{"id":7942,"date":"2010-11-18T08:33:52","date_gmt":"2010-11-18T11:33:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=7942"},"modified":"2010-11-18T08:33:52","modified_gmt":"2010-11-18T11:33:52","slug":"nova-onda-em-capao-e-adjacencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/nova-onda-em-capao-e-adjacencias\/","title":{"rendered":"Nova onda em Cap\u00e3o e adjac\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p><figure id=\"attachment_7944\" aria-describedby=\"caption-attachment-7944\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/condominios-litoral-RS-Tao-Hasse1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-7944  \" title=\"condominios litoral RS-Tao Hasse\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/condominios-litoral-RS-Tao-Hasse1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7944\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Tao Hasse<\/figcaption><\/figure><br \/>\n(Geraldo Hasse) A classe m\u00e9dia alta fecha-se em condom\u00ednios murados no litoral norte.\u00a0Quem trafega pela Estrada do Mar na regi\u00e3o de Cap\u00e3o da Canoa e Xangri-La, encontra na paisagem not\u00f3rios sinais de identifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica com ricos balne\u00e1rios custeados por d\u00f3lares (nos EUA) e petrod\u00f3lares (Abu Dhabi). S\u00e3o condom\u00ednios murados com casas prontas ou em constru\u00e7\u00e3o no estilo de Jurer\u00ea Internacional (norte de Florian\u00f3polis), que buscou inspira\u00e7\u00e3o em Beverly Hills (California) e Miami (Florida).<br \/>\nS\u00e3o mans\u00f5es sem muros nem grades nas quais \u00e9 moda, quase regra, o paisagismo com palm\u00e1ceas. Quem n\u00e3o encontra tamareira, planta butiazeiro nativo. Quem n\u00e3o tem para o buti\u00e1, vai de coqueiro geriv\u00e1. O culto \u00e0 flora ex\u00f3tica \u00e9 atestado pelo plantio sistem\u00e1tico do pinus norte-americano na restinga e at\u00e9 no meio das dunas. O pinus substituiu as casuarinas australianas, usadas antigamente na arboriza\u00e7\u00e3o urbana.<br \/>\nApenas em Cap\u00e3o da Canoa e Xangri-L\u00e1, balne\u00e1rios que se situam no miolo mais concorrido do litoral norte do Rio Grande do Sul, existem 25 condom\u00ednios fechados. Alguns se situam na beira do mar, mas a maioria fica em \u00e1reas de restinga\u00a0\u00a0ou junto a lagoas de pequeno ou m\u00e9dio porte. Em Tramanda\u00ed h\u00e1 um condom\u00ednio gigantesco junto \u00e0 Lagoa da Cust\u00f3dia cujo diferencial \u00e9 uma rica mata nativa.<br \/>\n<figure id=\"attachment_7943\" aria-describedby=\"caption-attachment-7943\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/condominios-litoral-RS-Tao-Hasse.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-7943\" title=\"condominios litoral RS-Tao Hasse\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/condominios-litoral-RS-Tao-Hasse-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7943\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Tao Hasse<\/figcaption><\/figure><br \/>\nEm nenhum desses empreendimentos os terrenos custam menos de R$ 80 mil. No Enseada de Xangri-L\u00e1, dois lotes totalizando 1150 metros quadrados est\u00e3o em oferta por R$ 750 mil. As casas, com um padr\u00e3o m\u00e9dio de quatro quartos, s\u00e3o oferecidas por valores de R$ 800 mil a R$ 2,5 milh\u00f5es.<br \/>\nEm todos os condom\u00ednios h\u00e1 port\u00f5es com guardas armados, piscinas, sauna, canchas de t\u00eanis e outras novidades, muitas delas anunciadas em jarg\u00e3o origin\u00e1rio da Fl\u00f3rida. Yes, aqui churrasqueira tamb\u00e9m \u00e9 conhecida por gourmeteira. E mais, os cond\u00f4minos podem desfrutar de service pay per use, jogar paddle, dispor de lan house com garage band, al\u00e9m de contar com espa\u00e7o-kid junto ao play ground. Claro que todos t\u00eam fitness center et le scambeau. Um dos condom\u00ednios oferece um bosque de seis hectares onde existe um caminh\u00f3dromo de dois mil metros. Outro tem um campo de golfe. Dois ou tr\u00eas t\u00eam marinas. H\u00e1 um clima de Abu Dhabi por ali.