{"id":846,"date":"2007-06-08T16:04:26","date_gmt":"2007-06-08T19:04:26","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=846"},"modified":"2007-06-08T16:04:26","modified_gmt":"2007-06-08T19:04:26","slug":"comemoracao-anarquista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/comemoracao-anarquista\/","title":{"rendered":"Comemora\u00e7\u00e3o anarquista"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Times New Roman;font-size: small\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/reportagem3\/med_anarcas.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span class=\"menulat\">Membros da Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Ga\u00facha\u00a0(FAG)\u00a0preparam atividades para marcar 90 anos da Guerra dos Bra\u00e7os Cruzados (Fotos: Cleber Dioni\/J\u00c1)<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman;font-size: small\"><span class=\"texto\"><strong>Cleber Dioni<\/strong><\/span><br class=\"texto\" \/><span class=\"texto\"> <\/span><br class=\"texto\" \/><span class=\"texto\">A sede dos anarquistas em Porto Alegre se tornou pequena nos \u00faltimos tr\u00eas meses. At\u00e9 gente do Interior tem vindo participar do planejamento das a\u00e7\u00f5es para marcar os 90 anos da Guerra dos Bra\u00e7os Cruzados, a\u00a0 primeira mobiliza\u00e7\u00e3o nacional de trabalhadores, que paralisou as ind\u00fastrias e boa parte dos servi\u00e7os, dos transportes ao abastecimento. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman;font-size: small\"><span class=\"texto\">Come\u00e7ou em junho de 1917, nas f\u00e1bricas t\u00eaxteis dos bairros paulistanos da Mo\u00f3ca e do Ipiranga, estendeu-se para o Rio de Janeiro e outros centros industriais. Cerca de 50 mil pessoas aderiram. No Rio Grande do Sul, o primeiro foco grevista surgiu em Santa Maria. Um grupo de ferrovi\u00e1rios tomou uma locomotiva para protestar contra as condi\u00e7\u00f5es de trabalho na ferrovia. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman;font-size: small\"><span class=\"texto\">Hoje os anarquistas n\u00e3o s\u00e3o mais sapateiros, ferrovi\u00e1rios, alfaiates ou carpinteiros, mas\u00a0 estudantes, professores, um e outro artes\u00e3o e gr\u00e1ficos.\u00a0 \u201cO momento \u00e9 de refor\u00e7ar nossa participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no movimento oper\u00e1rio\u201d, acredita Eduardo Colling, porto-alegrense de 28 anos, gr\u00e1fico, estudado e com discurso afiado. Anderson Pereira Corr\u00eaa, 30 anos, est\u00e1 h\u00e1 um m\u00eas na capital. Professor de Hist\u00f3ria numa escola estadual, veio do Alegrete tentar uma bolsa de mestrado. \u201cEnquanto os social-democratas procuravam sempre amenizar os protestos, os anarquistas sa\u00edam \u00e0s ruas e pressionavam at\u00e9 arrancar algumas conquistas da classe patronal ou do governo\u201d, frisa Corr\u00eaa. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman;font-size: small\"><span class=\"texto\">N\u00e3o planejam promover protestos ou greves, mas organizar palestras, eventos de m\u00fasica, teatro e mostras de document\u00e1rios. No livro A Greve Geral de 1917 e as Origens do Trabalhismo Ga\u00facho (Porto Alegre: L&amp;PM, 1979), o economista e cientista pol\u00edtico mineiro Miguel Bodea registra as reivindica\u00e7\u00f5es, entre elas, \u00e1gua, comida, aluguel e bonde mais baratos, aumento salarial, redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 8 horas para os homens e de 6 horas para mulheres e crian\u00e7as. Panfletos distribu\u00eddos pela Liga em 30 de julho anunciavam um grande com\u00edcio para o dia seguinte na Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, em Porto Alegre, que j\u00e1 amanheceu com as ruas tomadas de manifestantes e policiais. