{"id":9055,"date":"2011-03-28T10:55:50","date_gmt":"2011-03-28T13:55:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=9055"},"modified":"2011-03-28T10:55:50","modified_gmt":"2011-03-28T13:55:50","slug":"a-volta-do-louco-do-cati-agora-num-filme-doidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/a-volta-do-louco-do-cati-agora-num-filme-doidao\/","title":{"rendered":"A volta do louco do Cati, agora num filme doid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo com chuva, foi sucesso de p\u00fablico e de cr\u00edtica a pr\u00e9-estreia (gratuita) do longa A \u00daltima Estrada da Praia, do diretor ga\u00facho Fabiano de Souza. Das 80 pessoas presentes \u00e0 Sala P. F. Gastal, no Gas\u00f4metro, em Porto Alegre, metade ficou para conversar com o diretor e parte da equipe, formada por 14 pessoas. Rodado em duas semanas de 2007 no litoral norte com patroc\u00ednio da RBS, o filme de 93 minutos custou R$ 200 mil. Foi montado em 2010. O lan\u00e7amento comercial foi anunciado para este semestre.<br \/>\nA \u00daltima Estrada da Praia usa como refer\u00eancia o romance O Louco do Cati, de Dyon\u00e9lio Machado, que o lan\u00e7ou em 1942, sob as tens\u00f5es da ditadura de Getulio Vargas. O roteiro cinematogr\u00e1fico n\u00e3o se prende ao enredo do livro e assume uma vers\u00e3o livre absolutamente contempor\u00e2nea. Um trio formado por dois rapazes e uma mo\u00e7a sai em viagem a bordo de uma camioneta Rural Willys. No in\u00edcio da jornada tipicamente \u201ceasy rider\u201d incorpora-se \u00e0 caravana um alienado sem nome que n\u00e3o diz palavra. Em Os\u00f3rio embarcam de \u00f4nibus numa viagem non sense para Terra de Areia, onde bebem, fumam e fazem uma orgia a tr\u00eas \u2013 o alienado sempre de fora. Em seguida, no ch\u00e3o de uma sorveteria praiana, fazem mais uma rodada de sexo grupal (de roupa), numa homenagem grotesca ao lixo cinematogr\u00e1fico brasileiro.<br \/>\nDe exagero em exagero, a comitiva se divide perto de Cidreira e a Rural Willys sai de cena carregando o casal do in\u00edcio da hist\u00f3ria. Ficam na praia, a p\u00e9, apenas o alienado e o seu amigo doid\u00e3o Norberto (mesmo nome da personagem do livro), que protagoniza as cenas mais divertidas da primeira parte do filme. \u00c9 quando acaba a com\u00e9dia tipo La Dolce Vita e o filme adquire a consist\u00eancia de um drama \u201cnoir\u201d \u00e0 moda tcheca. O par arrasta-se pela praia deserta, sob um c\u00e9u cinza, cercado por \u00e1gua marrom de lado e dunas de outro. \u201cN\u00e3o h\u00e1 como escapar da loucura num litoral desses\u201d, conclui um espectador, fazendo uma leitura \u201cdark\u201d da hist\u00f3ria aparentemente sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a.<br \/>\nNa realidade, embora sem se aprofundar, A \u00daltima Estrada da Praia \u00e9 uma viagem em torno da loucura. Se em O Louco do Cati a personagem principal \u00e9 tangida pelo medo \u2013 no caso, da ditadura pol\u00edtica vigente no per\u00edodo 1937\/1945 \u2013, no filme de Fabiano de Souza a loucura n\u00e3o tem correla\u00e7\u00e3o expl\u00edcita com alguma realidade pol\u00edtica ou econ\u00f4mica. Ela faz parte da cena como uma anomalia que a um inspira piedade e a outros impaci\u00eancia. A apari\u00e7\u00e3o espor\u00e1dica de uma ambul\u00e2ncia sugere que o alienado fugiu do hospital e vagueia sem rumo pelo mundo, s\u00f3 querendo escapar da amea\u00e7a de aprisionamento. Ao tentar comprar algo com uma velha nota de 100 cruzeiros, deixa claro que h\u00e1 muito perdeu contato com os valores do presente.<br \/>\nO que permanece do in\u00edcio ao fim do filme \u00e9 o v\u00ednculo afetivo entre o alienado e Norberto, o seu protetor. Eles formam um duplo eu em que um fala e o outro fica em sil\u00eancio. Numa tentativa de di\u00e1logo, o m\u00e1ximo que o alienado consegue \u00e9 chorar sem palavras. Na caminhada final em busca da civiliza\u00e7\u00e3o, os dois encontram na praia uma porta de madeira e brincam de bater de um lado e atender de outro. A porta \u00e9 uma met\u00e1fora do dentro e do fora, do entrar e sair, do estar preso ou estar livre.<br \/>\nNo final abrupto, os dois se separam. \u00c9 quando o doid\u00e3o Norberto, subitamente salvo do cansa\u00e7o por um arroz-de-carreteiro oferecido por uma mulher solit\u00e1ria, que lhe abre a porta sem mais nem menos, manda o amigo alienado embora com a fala mais profunda e ego\u00edsta do filme. Algo que pode ser resumido assim: \u201cEu encontrei uma pessoa. Ela me deu comida. Vou ficar aqui. Tu segues viajando, nada te prende, \u00e9s livre, vai\u201d.<br \/>\nEmbora tenha trechos mal pavimentados, A \u00daltima Estrada da Praia \u00e9 um filme interessante, com fotografia de qualidade muito boa. (Geraldo Hasse)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com chuva, foi sucesso de p\u00fablico e de cr\u00edtica a pr\u00e9-estreia (gratuita) do longa A \u00daltima Estrada da Praia, do diretor ga\u00facho Fabiano de Souza. 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