{"id":11179,"date":"2012-01-19T00:47:08","date_gmt":"2012-01-19T03:47:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=11179"},"modified":"2012-01-19T00:47:08","modified_gmt":"2012-01-19T03:47:08","slug":"uma-imprensa-que-defende-as-empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/uma-imprensa-que-defende-as-empresas\/","title":{"rendered":"Uma imprensa que defende as empresas"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 inacredit\u00e1vel a cobertura que a imprensa de Porto Alegre d\u00e1 aos dois temas mais importantes em discuss\u00e3o no Rio Grande do Sul neste momento: o aumento das tarifas do transporte coletivo na Capital e a quest\u00e3o dos ped\u00e1gios.\u00a0Nos dois casos ela tem uma posi\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca: a favor das empresas.<br \/>\nNo\u00a0caso do transporte coletivo de Porto Alegre, h\u00e1 uma omiss\u00e3o reiterada, que este ano n\u00e3o foi diferente. Se n\u00e3o fosse o jornal Metro, di\u00e1rio gratuito, que deu em manchete o pedido de aumento de 14% das empresa de \u00f4nibus, o assunto estaria fora de discuss\u00e3o, pois nenhum dos di\u00e1rios da cidade se ocupou dele nesta quarta-feira.<br \/>\nNingu\u00e9m tamb\u00e9m questionou essa coincid\u00eancia de estarem os trabalhadores das empresas de transporte coletivo amea\u00e7ando greve por aumento no exato momento em que as empresa pressionam a prefeitura por um reajuste muito acima da infla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo ano passado, as empresas de transporte j\u00e1 obtiveram um aumento de 11%, quase o dobro do \u00edndice inflacion\u00e1rio. E no ano anterior tamb\u00e9m.<br \/>\nO impacto do transporte coletivo repercute em toda a cadeia econ\u00f4mica. Quando um jornal como a Zero Hora deixa de dar import\u00e2ncia a isso, alegando que \u00e9 um assunto que s\u00f3 interessa ao pov\u00e3o (mas o Di\u00e1rio Ga\u00facho, o jornal da Casa destinado ao pov\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o deu nada), coloca sua ignor\u00e2ncia na vitrine. A tarifa do transporte p\u00fablico tem influ\u00eancia em toda a economia, nas empresas inclusive.<br \/>\nO caso dos ped\u00e1gios chega a ser c\u00f4mico. Os contratos de concess\u00e3o de 1.800 quil\u00f4metros de rodovias feitas no governo Britto a empresas privadas (na verdade, cons\u00f3rcios de empreiteiras constitu\u00eddos com essa finalidade) j\u00e1 foi definido como \u201co caso mais negro do Rio Grande do Sul\u201d pelo ex-ministro dos Transportes, Cloraldino Severo, um t\u00e9cnico, estudioso do assunto e pessoa ideologicamente insuspeita.<br \/>\nA cobertura, no entanto, \u00e9 toda favor\u00e1vel \u00e0s concession\u00e1rias, mesmo quando isso exige omiss\u00e3o ou manipula\u00e7\u00f5es das informa\u00e7\u00f5es. A esse respeito \u00e9 did\u00e1tica a mat\u00e9ria publicada na ZH (18\/01), na verdade um \u201cpress release\u201d esquentado.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Antes, \u00e9 did\u00e1tico ler o press release distribu\u00eddo pela assessoria do pal\u00e1cio Piratini, a respeito do assunto:<\/span><br \/>\n<em>\u201cEm reuni\u00e3o com os representantes do cons\u00f3rcio Univias, que administra os polos de ped\u00e1gios da regi\u00e3o Metropolitana, de Lajeado e Caxias do Sul, o coordenador da Assessoria Superior do Governador, Jo\u00e3o Victor Domingues, reafirmou nesta ter\u00e7a-feira (17), no Pal\u00e1cio Piratini, a disposi\u00e7\u00e3o do Executivo em reduzir as tarifas cobradas pela empresa. Al\u00e9m de diminuir o valor do ped\u00e1gio, o Estado prop\u00f5e a manuten\u00e7\u00e3o dos investimentos previstos.<\/em><br \/>\n<em>Mais do que recha\u00e7ar a continuidade do modelo atual de cobran\u00e7a, Jo\u00e3o Victor afirmou que o Governo do Estado mant\u00e9m a exig\u00eancia de acabar com a pra\u00e7a de Farroupilha, adotar um modelo mais transparente e criar um conselho de usu\u00e1rios. &#8220;N\u00e3o queremos a continuidade de um modelo que n\u00e3o prev\u00ea uma presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de qualidade por parte das concession\u00e1rias&#8221;, garantiu.<\/em><br \/>\n<em>Uma consultoria deve ser contratada pelo Governo do Estado at\u00e9 maio para apontar um diagn\u00f3stico sobre um poss\u00edvel desequil\u00edbrio nas tarifas. Em 90 dias, a consultoria apresentar\u00e1 os resultados dos estudos.<\/em><br \/>\n<em>V\u00e1rios fatores podem ser levados em considera\u00e7\u00e3o para a diminui\u00e7\u00e3o das cobran\u00e7as. Jo\u00e3o Victor explica que existe a possibilidade de testar uma cobran\u00e7a regionalizada das tarifas, a partir da realidade de cada regi\u00e3o diminuir. &#8220;A proposta que nos trouxeram \u00e9 de R$ 4,40, e n\u00f3s achamos que podemos reduzir para R$ 3,80, R$ 4, mas sem preju\u00edzo do volume de investimentos sinalizados de R$ 1bilh\u00e3o. Isto tudo influencia, inclusive na elabora\u00e7\u00e3o de um novo modelo e mesmo na forma de licita\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescentou.