{"id":9621,"date":"2011-06-22T19:28:13","date_gmt":"2011-06-22T22:28:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=9621"},"modified":"2011-06-22T19:28:13","modified_gmt":"2011-06-22T22:28:13","slug":"simon-a-dilma-resistapresidenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/simon-a-dilma-resistapresidenta\/","title":{"rendered":"Simon \u00e0 Dilma: &quot;Resista,presidenta&quot;"},"content":{"rendered":"<p>O senador Pedro Simon leu uma \u201cCarta Aberta\u201d  \u00e0 presidenta Dilma Rousseff na sess\u00e3o do Senado desta quarta-feira.<br \/>\n&#8211; Resista, sra. Presidenta, n\u00e3o se curve \u00e0 chantagem pol\u00edtica em nome da fal\u00e1cia da governabilidade, diz o senador ga\u00facho.<br \/>\n&#8220;Talvez a Senhora, apesar da experi\u00eancia recente nos mais altos cargos da Rep\u00fablica, ainda assim n\u00e3o tivesse dado conta de que o poder tamb\u00e9m tem os seus torniquetes.<br \/>\nAntes, os por\u00f5es. Agora, as coxias.<br \/>\nPor isso, vou repetir, sempre que necess\u00e1rio, a nossa palavra-chave: resistir.<br \/>\nResista \u00e0 continuidade da corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAntes, lhe exigiam nomes. Agora, trazem-nos.<br \/>\nRepito: os princ\u00edpios s\u00e3o os mesmos. Resista!<br \/>\nINTEGRA DA CARTA ABERTA \u00c0 PRESIDENTA DILMA ROUSSEF<br \/>\n&#8220;Senhor Presidente,<br \/>\nSenhoras Senadoras e Senhores Senadores:<br \/>\nHoje, quem sabe, com a permiss\u00e3o do presidente dessa sess\u00e3o e com o aval de todos os meus pares, eu pudesse modificar essa avoca\u00e7\u00e3o inicial, para me dirigir, diretamente, \u00e0 nossa presidenta da Rep\u00fablica.<br \/>\nEu poderia me reportar a ela pessoalmente, at\u00e9 porque ela tem me demonstrado, nos nossos poucos encontros formais, uma aten\u00e7\u00e3o especial, diria at\u00e9 carinhoso, n\u00e3o sei se por respeito \u00e0 idade, ou pelo muito que nos une, politicamente, nessa nossa trajet\u00f3ria hist\u00f3rica de luzes e de sombras.<br \/>\nEu tenho a convic\u00e7\u00e3o de que milh\u00f5es de brasileiros gostariam de ter, neste momento, o mesmo privil\u00e9gio desta tribuna, cujos microfones t\u00eam o poder de levar as nossas vozes, tanto para os lares brasileiros, atrav\u00e9s da R\u00e1dio e da TV Senado, como para os gabinetes de todos os poderes.<br \/>\nTodos esses mesmos brasileiros, estou certo, t\u00eam, hoje, uma mensagem \u00e0 Presidenta Dilma Roussef. Fa\u00e7o-o porque n\u00e3o posso fugir \u00e0 responsabilidade que me foi dada pelo voto, a mais leg\u00edtima procura\u00e7\u00e3o para falar em nome do coletivo. Fa\u00e7o-o, tamb\u00e9m, e por que n\u00e3o, pela coer\u00eancia que me impus na constru\u00e7\u00e3o da minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<br \/>\nProcuro uma palavra que possa simbolizar a nossa presidenta, ao mesmo tempo em que traduza o sentimento que dever\u00e1 alinhavar essa nossa conversa. De um senador a uma presidenta, ambos eleitos e leg\u00edtimos nas suas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Busco, ent\u00e3o, na presidenta, uma caracter\u00edstica, uma maneira de ser, um predicado que possa completar e justificar o sujeito da minha mensagem.<br \/>\nPoderia ser \u201ctrabalho\u201d. Poderia ser \u201cobstina\u00e7\u00e3o\u201d. Poderia ser \u201cpersist\u00eancia\u201d. Poderia ser \u201cluta\u201d. Poderia ser, quem sabe, \u201cperd\u00e3o\u201d. De repente, eu me vejo diante de uma m\u00faltipla escolha, de caracter\u00edsticas pessoais pr\u00f3prias da biografia de quem a vida \u00e9 plena de sentimentos coletivos.