{"id":973,"date":"2008-05-01T15:31:27","date_gmt":"2008-05-01T18:31:27","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=973"},"modified":"2008-05-01T15:31:27","modified_gmt":"2008-05-01T18:31:27","slug":"brigada-desiste-da-ajuda-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/brigada-desiste-da-ajuda-do-estado\/","title":{"rendered":"Brigada desiste da ajuda do Estado"},"content":{"rendered":"<p><strong>Naira Hofmeister<\/strong><br \/>\nH\u00e1 dois meses no comando da 3\u00aa Companhia de policiamento da capital, respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a de sete bairros, o Major Aroldo Medina aposta em recursos federais e privados para o reaparelhamento da Brigada Militar. Durante sua primeira participa\u00e7\u00e3o nas reuni\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a do Bom Fim, em abril, ele apresentou um plano de recupera\u00e7\u00e3o da corpora\u00e7\u00e3o. \u201cQuero melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e a auto-estima do policial\u201d, aponta.<br \/>\nUtilizando o recente exemplo de um cons\u00f3rcio formado por bancos da regi\u00e3o, que assumiram cotas mensais de R$ 2.500,00 para patrocinar a aquisi\u00e7\u00e3o de viaturas, Medina pediu que a comunidade rateasse o custo de uma rede de r\u00e1dio de emerg\u00eancia. \u201cSeriam R$ 200,00 pelo aparelho, mais R$ 90,00 de mensalidade para cada unidade\u201d.<br \/>\nO oficial tamb\u00e9m espera conseguir dinheiro para adquirir viaturas e motocicletas. \u201cUm policial a p\u00e9 percorre quatro ruas no tempo em que poderia vigiar quase o bairro todo\u201d, calcula. As regi\u00f5es centrais sofrem bastante com a escassez de ve\u00edculos. A 1\u00aa Cia faz as rondas no centro de Porto Alegre apenas com motos. Os carros t\u00eam de ser emprestados de outras unidades.<br \/>\nO mesmo ocorreu durante o ver\u00e3o nos sete bairros atendidos pela 3a. Cia, quando a \u00fanica viatura em condi\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o &#8211; recuperada pela comunidade judaica &#8211; foi enviada para a Opera\u00e7\u00e3o Golfinho. Para n\u00e3o repetir o fato, Medina sugere que se fa\u00e7a um termo de concess\u00e3o, como se fosse um empr\u00e9stimo.<br \/>\nComandante do Policiamento da Capital, o coronel Jarbas Vanin, admite que com o remanejo, o bairro ficou sem nenhum ve\u00edculo da pol\u00edcia durante os meses de veraneio. \u201cMesmo assim, nunca deixamos de atender ocorr\u00eancias na regi\u00e3o\u201d. Ele observa que no ver\u00e3o a maior parte da popula\u00e7\u00e3o migra para as praias, o que obriga a corpora\u00e7\u00e3o a intensificar o policiamento nessa regi\u00e3o. \u201cA comunidade do Bom Fim tamb\u00e9m tirou f\u00e9rias no litoral e estava protegida\u201d, acredita.<br \/>\nVanin salienta que h\u00e1 400 viaturas em Porto Alegre, mas existe uma redu\u00e7\u00e3o natural oriunda da manuten\u00e7\u00e3o dos carros. Em m\u00e9dia, 25% da frota fica parada diariamente para reparos. \u201cEssas viaturas rodam 300 km por dia. E imposs\u00edvel mant\u00ea-las  funcionando integralmente\u201d.<br \/>\nNovas aquisi\u00e7\u00f5es est\u00e3o nos projetos da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica, que tenta convencer as montadoras a participar novamente das licita\u00e7\u00f5es. O motivo da recusa \u00e9 a d\u00edvida de R$ 5 milh\u00f5es que o governo do Estado tem com as f\u00e1bricas de carro. Em mar\u00e7o, o secret\u00e1rio Francisco Malmann prometeu sanar as d\u00edvidas. Depois de um acordo, 77 carros j\u00e1 puderam ser encomendados para a Pol\u00edcia Civil.