<\/em><br \/>\n<em>Conforme Jo\u00e3o Victor, a primeira alternativa do Estado \u00e9 a constitui\u00e7\u00e3o de um novo modelo por licita\u00e7\u00e3o. &#8220;O ambiente de conversa\u00e7\u00e3o ajuda, inclusive para que n\u00e3o tenhamos uma batalha judicial que inviabilize a altera\u00e7\u00e3o do modelo&#8221;, disse.<\/em><br \/>\n<em>Advogado do Univias, Ricardo Breier afirmou que a empresa vai repensar crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e avaliar os valores cobrados pela empresa. &#8220;Os contratos preveem alguns indicativos importantes e mexer nisso agora pode tamb\u00e9m mudar o \u00edndice e aumentar os \u00edndices de desequil\u00edbrio&#8221;, frisou.<\/em><br \/>\n<span class=\"intermenos\">Agora compare a mat\u00e9ria de ZH ( 18\/01, pg. 6):<\/span><br \/>\n<strong>Pol\u00edtica: Ped\u00e1gios em Jogo.<\/strong><br \/>\n\u201cEm negocia\u00e7\u00e3o, Piratini sugere tarifa de Cr$ 3,80. Contraproposta do governo Tarso faz parte da discuss\u00e3o em torno da renova\u00e7\u00e3o dos atuais contratos\u201d.<br \/>\n\u201cEm reuni\u00e3o com representantes do Cons\u00f3rcio Univias, no fim da tarde em Porto Alegre, o\u00a0 governo Tarso Genro pediu a redu\u00e7\u00e3o de tarifa \u00e0s concession\u00e1rias. Antes de dar mais um passo \u00e0 poss\u00edvel prorroga\u00e7\u00e3o dos contratos at\u00e9 2014, o executivo\u00a0 quer\u00a0 garantir que o valor cobrado pelas empresas\u00a0 em caso de renova\u00e7\u00e3o fique entre R$ 3,80 e R$ 4,00, no m\u00e1ximo.<br \/>\nA retomada das negocia\u00e7\u00f5es, iniciadas em novembro, estendeu-se por uma hora no Sal\u00e3o dos Banquetes do Pal\u00e1cio Piratini. A portas fechadas, o \u00fanico representante do governo, o coordenador executivo da Assessoria Superior do governador, Jo\u00e3o Vitor Domingues sugeriu a redu\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os e fez um segundo pedido: que as empresas tamb\u00e9m apresentem tarifas regionalizadas \u2013 por entender que nas pra\u00e7as de maior movimento a possibilidade de cortes \u00e9 maior.<br \/>\n\u201cAcreditamos que ainda h\u00e1 margem de negocia\u00e7\u00e3o. As tarifas poderiam ficar em R$ 3,80 e R$ 4,00, sem preju\u00edzo \u00e0s demais propostas apresentadas &#8211; disse Domingues.<br \/>\nEm novembro, al\u00e9m de se comprometer a baixar as tarifas de R$ 6,70 para R$ 4,40, as concession\u00e1rias prometeram fechar a pra\u00e7a de Farroupilha, na Serra, e investir em obras.<br \/>\nAo final do encontro, os tr\u00eas representantes da Univias \u2013 o advogado Ricardo Breier, e os diretores M\u00e1rio Baltar e Radam\u00e9s Cassab, do grupo Equipav, acionista do cons\u00f3rcio, deram sinais de que o acordo \u00e9 poss\u00edvel. \u201cVamos dar in\u00edcio a um estudo e avaliar o que pode ser feito. Nosso interesse \u00e9 fazer isso o mais r\u00e1pido poss\u00edvel\u201d, afirmou Breier.<br \/>\nEmbora Jo\u00e3o Vitor tenha se preocupado em\u00a0 assegurar que n\u00e3o existe uma defini\u00e7\u00e3o por parte do Executivo, o avan\u00e7o nas tratativas \u00e9 alvo de cr\u00edticas dentro do pr\u00f3prio PT. Ontem o deputado Raul Pont, presidente do partido no Estado, disse\u00a0 ser contr\u00e1rio \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA postura irritou Domingues: \u201cO que ele sugere. Eu rompa com as empresas e entre numa disputa judicial sem fim? \u2013 questionou. Em agosto, o coordenador espera ter em m\u00e3os o diagn\u00f3stico do setor que ser\u00e1 elaborado por uma consultoria, que ainda ser\u00e1 contratada\u201d.<br \/>\n<strong>Uma\u00a0 foto de quatro pessoas numa mesa, ocupando quase \u00bc da p\u00e1gina traz a seguinte legenda: \u201cRepresentantes do Cons\u00f3rcio Univias ouviram a proposta feita por Jo\u00e3o Vitor, assessor de Tarso\u201d.<\/strong><br \/>\n<strong>S\u00edntese: o jornal insiste que o governo est\u00e1 negociando a prorroga\u00e7\u00e3o dos contratos, quando o governo diz claramente que o atual modelo \u00e9 improrrog\u00e1vel.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 inacredit\u00e1vel a cobertura que a imprensa de Porto Alegre d\u00e1 aos dois temas mais importantes em discuss\u00e3o no Rio Grande do Sul neste momento: o aumento das tarifas do transporte coletivo na Capital e a quest\u00e3o dos ped\u00e1gios.\u00a0Nos dois casos ela tem uma posi\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca: a favor das empresas. 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