{"id":36147,"date":"2016-07-10T16:51:28","date_gmt":"2016-07-10T19:51:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=36147"},"modified":"2016-07-10T16:51:28","modified_gmt":"2016-07-10T19:51:28","slug":"o-avanco-do-atraso-e-a-possibilidade-da-resistencia-democratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/o-avanco-do-atraso-e-a-possibilidade-da-resistencia-democratica\/","title":{"rendered":"O avan\u00e7o do atraso e a possibilidade da resist\u00eancia democr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p>Benedito Tadeu C\u00e9sar \u2013 Cientista Pol\u00edtico<br \/>\nVivemos um momento de refluxo das for\u00e7as democr\u00e1ticas e de esquerda em todo o mundo e tamb\u00e9m no Brasil. \u00c9 hora de resist\u00eancia e de ac\u00famulo de for\u00e7as para poder voltar a avan\u00e7ar.<br \/>\nNo plano internacional, o panorama \u00e9 de avan\u00e7o da direita. Na Argentina, a centro-esquerda foi derrotada com a vit\u00f3ria eleitoral de Macri. Na Bol\u00edvia, Evo Morales perdeu o plebiscito e n\u00e3o conseguiu autoriza\u00e7\u00e3o popular para se candidatar a um novo mandato presidencial. Na Venezuela, a desestabiliza\u00e7\u00e3o do governo Maduro \u00e9 cada dia mais intensa. No Chile, Bachelet enfrenta problemas s\u00e9rios e acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o. No Peru, a esquerda sequer conseguiu chegar ao segundo turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<br \/>\nNos EUA, Donald Trump, representando a ala mais \u00e0 direita do Partido Republicano, ser\u00e1 o candidato daquele partido \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Na Espanha, o Partido Popular (conservador) foi o mais votado nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, contrariando as expectativas de vit\u00f3ria da coliga\u00e7\u00e3o Unidos Podemos. No Reino Unido, o Brexit venceu o plebiscito determinando que o pa\u00eds saia da Comunidade Europeia. Na \u00c1ustria, o Partido da Liberdade, de extrema direita, anti-imigra\u00e7\u00e3o e euroc\u00eantrico, conseguiu anular as elei\u00e7\u00f5es, que ser\u00e3o repetidas em outubro.<br \/>\nNo plano nacional, o panorama \u00e9 semelhante, sen\u00e3o pior do que o internacional. O golpe jur\u00eddico-midi\u00e1tico-parlamentar tem tudo para se \u201cnaturalizar\u201d, com a destitui\u00e7\u00e3o definitiva de Dilma pelo Senado no m\u00eas de agosto e a aceita\u00e7\u00e3o popular do desfecho autorit\u00e1rio. Dilma n\u00e3o conseguiu virar o jogo. O PT parece estar conformado com a derrota que sofreu, preferindo investir for\u00e7as nas elei\u00e7\u00f5es municipais de outubro pr\u00f3ximo.<br \/>\nNem Dilma nem o PT apresentaram uma proposta capaz de sensibilizar as grandes massas e os setores mais avan\u00e7ados da sociedade, os movimentos sociais, partidos de esquerda e setores liberal democr\u00e1ticos. N\u00e3o conseguiram, por outro lado, negociar com os setores menos retr\u00f3grados do empresariado e dos senadores a ponto de reverter os votos necess\u00e1rios para barrar o impeachment.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Impasse e paralisia<\/span><br \/>\nNo plano pol\u00edtico mais geral, h\u00e1 um impasse que leva \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o institucional, pol\u00edtica e econ\u00f4mica do pa\u00eds. \u00c9 um impasse t\u00e3o profundo, que os principais agentes pol\u00edticos encontram-se imobilizados. H\u00e1 um aparente empate estabelecido entre os campos pol\u00edticos em conflito. Nem Dilma e nem Temer t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de governar. Nem Dilma e nem Temer t\u00eam propostas capazes de aglutinar for\u00e7as e ganhar a opini\u00e3o p\u00fablica e os setores de poder (empres\u00e1rios e movimentos sociais).