{"id":966,"date":"2008-03-25T15:16:34","date_gmt":"2008-03-25T18:16:34","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=966"},"modified":"2008-03-25T15:16:34","modified_gmt":"2008-03-25T18:16:34","slug":"fragilidades-na-area-de-pai-quere-exigem-novos-estudos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/fragilidades-na-area-de-pai-quere-exigem-novos-estudos\/","title":{"rendered":"Fragilidades na \u00e1rea de Pai Quer\u00ea exigem novos estudos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Carlos Matsubara e Adriana Ag\u00fcero<\/strong><br \/>\nRepresentantes do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA) e de Minas e Energia (MME) reconhecem a exist\u00eancia de fragilidades no ecossistema onde est\u00e1 prevista a constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Pai Quer\u00ea, no rio Pelotas entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.<br \/>\nA hidrel\u00e9trica est\u00e1 em est\u00e1gio de licita\u00e7\u00e3o de obra e demanda um investimento de cerca de R$ 787,4 milh\u00f5es.<br \/>\nO MMA prev\u00ea a realiza\u00e7\u00e3o de novos estudos a partir de maio, com seis meses de dura\u00e7\u00e3o, em conv\u00eanio com universidades da Regi\u00e3o Sul. \u201cOs resultados da Avalia\u00e7\u00e3o Ambiental Integrada (AAI) n\u00e3o nos permitiram obter um detalhamento da regi\u00e3o, porque as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o trabalhadas em macro-escala\u201d, admitiu a gerente de Instrumentos de Avalia\u00e7\u00e3o Ambiental do MMA, Moema Rocha de S\u00e1, durante o III F\u00f3rum de Hidrel\u00e9tricas do RS, realizado na \u00faltima quinta-feira, na UFRGS.<br \/>\nPara a especialista, o minist\u00e9rio est\u00e1 assumindo a responsabilidade de fazer uma avalia\u00e7\u00e3o aprofundada para identificar tanto as \u00e1reas de fragilidades quanto potencialidades desses empreendimentos hidrel\u00e9tricos. Sobre o motivo pelo qual n\u00e3o foram realizados trabalhos de campo na regi\u00e3o, situado numa Zona N\u00facleo da Reserva da Biosfera da Mata Atl\u00e2ntica, a arquiteta esclareceu que a metodologia empregada considerou dados secund\u00e1rios, em que n\u00e3o era imprescind\u00edvel a visita\u00e7\u00e3o in loco, mas que poder\u00e1 vir a ser feita durante os trabalhos, se houver necessidade.<br \/>\nO pr\u00f3prio minist\u00e9rio, no entanto, vem trabalhando na hip\u00f3tese da cria\u00e7\u00e3o de uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o \u2013 Ref\u00fagio da Vida Silvestre em Pai Quer\u00ea. O assessor t\u00e9cnico do Departamento de \u00c1reas Protegidas, Emerson Oliveira, confirmou essa possibilidade. A proposta de UC j\u00e1 foi inclusive apresentada em 14 munic\u00edpios dos dois Estados, e segundo Oliveira, muito bem recebida.<br \/>\n<strong>Nascentes apresentam maior riqueza de fauna<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 os resultados da Avalia\u00e7\u00e3o Ambiental Distribu\u00edda (AAD) revelam a import\u00e2ncia da regi\u00e3o para a preserva\u00e7\u00e3o da fauna e flora. A zona de nascente dos rios Pelotas e Canoas est\u00e1 entre as mais preservadas da bacia. A sub-bacia apresentou a maior riqueza, tendo sido identificadas 135 esp\u00e9cies de anf\u00edbios, 137 esp\u00e9cies de r\u00e9pteis, 432 esp\u00e9cies de aves e 116 esp\u00e9cies de mam\u00edferos. Ela engloba quase a totalidade das esp\u00e9cies end\u00eamicas de peixes entre outros grupos de fauna e flora amea\u00e7ados.<br \/>\n\u201cApesar do total de forma\u00e7\u00f5es florestais atingidas pelo Programa de Aproveitamentos Hidrel\u00e9tricos da bacia corresponder a pouco mais de 1% das forma\u00e7\u00f5es preservadas nos setores afetados da bacia, a supress\u00e3o destes remanescentes \u00e9 considerado um impacto cumulativo e sin\u00e9rgico importante, que afetar\u00e1 cerca de 12.000 fam\u00edlias\u201d, informou o assessor t\u00e9cnico da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) do MME, Ronaldo C\u00e2mara Cavalcanti.