{"id":890,"date":"2007-11-15T13:39:39","date_gmt":"2007-11-15T16:39:39","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=890"},"modified":"2007-11-15T13:39:39","modified_gmt":"2007-11-15T16:39:39","slug":"e-agora-governadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/e-agora-governadora\/","title":{"rendered":"E agora, governadora?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Guilherme Kolling<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO governo Yeda Crusius sofreu ontem sua segunda derrota pol\u00edtica, em menos de um ano. No final de 2006, os deputados rejeitaram a proposta da governadora de prorrogar o aumento de ICMS que vigorou na gest\u00e3o de Germano Rigotto. Ontem, foi a vez do pacote que Yeda encaminhou ao legislativo no in\u00edcio de outubro.<br \/>\nDepois de ver frustrada a tentativa de adiar a vota\u00e7\u00e3o, os deputados da base aliada n\u00e3o conseguiram esvaziar o plen\u00e1rio. Com a presen\u00e7a de 28 parlamentares, n\u00famero m\u00ednimo para o qu\u00f3rum, os projetos do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o do Estado foram colocados em vota\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAntes, foi aprovado um requerimento dos deputados Raul Carrion (PcdoB), Raul Pont (PT), Heitor Schuch (PSB) e Adroaldo Loureiro (PDT), solicitando a invers\u00e3o na ordem de vota\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCom isso, o primeiro texto a entrar em vota\u00e7\u00e3o foi a proposta do aumento da al\u00edquota b\u00e1sica de ICMS de 17% para 18% e um aumento seletivo no ICMS de combust\u00edveis (\u00e1lcool e gasolina), telefone, energia el\u00e9trica residencial e comercial, bebidas e cigarros.<br \/>\nDepois de diversos deputados terem retirado emendas, o texto foi \u00e0 vota\u00e7\u00e3o. \u00c0s 16h04 o projeto foi rejeitado por 34 a 0. Al\u00e9m da oposi\u00e7\u00e3o, votaram contra alguns deputados da base aliada, de partidos como PP, PMDB e PTB.<br \/>\nO resultado foi saudado com muitas palmas do p\u00fablico que lotou as galerias e dos deputados oposicionistas. O deputado Ad\u00e3o Villaverde (PT), segundo vice-presidente da Assembl\u00e9ia Legislativa, n\u00e3o disfar\u00e7ava sua euforia ao conduzir os trabalhos \u2013 o presidente Frederico Antunes (PP) n\u00e3o participou da sess\u00e3o, na tentativa de tirar o qu\u00f3rum.<br \/>\nEm seguida, passou-se ao projeto de lei complementar 390\/2007, sobre a lei de responsabilidade fiscal do Estado do Rio Grande Sul. Ele estabelece \u201cnormas de finan\u00e7as p\u00fablicas no \u00e2mbito do Estado, voltadas para a responsabilidade da gest\u00e3o fiscal, limites para a varia\u00e7\u00e3o das despesas com pessoal e encargos sociais no \u00e2mbito dos Poderes e para a evolu\u00e7\u00e3o das despesas de custeio discricion\u00e1rias\u201d.<br \/>\nPara a sua aprecia\u00e7\u00e3o era necess\u00e1ria a presen\u00e7a de 29 deputados. Foram 31 parlamentares que votaram contra. Mais uma vez, nenhum voto favor\u00e1vel. A essa altura o p\u00fablico das galerias n\u00e3o se conteve e entoou: \u201cO povo!\/ Unido!\/ Jamais ser\u00e1 vencido!\u201d<br \/>\n<strong>Precat\u00f3rios e extin\u00e7\u00e3o de CCs s\u00e3o aprovados<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 com as galerias vazias e sem a presen\u00e7a de dezenas de jornalistas que se acotovelavam no plen\u00e1rio, os deputados aprovaram os outros dois projetos.<br \/>\nO Fundo Estadual dos Precat\u00f3rios (391\/2007), que autoriza a aliena\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis do Estado foi aprovado por 30 votos a favor e nenhum contra. O outro projeto (392\/2007), que extingue cargos na esfera do Poder Executivo, tamb\u00e9m foi aprovado por 29 votos favor\u00e1veis e nenhum contra.