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman;font-size: small\"><span class=\"texto\">Na Alf\u00e2ndega, o tip\u00f3grafo Cec\u00edlio Vilar fala a cerca de cinco mil pessoas: \u201cO momento n\u00e3o \u00e9 para concilia\u00e7\u00f5es, \u00e9 de luta. A luta mais justific\u00e1vel, a luta pela vida. Os oper\u00e1rios devem se erguer como um s\u00f3 homem, para sair \u00e0s ruas e conquistar o p\u00e3o que nos est\u00e1 sendo roubado\u201d. Em 1o de agosto de 1917, estima-se que 30 mil pessoas cruzaram os bra\u00e7os: pedreiros, padeiros, chapeleiros, trapicheiros, estivadores, eletricit\u00e1rios, oper\u00e1rios das ind\u00fastrias t\u00eaxtil e moveleira, carroceiros, caixeiros, choferes e tip\u00f3grafos. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman;font-size: small\"><span class=\"texto\">No dia 2, uma comiss\u00e3o dos grevistas ouve do presidente do Estado, Borges de Medeiros, que algumas reivindica\u00e7\u00f5es ser\u00e3o atendidas. Entre elas, editar medidas de controle da exporta\u00e7\u00e3o, de redu\u00e7\u00e3o de horas de trabalho e de aumento salarial para o funcionalismo p\u00fablico. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman;font-size: small\"><span class=\"texto\">Apesar das promessas do governador, a greve n\u00e3o acabou e os \u00e2nimos continuaram exaltados. A maioria das categorias encerrou a greve no dia 5 de agosto. Os ferrovi\u00e1rios s\u00f3 voltaram ao trabalho no dia 6 por n\u00e3o suportarem mais a violenta repress\u00e3o policial. Foi uma das classes que n\u00e3o obteve conquistas trabalhistas.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span class=\"texto\" style=\"font-family: Times New Roman;font-size: small\"><strong class=\"linkbordo\">O fil\u00f3sofo que desafiou Marx<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span class=\"texto\" style=\"font-family: Times New Roman;font-size: small\">O russo Mikhail Aleksandrovitch Bakunin descendia de fam\u00edlia rica. Estudou filosofia e, em suas andan\u00e7as por pa\u00edses europeus, conheceu Karl Marx e Proudhon. Em 1848, participou da Revolu\u00e7\u00e3o Prolet\u00e1ria em Paris. Foi preso e condenado \u00e0 morte, mas fugiu para o Jap\u00e3o e depois se exilou na Su\u00ed\u00e7a. Criticou o positivismo e o comunismo, os socialistas \u201cautorit\u00e1rios\u201d. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span class=\"texto\" style=\"font-family: Times New Roman;font-size: small\">As diverg\u00eancias com Marx resultaram na sua expuls\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Trabalhadores. Sobre o marxismo, dizia : \u201c&#8230; O governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, por\u00e9m, dizem os marxistas, compor-se-\u00e1 de oper\u00e1rios. Sim, com certeza, de antigos oper\u00e1rios, mas que, t\u00e3o logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessar\u00e3o de ser oper\u00e1rios e por-se-\u00e3o a observar o mundo prolet\u00e1rio de cima do Estado; n\u00e3o mais representar\u00e3o o povo, mas a si mesmos e suas pretens\u00f5es de govern\u00e1-lo. Quem duvida disso n\u00e3o conhece a natureza humana.\u201d <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span class=\"texto\" style=\"font-family: Times New Roman;font-size: small\">Bakunin passou a liderar a organiza\u00e7\u00e3o de grupos anarquistas em diversos pa\u00edses e ganhou adeptos como o russo Piotr Kropotkin e o italiano Errico Malatesta. Morreu em 1876, na Su\u00ed\u00e7a. Diz-se que seus m\u00e9todos de a\u00e7\u00e3o s\u00e3o notados hoje em grupos ambientalistas e movimentos de reforma agr\u00e1ria e urbana. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Membros da Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Ga\u00facha\u00a0(FAG)\u00a0preparam atividades para marcar 90 anos da Guerra dos Bra\u00e7os Cruzados (Fotos: Cleber Dioni\/J\u00c1) Cleber Dioni A sede dos anarquistas em Porto Alegre se tornou pequena nos \u00faltimos tr\u00eas meses. 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