{"id":829,"date":"2007-04-20T15:13:51","date_gmt":"2007-04-20T18:13:51","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=829"},"modified":"2007-04-20T15:13:51","modified_gmt":"2007-04-20T18:13:51","slug":"eucalipto-no-pampa-virou-gre-nal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/eucalipto-no-pampa-virou-gre-nal\/","title":{"rendered":"Eucalipto no pampa: virou Gre-Nal"},"content":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse, especial para o J\u00c1<br \/>\nNuma tentativa de promover o debate sobre o plantio intensivo de eucalipto no Pampa, a empresa StoraEnso reuniu em Porto Alegre uma centena de pessoas para ouvir o cientista florestal indiano Sadanandan Nambiar, que fez carreira na Oceania, \u00c1sia e \u00c1frica. Recentemente aposentado, Nambiar afirmou que a silvicultura pode contribuir para reduzir a pobreza em \u00e1reas rurais estagnadas ou decadentes. E terminou sua palestra sugerindo que os &#8220;verdes&#8221; rendam-se \u00e0 ci\u00eancia.<br \/>\nFoi o suficiente para dividir a plat\u00e9ia do evento realizado na noite de ter\u00e7a-feira (17\/4) no audit\u00f3rio do Hotel Deville, em Porto Alegre. No Gre-Nal de opini\u00f5es que se seguiu \u00e0 palestra, houve manifesta\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis e contr\u00e1rias do audit\u00f3rio, formado por engenheiros florestais e agr\u00f4nomos, agricultores, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, empres\u00e1rios, professores e jornalistas. Resultado final, 1 x 1, com promessa de novos encontros, mais ou menos amplos.<br \/>\n&#8220;Estamos interessados em saber mais sobre o bioma pampa&#8221;, disse o engenheiro florestal sueco Anders Tosterud, diretor de recursos naturais da StoraEnso, em conversa com o agr\u00f4nomo Miguel Dall&#8217;Agnol, especialista em pastagens da UFRGS, que o havia desafiado a promover debates t\u00e9cnicos profundos em grupos mais reduzidos. Jo\u00e3o Fernando Borges, o outro diretor da empresa, confirmou depois o interesse de estreitar o contato com a comunidade cient\u00edfica ga\u00facha.<br \/>\n&#8220;Achamos que falta esclarecimento entre as partes&#8221;, disse ele, lembrando que foi cumprimentado, no final do evento do Hotel Deville pelo bi\u00f3logo Ludwig Buckup, aposentado da UFRGS que se sobressaiu em 2005 como cr\u00edtico do eucalipto no pampa e do pinus no litoral e<br \/>\nna serra.<br \/>\nO engenheiro florestal Sadanandan Nambiar veio ao Rio Grande do Sul pela segunda vez. Esteve no Estado, antes, em janeiro passado. Ultimamente tem freq\u00fcentado o Uruguai como consultor da StoraEnso, que implanta uma f\u00e1brica de celulose em Fray Bentos. Conhece o Brasil h\u00e1 12 anos.<br \/>\nEm conversa com jornalistas, no final da palestra, admitiu que na juventude  torceu por Che Guevara e chegou a fazer esfor\u00e7os voluntaristas para ajudar as pessoas, mas ao evoluir em sua carreira como engenheiro profissional concluiu  que, independentemente da orienta\u00e7\u00e3o do regime pol\u00edtico &#8211; ditadura ou democracia &#8211; , n\u00e3o h\u00e1 outra forma de diminuir a pobreza sen\u00e3o mediante a gera\u00e7\u00e3o de riqueza.<br \/>\nPara isso, na opini\u00e3o de Nambiar, \u00e9 preciso ter infra-estrutura, capital, recursos humanos, tecnologia, mercado global. &#8220;O crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o \u00e9 um jogo de soma zero, ou seja, ningu\u00e9m precisa ficar pobre se algu\u00e9m ganha dinheiro&#8221;, disse ele. &#8220;Se voc\u00ea tirar uma \u00fanica pessoa da pobreza, ela vai contribuir para ajudar outra, porque vai ter poder de compra, e assim por diante&#8221;. O mais dif\u00edcil seria dar o primeiro passo. A situa\u00e7\u00e3o seria tr\u00e1gica porque as pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o conseguem reduzir a pobreza. &#8220;Perdemos esse jogo&#8221; (contra a pobreza), disse o cientista indiano.<br \/>\nA mensagem de Nambiar foi de devo\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 tecnologia. Ele deu o exemplo da \u00c1frica. As florestas nativas existentes no Congo valem apenas US$ 60 milh\u00f5es de d\u00f3lares, quando medidas em p\u00e9. Um metro c\u00fabico de madeira nativa \u00e9 vendido por apenas um d\u00f3lar nos pa\u00edses mais atrasados do continente africano, porque o uso predominante \u00e9 para gera\u00e7\u00e3o de energia (lenha).