{"id":9603,"date":"2011-06-17T15:19:14","date_gmt":"2011-06-17T18:19:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=9603"},"modified":"2011-06-17T15:19:14","modified_gmt":"2011-06-17T18:19:14","slug":"agua-e-a-questao-central-na-discussao-do-codigo-florestal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/agua-e-a-questao-central-na-discussao-do-codigo-florestal\/","title":{"rendered":"\u00c1gua \u00e9 a quest\u00e3o central do C\u00f3digo Florestal"},"content":{"rendered":"<p><em>Geraldo Hasse<\/em><br \/>\nN\u00e3o nos deixemos enganar: mesmo girando em torno da manuten\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes junto a cursos d\u2019\u00e1gua,os debates sobre a reforma do C\u00f3digo Florestal referem-se inequivocamente ao uso do precioso l\u00edquido sem o qual desabar\u00e1 toda vida na Terra.<br \/>\nPortanto, nesse caso, mais do que nunca, os impasses individuais devem subordinar-se ao interesse coletivo de cunho preservacionista. Se prevalecer o interesse da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, tal como ele \u00e9 exercido no Brasil e na maior parte do mundo, corremos o risco de ter o futuro roubado*.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o C\u00f3digo Florestal. Todos os entreveros ambientais nas bacias dos rios S\u00e3o Francisco, Madeira, Xingu, Tiet\u00ea, Doce, Uruguai e tantos outros n\u00e3o deixam d\u00favidas de que os impasses vividos pelas comunidades brasileiras giram principalmente em torno do uso da \u00e1gua para consumo animal, abastecimento dom\u00e9stico e como insumo agr\u00edcola e industrial, aqui inclu\u00edda especialmente a produ\u00e7\u00e3o de eletricidade em represas.<br \/>\nOra, a preserva\u00e7\u00e3o do verde n\u00e3o pode ser um discurso vazio, uma sucess\u00e3o de furos n\u2019\u00e1gua. Deve ser prioridade dos governantes e das comunidades conscientes da necessidade do equil\u00edbrio entre a vida animal-vegetal-mineral.<br \/>\nPois a \u00e1gua \u00e9 o denominador comum dos tr\u00eas reinos acima.<br \/>\nCentros de destrui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, as cidades acumulam constru\u00e7\u00f5es, carros e pessoas num processo incessante de produ\u00e7\u00e3o, consumo, desperd\u00edcio, contamina\u00e7\u00e3o e sujeira onde a preserva\u00e7\u00e3o do verde costuma ficar em \u00faltimo lugar.<br \/>\nEntre a fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica e as \u00e1rvores, prevalece o interesse industrial,como se v\u00ea nessa \u00e9poca do ano (outono\/inverno), quando as prefeituras e as companhias de eletricidade iniciam as podas anuais de desobstru\u00e7\u00e3o das linhas el\u00e9tricas.<br \/>\nAinda assim, h\u00e1 cidades que se destacam pela arboriza\u00e7\u00e3o e o paisagismo urbano. Perto da pobreza paisag\u00edstica da maioria das cidades da Metade Sul do Rio Grande \u2013 e Pelotas, convenhamos, \u00e9 \u201cpelada\u201d em arboriza\u00e7\u00e3o \u2013, Porto Alegre \u00e9 rica em verde. A popula\u00e7\u00e3o planta \u00e1rvores frut\u00edferas nas cal\u00e7adas como forma de recuperar a intimidade perdida com a natureza.<br \/>\nNesse contexto aparentemente adiantado, custa acreditar que aceitem promover corridas da Formula Indy em Porto Alegre os mesmos dirigentes pol\u00edticos que fizeram da capital ga\u00facha a sede do Forum Social Mundial em 2000. O FSM foi o contraponto ao F\u00f3rum Econ\u00f4mico de Davos, onde os ricos do mundo se re\u00fanem para discutir como manter o imperialismo em perfeito estado de funcionamento.<br \/>\nDez anos depois, seria de esperar que as lideran\u00e7as portoalegrenses estivessem mais antenadas para os danos causados por eventos como esse, centrado no consumo delet\u00e9rio de petr\u00f3leo e na produ\u00e7\u00e3o intensiva de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e sonora.<br \/>\nO prefeito da cidade \u00e9 o ex-petista Jos\u00e9 Fortunati, agora no PDT. O governador \u00e9 Tarso Genro, um petista hist\u00f3rico. Como se explica tamanho conformismo aos ditames do Mercado? \u00c9 uma mistura de falta de mem\u00f3ria, aus\u00eancia de coragem pol\u00edtica e escassez de projetos alternativos.<br \/>\nEm vez de um show importado cuja montagem tende a tumultuar as ruas do centro da cidade, n\u00e3o seria melhor promover algum tipo de maratona ecol\u00f3gica que levasse a popula\u00e7\u00e3o a um pensar aut\u00f4nomo, sem a submiss\u00e3o autom\u00e1tica que caracteriza os pa\u00edses econ\u00f4mica e culturalmente dependentes?<br \/>\nA pergunta n\u00e3o vale apenas para Porto Alegre; vale para todas as cidades que cedem seu sistema vi\u00e1rio para a realiza\u00e7\u00e3o de corridas de carros.<br \/>\n*<em> \u201cO Futuro Roubado\u201d \u00e9 o t\u00edtulo de um livro sobre a contamina\u00e7\u00e3o de alimentos por produtos qu\u00edmicos; escrito por Theo Colborn e outros, foi publicado no Brasil em 1997 pelaL&amp;PM Editores, de Porto Alegre.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse N\u00e3o nos deixemos enganar: mesmo girando em torno da manuten\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes junto a cursos d\u2019\u00e1gua,os debates sobre a reforma do C\u00f3digo Florestal referem-se inequivocamente ao uso do precioso l\u00edquido sem o qual desabar\u00e1 toda vida na Terra. 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