<br \/>\nO tenente coronel Florivaldo Nunes, chefe do Departamento de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais e com a Comunidade da BM, aplaude a mobiliza\u00e7\u00e3o das comunidades e incentiva seus oficiais a proporem projetos. \u201cEst\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988: seguran\u00e7a \u00e9 dever do Estado e responsabilidade de todos\u201d, frisa. Nunes se orgulha de ter recebido mais de R$ 10 milh\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os comunit\u00e1rios ga\u00fachos. \u201cForam R$ 4,5 milh\u00f5es em 2006 e ano passado atingimos R$ 6 milh\u00f5es\u201d, relata.<br \/>\nApesar da falta de recursos, o comandante julga que o grande problema da seguran\u00e7a \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o de efetivo. \u201cH\u00e1 10 anos, t\u00ednhamos 33 mil homens nas ruas. Hoje s\u00e3o 21 mil\u201d, lamenta. A previs\u00e3o \u00e9 que 2 mil brigadianos sigam para a reserva apenas em 2008.<br \/>\nRecentemente foram chamados 1.500 homens aprovados em concurso. \u201cSempre que tivermos uma sobra no or\u00e7amento, aplicaremos para a redu\u00e7\u00e3o desse d\u00e9ficit\u201d, promete a governadora Yeda Crusius. A chefe do executivo ga\u00facho admite ainda a revis\u00e3o da lei que concede patentes aos policiais que se aposentarem aos 25 anos de servi\u00e7o. \u201cSe um soldado cumpre o tempo m\u00ednimo e opta por permanecer na ativa, continuar\u00e1 um soldado. Se sair das ruas, se torna segundo sargento\u201d, critica o tenente coronel Nunes.<br \/>\nRecursos podem vir de Bras\u00edlia<br \/>\nO Governo Federal destina uma verba para a seguran\u00e7a nos Estados. O Ministro da Justi\u00e7a, Tarso Genro, anunciou um investimento de R$ 41 milh\u00f5es no Rio Grande do Sul, atrav\u00e9s do Programa Nacional de Seguran\u00e7a com Cidadania, o Pronasci. De olho nesse dinheiro, o Major Medina formulou um plano de reestrutura\u00e7\u00e3o do 9\u00ba Batalh\u00e3o de Porto Alegre, que re\u00fane 450 homens e 20 bairros sob sua responsabilidade.<br \/>\nEle quer transformar o quartel em um centro de capacita\u00e7\u00e3o e comando, visando a Copa do Mundo de 2014, que acontece no Brasil e ter\u00e1 partidas em Porto Alegre. O projeto de Medina est\u00e1 sendo elaborado em parceria com um escrit\u00f3rio de arquitetura e prev\u00ea investimento de R$ 350 mil. \u201cO governo federal investiu R$ 3 bilh\u00f5es no Pan-Americano. Para o maior evento de futebol do planeta n\u00e3o ser\u00e3o menos de R$ 50 bilh\u00f5es\u201d, aposta.<br \/>\nEnquanto o projeto n\u00e3o fica pronto, soldados do 9\u00ba Batalh\u00e3o reclamam do p\u00e9ssimo estado em que se encontra o pr\u00e9dio. \u201cTemos que mostrar a realidade humilhante que vivemos aqui\u201d, reclama um sargento oriundo o interior do estado, que, sem verbas para alugar um im\u00f3vel, \u00e9 obrigado a dormir no alojamento coletivo.<br \/>\nNo amplo quarto, colch\u00f5es est\u00e3o espalhados pelo ch\u00e3o. Alguns t\u00eam camas, mas nenhuma privacidade j\u00e1 que a o \u00fanico arm\u00e1rio da sala, de duas portas, faz tamb\u00e9m \u00e0s vezes de divis\u00f3ria.<br \/>\nAs roupas s\u00e3o estendidas em varais improvisados, depois de terem sido lavadas em tanques que acumulam limo e sujeira. A lavanderia divide espa\u00e7o com o \u00fanico banheiro em condi\u00e7\u00f5es de uso do pr\u00e9dio anexo: dos cinco canos do lavat\u00f3rio, apenas dois possuem ducha instalada. Ralos est\u00e3o descobertos e h\u00e1 muitas rachaduras no ch\u00e3o e nas paredes.