<br \/>\nDilma n\u00e3o vira o jogo e Temer n\u00e3o se estabiliza no governo. Cunha, mesmo afastado, continua controlando o governo interino e acuando Temer. PMDB, PSDB, PT e a imensa maioria dos pol\u00edticos est\u00e3o desmoralizados e sem legitimidade frente \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica. Apoiadores sinceros e\/ou ing\u00eanuos do golpe est\u00e3o silenciosos, decepcionados e at\u00e9 envergonhados, e a grande m\u00eddia desmoralizada para uma boa parte da popula\u00e7\u00e3o e exposta ao rid\u00edculo pela imprensa internacional.<br \/>\nOs novos movimentos sociais de esquerda e de centro-esquerda tomam as ruas, deixadas vazias pelos que pretendiam tirar Dilma, mas veem lentamente suas for\u00e7as se esva\u00edrem sem conseguir alterar efetivamente o jogo pol\u00edtico e abortar o impeachment.<br \/>\nA\u00e9cio e Marina se recolheram, t\u00e3o logo as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o que os atingiam foram finalmente tornadas p\u00fablicas pela grande m\u00eddia. A\u00e9cio perde prest\u00edgio e talvez n\u00e3o se recupere, pois sua presen\u00e7a n\u00e3o interessa mais nem mesmo aos tucanos. Marina se preserva para reaparecer no momento oportuno como uma poss\u00edvel alternativa de governo, mas, por enquanto, a cada vez que se manifesta mais explicita o interesse principal de promo\u00e7\u00e3o de sua candidatura.<br \/>\nN\u00e3o obstante a paralisia institucional e das principais lideran\u00e7as pol\u00edticas do pa\u00eds, caminham c\u00e9leres as iniciativas neoliberais, antipopulares e antinacionais, promovendo o desmonte do arremedo de Estado de bem-estar social montado durante os governos Lula e Dilma.<br \/>\nConsiderando-se os agentes pol\u00edticos e as institui\u00e7\u00f5es da Rep\u00fablica, s\u00f3 quem avan\u00e7a s\u00e3o os procuradores, a PF e a for\u00e7a tarefa da lava-jato, Moro e o STF, fazendo com que o jogo penda em favor dos golpistas na medida em que prendem apenas petistas e aliados e n\u00e3o os peessedebistas e peemedebistas que apoiam o governo Temer e que tamb\u00e9m s\u00e3o acusados de corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\nImbu\u00eddos de uma miss\u00e3o salvacionista, eles s\u00e3o os novos atores que dominam a cena, sem que se possa afirmar efetivamente quais s\u00e3o os seus objetivos reais. Sua \u201cmiss\u00e3o\u201d seria apenas \u201climpar o pa\u00eds\u201d, livr\u00e1-lo da corrup\u00e7\u00e3o e iniciar a constru\u00e7\u00e3o de uma nov\u00edssima Rep\u00fablica? Que Rep\u00fablica seria esta e quem a construiria? De onde adv\u00e9m a for\u00e7a que demonstram? Ter\u00e3o suporte internacional? Por que se dedicam a desmontar as \u00fanicas empresas nacionais em condi\u00e7\u00f5es de competir no mercado internacional e desenvolver tecnologia de ponta \u2013 a Petrobras e as grandes empreiteiras? Para onde conduzem o pa\u00eds e a quem o entregar\u00e3o?<br \/>\n<span class=\"intertit\">Uma disputa secular<\/span><br \/>\nO que sabemos, sem d\u00favidas, \u00e9 que h\u00e1 uma disputa instalada no mundo e tamb\u00e9m no Brasil desde, pelo menos, o s\u00e9culo XIX, sobre como desenvolver o sistema capitalista na economia e na pol\u00edtica. De um lado, as propostas globalizantes, lideradas pelo grande capital internacionalizado e, de outro, os projetos nacionais. De um lado, a cren\u00e7a no livre mercado e na sua autorregula\u00e7\u00e3o e, de outro, a defesa da a\u00e7\u00e3o do Estado como indutor do crescimento da economia nacional, protegendo as ind\u00fastrias nascentes, e realizando investimentos estrat\u00e9gicos para criar competitividade e conquistar mercados.<br \/>\nAo longo do s\u00e9culo XX, em meio a conflitos e guerras, cresceram as tentativas de projetos nacionais de desenvolvimento com forte presen\u00e7a do Estado e com inclus\u00e3o social, como por exemplo no Jap\u00e3o e na Alemanha, e o desenvolvimento dos chamados Estados de Bem Estar Social nos pa\u00edses desenvolvidos, no p\u00f3s-segunda guerra mundial.<br \/>\nCom a crise do bloco socialista e das alternativas nacionais de desenvolvimento nos pa\u00edses do terceiro mundo nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, avan\u00e7aram novamente as posi\u00e7\u00f5es ultraliberais de defesa do livre mercado internacional, a globaliza\u00e7\u00e3o e a financeiriza\u00e7\u00e3o da economia sem se submeterem a qualquer controle p\u00fablico.