{"id":8095,"date":"2010-12-02T17:28:32","date_gmt":"2010-12-02T20:28:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=8095"},"modified":"2010-12-02T17:28:32","modified_gmt":"2010-12-02T20:28:32","slug":"teleferico-sinaliza-salto-turistico-em-osorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/teleferico-sinaliza-salto-turistico-em-osorio\/","title":{"rendered":"Telef\u00e9rico sinaliza salto tur\u00edstico em Os\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p>A prefeitura de Os\u00f3rio comprou um terreno de 35 mil metros quadrados junto ao quartel da Brigada Militar, na margem direita de quem trafega no sentido norte da BR-101.<br \/>\nAli ser\u00e1 constru\u00edda a esta\u00e7\u00e3o de embarque do telef\u00e9rico ligando a cidade ao topo do Morro Bor\u00fassia, obra que ter\u00e1 in\u00edcio em meados de 2011, caso o projeto obtenha licen\u00e7a ambiental da Fepam \u2013 no mesmo terreno, no extremo norte da cidade, est\u00e1 prevista tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de um hotel 4 estrelas com centro de conven\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA outra ponta do telef\u00e9rico, no alto do morro, ficar\u00e1 em antigo reduto de coloniza\u00e7\u00e3o alem\u00e3 consagrado nas \u00faltimas d\u00e9cadas ao turismo ecol\u00f3gico. Al\u00e9m de cachoeiras e trilhas, aqui h\u00e1 mirantes, rampas de v\u00f4o livre, pousadas e restaurantes.<br \/>\nPor uma estimativa feita em 2004, quando a Fepam negou licen\u00e7a ambiental a uma via dupla de transporte em cabos de a\u00e7o com 900 metros de extens\u00e3o, o custo de implanta\u00e7\u00e3o do telef\u00e9rico de Os\u00f3rio seria de R$ 4,1 milh\u00f5es.<br \/>\nReformulado para 1300 metros, o novo projeto pode ter seu custo aumentado para at\u00e9 R$ 6 milh\u00f5es, estima o contador Jorge Ramos, secret\u00e1rio do Desenvolvimento e Turismo de Os\u00f3rio.<br \/>\nPara poder atravessar a BR-101, o telef\u00e9rico precisa ser aprovado tamb\u00e9m pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).<br \/>\nNo ponto de travessia, est\u00e1 prevista a constru\u00e7\u00e3o de uma prote\u00e7\u00e3o semelhante a uma passarela de pedestres, sobre a qual deslizar\u00e3o as cabines com capacidade para levar de quatro a seis pessoas.<br \/>\nEssa viagem sobre a mata atl\u00e2ntica custar\u00e1 entre R$ 10 e R$ 15 por pessoa. O telef\u00e9rico poder\u00e1 transportar 200 pessoas por hora.<br \/>\nAssim que sair o licenciamento ambiental, a obra ser\u00e1 licitada pela prefeitura. Se a iniciativa privada n\u00e3o se apresentar, o pr\u00f3prio munic\u00edpio vai construir e operar o mecanismo at\u00e9 que o neg\u00f3cio se consolide.<br \/>\n\u201cO telef\u00e9rico \u00e9 estrat\u00e9gico para o incremento dos servi\u00e7os de turismo de Os\u00f3rio\u201d, diz o prefeito Romildo Bolzan Jr., a dois anos do t\u00e9rmino de um mandato de oito anos, durante os quais a economia municipal deu um salto gra\u00e7as \u00e0s obras de duplica\u00e7\u00e3o da BR-101 e da constru\u00e7\u00e3o dos 75 aerogeradores da Ventos do Sul Energia, tocada por capitais espanh\u00f3is e alem\u00e3es.<br \/>\nFoi com os recursos da compensa\u00e7\u00e3o ambiental do parque e\u00f3lico de Os\u00f3rio a partir de 2005 que a prefeitura come\u00e7ou a investir em favor do turismo ecol\u00f3gico no ponto mais alto da Serra Geral, a 90 quil\u00f4metros de Porto Alegre, de Torres e de Gramado.