{"id":837,"date":"2007-05-12T15:54:15","date_gmt":"2007-05-12T18:54:15","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=837"},"modified":"2007-05-12T15:54:15","modified_gmt":"2007-05-12T18:54:15","slug":"temporada-de-caca-pode-voltar-ao-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/temporada-de-caca-pode-voltar-ao-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"Temporada de ca\u00e7a pode voltar ao Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\">\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Carlos Matsubara, especial para o J\u00c1<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Proibida desde junho de 2005, a temporada de ca\u00e7a controlada no Rio Grande do Sul pode retornar ainda neste m\u00eas de maio.\u00a0 Na quarta-feira, 9 de maio, a Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica do Rio Grande do Sul apresentou uma proposta de zoneamento e cotas para esp\u00e9cies que poder\u00e3o ser abatidas. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Foram apontadas seis esp\u00e9cies que poder\u00e3o ser ca\u00e7adas em diversos munic\u00edpios da Metade Sul do Estado e na regi\u00e3o da Campanha. A marreca-piadeira \u00e9 a esp\u00e9cie com maior permiss\u00e3o de abate. Cada ca\u00e7ador ter\u00e1 direito a 25 indiv\u00edduos por semana. O predileto dos ca\u00e7adores, o marreco-macho teve sua cota limitada em cinco indiv\u00edduos por ca\u00e7ador durante nove semanas. N\u00e3o h\u00e1 mam\u00edferos na lista e ainda foram liberados o pomb\u00e3o, a pomba de bando, a perdiz e a marreca-caneleira.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O coordenador da pesquisa, o bi\u00f3logo Marcelo Duarte, explica que o zoneamento n\u00e3o \u00e9 definitivo. Ele foi encaminhado ao Centro Nacional de Pesquisa para Conserva\u00e7\u00e3o de Aves Silvestres (Cemav), do Ibama em Jo\u00e3o Pessoa, na Para\u00edba, que deve devolv\u00ea-lo ainda neste m\u00eas depois de ser analisado. \u201cOu seja, algumas cotas ou esp\u00e9cies podem ser mudadas\u201d, explica Duarte.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ele conta que o estudo n\u00e3o muda muito de um ano para outro, tendo em vista que as esp\u00e9cies liberadas para a ca\u00e7a, geralmente s\u00e3o as mesmas. \u201cAs cotas s\u00e3o baseadas nos estudos anteriores e no n\u00famero de ca\u00e7adores\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O n\u00famero de ca\u00e7adores no Estado, por sinal, vem despencando ladeira abaixo. De acordo com o presidente da Federa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Ca\u00e7a e Tiro, Lucio Paz, a principal causa \u00e9 o alto custo do esporte, que inclui, entre outros gastos, armas, muni\u00e7\u00f5es, viagens, e principalmente as taxas exigidas. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">S\u00e3o as taxas cobradas dos ca\u00e7adores que financiam boa parte dos custos da FZB para realizar o zoneamento. \u201cAl\u00e9m das despesas, existe ainda a discrimina\u00e7\u00e3o do esporte\u201d, afirma Paz. Perguntado por que ca\u00e7ar, Paz responde com outra pergunta. \u201cE por que n\u00e3o ca\u00e7ar?\u201d<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O presidente da federa\u00e7\u00e3o calcula que existam no Rio Grande do Sul pelo menos 40 mil ca\u00e7adores, embora apenas 4,5 mil sejam filiados atualmente.\u00a0 Destes, ele estima que menos de mil sa\u00edam \u00e0 ca\u00e7a neste ano.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">\u201cO ca\u00e7ador registrado \u00e9 o maior fiscalizador e inibidor do ca\u00e7ador clandestino\u201d. Paz argumenta que o ca\u00e7ador \u00e9 antes de qualquer coisa um preservacionista. \u201cA ca\u00e7a depende da preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A ca\u00e7a controlada foi legalizada no Brasil em 1967, atrav\u00e9s da lei de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Fauna (Lei n\u00b0 5.197), e regulamentada no Rio Grande do Sul em janeiro de 1994. Todos os anos, o Cemave estabelece quais esp\u00e9cies poder\u00e3o ser abatidas naquela temporada, com base em estudos da FZB.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Para Maria Elisa, presidente da ONG Uni\u00e3o Pela Vida , n\u00e3o existe ca\u00e7a que possa ser controlada. \u201cMuitos animais que correm risco de extin\u00e7\u00e3o convivem no mesmo habitat que os liberados pelo Ibama\u201d, diz. Para o presidente da ONG Guardi\u00f5es do Lago Gua\u00edba , Gilson Tesch, \u00e9 uma vergonha que em um estado como o Rio Grande do Sul ainda permita esse tipo de mentalidade. \u201cA Lei de Crimes Ambientais \u00e9 para todo cidad\u00e3o e aqui o Estado abre uma brecha para que uma minoria privilegiada possa praticar maus-tratos e matan\u00e7as de animais\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O levantamento das esp\u00e9cies \u00e9 baseado apenas em observa\u00e7\u00f5es a\u00e9reas e na ficha individual dos ca\u00e7adores, onde eles pr\u00f3prios indicam quantas e quais esp\u00e9cies abateram. \u201cA metodologia dos censos das esp\u00e9cies a serem abatidas \u00e9 contestada por v\u00e1rios t\u00e9cnicos da \u00e1rea e os pr\u00f3prios recenseadores admitem que o trabalho \u00e9 realizado sem as condi\u00e7\u00f5es adequadas\u201d, diz Maria Elisa.