<br \/>\nEm Cap\u00e3o da Canoa, junto a um dos principais condom\u00ednios constru\u00eddos nos \u00faltimos anos, desenvolveu-se um ajuntamento de moradias populares no lado continental da Estrada do Mar. Essa rodovia, constru\u00edda em 1989\/90 sem licenciamento ambiental, foi o estopim da devasta\u00e7\u00e3o da restinga do litoral norte do Rio Grande do Sul.<br \/>\nDepois de andar por ali em maio de 2006 com alunos da Biologia da UFRGS, o professor Paulo Brack encaminhou uma carta-den\u00fancia ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual.<br \/>\nEm quatro p\u00e1ginas ele relatou diversas infra\u00e7\u00f5es ambientais como o arrancamento de figueiras (\u00e1rvore imune ao corte por lei estadual de 1992), a constru\u00e7\u00e3o de aterros e o desmanche da paisagem. Brack n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico bi\u00f3logo preocupado com a destrui\u00e7\u00e3o da biodiversidade nos raros ecossistemas da costa Sul.<br \/>\nH\u00e1 anos o bi\u00f3logo Marcelo Duarte Freire, especialista em anf\u00edbios, procura vest\u00edgios do sapo flamenguinho (<em>Melanophryniscus dorsalis<\/em>), cujo apelido vem de suas listras rubro-negras. O pequeno sapo tem apenas dois cent\u00edmetros de comprimento e \u00e9 considerado amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o desde 1933, quando foi descrito por Mertens, que o encontrou no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.<br \/>\nAtualmente s\u00f3 se v\u00ea o flamenguinho em fotos de comp\u00eandios de biologia. Junto com outras esp\u00e9cies animais e vegetais, o sapinho rubro-negro \u00e9 v\u00edtima da ocupa\u00e7\u00e3o indiscriminada do litoral sulino. Outro alvo da preocupa\u00e7\u00e3o dos bi\u00f3logos \u00e9 o tuco-tuco, que vive nas dunas, mas n\u00e3o h\u00e1 um levantamento sistem\u00e1tico dos danos ambientais praticados pela popula\u00e7\u00e3o humana no litoral.<br \/>\nLenta nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, a corrida imobili\u00e1ria para as praias intensificou-se com a abertura de estradas, especialmente a BR-101, depois da II Guerra Mundial. Se antes o maior sonho era ter uma casa de frente para o mar \u2013 em consequ\u00eancia disso,\u00a0\u00a0praias como Cap\u00e3o da Canoa est\u00e3o pontilhadas de edif\u00edcios \u2013, agora o processo de ocupa\u00e7\u00e3o se desloca para \u00e1reas interiores de campos, banhados, dunas e lagoas, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo desprezadas at\u00e9 por seus propriet\u00e1rios originais, herdeiros de sesmarias coloniais.<br \/>\nNum olhar de fora, \u00e9 dif\u00edcil compreender por que tanta gente investe na mudan\u00e7a da paisagem e na constru\u00e7\u00e3o de novas formas de habita\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 evidente a preocupa\u00e7\u00e3o dos construtores em oferecer conforto, seguran\u00e7a e privacidade aos novos propriet\u00e1rios dessas \u00e1reas emergentes e\u00a0praticamente inabitadas. Aparentemente,\u00a0a maioria n\u00e3o foi constru\u00edda para morar, mas como investimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Geraldo Hasse) A classe m\u00e9dia alta fecha-se em condom\u00ednios murados no litoral norte.\u00a0Quem trafega pela Estrada do Mar na regi\u00e3o de Cap\u00e3o da Canoa e Xangri-La, encontra na paisagem not\u00f3rios sinais de identifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica com ricos balne\u00e1rios custeados por d\u00f3lares (nos EUA) e petrod\u00f3lares (Abu Dhabi). 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