<br \/>\n<strong>PP define perman\u00eancia no Governo na segunda<\/strong><br \/>\nO Partido Progressista (PP) comp\u00f5e a base aliada do Governo Yeda Crusius. Mas pelo menos cinco de seus nove deputados votaram contra o pacote. Entre eles, o presidente do partido no Estado, Jer\u00f4nimo Goergen. Questionado sobre a perman\u00eancia do PP nessa administra\u00e7\u00e3o, ele informou que a decis\u00e3o ser\u00e1 tomada na pr\u00f3xima segunda-feira, em reuni\u00e3o da Executiva Estadual.<br \/>\nA deputada Leila Fetter, outra integrante do partido que participou da vota\u00e7\u00e3o, deixou o plen\u00e1rio com um semblante s\u00e9rio, bem diferente da descontra\u00e7\u00e3o dos parlamentares da oposi\u00e7\u00e3o. Para ela, o PP deve ficar no Governo. \u201cOs deputados t\u00eam o direito de votar de acordo com suas convic\u00e7\u00f5es\u201d, justificou.<br \/>\n<strong><br \/>\nH\u00e4rter diz que faltou di\u00e1logo e transpar\u00eancia<\/strong><br \/>\nO deputado N\u00e9lson H\u00e4rter (PMDB), ao lado de seus colegas de sigla Edson Brum e \u00c1lvaro Boessio, foi outro integrante da base aliada que votou contra os projetos do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o do Estado.<br \/>\n\u201cFechamos o compromisso de votar contra o pacote, da maneira que foi apresentado\u201d. H\u00e4rter queria mais discuss\u00e3o sobre o tema. Participou inclusive da tentativa de tirar o qu\u00f3rum da vota\u00e7\u00e3o, mas como n\u00e3o foi suficiente, votou contra o aumento de impostos.<br \/>\n\u201cEra importante a rejei\u00e7\u00e3o do pacote para poder rediscutir o Estado com a sociedade g\u00e1ucha, coisa que o Governo n\u00e3o estava fazendo\u201d, atacou.<br \/>\nH\u00e4rter pede uma discuss\u00e3o, o quanto antes, sobre o tamanho do Estado, a quest\u00e3o fiscal e conten\u00e7\u00e3o de despesas. \u201cEsc\u00e2ndalos como o do Detran nos mostram que h\u00e1 como fazer cortes. E que ainda falta transpar\u00eancia no Governo\u201d.<br \/>\n<strong>Z\u00e1chia: \u201cQuem perdeu foi o Estado\u201d<\/strong><br \/>\nO chefe da Casa Civil, Luiz Fernando Z\u00e1chia, entende a derrota na Assembl\u00e9ia n\u00e3o foi do Governo, mas do Estado, que adia as medidas do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o. \u201cEsse n\u00e3o era o melhor caminho a ser tomado. E n\u00e3o foi por falta de transpar\u00eancia do Governo, o pacote foi discutido ao longo de 40 dias com toda sociedade\u201d.<br \/>\nO l\u00edder da bancada do PSDB na Assembl\u00e9ia, deputado Adilson Troca (PSDB), culpou os partidos da base aliada do Governo que n\u00e3o se retiraram, citando a presen\u00e7a de cinco deputados do PP e outros dois do PTB. \u201cFaltou voz de comando dos l\u00edderes das bancadas\u201d, avaliou. Mesmo assim, Troca entende que os partidos v\u00e3o continuar no Governo.<br \/>\n<strong>Pont: Deputados est\u00e3o em sintonia com a sociedade<\/strong><br \/>\nO deputado Raul Pont (PT), um dos mais combativos advers\u00e1rios do Pacote do Governo, avaliou o resultado da vota\u00e7\u00e3o como \u201cimportant\u00edssimo para o povo ga\u00facho\u201d, especialmente pelo n\u00e3o aumento do ICMS, que, na avalia\u00e7\u00e3o dele, atingiria os pobres e toda classe trabalhadora.<br \/>\n\u201cO Governo diz que n\u00e3o pode cortar os incentivos fiscais para n\u00e3o quebrar contratos com as grandes empresas. Mas o valor do ICMS tamb\u00e9m \u00e9 um contrato com a popula\u00e7\u00e3o\u201d, argumentou.<br \/>\nPont tamb\u00e9m elogiou a postura da Assembl\u00e9ia, que demonstrou estar em sitonia com os anseios da sociedade. \u201cOs deputados, mesmo da base aliada, mantiveram o compromisso e rejeitaram o aumento de impostos. Isso \u00e9 importante porque demonstra a autonomia do Legislativo\u201d.