{"id":847,"date":"2007-06-19T16:05:06","date_gmt":"2007-06-19T19:05:06","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=847"},"modified":"2007-06-19T16:05:06","modified_gmt":"2007-06-19T19:05:06","slug":"setor-florestal-mostra-forca-em-audiencia-publica-em-pelotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/setor-florestal-mostra-forca-em-audiencia-publica-em-pelotas\/","title":{"rendered":"Setor florestal mostra for\u00e7a em audi\u00eancia p\u00fablica em Pelotas"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">\n<p><span class=\"assina\">Carlos Matsubara, especial para o J\u00c1<\/span><br \/>\nA audi\u00eancia p\u00fablica realizada segunda-feira \u00e0 noite (11\/06) em Pelotas para tratar do <a href=\"http:\/\/www.fepam.rs.gov.br\/biblioteca\/zoneam_silvic.asp\">Zoneamento Ambiental da Silvicultura<\/a> evidenciou a for\u00e7a das empresas de celulose, em especial da Votorantim Celulose e Papel (VCP), com sede e projetos na cidade.<br \/>\nCercado de grande expectativa, o confronto entre os favor\u00e1veis aos plantios de eucalipto das empresas de celulose e os seus opositores, n\u00e3o vingou. Os ambientalistas mesmo com apoio de movimentos sociais n\u00e3o foram p\u00e1reo para a mobiliza\u00e7\u00e3o do setor e de prefeituras locais. Na primeira das tr\u00eas batalhas previstas, os ecologistas perderam de lavada.<br \/>\n\u00c1lvaro Bueno, da Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Empresas Florestais (Ageflor), calcula que, das mais de mil pessoas presentes ao Teatro Guarani, 60% das manifesta\u00e7\u00f5es foram favor\u00e1veis aos projetos, partindo especialmente de pessoas e entidades preocupadas com a <a href=\"http:\/\/www.ambienteja.info\/2006\/ver_cliente.asp?id=96349\">gera\u00e7\u00e3o de empregos<\/a> e com a possibilidade de perder os vultuosos investimentos anunciados por Aracruz, VCP e Stora Enso. \u201cO maior apoio veio da For\u00e7a Sindical e do pessoal das prefeituras da regi\u00e3o\u201d, ressaltou.<br \/>\nOutros 20% das manifesta\u00e7\u00f5es, segundo a Ageflor, partiram de entidades ambientalistas locais e por membros do MST. \u201cEm geral, as cr\u00edticas foram as mesmas de sempre, do discurso contr\u00e1rio ao latif\u00fandio e defendendo a agricultura familiar contra os projetos das empresas. \u201cFicamos surpresos com a baixa presen\u00e7a de ambientalistas. Esper\u00e1vamos uma presen\u00e7a maior\u201d, acrescentou.<br \/>\nAinda pelos c\u00e1lculos da entidade, as cr\u00edticas ao documento elaborado pela Fepam responderam pelos outros 20% das manifesta\u00e7\u00f5es. As empresas e a pr\u00f3pria Ageflor aproveitaram para refor\u00e7ar seu <a href=\"http:\/\/www.ambienteja.info\/2006\/ver_cliente.asp?id=88719\">descontentamento<\/a>. Segundo Bueno, o setor mant\u00e9m a posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria a utiliza\u00e7\u00e3o de aspectos paisag\u00edsticos para dividir o Estado, como foi feito pelos t\u00e9cnicos da Fepam, e n\u00e3o por bacias e sub-bacias como defende. \u201cVamos manter essa posi\u00e7\u00e3o, entre outras, em todas as audi\u00eancias p\u00fablicas e esperamos que seja levada em conta no Conselho Estadual de Meio Ambiente\u201d, afirmou.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Aspectos sociais<\/span><br \/>\nA Ageflor tamb\u00e9m considera o estudo da Fepam <a href=\"http:\/\/www.ambienteja.info\/2006\/ver_cliente.asp?id=89870\">muito restritivo a atividade<\/a>, no que diz respeito ao percentual de plantio nas propriedades, principalmente na Metade Sul. \u201cEmbora seja um documento muito t\u00e9cnico, bem elaborado, ele peca por n\u00e3o levar em conta aspectos sociais\u201d. Segundo a entidade, a audi\u00eancia serviu para que outras vozes, que n\u00e3o a Ageflor, tivessem a chance de mostrar que o trabalho, apesar de bem-feito, n\u00e3o leva em conta aspectos sociais. \u201cE essa foi a preocupa\u00e7\u00e3o dos sindicalistas presentes\u201d, ponderou.