{"id":8226,"date":"2010-12-13T10:41:52","date_gmt":"2010-12-13T13:41:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=8226"},"modified":"2010-12-13T10:41:52","modified_gmt":"2010-12-13T13:41:52","slug":"simbolos-da-riqueza-antiga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/simbolos-da-riqueza-antiga\/","title":{"rendered":"S\u00edmbolos da riqueza antiga"},"content":{"rendered":"<p>O otimismo dos primeiros folhetos distribu\u00eddos \u00e0 imprensa previa quatro anos para \u00a0a conclus\u00e3o do Projeto Monumenta em Porto Alegre.<br \/>\nOito anos depois, em novembro de 2010, a coordenadora dos trabalhos, arquiteta Briane Bicca, evita fazer previs\u00f5es.<br \/>\n\u201cRestaura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma caixinha de surpresa\u201d, diz ela. \u201cVoc\u00ea come\u00e7a, mas n\u00e3o sabe o que vai encontrar pela frente\u201d.<br \/>\nO Monumenta, em todo caso, \u00e9 uma\u00a0 realidade em Porto Alegre e, mesmo antes de conclu\u00eddo,\u00a0 pode ser considerado o maior projeto de restaura\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico j\u00e1 feito na cidade.<br \/>\nDos oito pr\u00e9dios p\u00fablicos arrolados no projeto, seis est\u00e3o prontos, al\u00e9m de 12 edif\u00edcios privados.<br \/>\nNo total, ser\u00e3o R$ 22 milh\u00f5es aplicados na restaura\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios e espa\u00e7os p\u00fablicos no centro hist\u00f3rico da cidade. Vai a mais de mil o n\u00famero de pessoas envolvidas no conjunto de projetos.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Obra retomada<\/span><br \/>\nOs dois pr\u00e9dios que faltam s\u00e3o a Igreja das Dores, na rua da Praia, e a Pinacoteca Municipal Rubem Berta, na Riachuelo.\u00a0 A obra da igreja esteve interditada por cinco meses, agora foi retomada.<br \/>\nA restaura\u00e7\u00e3o da Pinacoteca Municipal \u00e9 a mais atrasada e um bom exemplo das surpresas que podem surgir. Nos oito meses previstos para a conclus\u00e3o, a empresa contratada em licita\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu ir al\u00e9m de 20 por cento da obra.<br \/>\nO contrato foi rompido, uma nova licita\u00e7\u00e3o est\u00e1 aberta. Deve levar mais uns oito meses at\u00e9 escolher a nova empresa, depois mais tr\u00eas meses para assinatura dos pap\u00e9is e, a\u00ed, come\u00e7ar a fazer os 80% da obra que faltam. Ou seja: mais uns dois anos.<br \/>\nNos dois espa\u00e7os p\u00fablicos que integram o projeto \u2013 Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega e Pra\u00e7a da Matriz \u2013 a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. A obra na Pra\u00e7a da Matriz, que envolve tamb\u00e9m a rua da Ladeira (General C\u00e2mara) n\u00e3o tem previs\u00e3o. Teve problemas com a licita\u00e7\u00e3o, provavelmente vai ficar para outra etapa.<br \/>\nA obra na Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega \u00e9 a mais complexa. Al\u00e9m de reconstituir o aspecto da pra\u00e7a dos anos 1940, quando ela se consolidou como um espa\u00e7o de conviv\u00eancia, como \u201co passeio da cidade\u201d, a restaura\u00e7\u00e3o inclui o quarteir\u00e3o da avenida Sep\u00falveda, que liga a pra\u00e7a ao porto.<br \/>\nOutro exemplo das surpresas: quando foi retirada a capa de asfalto da avenida Sep\u00falveda, verificou-se que os canos que drenam \u00e1 \u00e1gua da chuva para o rio n\u00e3o existiam mais. Cabe ao Departamento de Esgotos Pluviais decidir sobre a nova canaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO DEP abriu uma licita\u00e7\u00e3o para contratar a empresa para fazer a drenagem. Espera-se que no inicio de dezembro seja\u00a0 escolhida a empresa. A\u00ed, se tudo der certo, tem mais quatro meses da obra.<br \/>\nFora os imprevistos, a obra na pra\u00e7a tem particularidades que tornam lento o seu andamento. Por exemplo: o meio fio dos canteiros \u00e9 de granito r\u00f3seo. No Rio Grande do Sul, s\u00f3 tem uma jazida de onde o Ibama permite a retirada desse granito. \u201cTem que entrar na fila para conseguir\u201d, diz a coordenadora.