{"id":1114,"date":"2008-06-02T14:53:10","date_gmt":"2008-06-02T17:53:10","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=1114"},"modified":"2008-06-02T14:53:10","modified_gmt":"2008-06-02T17:53:10","slug":"uma-tragedia-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/uma-tragedia-ambiental\/","title":{"rendered":"Uma Trag\u00e9dia Ambiental"},"content":{"rendered":"<p>Li h\u00e1 poucos dias, nem lembro onde, uma observa\u00e7\u00e3o preciosa a respeito da consci\u00eancia ambiental: ela s\u00f3 nos desperta quando o problema j\u00e1 existe e \u00e9 muito grave. A observa\u00e7\u00e3o \u00e9 rigorosamente verdadeira quando atentamos para os n\u00fameros que as organiza\u00e7\u00f5es comprometidas com a defesa do meio ambiente nos apresentam na expectativa de que sejamos mais atentos ao crescimento do tumor enquistado na superf\u00edcie do planeta. Eles v\u00e3o se amontoando em recortes de jornais e revistas mal distribu\u00eddos sobre a mesa de trabalho numa cobran\u00e7a permanente ao meu olhar aterrorizado.<br \/>\nOntem mesmo, ap\u00f3s a hora da Ave Maria, quando fa\u00e7o o rescaldo da leitura dos jornais, os n\u00fameros da destrui\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica me levaram \u00e0 lona. Foi como se desferissem um soco no est\u00f4mago em luta na qual o advers\u00e1rio \u00e9 muito superior a minha capacidade de rea\u00e7\u00e3o. Relaxe, tome um tranq\u00fcilizante e divida comigo o espanto e a indigna\u00e7\u00e3o diante de tamanha viol\u00eancia cometida contra a natureza em nosso pa\u00eds, ano ap\u00f3s ano de indiferen\u00e7a e incompet\u00eancia de sucessivos governos.<br \/>\nEntre os anos de 2.005 e 2.007, somente tr\u00eas munic\u00edpios do estado de Santa Catarina j\u00e1 destru\u00edram 3.843 hectares do que resta da Mata Atl\u00e2ntica, o equivalente a mais de cinco mil campos de futebol. Os n\u00fameros s\u00f3 n\u00e3o excedem todos os limites da razoabilidade se comparados a outra constata\u00e7\u00e3o mais terr\u00edvel: a Mata Atl\u00e2ntica tem apenas sete por cento da sua extens\u00e3o original.E a maior causa da destrui\u00e7\u00e3o, segundo estudos confi\u00e1veis, \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o da floresta diversidade na sua flora e fauna por sucessivas semeaduras de p\u00ednus , vendidos para a industria do papel.O mesmo filme abomin\u00e1vel de outras regi\u00f5es do Brasil, onde \u00e1rvores e animais de todas as esp\u00e9cies desaparecem para que a cana de a\u00e7\u00facar forne\u00e7a combust\u00edvel aos milhares de autom\u00f3veis amontoados nas ruas e avenidas das grandes cidades brasileiras, levando \u00e0 loucura os engenheiros de tr\u00e2nsito e os administradores.<br \/>\nMas se os n\u00fameros citados s\u00e3o alarmantes as informa\u00e7\u00f5es complementares a respeito da destrui\u00e7\u00e3o criminosa da Mata Atl\u00e2ntica nos enchem de vergonha e indigna\u00e7\u00e3o. A Lei da Mata Atl\u00e2ntica, aprovada em 2.006, visando proteger a vegeta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e secund\u00e1ria do bioma, n\u00e3o \u00e9 cumprida por falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o. A floresta original da Mata Atl\u00e2ntica capitula frente a majest\u00e1tica presen\u00e7a do p\u00ednus e da absoluta falta de vontade pol\u00edtica dos governos para que a lei aprovada tardiamente seja cumprida. Somos desmatadores ,destruidores e nos lixamos para as leis que poderiam minimizar e retardar os efeitos de uma pr\u00e1tica deliberadamente atentat\u00f3ria \u00e0 diversidade do que sobrou da imensid\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica.Mas n\u00e3o somos totalmente indiferentes ao futuro dos nossos filhos e netos.Sempre h\u00e1 tempo para se fazer fotos das \u00e1rvores remanescentes com o prop\u00f3sito de guarda-las num \u00e1lbum capaz de dar aos nossos p\u00f3steros uma no\u00e7\u00e3o do que foi o mundo destru\u00eddo criminosamente nossas m\u00e3os infames e mercen\u00e1rias.<br \/>\nOs n\u00fameros que me provocam pesado acabrunhamento se referem a Mata Atl\u00e2ntica, mas n\u00e3o diferem,na ess\u00eancia, de outros n\u00fameros descritivos do desmatamento da Amaz\u00f4nia. S\u00e3o n\u00fameros que se tornam mais preocupantes na passagem de um governo para outro, sem nenhuma considera\u00e7\u00e3o por uma verdadeira consci\u00eancia preservacionista.E que agu\u00e7am o olhar dos abutres imperialistas que desejam misturar seus cacarejos ao canto mavioso dos nossos p\u00e1ssaros.Ainda bem que nossa consci\u00eancia ambiental j\u00e1 est\u00e1 enraizada em segmentos importantes e representativos da sociedade brasileira.Mas n\u00e3o sei se ainda \u00e9 poss\u00edvel evitar a derrubada da \u00faltima \u00e1rvore nativa e ao apodrecimento do \u00faltimo curso d\u00b4\u00e1gua pura dispon\u00edvel para matar a nossa sede. As portas j\u00e1 est\u00e3o arrombadas e os cadeados de ferro com que tentamos fecha-las zombam do comando das nossas m\u00e3os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Li h\u00e1 poucos dias, nem lembro onde, uma observa\u00e7\u00e3o preciosa a respeito da consci\u00eancia ambiental: ela s\u00f3 nos desperta quando o problema j\u00e1 existe e \u00e9 muito grave. 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