<br \/>\nPor meio de sua assessoria de imprensa, a Fepam explica que a sua equipe t\u00e9cnica, respons\u00e1vel pela proposta do Zoneamento Ambiental da Silvicultura, \u201cdemonstrou que os crit\u00e9rios adotados n\u00e3o impossibilitam a atividade da silvicultura em grande escala no Rio Grande do Sul, mas existem \u00e1reas de baixo, m\u00e9dio e de grande impacto ambiental\u201d.<br \/>\nSegundo a presidenta do \u00f3rg\u00e3o ambiental, Ana Maria Pellini, \u201ca Silvicultura representa, especialmente para a regi\u00e3o sul do Estado, uma oportunidade de desenvolvimento, ap\u00f3s um longo per\u00edodo de depress\u00e3o econ\u00f4mica\u201d e apresenta \u201cduas caracter\u00edsticas extremamente importantes para o nosso meio ambiente ga\u00facho: a sua forma extensiva, ocupando homogeneamente grandes extens\u00f5es do territ\u00f3rio, e sua localiza\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria no bioma Pampa\u201d.<br \/>\nEm sua manifesta\u00e7\u00e3o na audi\u00eancia, Ana Pellini tamb\u00e9m lembrou que no Pampa \u201cpredominam as vegeta\u00e7\u00f5es rasteiras e esparsas, com biodiversidade e patrim\u00f4nio gen\u00e9tico bastante diferenciados do resto do territ\u00f3rio brasileiro e cujo uso \u00e9 marca indel\u00e9vel de nossa cultura, protegido inclusive pela Constitui\u00e7\u00e3o Estadual.\u201d<br \/>\n<span class=\"intertit\">Derrota da coletividade<\/span><br \/>\nMas se para a Ageflor, o encontro de Pelotas representou uma vit\u00f3ria, para os ambientalistas teve significado diferente. <a href=\"http:\/\/www.terrazul.m2014.net\/spip.php?auteur587\">C\u00edntia Barenho<\/a>, do Centro de Estudos Ambientais (CEA), ONG de Pelotas, destaca que \u201cenquanto alguns se intitulam \u201cvencedores\u201d da AP, se esconde os que realmente saem perdendo: o ambiente e a coletividade.\u201d<br \/>\nAo microfone, um representante do sindicato dos servidores p\u00fablicos chamou a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o Zoneamento n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o restritivo quanto afirmam as empresas. De acordo com ele, o estudo permite o plantio de \u00e1rvores em aproximadamente nove milh\u00f5es de hectares no Estado, enquanto as empresas planejam plantar algo em torno de 1 milh\u00e3o de hectares.<br \/>\nLuiz Rampazzo, do CEA, acredita que o EIA-Rima deveria ser exigido, conforme estabelece a Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira. De acordo com ele, isso n\u00e3o foi cumprido pelo governo, pois o mesmo tem liberado o plantio de tais \u00e1rvores ex\u00f3ticas, com o consentimento do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual que ao inv\u00e9s de utilizar os instrumentos jur\u00eddicos para coibir tal desrespeito \u00e0 lei ambiental, acabou por realizar a\u00e7\u00f5es que, na pr\u00e1tica, flexibilizaram as normas de prote\u00e7\u00e3o do Pampa. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 desenvolvimento sustent\u00e1vel, mas sim um blefe quanto \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de renda, de empregos\u201d, criticou.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Barrados no baile<\/span><br \/>\nSobre a fraca mobiliza\u00e7\u00e3o das ONGs, C\u00edntia Barenho denuncia que o local do evento n\u00e3o teve sua capacidade total de p\u00fablico utilizada. A bi\u00f3loga relata que muitas pessoas foram impedidas de entrar porque o acesso ao local estava bloqueado pela Brigada Militar, tendo inclusive, suas portas fechadas durante a audi\u00eancia p\u00fablica, sendo abertas apenas quando grande parte da multid\u00e3o j\u00e1 havia deixado o teatro.