{"id":979,"date":"2008-05-16T15:43:06","date_gmt":"2008-05-16T18:43:06","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=979"},"modified":"2008-05-16T15:43:06","modified_gmt":"2008-05-16T18:43:06","slug":"nao-ha-politica-de-seguranca-publica-no-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/nao-ha-politica-de-seguranca-publica-no-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica no Rio Grande do Sul\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Elmar Bones<br \/>\n<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 a conclus\u00e3o que se extrai dos originais do livro &#8220;A Seguran\u00e7a P\u00fablica e sua Problem\u00e1tica&#8221;, que o coronel aposentado da Brigada Militar, Antonio Silveira da Silva, acaba de concluir e para o qual ainda n\u00e3o tem editora.<br \/>\n&#8220;Uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a deveria prevenir o crime. Mas como, se a pol\u00edcia n\u00e3o d\u00e1 conta dos crimes j\u00e1 cometidos?&#8221;, disse ele ao J\u00c1, em entrevista exclusiva nesta s\u00e1bado (10.05) em seu apartamento no bairro Azenha. &#8220;O atual secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a (Jos\u00e9 Francisco Mallmann) est\u00e1 certo quando fala em sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, mas ele n\u00e3o tem meios para implementar uma pol\u00edtica. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 falta de efetivo, falta planejamento e at\u00e9 os conceitos est\u00e3o errados&#8221;<br \/>\nO coronel Silveira tem credenciais para falar. Formado na Academia da Brigada Militar, ele foi aspirante em Santana do Livramento e comandante de regimento em Santiago do Boqueir\u00e3o, no tempo em que as quadrilhas de ladr\u00f5es de gado assolavam a regi\u00e3o. &#8220;Naquela \u00e9poca a Brigada criou a Policia Rural que deu certo. Acabou com as quadrilhas, tanto que a julgaram desnecess\u00e1ria e extinguiram. Agora a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 novamente grave na campanha e n\u00e3o h\u00e1 um policiamento ostensivo&#8221;.<br \/>\nNa Diretoria de Ensino, em Porto Alegre, o coronel Silveira foi instrutor da academia e da escola de sargentos e chefe da Se\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento e Especializa\u00e7\u00e3o. Como sub-diretor de ensino organizou o col\u00e9gio Tiradentes, uma de suas \u00faltimas tarefas em 1979, antes de aposentar-se por causa de uma doen\u00e7a progressiva que lhe tirou a vis\u00e3o.<br \/>\nDesde ent\u00e3o dedica-se a escrever com auxilio da mulher e da filha. O interesse pela hist\u00f3ria e pela literatura rendeu j\u00e1 cinco livros, mas n\u00e3o lhe desviou a aten\u00e7\u00e3o profissional pelas quest\u00f5es de seguran\u00e7a. &#8220;Ou\u00e7o tudo pelo r\u00e1dio, estou sempre atento. O que temos \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica, a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 encarcerada, as pessoas n\u00e3o saem \u00e0s ruas \u00e0 noite, estamos no limite&#8221;, diz.<br \/>\nCome\u00e7ou a escrever seu livro no in\u00edcio de 2007, de certa forma motivado pelas arremetidas do ent\u00e3o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a Enio Bacci, com suas a\u00e7\u00f5es de efeito e seu discurso de combater o crime a ferro e fogo. &#8220;Dava a entender que ele queria mais e mais bandidos para prender. Quando voc\u00ea fala em combater o crime, em termos de seguran\u00e7a voc\u00ea j\u00e1 fracassou. Seguran\u00e7a \u00e9 prevenir o crime&#8221;.<br \/>\nA substitui\u00e7\u00e3o de Bacci por Jos\u00e9 Francisco Mallmann, um delegado da Pol\u00edcia Federal, em abril de 2007, n\u00e3o alterou substancialmente a quest\u00e3o. &#8220;Houve uma mudan\u00e7a de postura e algumas medidas s\u00e3o interessantes, mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se alterou substancialamente&#8221;. As estat\u00edsticas de redu\u00e7\u00e3o da criminalidade n\u00e3o significam muito, segundo o coronel. &#8220;Dizer que o n\u00famero de homic\u00eddios caiu 46% porque passou de 153 para 120 de um ano para outro, \u00e9 quase uma piada&#8221;.<br \/>\nUma mudan\u00e7a, segundo o coronel, come\u00e7aria por restabelecer o conceito de seguran\u00e7a como preven\u00e7\u00e3o do crime. Isso implica em mudar a \u00eanfase do policiamento repressivo, do &#8220;combate ao crime&#8221;, para o policiamento preventivo-ostensivo. &#8220;Os cr\u00edticos do policiamento ostensivo dizem que n\u00e3o h\u00e1 como colocar um homem em cada esquina. N\u00e3o \u00e9 preciso colocar um homem em cada esquina, \u00e9 uma quest\u00e3o de planejamento&#8221;. Ele menciona uma experi\u00eancia bem sucedida nos anos 1970, com as duplas Pedro e Paulo, da Brigada Militar, que circulavam pelas ruas com as m\u00e3os \u00e0s costas. &#8220;Aquilo inibia, tanto que acharam que n\u00e3o havia necessidade e extinguiram. Os adeptos da repress\u00e3o diziam que era um policiamento contemplativo&#8221;. Hoje se prioriza o policiamento motorizado. &#8220;O policiamento motorizado predisp\u00f5e ao atendimento de ocorr\u00eancias, quer dizer a policia chega depois que aconteceu&#8221;.<br \/>\nAl\u00e9m da \u00eanfase ao policiamento ostensivo, a mudan\u00e7a implicaria em criar uma nova articula\u00e7\u00e3o entre a Brigada Militar e a pol\u00edcia civil, com uma redefini\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es de cada uma. &#8220;Acho que a unifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o caminho, s\u00e3o duas corpora\u00e7\u00f5es com origens e naturezas diferentes. Mas teria que haver uma coordena\u00e7\u00e3o, para evitar superposi\u00e7\u00f5es e atritos&#8221;. Um exemplo rotineiro: um preso em flagrante \u00e9 levado por brigadianos a uma delegacia. Quem decide se lavra o flagrante ou n\u00e3o \u00e9 o delegado. &#8220;Muitas vezes uma guarni\u00e7\u00e3o fica retida numa delegacia at\u00e9 que se resolva isso. Ouvi um caso outro dia: uma guarni\u00e7\u00e3o ficou da meia noite at\u00e9 \u00e0s cinco numa delegacia. Eram quatro ou cinco homens retidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elmar Bones Essa \u00e9 a conclus\u00e3o que se extrai dos originais do livro &#8220;A Seguran\u00e7a P\u00fablica e sua Problem\u00e1tica&#8221;, que o coronel aposentado da Brigada Militar, Antonio Silveira da Silva, acaba de concluir e para o qual ainda n\u00e3o tem editora. &#8220;Uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a deveria prevenir o crime. 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