{"id":835,"date":"2008-07-01T15:46:18","date_gmt":"2008-07-01T18:46:18","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=835"},"modified":"2008-07-01T15:46:18","modified_gmt":"2008-07-01T18:46:18","slug":"fronteiras-do-multiculturalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/fronteiras-do-multiculturalismo\/","title":{"rendered":"Fronteiras do multiculturalismo"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/destaque_plano_diretor.jpg\"><\/a>Alexandre Haubrich<\/strong><br \/>\nPontualmente \u00e0s sete e meia da noite de 30 de junho, Ayaan Hirsi Ali, aquela mulher negra, de tra\u00e7os fortes subiu ao palco da Reitoria da UFRGS. Vestida com um terninho bege que delineava sua silhueta elegante ela abriu o quinto encontro do Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem.<br \/>\nNascida na Som\u00e1lia, viveu no Qu\u00eania, Ar\u00e1bia Saudita e Holanda, onde foi ativista pol\u00edtica dos direitos humanos das mulheres e se elegeu deputada. Hoje mora nos Estados Unidos sob forte esquema de seguran\u00e7a, depois de ser amea\u00e7ada pelos assassinos do cineasta holand\u00eas Theo Van Gogh, com quem realizou o document\u00e1rio &#8220;Submiss\u00e3o \u2013 parte 1&#8221;, no qual denunciavam a explora\u00e7\u00e3o feminina por fi\u00e9is isl\u00e2micos.<br \/>\nO tema foi abordado pela primeira vez em seu livro &#8220;Infiel&#8221; (Companhia das Letras, R$ 51,50), que conta sua experi\u00eancia de vida em um continente onde o machismo assume tra\u00e7os cru\u00e9is \u2013 inclusive da mutila\u00e7\u00e3o genital.<br \/>\nSua participa\u00e7\u00e3o no Fronteiras do Pensamento n\u00e3o fugiu do assunto. Na tribuna, Ayaan narrou a hist\u00f3ria de Nasra, uma garota somali que ela conheceu quando trabalhava como int\u00e9rprete na Holanda.<br \/>\nA narra\u00e7\u00e3o da chegada de Nasra, seus sete irm\u00e3os e seu pai \u00e0 Holanda transpareceu o mesmo deslumbramento com o Velho Continente quer fica latente em &#8220;Infiel&#8221;. &#8220;O aeroporto holand\u00eas era como uma cidade. A coisa mais surpreendente foi a mudan\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o. Antes, todos eram negros, agora eram brancos&#8221;, relatou.<br \/>\nAyaan lembrou a preocupa\u00e7\u00e3o do pai de Nasra, de que aquela, era uma terra de infi\u00e9is o que significava dificuldades de manter a cultura africana. A previs\u00e3o do mu\u00e7ulmano se confirma e, assim como aconteceu com Ayaan, a garota perde sua identidade, envolvida pelo efeito fant\u00e1stico do consumo e do glamour europeu.<br \/>\nAyaan criticou aqueles que condenam seu abandono da cultura milenar africana, e sua defesa da sociedade europ\u00e9ia. &#8220;Nem as tradi\u00e7\u00f5es nem as culturas merecem respeito. Apenas o que vai de encontro ao bem-estar do ser humano. Se as culturas entram em conflito com o bem-estar individual, este deve prevalecer&#8221;, acredita.<br \/>\nRenato Mezan contra a pol\u00edtica do multiculturalismo<br \/>\nMaior especialista brasileiro na obra de Freud, o psicanalista Renato Mezan abriu m\u00e3o do seu tema tradicional para seguir a linha da palestra que o antecedeu, trazendo novamente pontos discutidos por Ayaan Hirsi Ali, especialmente a identidade cultural.<br \/>\nO psicanalista disse que a imposi\u00e7\u00e3o do multiculturalismo causada pela expans\u00e3o do Isl\u00e3 e a chegada de muitos mu\u00e7ulmanos ao Ocidente assemelha-se ao que ocorreu com os judeus no s\u00e9culo XIX. &#8220;A assimila\u00e7\u00e3o de uma nova cultura pode trazer dificuldades, inclusive psicol\u00f3gicas, para todos os lados envolvidos&#8221;, alertou.<br \/>\nMezan contou que, j\u00e1 no s\u00e9culo XIX, a Europa come\u00e7ava a disseminar sua cultura nos pa\u00edses colonizados, o que, segundo ele, levou \u00e0s guerras de independ\u00eancia, mas tamb\u00e9m \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Hoje, os judeus j\u00e1 assimilaram a cultura ocidental. Esse deve ser o caminho para os mu\u00e7ulmanos&#8221;, avalia.<br \/>\nAli\u00e1s, o ponto em que o palestrante mais se deteve foi exatamente a assimila\u00e7\u00e3o da cultura local pelos imigrantes, usando como exemplo a hist\u00f3ria narrada pela somali Ayaan.<br \/>\n&#8220;Quem deve cuidar para que as tradi\u00e7\u00f5es somalis sejam mantidas \u00e9 a fam\u00edlia, n\u00e3o o Estado holand\u00eas. Se est\u00e1 na Holanda, tem que se integrar, viver como holand\u00eas&#8221;, defende.<br \/>\nO psicanalista ainda comparou a situa\u00e7\u00e3o com a coloniza\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e italiana no Rio Grande do Sul, onde, segundo ele, os imigrantes conseguiram manter algumas de suas tradi\u00e7\u00f5es, transformadas posteriormente em folclore, sem depender do Estado. &#8220;O Estado n\u00e3o pode colocar-se na tarefa de proliferar as minorias culturais&#8221;, concluiu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Haubrich Pontualmente \u00e0s sete e meia da noite de 30 de junho, Ayaan Hirsi Ali, aquela mulher negra, de tra\u00e7os fortes subiu ao palco da Reitoria da UFRGS. Vestida com um terninho bege que delineava sua silhueta elegante ela abriu o quinto encontro do Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem. 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