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ela afirma que a perdiz, tida como praga, n\u00e3o traria perdas significativas para as lavouras. Poderia ser at\u00e9 \u00fatil, uma vez que se alimenta de insetos nocivos. E lembra ainda que ele tem predadores naturais.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Os argumentos contra a legaliza\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a n\u00e3o param por a\u00ed. O material dos cartuchos contaminaria, direta e indiretamente, o meio ambiente com chumbo. Lucio Paz alega que nunca ficou provado nenhum problema desse tipo e que somente uma vez, nos Estados Unidos, houve uma situa\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de ave que se alimentava desse res\u00edduo.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Nem todos ambientalistas, por\u00e9m, s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 ca\u00e7a esportiva. Jos\u00e9 Truda Palazzo Jr., se disse chocado com a discuss\u00e3o \u201cse devemos ou n\u00e3o matar bichinhos e lamentou que alguns ecologistas n\u00e3o entendam que a ca\u00e7a \u00e9 a melhor alternativa sustent\u00e1vel para preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Truda lembrou ainda que um dos pioneiros do movimento ambientalista do Estado, Augusto Carneiro, tamb\u00e9m \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 ca\u00e7a controlada por entender que \u00e9 sempre melhor ter uma temporada definida com esp\u00e9cies definidas do que a ca\u00e7a descontrolada e criminosa como existe em todo o restante do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p class=\"linkbordo\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Batalha judicial<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A advogada da UPV, Patr\u00edcia Azevedo da Silveira, revelou que a ONG ir\u00e1 entrar com recurso no Tribunal de Justi\u00e7a Federal para tentar, novamente, barrar a temporada de ca\u00e7a. \u201cVamos pedir a suspens\u00e3o da senten\u00e7a que liberou a pr\u00e1tica no Estado\u201d, afirmou. <\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A senten\u00e7a foi concedida em maio do ano passado, quando a 1\u00aa Turma Suplementar do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4\u00aa Regi\u00e3o liberou, por maioria, a ca\u00e7a amadora. A medida atendeu a recurso da Federa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Ca\u00e7a e Tiro e do Ibama.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ao analisar o recurso, o relator do caso no TRF, desembargador federal Edgard Lippmann J\u00fanior, decidiu pela libera\u00e7\u00e3o. Ele considerou que ficou demonstrado no processo o \u201crigoroso controle ambiental praticado pelo instituto\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"texto\" style=\"font-size: small\"><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em junho de 2005, durante a primeira semana da temporada daquele ano, ONGs lideradas pela UPV entraram com uma a\u00e7\u00e3o p\u00fablica movida noTribunal de Justi\u00e7a Federal, juntamente com um abaixo-assinado com seis mil assinaturas que solicitava a suspens\u00e3o da ca\u00e7a controlada no Estado.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif\"><span style=\"font-size: x-small\">Na ocasi\u00e3o, o Juiz Federal C\u00e2ndido Alfredo Silva Leal J\u00fanior, da Vara Ambiental, Agr\u00e1ria e Residual, reconheceu que a atividade n\u00e3o poderia ser liberada nem licenciada \u201cporque n\u00e3o t\u00eam finalidade socialmente relevante, n\u00e3o condizem com a dignidade humana, n\u00e3o contribuem para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade livre, justa e solid\u00e1ria e porque submetem os animais silvestres a crueldade\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Matsubara, especial para o J\u00c1 Proibida desde junho de 2005, a temporada de ca\u00e7a controlada no Rio Grande do Sul pode retornar ainda neste m\u00eas de maio.\u00a0 Na quarta-feira, 9 de maio, a Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica do Rio Grande do Sul apresentou uma proposta de zoneamento e cotas para esp\u00e9cies que poder\u00e3o ser abatidas. 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