<br \/>\nTalvez a melhor palavra para, ao mesmo tempo, constituir-se no mote dessa minha esp\u00e9cie de \u201ccarta aberta \u00e0 presidenta da Rep\u00fablica\u201d, ao mesmo tempo em que identifique, da forma que eu imagino ser mais fiel, a minha \u201cdestinat\u00e1ria\u201d, seja \u201cresist\u00eancia\u201d. Repito: resist\u00eancia!<br \/>\nVou ao nosso mais famoso dicion\u00e1rio. \u201cResist\u00eancia\u201d: \u201cato ou efeito de resistir; for\u00e7a que se op\u00f5e a outra, que n\u00e3o cede a outra; for\u00e7a que defende um organismo do desgaste de doen\u00e7a, cansa\u00e7o, fome, etc.; aquilo que se op\u00f5e ao deslocamento de um corpo que se move; luta em defesa; oposi\u00e7\u00e3o ou rea\u00e7\u00e3o a uma for\u00e7a opressora; vigor moral, \u00e2nimo\u201d<br \/>\nPortanto, Excelent\u00edssima Senhora Presidente Dilma Roussef.<br \/>\nAcho que n\u00e3o preciso justificar a minha escolha, quando me lembro da sua hist\u00f3ria. Ela tem sido, at\u00e9 aqui, marcada por todos os significados da palavra \u201cresistir\u201d. No campo pessoal. No campo pol\u00edtico. Enfim, no campo da sua pr\u00f3pria vida.<br \/>\nAs masmorras da vida jamais lhe fizeram esmorecer. Nem mesmo quando a for\u00e7a opressora, ou quando o sistema, lhe tentaram minar o \u00faltimo fio dessa mesma resist\u00eancia. E, consequentemente, da sua exist\u00eancia.<br \/>\nSei que, nesses momentos, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil \u201coferecer a outra face\u201d. Perdoar, quem sabe. Esquecer, dif\u00edcil.<br \/>\nMas, ainda que tenham sido momentos inesquec\u00edveis, do ponto de vista hist\u00f3rico e pessoal, a Senhora est\u00e1 vivendo, hoje, o tempo mais importante da sua vida.<br \/>\nO princ\u00edpio \u00e9 o mesmo: a luta pelos milh\u00f5es que est\u00e3o, ou que continuam, l\u00e1 fora. Dos subterr\u00e2neos de ontem e dos gabinetes de hoje. Os que est\u00e3o l\u00e1 fora da verdadeira cidadania. Os que est\u00e3o l\u00e1 fora, ainda, da verdadeira liberdade. E da verdadeira democracia.<br \/>\nTalvez a Senhora, apesar da experi\u00eancia recente nos mais altos cargos da Rep\u00fablica, ainda assim n\u00e3o tivesse dado conta de que o poder tamb\u00e9m tem os seus torniquetes.<br \/>\nAntes, os por\u00f5es. Agora, as coxias.<br \/>\nPor isso, vou repetir, sempre que necess\u00e1rio, a nossa palavra-chave: resistir.<br \/>\nResista \u00e0 continuidade da corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAntes, lhe exigiam nomes. Agora, trazem-nos.<br \/>\nA Senhora nunca deu os nomes, como afirmou, emocionada, naquela sess\u00e3o aqui do Senado, \u201cporque isso significava indic\u00e1-los ao corredor da morte\u201d. Agora, n\u00e3o aceite indica\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tenham o lastro da \u00e9tica. Desviar o dinheiro p\u00fablico \u00e9, tamb\u00e9m, encaminhar outros nomes para o corredor da morte pela fome, pela falta de rem\u00e9dios, pela falta de seguran\u00e7a, pela falta de cidadania. Pela escurid\u00e3o que persiste: a do analfabetismo.<br \/>\nRepito: os princ\u00edpios s\u00e3o os mesmos. Resista!<br \/>\nOs poderes s\u00e3o harm\u00f4nicos e independentes. Mas, a harmonia n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ada atrav\u00e9s da imposi\u00e7\u00e3o, principalmente se ela vier descal\u00e7a dos melhores valores.<br \/>\nSe o poder tem que ser compartilhado, e se ainda \u00e9 dif\u00edcil fugir das tais \u201cbase de apoio\u201d, \u00e9 preciso saber em nome de quem, e de que, falam os \u201cinterlocutores\u201d. Que interesses reais movem as tais \u201cindica\u00e7\u00f5es\u201d? Do bem coletivo ou dos interesses individuais e de pequenos grupos?