<br \/>\nA \u00e1rea da bacia dentro do territ\u00f3rio brasileiro \u00e9 de 177.494 km2, sendo que 73% est\u00e1 no Rio Grande do Sul e 27% em Santa Catarina. A popula\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Uruguai, em 2000, era de 3.834.654 habitantes (2,3% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds). A Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Uruguai apresenta um grande potencial hidrel\u00e9trico, com uma capacidade total de 13,6 GW, dos quais 2,9 GW j\u00e1 se encontram instalados (SIPOT, 2004).<br \/>\n<strong>Projetos da Ditadura<\/strong><br \/>\nPara o professor da UFRGS e membro do Instituto Ga\u00facho de Estudos Ambientais (Ing\u00e1), Paulo Brack, esses projetos de hidrel\u00e9tricas, que agora integram o Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), do governo federal, fazem parte deu um modelo ultrapassado. \u201cEssa discuss\u00e3o sobre o modelo energ\u00e9tico brasileiro \u00e9 um tema antigo mas que nos \u00faltims anos ganhou import\u00e2ncia\u201d, afirmou. Brack lembrou que, em 2000, a Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam) aceitou um pedido de morat\u00f3ria para os projetos de hidrel\u00e9trica previstos para o Estado.<br \/>\nNa \u00e9poca, explicou ele, foi feito um estudo incorporando uma vis\u00e3o de sustentabilidade, especialmente na Bacia do Rio das Antas, onde se fez uma avalia\u00e7\u00e3o geral com t\u00e9cnicos que n\u00e3o tinham liga\u00e7\u00e3o qualquer com os empreendedores. Conclu\u00edram que apenas 17 hidrel\u00e9tricas das mais de 50 previstas no Estado n\u00e3o podiam ser constru\u00eddas. \u201cSomos a favor da precau\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que esses projetos s\u00e3o da d\u00e9cada de 1970\u201d, disse.<br \/>\nO ambientalista recordou que o papel do governo deve ser o da discuss\u00e3o. \u201cQueremos discutir com o governo \u00e1reas livres de barramentos, por meio de estudos s\u00e9rios\u201d. O Estudo de Pai Quer\u00ea, feito pela Engevix, \u00e9 um exemplo do que os ambientalistas n\u00e3o concordam.<br \/>\nO estudo da Engevix identificou 12 esp\u00e9cies de aves raras ou amea\u00e7adas no local da barragem, enquanto o do Laborat\u00f3rio de Ornitologia do Museu de Ci\u00eancias da PUCRS registrou a presen\u00e7a de 32 esp\u00e9cies.<br \/>\nConforme Brack, a cosultoria n\u00e3o levou em considera\u00e7\u00e3o esp\u00e9cies end\u00eamicas e apontou \u00e1reas de extrema relev\u00e2ncia como de \u201cmagnitude ambiental pequena\u201d. O professor questionou onde estariam os documentos que comprovam que n\u00e3o h\u00e1 impacto ambiental. \u201cSimplesmente n\u00e3o existem\u201d, provocou.<br \/>\n<strong>Fantasma de Barra Grande<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO maior temor de todos \u00e9 que a trag\u00e9dia de Barra Grande se repita. O epis\u00f3dio do afogamento ficou marcado com uma das maiores trag\u00e9dias ambientais do pa\u00eds. A forma\u00e7\u00e3o de lago inundou uma \u00e1rea de aproximadamente oito mil hectares, sendo 90% de floresta prim\u00e1ria e em diferentes est\u00e1gios de regenera\u00e7\u00e3o e por campos naturais. Ali, entre a floresta tragada pelas \u00e1guas, sobrevivia um dos mais bem preservados e biologicamente ricos fragmentos de Floresta Ombr\u00f3fila Mista do Estado de Santa Catarina.<br \/>\nA respons\u00e1vel pelo estudo que n\u00e3o \u201cenxergou\u201d a imensa floresta de arauc\u00e1rias \u00e9 a mesma Engevix, que agora afirma que 1.670 hectares podem ser impactados por Pai Quer\u00ea. No entanto, dados da pr\u00f3pria Engevix indicam que h\u00e1 nessa \u00e1rea mais de tr\u00eas vezes a cobertura vegetal de Porto Alegre. Brack reconhece que n\u00e3o houve tempo para realizar mais estudos que comprovassem a exist\u00eancia de outras esp\u00e9cies end\u00eamicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Matsubara e Adriana Ag\u00fcero Representantes do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA) e de Minas e Energia (MME) reconhecem a exist\u00eancia de fragilidades no ecossistema onde est\u00e1 prevista a constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Pai Quer\u00ea, no rio Pelotas entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 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