<br \/>\nNesse processo, num movimento de defesa de mercados regionais, criaram-se os blocos econ\u00f4micos ao mesmo tempo em que cresceu o individualismo e a xenofobia e entraram em crise os partidos pol\u00edticos tradicionais, firmados na antiga dicotomia capital-trabalho e favor\u00e1veis a projetos nacionais de desenvolvimento, de um lado, ou de integra\u00e7\u00e3o ao capital internacional, de outro.<br \/>\nNo Brasil, esta disputa de caminhos de desenvolvimento do capitalismo se manifestou j\u00e1 a partir do final do Imp\u00e9rio, com a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica sem povo \u2013 os bestializados, na defini\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Murilo de Carvalho. As revoltas dos tenentes, na d\u00e9cada de 1920, a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, os conflitos e as instabilidades pol\u00edticas de 1945, 1954, 1956\/9, 1961 e 1964, bem como o processo de instabilidade pol\u00edtica em curso, s\u00e3o express\u00f5es desta disputa que se arrasta no tempo.<br \/>\nDe um lado, a ascens\u00e3o de Get\u00falio Vargas e a cria\u00e7\u00e3o do Estado Nacional Moderno no Brasil marcaram a vit\u00f3ria parcial e tempor\u00e1ria da posi\u00e7\u00e3o daqueles que, nos anos de 1960, se tornaram conhecidos como \u201cnacional-desenvolvimentistas\u201d. Neste grupo, al\u00e9m de Vargas, incluem-se ainda, com diferentes graus de defesa do projeto nacionalista e tamb\u00e9m do sistema pol\u00edtico democr\u00e1tico, Juscelino Kubitschek, Jo\u00e3o Goulart, (Castelo Branco, Garrastazu M\u00e9dici, Ernesto Geisel e Jo\u00e3o Figueiredo \u2013 durante a ditadura civil militar de 1964\/1985), Itamar Franco, Lula da Silva e Dilma Rousseff.<br \/>\nDe outro lado, a destitui\u00e7\u00e3o de Vargas e a elei\u00e7\u00e3o de Dutra, em 1945, e o suic\u00eddio de Vargas, em 1954, marcaram momentos de vit\u00f3rias parciais e tempor\u00e1rias dos favor\u00e1veis \u00e0 associa\u00e7\u00e3o plena com o capital estrangeiro que, nos anos de 1970\/80, ficaram conhecidos como adeptos da teoria do \u201cdesenvolvimento associado e dependente\u201d, formulada inicialmente e de modo cr\u00edtico por Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto em 1965\/67. Fazem parte deste grupo, Eurico Gaspar Dutra, J\u00e2nio Quadros, (Costa e Silva \u2013 durante a ditadura), Jos\u00e9 Sarney, Collor de Mello, FHC e Michel Temer.<br \/>\n<span class=\"intertit\">A farsa do impeachment sem base jur\u00eddica \u00e9 a nova face da mesma e cont\u00ednua disputa<\/span><br \/>\nDurante os anos Lula\/Dilma, auxiliados por uma conjuntura internacional de crise da economia norte-americana e europeia, mas de favorecimento da economia nacional em virtude da valoriza\u00e7\u00e3o das commodities brasileiras (min\u00e9rio e soja, principalmente), impulsionadas pelo crescimento acelerado da China, foi poss\u00edvel que o governo federal, com forte compromisso popular, adotasse pol\u00edticas de investimento em infraestrutura e gera\u00e7\u00e3o de tecnologia nacional, valoriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o social.<br \/>\nA chegada da crise \u00e0 economia brasileira, em 2013\/4, com a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento chin\u00eas e a retra\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o internacional das commodities, aliada \u00e0 inabilidade pol\u00edtica e aos erros de condu\u00e7\u00e3o da economia por parte do governo Dilma, possibilitaram que as insatisfa\u00e7\u00f5es populares latentes crescessem exponencialmente, sem ser orientadas para a defesa do Estado de Bem Estar Social que vinha sendo constru\u00eddo no pa\u00eds.