<br \/>\nMesmo sendo um dos pa\u00edses mais pobres, portanto sem silvicultura, a Eti\u00f3pia gasta US$ 400 milh\u00f5es anuais com importa\u00e7\u00e3o de madeira para fins mais nobres. Apenas 7% das florestas do mundo s\u00e3o manejadas de forma sustent\u00e1vel. O desperd\u00edcio de recursos florestais naturais \u00e9 enorme &#8211; e criminoso. Cerca de 80% das madeiras negociadas no mundo s\u00e3o extra\u00eddas ilegalmente. Nambiar entende, que por isso, e porque os prazos de matura\u00e7\u00e3o dos projetos s\u00e3o muito longos, o desenvolvimento sustent\u00e1vel na silvicultura n\u00e3o pode acontecer sem incentivo fiscal.<br \/>\n\u201c\u00c9 equ\u00edvoco pensar que a floresta d\u00ea apenas madeira. Ela pode gerar rem\u00e9dios, mexer nos fluxos de \u00e1gua, ativar o turismo, produzir oxig\u00eanio e alterar a biodiversidade para mais ou para menos\u201d, lembrou.<br \/>\nFalando sobre o Rio Grande do Sul, Nambiar disse ter encontrado no territ\u00f3rio ga\u00facho fortes sinais de degrada\u00e7\u00e3o ambiental, produzida por atividades agr\u00edcolas predat\u00f3rias. Exibiu fotos de eros\u00e3o no pampa, sugerindo que a silvicultura poderia abrir caminho para sanar essas feridas ambientais.<br \/>\n&#8220;Nenhuma atividade econ\u00f4mica pode ser totalmente dominante&#8221;, disse ele, referindo-se, aparentemente, \u00e0 pecu\u00e1ria e \u00e0 sojicultura. A raz\u00e3o disso \u00e9 que os fluxos h\u00eddricos permeiam todas as atividades agr\u00edcolas.<br \/>\nA substitui\u00e7\u00e3o de pastagem por \u00e1rvores pode mudar os fluxos h\u00eddricos, j\u00e1 substancialmente alterados. Em escala mundial, o volume de \u00e1gua represada \u00e9 tr\u00eas vezes maior do que o volume de \u00e1gua dos rios. No Brasil, n\u00e3o \u00e9 diferente. Dois ter\u00e7os das \u00e1guas s\u00e3o usados na agricultura de forma predat\u00f3ria, com desperd\u00edcio e degrada\u00e7\u00e3o ambiental. Na Austr\u00e1lia, 50% da polui\u00e7\u00e3o dos rios \u00e9 produzida pelas popula\u00e7\u00f5es urbanas. No mundo, 1,7 milh\u00f5es de pessoas morrem por ano por doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica. Neste contexto, Nambir defende que a silvicultura pode ajudar no combate \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<br \/>\n\u201cA ideologia verde, com o olho fixo exclusivamente na preserva\u00e7\u00e3o ambiental, precisa abrir caminho para a ci\u00eancia e as boas pr\u00e1ticas florestais. A pior degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 a praticada pelos pobres. O crescimento econ\u00f4mico e a preserva\u00e7\u00e3o ambiental n\u00e3o s\u00e3o antag\u00f4nicos\u201d, disse o cientista projetando que a madeira pode ser um novo produto do pampa, porque as \u00e1rvores podem se acomodar nesse ecossistema. \u201cN\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de que qualquer monocultura agr\u00edcola tenha piorado os solos em qualquer parte do mundo. A cr\u00edtica \u00e0 monocultura \u00e9 emocional. Os cientistas precisam se abrir para o debate com as comunidades e a ind\u00fastria tem de aprender a se comunicar melhor\u201d.<br \/>\nNo final, confrontado com a d\u00favida do agricultor e agr\u00f4nomo Rodrigo Costa, de Pelotas, que perguntou se a campanha contra o eucalipto no Rio Grande do Sul n\u00e3o poderia estar sendo financiada por pa\u00edses temerosos das vantagens competitivas do Brasil, Nambiar disse que nada tinha a declarar em p\u00fablico sobre esse assunto, mas que toparia tomar uma cerveja para uma troca de id\u00e9ias &#8211; em particular. Ele vai embora na sexta-feira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse, especial para o J\u00c1 Numa tentativa de promover o debate sobre o plantio intensivo de eucalipto no Pampa, a empresa StoraEnso reuniu em Porto Alegre uma centena de pessoas para ouvir o cientista florestal indiano Sadanandan Nambiar, que fez carreira na Oceania, \u00c1sia e \u00c1frica. 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