{"id":793,"date":"2006-10-23T14:13:50","date_gmt":"2006-10-23T17:13:50","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=793"},"modified":"2006-10-23T14:13:50","modified_gmt":"2006-10-23T17:13:50","slug":"especialistas-avaliam-impactos-ambientais-de-fontes-alternativas-de-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/especialistas-avaliam-impactos-ambientais-de-fontes-alternativas-de-energia\/","title":{"rendered":"Especialistas avaliam impactos ambientais de fontes alternativas de energia"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/energia_eolica\/med_cataventosperfilados2_geraldohasse.jpg?0.17394301326416928\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"224\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>&#8220;As aves sofrem impactos consider\u00e1veis em zonas e\u00f3licas&#8221;,\u00a0aponta bi\u00f3logo<br \/>\n(Foto: Geraldo Hasse\/Arquivo\/J\u00c1)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Tatiana Feldens, especial para o J\u00c1<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A crescente demanda por energia somada a instabilidade dos pre\u00e7os e \u00e0 depend\u00eancia mundial dos recursos f\u00f3sseis fizeram o planeta se curvar diante das fontes alternativas. No Rio Grande do Sul, segundo o bi\u00f3logo Jan Karel M\u00e4hler Junior, mestre em Manejo de Fauna pela Universidade de C\u00f3rdoba na Argentina, algumas iniciativas \u2013 como biodiesel, energia solar, biomassa e e\u00f3lica \u2013 est\u00e3o sendo buscadas como op\u00e7\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade livre de impacto ambiental.<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora enalte\u00e7a seus benef\u00edcios, ressalta o equ\u00edvoco da sociedade e dos governos em n\u00e3o visualizar os impactos ambientais decorrentes das fontes renov\u00e1veis. &#8220;N\u00e3o adianta pensarmos numa fonte alternativa e n\u00e3o pensarmos nos impactos ambientais. N\u00e3o \u00e9 por ser uma gera\u00e7\u00e3o limpa que n\u00e3o pode gerar passivo&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">No Parque E\u00f3lico de Os\u00f3rio, por exemplo, que come\u00e7ou a gerar energia em junho, j\u00e1 existe um monitoramento para avalia\u00e7\u00e3o de danos. M\u00e4hler Junior controla as aves da regi\u00e3o, avaliando quais os preju\u00edzos causados pelo parque. Segundo ele, no mundo, todas as aves sofrem impactos consider\u00e1veis em zonas e\u00f3licas. &#8220;N\u00e3o s\u00f3 pelas torres, mas pelas linhas de transmiss\u00e3o instaladas. Elas podem colidir e deixar de procriar. Enfrentam problemas de dormit\u00f3rio, bem como a pr\u00f3pria reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie&#8221;, explica.<\/p>\n<p align=\"justify\">O bi\u00f3logo tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para os impactos que antecedem a gera\u00e7\u00e3o desta fonte alternativa, ou seja, os problemas causados no per\u00edodo de constru\u00e7\u00e3o do empreendimento. &#8220;Precisa-se abrir estradas em meio aos terrenos \u2013 grandes carretas trafegam nas imedia\u00e7\u00f5es, tendo em vista que cada torre tem pelo menos 33 metros \u2013, o que provoca uma grande altera\u00e7\u00e3o ambiental. Al\u00e9m disso, aves e outros animais invertebrados acabam morrendo atropelados&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">M\u00e4hler sugere a necessidade de se fazer estudos pr\u00e9vios, a escolha dos locais onde ser\u00e3o instalados os &#8220;aerogeradores&#8221;. Ele conta que a Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam) e a Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica realizaram zoneamento e\u00f3lico no Estado. Ficou constatado, no estudo, que, na regi\u00e3o serrana do Sudeste, a implanta\u00e7\u00e3o de parques, do ponto de vista ambiental, seria grav\u00edssimo, por que o local \u00e9 bastante fr\u00e1gil. O relevo n\u00e3o favorece os parques e\u00f3licos. &#8220;Isso mostra que n\u00e3o adianta a gente pensar numa fonte alternativa e n\u00e3o pensar nos seus respectivos impactos ambientais. Ela pode ser uma gera\u00e7\u00e3o limpa, mas n\u00e3o quer dizer que por isso ela seja ben\u00e9fica, que pode ser aplicada em qualquer lugar&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">Catalisadores qu\u00edmicos x catalisadores biodegrad\u00e1veis<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Embora surja no cen\u00e1rio nacional como alternativa sustent\u00e1vel, o biodiesel tamb\u00e9m deve ser estudado de forma cautelosa, na avalia\u00e7\u00e3o da doutoranda em biotecnologia na quest\u00e3o do biodiesel pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Roberta Bussamara. Ela alerta que ainda n\u00e3o h\u00e1 estudos relativos aos problemas ambientais causados por esta alternativa. &#8220;Por enquanto, todo mundo est\u00e1 se preocupando apenas em construir a usina&#8221;, observa.