<br \/>\nO primeiro passo foi asfaltar o ziguezague de quatro quil\u00f4metros que leva da BR-101 ao topo do Bor\u00fassia. O segundo melhoramento foi a ilumina\u00e7\u00e3o da estrada, vis\u00edvel de qualquer ponto do litoral norte. Outra obra foi um mirante com v\u00e1rios patamares de observa\u00e7\u00e3o. Bela vista.<br \/>\nDo Morro Bor\u00fassia, 360 metros acima do mar, avista-se toda a plan\u00edcie litor\u00e2nea, com seu cord\u00e3o de lagoas, cap\u00f5es, s\u00edtios, lavouras, pastagens, rebanhos e aerogeradores.<br \/>\nNos dias claros, s\u00e3o vis\u00edveis as silhuetas das cidades de Tramanda\u00ed, Imb\u00e9, Xangri-L\u00e1 e Cap\u00e3o da Canoa, ex-distritos de Os\u00f3rio.<br \/>\nA mancha urbana de Torres s\u00f3 se enxerga nos dias muito transparentes, quando o vento predominante (o nordeste) n\u00e3o est\u00e1 espalhando na paisagem os vapores do Atl\u00e2ntico.<br \/>\n<span class=\"intertit\">\u00c1GUA, TERRA E AR <\/span><br \/>\nO projeto do telef\u00e9rico ferve na imagina\u00e7\u00e3o osoriense h\u00e1 mais de dez anos. Agora que h\u00e1 recursos concretos e demanda aparente para concretiz\u00e1-lo, ele est\u00e1 amarrado a outros projetos (de turismo e urbaniza\u00e7\u00e3o) dependentes da implanta\u00e7\u00e3o de um novo sistema de saneamento b\u00e1sico da cidade, no qual est\u00e3o sendo investidos mais de R$ 23 milh\u00f5es.<br \/>\nCom a despolui\u00e7\u00e3o das duas lagoas mais pr\u00f3ximas do centro da cidade, a prefeitura prev\u00ea integrar o lazer n\u00e1utico ao telef\u00e9rico, que tem mais duas fases previstas para execu\u00e7\u00e3o at\u00e9 2020.<br \/>\nA primeira \u00e9 uma extens\u00e3o da linha da primeira esta\u00e7\u00e3o at\u00e9 o ponto mais elevado do morro. A outra, uma linha horizontal sobre a Lagoa do Marcelino, ligando a esta\u00e7\u00e3o da margem da BR-101 ao antigo Porto Lacustre, ber\u00e7o da hist\u00f3ria de Os\u00f3rio desativado h\u00e1 50 anos, quando as rodovias tomaram conta do transporte de cargas e passageiros. \u201cSe o plano vingar, o telef\u00e9rico ser\u00e1 o maior do Brasil, com quase cinco quil\u00f4metros\u201d, diz o secret\u00e1rio Ramos.<br \/>\nAntes usadas como vias de navega\u00e7\u00e3o, as \u00e1guas osorienses foram paulatinamente polu\u00eddas por esgotos dom\u00e9sticos, a ponto de se tornarem impr\u00f3prias at\u00e9 para o lazer n\u00e1utico, esporte ainda pouco praticado nessa regi\u00e3o dominada por grandes corpos lacustres.<br \/>\nS\u00f3 no munic\u00edpio de Os\u00f3rio h\u00e1 23 lagoas. Em todas se pesca alguma coisa. Em algumas, extrai-se areia fina intercambiada com a areia grossa do rio Gua\u00edba.<br \/>\nPara despoluir suas duas lagoas mais pr\u00f3ximas (Marcelino, com 10 hectares de l\u00e2mina d\u2019\u00e1gua, e Peixoto, com 100 hectares), Os\u00f3rio est\u00e1 implantando uma rede geral de coleta de esgotos, a serem encaminhados a uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento sanit\u00e1rio junto \u00e0 Lagoa dos Barros (10 mil hectares).<br \/>\nSituada a oeste da cidade, a Lagoa dos Barros \u00e9 t\u00e3o grande que alcan\u00e7a o vizinho munic\u00edpio de Santo Antonio da Patrulha, do qual se desmembrou Os\u00f3rio h\u00e1 153 anos.<br \/>\n<span class=\"intertit\">BRIGA NA JUSTI\u00c7A <\/span><br \/>\nA not\u00edcia da ETE de Os\u00f3rio n\u00e3o foi bem recebida pelos patrulhenses, que t\u00eam at\u00e9 um balne\u00e1rio em suas margens. O conflito de interesses sobre os usos das \u00e1guas da Lagoa dos Barros foi parar na Justi\u00e7a, onde se encontra at\u00e9 hoje. Num primeiro entrevero em primeira inst\u00e2ncia, Os\u00f3rio levou a melhor, mas Santo Antonio da Patrulha recorreu.