<br \/>\nA rede el\u00e9trica tem que ser toda refeita porque vai duplicar o n\u00famero de pontos de luz na pra\u00e7a. A restaura\u00e7\u00e3o das lumin\u00e1rias antigas foi demorada. S\u00e3o mais de 50 lumin\u00e1rias de cinco ou seis modelos diferentes, que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais fabricados.<br \/>\nA parte mais demorada ainda nem come\u00e7ou. \u00c9 o cal\u00e7amento de pedras portuguesas ao redor da pra\u00e7a, a chamada \u201ccal\u00e7ada Copacabana\u201d. As pedras brancas s\u00e3o de m\u00e1rmore, as escuras, granito. J\u00e1 est\u00e1 contratada uma empresa de Curitiba para o servi\u00e7o.<br \/>\nO que mais retardou a obra, no entanto, foi a pol\u00eamica em torno das figueiras, que deveriam ser retiradas segundo os autores do projeto.<br \/>\nForam mais de quatro anos de discuss\u00f5es e reuni\u00f5es com todos os \u00f3rg\u00e3os envolvidos \u2013 Iphan, Iphae, Secretarias de Planejamento, Meio Ambiente, Obras, EPTC \u2013 at\u00e9 convencer a todos da necessidade de retirar as figueiras (ficcus).<br \/>\nS\u00f3 para a\u00a0 Secretaria de Meio Ambiente foram cinco apresenta\u00e7\u00f5es. \u201cFoi tudo decis\u00e3o coletiva, temos laudo com dez pessoas assinando\u201d, diz a coordenadora.<br \/>\n<figure id=\"attachment_16631\" aria-describedby=\"caption-attachment-16631\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-16631 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/003-Biblioteca-Pblica-Elevador-300x225.jpg\" alt=\"Biblioteca P\u00fablica \/ Elevador\" width=\"300\" height=\"225\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-16631\" class=\"wp-caption-text\">Biblioteca P\u00fablica \/ Elevador<\/figcaption><\/figure><br \/>\nSegundo ela, as figueiras ficaram enormes, fechavam um lado da pra\u00e7a, que ficava sempre frio, \u00famido. Estavam prejudicando os jacarand\u00e1s que s\u00e3o o s\u00edmbolo da pra\u00e7a, j\u00e1 tortos, as ra\u00edzes destru\u00edam os meios-fios. \u201cQuem plantou aquelas \u00e1rvores ali n\u00e3o levou em conta que elas crescem sem parar\u201d, diz a arquiteta.<br \/>\nEla prev\u00ea, sempre com alguma reserva, que na pr\u00f3xima Feira do Livro a pra\u00e7a j\u00e1 estar\u00e1 pronta.<br \/>\n<span class=\"intertit\">A arquitetura de um Estado rico <\/span><br \/>\nOs pr\u00e9dios selecionados para o Monumenta em Porto Alegre foram todos constru\u00eddos nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 20, quando era forte a influ\u00eancia positivista, bastante vis\u00edvel na arquitetura dos edif\u00edcios p\u00fablicos.<br \/>\nEra o governo\u00a0 Borges de Medeiros ( 1903\/1928), num per\u00edodo de alta prosperidade para o Rio Grande do Sul, que ainda rivalizava com S\u00e3o Paulo em poderio econ\u00f4mico.<br \/>\nEssa prosperidade se refletiu em grandes mudan\u00e7as na fisionomia da capital, com o surgimento de um conjunto de pr\u00e9dios monumentais que se completou at\u00e9 os anos de 1940 e que ainda hoje dominam a paisagem do centro hist\u00f3rico.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Pistas para os historiadores<\/span><br \/>\nAs primeiras escava\u00e7\u00f5es junto \u00e0 pra\u00e7a, feitas em 2007, encontraram sinais do primeiro ancoradouro, prova de que antes do aterro, a margem do Gua\u00edba vinha at\u00e9 a rua da Praia.<br \/>\nHavia um trapiche, entre duas escadarias, na posi\u00e7\u00e3o onde est\u00e1 a avenida Sep\u00falveda. As escadarias ainda existiam em 1870, quando D. Pedro II veio a Porto Alegre assinar o armist\u00edcio da Guerra do Paraguai.