<\/p>\n<p align=\"justify\">O cuidado necess\u00e1rio, segundo Roberta, diz respeito aos catalisadores qu\u00edmicos utilizados no tratamento de efluentes, al\u00e9m de alguns produtos retirados na lavagem e eliminados posteriormente no ambiente. &#8220;Forma muito sab\u00e3o e sais. Na maioria das vezes, esses produtos restantes podem ser t\u00f3xicos e prejudiciais tanto aos recursos h\u00eddricos e ao solo, como aos seres humanos&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">A solu\u00e7\u00e3o apontada seria produzir biodiesel por meio de catalisadores biol\u00f3gicos (biodegrad\u00e1veis), na tentativa de evitar problemas ao ecossistema. &#8220;N\u00f3s (o Centro de Biotecnologia da UFRGS) j\u00e1 desenvolvemos o catalisador e, agora, estamos produzindo o biodiesel. Isso est\u00e1 trazendo bons rendimentos. \u00c9 mais vi\u00e1vel porque reduz o custo de produ\u00e7\u00e3o e, al\u00e9m disso, para o meio ambiente \u00e9 muito melhor por que n\u00e3o produz nenhum tipo de rejeito que possa ser t\u00f3xico ao ecossistema quando eliminado&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p align=\"justify\">O N\u00facleo Amigos da Terra Brasil (NAT) aponta prov\u00e1veis problemas j\u00e1 no cultivo da agricultura, utilizada na obten\u00e7\u00e3o de energia e salienta a necessidade de se estabelecer crit\u00e9rios na forma de produ\u00e7\u00e3o. A ONG recha\u00e7a toda e qualquer forma de cultivo transg\u00eanico das oleanoginosas, tanto para a produ\u00e7\u00e3o de energia, como para o cultivo de alimentos. &#8220;N\u00f3s somos contr\u00e1rios \u00e0 biotecnologia para qualquer finalidade&#8221;, admite L\u00facia Ortiz, ge\u00f3loga e coordenadora -geral da ONG.<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora n\u00e3o haja pesquisas que confirmem o passivo causado pelos transg\u00eanicos \u00e0 sa\u00fade humana e \u00e0 biodiversidade, L\u00facia questiona a possibilidade de contamina\u00e7\u00e3o do solo e, conseq\u00fcentemente, na produ\u00e7\u00e3o de outros alimentos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Diante das medidas tomadas pelo governo federal no programa nacional para o biodiesel, como o lan\u00e7amento do Selo Combust\u00edvel Social \u2013 conjunto de medidas espec\u00edficas visando estimular a inclus\u00e3o social da agricultura na cadeia produtiva do biodiesel \u2013 a especialista reivindica a necessidade de se criar tamb\u00e9m um Selo Ambiental na produ\u00e7\u00e3o desta energia alternativa. &#8220;Todos os esfor\u00e7os iniciais foram concentrados na quest\u00e3o social. Mas a gente espera obter resultados na parte ambiental tamb\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para isso, no in\u00edcio deste ano, o NAT elaborou um documento, traduzido para o ingl\u00eas, com o objetivo de propor crit\u00e9rios de sustentabilidade para a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel e para todas as energias obtidas atrav\u00e9s da biomassa. O assunto est\u00e1 sendo discutido em n\u00edvel internacional, tanto por pa\u00edses produtores como por na\u00e7\u00f5es consumidoras de biodiesel. No pa\u00eds, o debate ocorre com a Petrobras.<\/p>\n<p align=\"justify\">A eletricidade obtida por meio dos reatores nucleares responde, atualmente, por cerca de 6,5% do total da matriz en\u00e9rgica mundial. Esse n\u00famero, segundo M\u00e4hler Junior, poder\u00e1 aumentar, na medida em que a popula\u00e7\u00e3o cresce e a demanda por energia aumenta. &#8220;Principalmente, na Europa e na \u00c1sia, pois eles n\u00e3o t\u00eam muitas fontes alternativas de energia como n\u00f3s. Por isso, precisam investir na nuclear&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">No Brasil, h\u00e1 duas usinas: Angra I e Angra II, ambas funcionando, segundo o bi\u00f3logo. Embora acredite que a implanta\u00e7\u00e3o de uma usina n\u00e3o seja t\u00e3o prejudicial, tendo em vista que n\u00e3o gera uma perda grande de h\u00e1bitat, o bi\u00f3logo ressalta n\u00e3o ser favor\u00e1vel a essa alternativa. &#8220;Temos que pensar no passivo provocado pela gera\u00e7\u00e3o do lixo nuclear, assim como na possibilidade de haver algum acidente. Se isso acontecer, o efeito ser\u00e1 catastr\u00f3fico e muito duradouro&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Semelhante avalia\u00e7\u00e3o tem L\u00facia Ortiz, para quem a energia nuclear, al\u00e9m de bastante cara, n\u00e3o compensa pelos riscos de acidentes catastr\u00f3ficos. &#8220;\u00c9 a fatal perman\u00eancia no ambiente de res\u00edduos radioativos por milhares de anos, o que a torna uma op\u00e7\u00e3o totalmente descart\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;As aves sofrem impactos consider\u00e1veis em zonas e\u00f3licas&#8221;,\u00a0aponta bi\u00f3logo (Foto: Geraldo Hasse\/Arquivo\/J\u00c1) Tatiana Feldens, especial para o J\u00c1 A crescente demanda por energia somada a instabilidade dos pre\u00e7os e \u00e0 depend\u00eancia mundial dos recursos f\u00f3sseis fizeram o planeta se curvar diante das fontes alternativas. 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