{"id":7713,"date":"2010-10-28T14:07:10","date_gmt":"2010-10-28T17:07:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=7713"},"modified":"2010-10-28T14:07:10","modified_gmt":"2010-10-28T17:07:10","slug":"o-dia-em-que-nei-lisboa-ficou-triste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-dia-em-que-nei-lisboa-ficou-triste\/","title":{"rendered":"A saga do viol\u00e3o extraviado e mutilado"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Rafaela Ely<\/span><br \/>\nNei havia tocado em Bras\u00edlia no dia anterior e voltava para Porto Alegre. No Aeroporto Juscelino Kubitschek teve que despachar o instrumento, pois era muito grande e j\u00e1 levava outro na cabine. Quando chegou ao Aeroporto Salgado Filho, o viol\u00e3o n\u00e3o apareceu na esteira de bagagens.<br \/>\nO m\u00fasico procurou a equipe da companhia para saber o que estava acontecendo. Eles lhe informaram que o instrumento fora localizado mas s\u00f3 depois \u00e9 que disseram que ele estava danificado. \u201cA\u00ed eu me preocupei, eles n\u00e3o teriam dito isso se fosse s\u00f3 um arranh\u00e3ozinho\u201d, lembra o cantor.<br \/>\nO acidente aconteceu porque, na hora de descarregar a aeronave, o viol\u00e3o foi colocado no topo da pilha de bagagens que o ve\u00edculo de transporte carregava. No caminho, o instrumento caiu na pista e, como se n\u00e3o bastasse, o trator passou por cima dele.<br \/>\nFoi com esse viol\u00e3o que Nei comp\u00f4s a maioria de suas can\u00e7\u00f5es. \u201cEra o viol\u00e3o que eu mais gostava\u201d, desabafa. Ele diz que se sentia muito confort\u00e1vel com o instrumento e que ser\u00e1 dif\u00edcil criar uma afinidade assim com qualquer outro. Por ser o mais usado em shows e pelo seu formato, Nei acredita que aquele viol\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma identidade que as pessoas associam com ele.<br \/>\nEsse era um modelo Washburn EA44, da s\u00e9rie \u201cFestival\u201d de 1993. Sua constru\u00e7\u00e3o emprega madeiras nobres e suas laterais e a parte de tr\u00e1s foram fabricadas com jacarand\u00e1 brasileiro. Nei explica que, por causa das mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o ambiental, hoje fica invi\u00e1vel fazer um viol\u00e3o igual a esse. Por isso, como indeniza\u00e7\u00e3o, pediu para a empresa um viol\u00e3o da marca Martin, modelo OMC 16OGTE. \u201cEssa \u00e9 uma mera equival\u00eancia de sonoridade\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Ida e volta a Nova Iorque<\/span><br \/>\nComo o acidente aconteceu no final da tarde de sexta, s\u00f3 na segunda-feira, dia 18, que o m\u00fasico tratou o ressarcimento com a companhia. Ele pediu que a empresa lhe desse o viol\u00e3o Martin, e, para indeniza\u00e7\u00e3o de dano moral, uma passagem de ida e volta para Nova Iorque.<br \/>\nEles n\u00e3o aceitaram e propuseram R$ 800,00 para a substitui\u00e7\u00e3o do viol\u00e3o e duas passagens para v\u00f4os dom\u00e9sticos. Nei negou a oferta. Em 1993, quando comprou o viol\u00e3o, ele custava US$ 1.100,00. O Martin que ele est\u00e1 pedindo agora vale US$ 1.650,00. \u201c\u00c9 o m\u00ednimo para se equiparar.\u201d Ele explica que n\u00e3o \u00e9 apenas o valor do viol\u00e3o que importa: \u201cAl\u00e9m da quest\u00e3o meramente t\u00e9cnica, tem a quest\u00e3o subjetiva do instrumento que pautou minha vida\u201d.<br \/>\nNo dia seguinte, o m\u00fasico fez um v\u00eddeo-protesto que postou na internet. Em menos de 24h teve 4 mil acessos. Conta que tomou essa atitude, pois acredita que o procedimento padr\u00e3o das grandes firmas \u00e9 n\u00e3o negociar com clientes. \u201cEles preferem entrar na justi\u00e7a, pois, na m\u00e9dia, quem ganha \u00e9 a empresa.\u201d Para ele isso acontece porque a maioria dos clientes n\u00e3o tem o poder de exercer press\u00e3o contra as corpora\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNo v\u00eddeo, ele explicou toda a situa\u00e7\u00e3o e mostrou o viol\u00e3o destru\u00eddo. O material repercutiu na internet, principalmente no Twitter. Nei conta que em menos de 24 horas a central de bagagens da companhia j\u00e1 ligava para fazer uma proposta. No dia 21, m\u00fasico e empresa fizeram acordo de que o viol\u00e3o seria pago e o v\u00eddeo retirado do ar. O novo viol\u00e3o ainda n\u00e3o chegou, mas o prazo estabelecido foi de trinta dias. O v\u00eddeo sumiu da Web.<br \/>\nApesar de estar completamente destru\u00eddo, Nei guarda o viol\u00e3o antigo. Ele pretende restaur\u00e1-lo \u201cn\u00e3o para tocar, mas para colocar na parede\u201d.<br \/>\nQuando pedimos uma foto dele com o resto do instrumento, Nei disse que n\u00e3o: \u201c\u00c9 muito doloroso\u201d, argumenta. Apesar da dor, o m\u00fasico se diz \u201cmuito agradecido pela mobiliza\u00e7\u00e3o das pessoas e pela presteza da companhia\u201d. O seu novo viol\u00e3o foi despachado de Nova Iorque no dia 27 e deve chegar para o m\u00fasico na noite do dia 28.<br \/>\n<em>Rafaela Ely, estudante de jornalismo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rafaela Ely Nei havia tocado em Bras\u00edlia no dia anterior e voltava para Porto Alegre. No Aeroporto Juscelino Kubitschek teve que despachar o instrumento, pois era muito grande e j\u00e1 levava outro na cabine. Quando chegou ao Aeroporto Salgado Filho, o viol\u00e3o n\u00e3o apareceu na esteira de bagagens. 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