<br \/>\nOs arque\u00f3logos encontraram tamb\u00e9m as funda\u00e7\u00f5es da antiga Alf\u00e2ndega. Era um pr\u00e9dio comprido, com um p\u00e1tio interno e uma fonte. Nas escava\u00e7\u00f5es foram tamb\u00e9m encontrados objetos \u2013 moedas, lou\u00e7as, utens\u00edlios \u2013 que s\u00e3o pistas para reconstitui\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Caf\u00e9, sorveteria e posto policial<\/span><br \/>\nO projeto da Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega contempla tamb\u00e9m uma melhoria na parte de servi\u00e7os ao p\u00fablico.<br \/>\nNa lateral, junto ao muro da Caixa Econ\u00f4mica Federal ser\u00e1 constru\u00edda uma estrutura para com\u00e9rcio e servi\u00e7os \u2013 caf\u00e9, sorveteria, engraxates, floristas, posto policial e duas bancas de revista, uma em cada extremidade.<br \/>\n\u201cVai animar aquele espa\u00e7o ali, tapando o muro\u201d, diz a coordenadora.<br \/>\nNo fundo, sem aparecer, dois sanit\u00e1rios. Os artes\u00e3os tamb\u00e9m saem da cal\u00e7ada da Sete de Setembro.<br \/>\nA inten\u00e7\u00e3o segundo a arquiteta Briane Bicca, \u00e9 fazer com que a Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega volte a ser \u201co passeio da cidade\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Um fundo permanente para conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio<\/span><br \/>\nAl\u00e9m dos pr\u00e9dios e espa\u00e7os p\u00fablicos, o Monumenta j\u00e1 restaurou 12 pr\u00e9dios privados que constavam do invent\u00e1rio do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico de Porto Alegre.<br \/>\nDe um total de 140 im\u00f3veis arrolados pelo patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, 40 foram selecionados e seus propriet\u00e1rios receberam proposta para entrar no projeto Monumenta, com financiamento do governo federal para o restauro.<br \/>\nDesses, 12 aderiram e os pr\u00e9dios j\u00e1 foram restaurados. A coordenadora do Monumenta em Porto Alegre, acredita que outros dez pr\u00e9dios poder\u00e3o ser inclu\u00eddos no projeto.<br \/>\nDiante dos resultados dos primeiros, muitos propriet\u00e1rios est\u00e3o aceitando entrar. Dos edif\u00edcios privados j\u00e1 restaurados, os mais conhecidos s\u00e3o o Clube do Com\u00e9rcio e a Catedral Anglicana, ambos na rua da Praia.<br \/>\nAl\u00e9m dos dois foram restaurados dois sobrados na rua da Praia, a \u201ccasa cor de rosa\u201d na Riachuelo, uma casa na Dem\u00e9trio Ribeiro.<br \/>\nOs propriet\u00e1rios recebem financiamento da Caixa Federal e a coordenadora acalenta o plano de formar com esses recursos um fundo permanente para restaura\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis de valor hist\u00f3rico na cidade.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Financiamento internacional <\/span><br \/>\nO Monumenta \u00e9 um programa do Minist\u00e9rio da Cultura, para recupera\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico em 26 cidades brasileiras.<br \/>\nReconhecido pela Unesco, conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para os projetos e as obras.<br \/>\nEsses recursos cobrem 70% dos custos, sendo os 30% restantes contrapartida do Estado ou Munic\u00edpio, conforme o caso.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Restaura\u00e7\u00f5es j\u00e1 conclu\u00eddas<\/span><br \/>\n*P\u00f3rtico Cais Mau\u00e1<br \/>\n*Biblioteca P\u00fablica<br \/>\n*Museu de Arte do RS (Margs)<br \/>\n*Memorial do RS<br \/>\n*Museu da Comunica\u00e7\u00e3o Hip\u00f3lito da Costa<br \/>\n*Pal\u00e1cio Piratini<br \/>\n*Mais 12 im\u00f3veis privados<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Em\u00a0 Obras:<\/span><br \/>\n*Igreja das Dores<br \/>\n*Pinacoteca Municipal<br \/>\n*Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<em>Reportagem publicada no J\u00c0 Bomfim\/Moinhos, ed. dezembro.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O otimismo dos primeiros folhetos distribu\u00eddos \u00e0 imprensa previa quatro anos para \u00a0a conclus\u00e3o do Projeto Monumenta em Porto Alegre. 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