<br \/>\nMesmo com o processo prometendo arrastar-se indefinidamente como uma briga de fam\u00edlia na Justi\u00e7a, a ETE de Os\u00f3rio est\u00e1 pronta ao custo de R$ 6 milh\u00f5es. Linda obra pintada de lil\u00e1s. Aqui o prefeito premedita instalar tamb\u00e9m, no futuro \u2013 \u201cem parceria com a UERGS, eu espero\u201d \u2013, uma institui\u00e7\u00e3o de ensino e pesquisa voltada para energias alternativas, como a gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica, a explora\u00e7\u00e3o solar e o que mais for compat\u00edvel com os recursos naturais da regi\u00e3o, rica em \u00e1guas ferruginosas, areias finas, terras f\u00e9rteis e ventos fortes.<br \/>\nUma id\u00e9ia ventilada recentemente \u00e9 buscar a autosufici\u00eancia energ\u00e9tica para custear, pelo menos, o pagamento da conta municipal de eletricidade, R$ 140 mil mensais. Por coincid\u00eancia, \u00e9 mais ou menos esse o valor produzido mensalmente por cada um dos aerogeradores plantados em Os\u00f3rio pela Ventos do Sul Energia.<br \/>\nInvestimento municipal com aporte federal e gest\u00e3o estadual, o saneamento b\u00e1sico de Os\u00f3rio vai devagar n\u00e3o apenas porque obras subterr\u00e2neas s\u00e3o lerdas por natureza, mas porque uma das empresas ganhadoras da empreitada ignorava que boa parte da cidade foi constru\u00edda sobre brejos arenosos.<br \/>\n\u201cA empreiteira da rede alega que \u00e9 preciso esperar pela compacta\u00e7\u00e3o natural das ruas esburacadas antes de recolocar o cal\u00e7amento de pedras e asfaltar novamente os trechos abertos para a coloca\u00e7\u00e3o dos canos\u201d, contou um funcion\u00e1rio da Corsan. Por esse e outros detalhes, admite-se que um atraso cr\u00f4nico compromete o in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es de bombeamento dos esgotos, prometido para mar\u00e7o de 2011. \u201cE n\u00e3o adianta atropelar as obras agora, porque encanamento de esgoto n\u00e3o pode ser feito \u00e0s pressas\u201d, diz a fonte (limpa) da Corsan.<br \/>\nO sistema de coleta de esgotos de Os\u00f3rio compreende quatro esta\u00e7\u00f5es elevat\u00f3rias e uma central de bombeamento, situada no antigo bairro Porto Lacustre, que vai mandar todo o material coletado para a ETE a mais de cinco quil\u00f4metros, junto \u00e0 Lagoa dos Barros, cujas \u00e1guas descem para a Lagoa dos Patos.<br \/>\nO nome do Porto Lacustre remete \u00e0 navega\u00e7\u00e3o existente at\u00e9 50 anos atr\u00e1s na pequena Lagoa do Marcelino, que se comunica por um canal natural com a Lagoa do Peixoto, tamb\u00e9m unida por outro canal \u00e0 Lagoa da Pinguela, cujas \u00e1guas se comunicam com a Lagoa dos Quadros, que pode chegar ao mar via lagoa e canal de Tramanda\u00ed, a \u00fanica sa\u00edda mar\u00edtima leste das \u00e1guas rasas do nordeste ga\u00facho.<br \/>\nEsse grande cord\u00e3o de lagoas esteve ligado \u00e0 Lagoa dos Patos durante 40 anos por uma ferrovia de 54 quil\u00f4metros inaugurada em 1921 por Antonio Borges de Medeiros e desmanchada por ordem do governador Leonel Brizola em 1960, quando as cargas e os passageiros j\u00e1 se haviam bandeado para o transporte rodovi\u00e1rio.<br \/>\nComo parte de um projeto de recupera\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria econ\u00f4mica de Os\u00f3rio, a prefeitura construiu em 2007 uma r\u00e9plica da antiga esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria urbana, no centro da cidade. Nela funciona hoje um pequeno museu de baixa freq\u00fc\u00eancia popular.