<br \/>\n<strong><br \/>\nFeij\u00f3: \u201cFuturo do Estado n\u00e3o pode ser decidido por meia d\u00fazia de pessoas\u201d<\/strong><br \/>\nO vice-governador Paulo Afonso Feij\u00f3 era dos mais entusiasmados com o resultado da vota\u00e7\u00e3o do pacote do Governo. Cercado por jornalistas, ele n\u00e3o se cansava de repetir que foi uma grande vit\u00f3ria da sociedade, a quem os deputados souberam interpretar.<br \/>\nProvocado pelos rep\u00f3rteres, ele n\u00e3o quis fazer coment\u00e1rios sobre a governadora Yeda Crusius. Mas alfinetou o Governo: \u201cO futuro do Estado n\u00e3o pode ser decidido por meia d\u00fazia de pessoas. Tem que haver mais di\u00e1logo e muito mais transpar\u00eancia\u201d, cobrou.<br \/>\n<em><br \/>\nUma derrota sem precedentes<\/em><br \/>\n<strong>Elmar Bones<\/strong><br \/>\nNa apresenta\u00e7\u00e3o de seu Programa de Recupera\u00e7\u00e3o do Estado, h\u00e1 40 dias, a governadora Yeda Crusius pediu que as medidas fossem avaliadas no conjunto \u201ccomo um projeto de gest\u00e3o\u201d. N\u00e3o houve jeito.<br \/>\nO que ganhou destaque na discuss\u00e3o que se seguiu foi a proposta de aumento de impostos, contida num dos sete projetos encaminhados pela governadora. E foi a\u00ed que o pacote trancou.<br \/>\nCom a eleva\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas do ICMS (detalhes no quadro), Yeda pretendia um refor\u00e7o de aproximadamente R$ 1 bilh\u00e3o na arrecada\u00e7\u00e3o, para enfrentar o d\u00e9ficit do Tesouro, estimado em R$1,3 bilh\u00e3o este ano. Seria o primeiro passo no sentido de recuperar o equil\u00edbrio nas contas estaduais, perdido h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas e que j\u00e1 resulta num passivo superior a R$ 30 bilh\u00f5es.<br \/>\nSe aprovado o pacote, garantiu a governadora, j\u00e1 em 2009 se teria despesas e receitas equilibradas e seria poss\u00edvel retomar os investimentos, hoje reduzidos a quase zero. \u201cSei que h\u00e1 rejei\u00e7\u00e3o pelo aumento de impostos, mas n\u00e3o podemos continuar perdendo posi\u00e7\u00e3o\u201d, disse ela referindo-se \u00e0s perdas econ\u00f4micas do Estado no contexto nacional.<br \/>\nApesar do grande esfor\u00e7o que o governo fez e da disposi\u00e7\u00e3o para negociar, a id\u00e9ia de aumentar impostos n\u00e3o conseguiu sensibilizar nem mesmo os aliados e, principalmente, o vice-governador Paulo Afonso Feij\u00f3. Com isso o restante das medidas propostas, praticamente ficou de lado no debate travado desde ent\u00e3o e que culminou com a vota\u00e7\u00e3o de ontem.<br \/>\nFoi uma derrota sem precedentes na hist\u00f3ria recente da pol\u00edtica estadual, a segunda que a governadora sofre em menos de um ano, apesar da ampla maioria que disp\u00f5e no legislativo estadual.<br \/>\nO chefe da Casa Civil, Luiz Fernando Z\u00e1chia disse depois do resultado que \u201ca derrota n\u00e3o foi do Governo, mas do Estado\u201d. O desgaste, por\u00e9m, ningu\u00e9m duvida, \u00e9 do governo, que ainda tem tr\u00eas anos pela frente.<br \/>\n<strong><br \/>\nAumentos propostos pelo governo<\/strong><br \/>\n<em>Sup\u00e9rfluos: de 25% para 28% (R$ 30 milh\u00f5es)<br \/>\n\u00d3leo diesel: de 12% para 13% (R$ 45 milh\u00f5es)<br \/>\nGNV: de 12% para 25% (R$ 16 milh\u00f5es)<br \/>\nEnergia resid. e com.: de 25% para 30% ( R$ 200 milh\u00f5es)<br \/>\nTelecomunica\u00e7\u00f5es de 25% para 30% (R$ 235 milh\u00f5es)<br \/>\nGasolina e \u00e1lcool: de 25% para 30% ( R$ 228 milh\u00f5es)<br \/>\nRefrigerantes: de 18% para 21% (R$ 39 milh\u00f5es)<br \/>\nAl\u00edquota b\u00e1sica: de 17% para 18% (R$ 166 milh\u00f5es)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme Kolling O governo Yeda Crusius sofreu ontem sua segunda derrota pol\u00edtica, em menos de um ano. 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