<br \/>\nN\u00e3o se curve \u00e0 chantagem. Nomeie, apenas, profissionais cujos curr\u00edculos sejam constru\u00eddos pela compet\u00eancia e pelo profissionalismo e moldados pela \u00e9tica. Aqueles que se proponham, t\u00e3o somente, trabalhar pelo bem comum.<br \/>\nA sociedade brasileira foi \u00e0s ruas e exigiu \u201cficha limpa\u201d para todos os que se prop\u00f5em exercer um mandato pol\u00edtico. Isso deve ser estendido para todos os que ocupem um cargo p\u00fablico.<br \/>\nA ficha limpa tem que ser, necessariamente, um crit\u00e9rio para qualquer nomea\u00e7\u00e3o, em todos os escal\u00f5es do governo. Qualquer desvio de conduta tem que ser, necessariamente, acompanhado da devida puni\u00e7\u00e3o. Que se inicia, obviamente, pela destitui\u00e7\u00e3o do cargo. E que siga todos os demais tr\u00e2mites legais, para que sirva de exemplo.<br \/>\nO Pa\u00eds n\u00e3o pode continuar inerte aos esquemas de corrup\u00e7\u00e3o que se instalaram nas entranhas do poder. E, existem dois rem\u00e9dios para curetar essa verdadeira ferida, que sangra recursos p\u00fablicos. O primeiro \u00e9 preventivo: que os atos de nomea\u00e7\u00e3o sejam acompanhados, necessariamente, pela chancela da probidade do nomeado. O segundo \u00e9 corretivo: se as luzes do poder ofuscarem a \u00e9tica do nomeado, que ele n\u00e3o continue se protegendo com o \u201crem\u00e9dio caseiro\u201d da impunidade.<br \/>\nO epis\u00f3dio recente, que envolveu um dos seus principais ministros, foi um sinal que alimenta, nos brasileiros, a esperan\u00e7a da devida mudan\u00e7a. Antes, as den\u00fancias eram descaracterizadas por defesas pr\u00e9-fabricadas. Por discursos de continu\u00edsmo. Neste epis\u00f3dio, a Senhora deu mostras de que n\u00e3o haver\u00e1 toler\u00e2ncia com quem usa, em benef\u00edcio pr\u00f3prio, os holofotes do poder, n\u00e3o importa quem seja.<br \/>\nTenha a certeza, senhora Presidenta, de que a minha voz, aqui no Congresso, n\u00e3o \u00e9 isolada. Os seus gestos de resist\u00eancia ter\u00e3o, aqui, a resson\u00e2ncia constru\u00edda pelo eco das ruas. Podemos, tamb\u00e9m aqui, ser minoria. Mas, a experi\u00eancia recente d\u00e1 conta de que a vontade popular atravessa as paredes dos gabinetes. Abre as coxias.<br \/>\nA sua resist\u00eancia, senhora Presidenta, poder\u00e1 ser, inclusive, um passo dos mais importantes para uma mudan\u00e7a de postura e de conduta, n\u00e3o s\u00f3 no Poder Executivo, mas em todas as outras inst\u00e2ncias, do Judici\u00e1rio e, principalmente, do Legislativo.<br \/>\nBom ser\u00e1 o dia em que o Congresso votar\u00e1, apenas e t\u00e3o somente, segundo as convic\u00e7\u00f5es dos parlamentares. Segundo, como deve ser, as aspira\u00e7\u00f5es de quem eles representam. Que o voto em plen\u00e1rio n\u00e3o se constitua em um instrumento de troca para a libera\u00e7\u00e3o de emendas e a indica\u00e7\u00e3o de apadrinhados.<br \/>\nSe a proposta legislativa for aprovada, ou rejeitada, que seja porque as nossas consci\u00eancias assim o oriente, e n\u00e3o porque se construiu maiorias a poder de promessas nem sempre lastreadas na boa conduta.<br \/>\nQuem sabe essa atitude seja, ent\u00e3o, o in\u00edcio, de fato, de uma reforma pol\u00edtica? Ou, pelo menos de uma reforma nas condutas pol\u00edticas?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O senador Pedro Simon leu uma \u201cCarta Aberta\u201d \u00e0 presidenta Dilma Rousseff na sess\u00e3o do Senado desta quarta-feira. &#8211; Resista, sra. 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