<br \/>\n<span class=\"intertit\">MARINAS <\/span><br \/>\nA segunda etapa desse projeto memorial\u00edstico, que visa tamb\u00e9m a revitaliza\u00e7\u00e3o tur\u00edstica municipal, \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de marinas nas lagoas do Marcelino e do Peixoto. Tanto numa como noutra, as obras compreendem trapiches simples, nada al\u00e9m de r\u00e9plicas dos portos lacustres de outrora, mas ambos cercados de atrativos terrestres como passarelas, quiosques, arboriza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEmbora baratas, s\u00e3o obras que s\u00f3 ser\u00e3o realizadas ap\u00f3s o deslanche do sistema de saneamento b\u00e1sico. Com as duas lagoas limpas, sem mau cheiro, acredita-se que possa renascer aqui a navega\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de cargas, mas de passeio, voltada para o lazer.<br \/>\nNa Lagoa do Peixoto, cujas margens s\u00e3o parcialmente ocupadas por condom\u00ednios residenciais e s\u00edtios de lazer, recentemente beneficiados com o asfaltamento da antiga estrada de terra, j\u00e1 est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o um restaurante e um conjunto de quiosques para atender a veranistas que ao mar preferem a proximidade da \u00e1gua doce.<br \/>\nAli est\u00e1 prevista a constru\u00e7\u00e3o de um ponto de apoio n\u00e1utico para esportistas da regi\u00e3o.<br \/>\nNo final de novembro de 2010, esse ponto tur\u00edstico foi mostrado pelo prefeito de Os\u00f3rio a um grupo de investidores interessados no desenvolvimento de uma marina no litoral norte. \u201cLevei os visitantes a outros pontos aqui nas \u00e1guas de Os\u00f3rio\u201d, diz Bolzan, \u201cmas no final do dia conclu\u00ed que eles encontrariam terreno mais favor\u00e1vel em Cap\u00e3o da Canoa, onde est\u00e3o surgindo condom\u00ednios de gente possivelmente interessada em navegar em \u00e1guas interiores\u201d.<br \/>\nA \u00faltima marina a ficar pronta em Os\u00f3rio ser\u00e1 a da Lagoa do Marcelino, praticamente engolfada pela expans\u00e3o do n\u00facleo urbano da cidade, com seus 30 mil habitantes.<br \/>\nVinte anos atr\u00e1s, na primeira gest\u00e3o de Romildo Bolzan Jr., a Marcelino foi escolhida para a constru\u00e7\u00e3o de uma ETE capaz de tratar 30% dos esgotos da cidade. Ou, seja, a pequena esta\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto constru\u00edda no final da rua Bar\u00e3o do Triunfo, no bairro Caiu do C\u00e9u, recebia os despejos de todo o centro da cidade. Ap\u00f3s o tratamento, os efluentes eram jogados na lagoa.<br \/>\nCom o tempo, a ETE caiu no descuido e a cidade cresceu. H\u00e1 cinco anos, em vez de recuperar a pequena ETE e implantar solu\u00e7\u00f5es semelhantes em outras \u00e1reas expandidas da cidade, a prefeitura optou pelo megasistema \u00fanico de saneamento centralizado na ETE da Lagoa dos Barros.<br \/>\nDesde que o novo sistema funcione, a Lagoa do Marcelino vai deixar de receber esgoto e suas margens se tornar\u00e3o um bom lugar para caminhadas, como projetou a prefeitura.<br \/>\nPor extens\u00e3o, o mesmo acontecer\u00e1 com a anexa Lagoa do Peixoto, cujas \u00e1guas f\u00e9tidas foram abandonadas pelos praticantes de wind surf. Os pioneiros desse esporte mudaram-se para a Lagoa dos Barros, onde h\u00e1 duas escolas de wind e kite surf.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prefeitura de Os\u00f3rio comprou um terreno de 35 mil metros quadrados junto ao quartel da Brigada Militar, na margem direita de quem trafega no sentido norte da BR-101. 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