<br \/>\n\u201cFatos dessa natureza comprometem o exerc\u00edcio da cidadania e a legalidade da AP, pois a mesma deve ter seu acesso franco a qualquer um do povo\u201d, critica. C\u00edntia antecipou ainda que o CEA est\u00e1 estudando as medidas legais a serem adotadas com rela\u00e7\u00e3o ao cerceamento de participa\u00e7\u00e3o na audi\u00eancia.<br \/>\nA Fepam explica que, por motivos de seguran\u00e7a, cerca de 200 pessoas n\u00e3o puderam ingressar ao teatro.<br \/>\nOutra cr\u00edtica da ONG quanto \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do encontro refere-se ao fato de que na mesa de abertura, onde foram permitidas manifesta\u00e7\u00f5es, s\u00f3 houve a presen\u00e7a de representantes de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, sem espa\u00e7o para a representa\u00e7\u00e3o de ONGs e de colegiados ambientais. \u201cA maioria da mesa foi composta por pessoas com posi\u00e7\u00e3o p\u00fablica favor\u00e1vel a monocultura\u201d, lamenta.<br \/>\nParticiparam da mesa de abertura: o secret\u00e1rio estadual do Meio Ambiente, Carlos Otaviano Brenner de Moraes, a diretora-presidenta da Fepam, Ana Maria Pellini; o prefeito de Pelotas, Adolpho Fetter J\u00fanior; o presidente da Azonasul (Associa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios da Zona Sul), Jorge Luiz Cardoso, prefeito de Arroio Grande; o vice-presidente da C\u00e2mara Municipal de Pelotas , vereador Ademar Ornel; o representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual (MPE\/Pelotas), dr. Paulo Roberto Charqueiro. A condu\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia, posteriormente, coube ao chefe da Assessoria Jur\u00eddica da Fepam, dr. Paulo R\u00e9gis, e ao secret\u00e1rio substituto do Meio Ambiente, Francisco Luiz da Rocha Sim\u00f5es Pires.<br \/>\nOutro fato inaceit\u00e1vel, na vis\u00e3o do CEA, foram os privil\u00e9gios dados a algumas pessoas para o acesso ao evento, como n\u00e3o entrar em fila e nem apresentar identifica\u00e7\u00e3o, passando a frente de quem esperava para entrar no teatro. \u201cOrdem que tamb\u00e9m foi alterada nas falas dos inscritos\u201d, acrescenta C\u00edntia Barenho.<br \/>\nO segundo round dessa batalha acontece amanh\u00e3 (13\/07) em Alegrete, quando se realiza mais uma audi\u00eancia p\u00fablica promovida pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Fepam para apresentar e recolher contribui\u00e7\u00f5es da sociedade \u00e0 proposta de Zoneamento Ambiental da Silvicultura. Uma terceira est\u00e1 marcada, faltando definir o local, para o dia 19, ter\u00e7a-feira pr\u00f3xima, em Caxias do Sul.<br \/>\nAl\u00e9m das contribui\u00e7\u00f5es orais durante as audi\u00eancias p\u00fablicas, a Fepam seguir\u00e1 recebendo, at\u00e9 10 (dez) dias ap\u00f3s o \u00faltimo encontro, documento escritos com an\u00e1lises e propostas. O que for recolhido ser\u00e1 consolidado e, ap\u00f3s a proposta final do Zoneamento Ambiental da Silvicultura ser\u00e1 encaminhada para aprecia\u00e7\u00e3o do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Matsubara, especial para o J\u00c1 A audi\u00eancia p\u00fablica realizada segunda-feira \u00e0 noite (11\/06) em Pelotas para tratar do Zoneamento Ambiental da Silvicultura evidenciou a for\u00e7a das empresas de celulose, em especial da Votorantim Celulose e Papel (VCP), com sede e projetos na cidade. 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