<br \/>\nO que um dia foi o refeit\u00f3rio abriga hoje \u2013 assim como a grande maioria das salas do anexo \u2013 um dep\u00f3sito para material apreendido. No caso, dezenas de computadores e m\u00e1quinas ca\u00e7a-n\u00edqueis dividem o espa\u00e7o com cenouras e batatas que os soldados preparam para o almo\u00e7o.<br \/>\nNo pr\u00e9dio principal, onde funciona o atendimento ao p\u00fablico e as diversas companhias que formam o batalh\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais assustadora.<br \/>\nAl\u00e9m de paredes com rachaduras intermin\u00e1veis e fia\u00e7\u00f5es aparentes, o ch\u00e3o j\u00e1 cedeu aproximadamente cinco cent\u00edmetros. O que deveriam ser banheiros para os soldados viraram dep\u00f3sito de entulho.<br \/>\nDestampando uma fossa descobre-se uma comunidade de baratas que vivem nos dejetos que quase transbordam do reservat\u00f3rio e parece inacredit\u00e1vel que o odor n\u00e3o seja mais forte. No final de um dos corredores escuros, pintada na parede, a ins\u00edgnia do batalh\u00e3o traz uma \u00e1guia que carrega uma mensagem quase metaf\u00f3rica: \u201cDignidade acima de tudo\u201d.<br \/>\nSSP tamb\u00e9m quer sua fatia<br \/>\nA Secretaria de Seguran\u00e7a Publica tamb\u00e9m j\u00e1 come\u00e7ou articular suas solicita\u00e7\u00f5es. A primeira medida ser\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de sete novos pres\u00eddios. Um novo acordo firmado entre os governos prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o do Estado no aporte de verbas. At\u00e9 2007, o dinheiro era dividido: 80% dos recursos provinham da Uni\u00e3o e os 20% restantes, do tesouro estadual. A gest\u00e3o Malmann resolveu a quest\u00e3o baixando para 2% o aporte financeiro do Rio Grande do Sul para esse fim.<br \/>\nOs novos pres\u00eddios v\u00eam a calhar. O sistema prisional do Rio Grande do Sul tem 18 mil vagas e 25 mil presos. Ou seja, j\u00e1 h\u00e1 excesso de sete mil condenados. Outros sete mil mandatos de pris\u00e3o j\u00e1 foram expedidos. No ano passado, foram efetivadas 26 mil pris\u00f5es, quase o tamanho da atual popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria do Estado.<br \/>\n\u201cNunca prendemos tanto como em 2007. O problema \u00e9 que n\u00e3o temos onde botar tanta gente e eles acabam soltos ou sendo encaminhados para penas alternativas\u201d, lamenta o ten. cel. Nunes, do DRIC.<br \/>\nRotatividade nos comandos atrapalha<br \/>\nO  coronel Jarbas Vanin \u00e9 comandante do policiamento da capital h\u00e1 apenas seis meses. Seu antecessor ficou no cargo pelo mesmo tempo. \u201cN\u00e3o sei se completo um ano no CPC\u201d, lamenta.<br \/>\nPara ele, a rotatividade nos cargos de comando da Brigada atrapalha, pois o oficial que \u00e9 antigo, \u201cdesenvolve mais familiaridade com a regi\u00e3o, moradores e ocorr\u00eancias mais comuns\u201d. Vanin acredita que a mobiliza\u00e7\u00e3o das comunidades pode auxiliar na manuten\u00e7\u00e3o dos oficias em seus postos.<br \/>\nEssa reportagem \u00e9 um dos destaques da edi\u00e7\u00e3o 382 do jornal J\u00c1 Bom Fim\/Moinhos. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 quinzenal e circula gratuitamente nos 10 bairros da \u00e1rea central de Porto Alegre. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naira Hofmeister H\u00e1 dois meses no comando da 3\u00aa Companhia de policiamento da capital, respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a de sete bairros, o Major Aroldo Medina aposta em recursos federais e privados para o reaparelhamento da Brigada Militar. 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