dos funcion\u00e1rios teve um insight. \u201cS\u00edlvio sacou que o nome Daslu estava na m\u00eddia [na \u00e9poca, a dona Eliane Tranchesi havia sido presa acusada de lavagem de dinheiro] e todo mundo adorou\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com quase tudo pronto para lan\u00e7ar a cole\u00e7\u00e3o, uma notinha no Elio Gaspari dizendo que as prostitutas da Tiradentes estavam fundando uma grife chamada Daspu alertou a dire\u00e7\u00e3o da loja paulistana.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na mesma semana as prostitutas receberam uma notifica\u00e7\u00e3o extrajudicial dizendo que n\u00e3o podiam usar o nome Daspu, argumentando que est\u00e1vamos prejudicando a imagem da loja. \u201cS\u00f3 os nomes dos advogados ocuparam uma p\u00e1gina inteira\u201d, recorda, acendendo mais um cigarro, o quarto em pouco mais de meia-hora de conversa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Passado o susto, resolveram registrar a marca e deu tudo certo. T\u00e3o certo quanto sua estr\u00e9ia no Fashion Rio, pelo estande do Sebrae, quando fizeram um desfile mais concorrido que o da Gisele B\u00fcndchen. \u201cJ\u00e1 temos outros desfiles agendados, fizemos uma parceria com o Instituto Zuzu Angel para ajudar nessa coisa de estilo\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">De uma coisa a Daspu n\u00e3o abre m\u00e3o. Quer garantir que suas prostitutas estejam sempre desfilando. \u201cQueremos um novo conceito de mulher\u201d. Uma de suas novas camisas traz a frase: moda \u00e9 pra mudar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Matsubara, de Bras\u00edlia, especial para o J\u00c1 A criadora da marca Daspu, Gabriela Leite, 55 anos, ter\u00e1 sua vida contada em livro. No s\u00e1bado, 5 de agosto, ela revelou, em entrevista exclusiva ao J\u00c1, que assinou um contrato na \u00faltima quinta-feira com a Editora Objetiva para lan\u00e7ar sua biografia em fevereiro de 2007. 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