{"id":834,"date":"2007-05-03T15:17:07","date_gmt":"2007-05-03T18:17:07","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=834"},"modified":"2007-05-03T15:17:07","modified_gmt":"2007-05-03T18:17:07","slug":"acirra-se-a-briga-sobre-o-plantio-de-eucalipto-no-pampa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/acirra-se-a-briga-sobre-o-plantio-de-eucalipto-no-pampa\/","title":{"rendered":"Acirra-se a briga sobre o plantio de eucalipto no pampa"},"content":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da proposta da Fepam de zoneamento, corre por fora outra preparada por um grupo de trabalho emergencial formado no final de 2006 pelo governo estadual. (Foto: T\u00e2nia Meinerz\/J\u00c1)<br \/>\nGeraldo Hasse, especial para o J\u00c1<br \/>\nOs tr\u00eas fabricantes de celulose que compraram terras no Rio Grande do Sul para o plantio de eucalipto intensificaram sua campanha contra as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 silvicultura estabelecidas pela Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o ao Meio Ambiente (Fepam).<br \/>\nCom o apoio da imprensa e de pol\u00edticos, especialmente na Assembl\u00e9ia Legislativa, a Aracruz, a Votorantim e a Stora Enso amea\u00e7am desistir de seus tr\u00eas projetos industriais se n\u00e3o receberem licen\u00e7as para plantar a esp\u00e9cie vegetal australiana em pelo menos 50% das \u00e1reas adquiridas &#8211; no total, as tr\u00eas j\u00e1 compraram cerca de 200 mil hectares e plantaram o equivalente a 30% disso.<br \/>\nNenhuma das tr\u00eas est\u00e1 satisfeita com as novas regras impostas pela Fepam.  Entretanto, com o que j\u00e1 plantaram, mais o que poderiam comprar de terceiros, as tr\u00eas empresas, s\u00f3cias entre si em dois neg\u00f3cios de celulose no Esp\u00edrito Santo e na Bahia, j\u00e1 disporiam de mat\u00e9ria-prima suficiente para tocar uma f\u00e1brica de um milh\u00e3o de toneladas de celulose por ano no Rio Grande do Sul. At\u00e9 agora, elas v\u00eam atuando isoladamente no Estado, mas n\u00e3o \u00e9 fora de prop\u00f3sito imaginar que possam convergir no futuro.<br \/>\nNa pressa para conseguir plantar o m\u00e1ximo com o m\u00ednimo de restri\u00e7\u00f5es, o trio de empresas vem conseguindo criar um clima de constrangimento para os t\u00e9cnicos da Fepam, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelo licenciamento de atividades que ofere\u00e7am risco ao equil\u00edbrio ecol\u00f3gico.<br \/>\nEm mat\u00e9rias e notas na imprensa, o funcionalismo da \u00e1rea ambiental est\u00e1 sendo pintado como \u201cpregui\u00e7oso\u201d, contr\u00e1rio ao desenvolvimento econ\u00f4mico do Estado e insens\u00edvel \u00e0 necessidade de cria\u00e7\u00e3o de novos empregos.<br \/>\nSegundo o argumento dos silvicultores, a demora na expedi\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as pode comprometer a prepara\u00e7\u00e3o das mudas de eucalipto e provocar atrasos nos plantios. Viveiristas de Gua\u00edba, Barra do Ribeiro e Buti\u00e1 j\u00e1 se declararam na conting\u00eancia de demitir empregados.  \u201cTemos o direito de saber se o Rio Grande do Sul quer ou n\u00e3o quer nossos projetos\u201d, disse, na quarta-feira (25\/4), o engenheiro Walter L\u00eddio Nunes, diretor de opera\u00e7\u00f5es da Aracruz, dona da maior f\u00e1brica de celulose do Estado, com sede em Gua\u00edba, onde a empresa se disp\u00f5e a quadruplicar a produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\nGa\u00facho da capital que fez carreira na ind\u00fastria de celulose do Esp\u00edrito Santo, Nunes reclamou objetivamente da contradi\u00e7\u00e3o entre a boa vontade dos dirigentes pol\u00edticos do Rio Grande do Sul e a m\u00e1 vontade dos t\u00e9cnicos da \u00e1rea ambiental. J\u00e1 seu chefe Carlos Aguiar, presidente da Aracruz, foi mais longe: queixou-se de que a silvicultura seja a \u00fanica atividade agr\u00edcola sujeita a r\u00edgidos controles ambientais no Estado.<br \/>\nNa pr\u00e1tica, a campanha dos produtores de celulose visa derrubar a proposta de zoneamento ambiental apresentada em dezembro de 2006 pela Fepam ao ent\u00e3o governador Germano Rigotto, que prometera facilidades \u00e0s empresas. Feito \u00e0s pressas, o zoneamento dividiu o territ\u00f3rio ga\u00facho em 45 diferentes unidades de paisagem.<br \/>\nNa maior parte (75%) do Estado, segundo esse novo regulamento ambiental, a silvicultura pode se desenvolver com restri\u00e7\u00f5es que variam de 25% a 80% das \u00e1reas. Em cerca de 25% do territ\u00f3rio ga\u00facho, a silvicultura n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel.<br \/>\nConfronto<br \/>\nAs agendas ambiental e empresarial em torno do plantio de eucalipto no Rio Grande do Sul convergem para um confronto definitivo nos \u00faltimos dois meses do primeiro semestre de 2007.<br \/>\nEst\u00e3o marcadas para meados de junho em diferentes cidades do interior \u2013 Pelotas (11), Alegrete (13), Santa Maria (14) e Caxias do Sul (19) &#8211; quatro audi\u00eancias p\u00fablicas sobre o zoneamento ambiental para a silvicultura proposto pela Fepam. Para junho, est\u00e1 marcada a reuni\u00e3o geral em que o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) tomar\u00e1 uma decis\u00e3o final sobre a proposta da Fepam.<br \/>\nCorre por fora, por\u00e9m, uma contraproposta de zoneamento preparada por um grupo de trabalho emergencial formado no final de 2006 pelo governo estadual. Nesse GT, o setor mais influente \u00e9 formado pela Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Reflorestadores (Ageflor), entidade formada por prestadores de servi\u00e7os a empresas consumidoras de madeira.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da proposta da Fepam de zoneamento, corre por fora outra preparada por um grupo de trabalho emergencial formado no final de 2006 pelo governo estadual. 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