<br \/>\nAs manifesta\u00e7\u00f5es de 2013 e tamb\u00e9m os chamados \u201crolezinhos\u201d expressam a eclos\u00e3o desse fen\u00f4meno no \u00e2mbito das classes m\u00e9dias e populares rec\u00e9m inseridas ao mercado de consumo de massas. Insuflados pela grande m\u00eddia, os protestos que tinham como alvo inicial os reajustes das tarifas de transporte p\u00fablico voltaram-se contra o governo, pedindo principalmente a amplia\u00e7\u00e3o e melhoria dos servi\u00e7os de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o e o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. De rold\u00e3o, foram inclu\u00eddos todos os tipos de pautas, desde o combate \u00e0 homofobia e \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres at\u00e9 a liberaliza\u00e7\u00e3o do porte de armas e a proibi\u00e7\u00e3o do aborto, por exemplo.<br \/>\nA aus\u00eancia de partidos pol\u00edticos e lideran\u00e7as aptas para canalizar e dar dire\u00e7\u00e3o \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o generalizada abriu espa\u00e7o para o avan\u00e7o de grupos oportunistas, desde o chamado Movimento Brasil Livre at\u00e9 os black-blocs, que direcionaram suas a\u00e7\u00f5es visando o enfraquecimento do governo e culminaram com a campanha do impeachment, a partir da reelei\u00e7\u00e3o da presidenta Dilma, liderada pelos partidos e lideran\u00e7as que n\u00e3o aceitaram a derrota nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<br \/>\nA piora das expectativas econ\u00f4micas em fun\u00e7\u00e3o da crise que chegou ao pa\u00eds, o aumento da infla\u00e7\u00e3o e do desemprego, mais a a\u00e7\u00e3o articulada entre os promotores, delegados e ju\u00edzes da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e a imprensa, e ainda entre as lideran\u00e7as derrotadas nas elei\u00e7\u00f5es criaram o caldo de cultura que possibilitou o afastamento de Dilma e a entrega do governo ao grupo de Michel Temer, Eduardo Cunha, Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima e Romero Juc\u00e1. Um grupo cuja principal ideologia \u00e9 o esp\u00f3lio do Estado nacional e que nunca chegou a elaborar um projeto de desenvolvimento para o pa\u00eds, fosse ele qual fosse &#8211; nacional ou associado\/dependente dos grandes grupos da economia internacional, mantendo-se sempre como aliado principal dos vitoriosos em elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<br \/>\nEste grupo, al\u00e9m disso, n\u00e3o det\u00e9m legitimidade popular e nem for\u00e7a pol\u00edtica suficiente para se manter no poder. Eduardo Cunha, deputado federal afastado da presid\u00eancia da C\u00e2mara por corrup\u00e7\u00e3o e na imin\u00eancia de perder seu mandato parlamentar, controla o governo e seus principais agentes pol\u00edticos, a come\u00e7ar pelo presidente interino \u2013 mantido sob r\u00e9deas curtas, por meio da imposi\u00e7\u00e3o de ministros e lideran\u00e7as \u2013 sabe-se l\u00e1 pela utiliza\u00e7\u00e3o de quais meios e m\u00e9todos.<br \/>\nNa tentativa de conquistar o apoio dos setores empresariais e pol\u00edticos comprometidos ideologicamente com as vis\u00f5es ultraliberais na economia e com concep\u00e7\u00f5es de desenvolvimento associado ao mercado e aos grandes centros hegem\u00f4nicos do capital, o grupo atualmente no exerc\u00edcio da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica acelera a ado\u00e7\u00e3o de medidas de desmonte das pol\u00edticas sociais e das estruturas do Estado voltadas para a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento nacional de modo relativamente aut\u00f4nomo.<br \/>\nEste \u00e9 o motivo para a voracidade e a velocidade das a\u00e7\u00f5es empreendidas por Temer e seu grupo, com a ado\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es que visam \u00e0 desarticula\u00e7\u00e3o acelerada do projeto de Estado de Bem Estar Social que vinha sendo implementado no Brasil durante os governos de Lula e de Dilma. Propondo-se a criar uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d na economia e nas institui\u00e7\u00f5es, capaz de fazer o Brasil retomar o crescimento, o governo Temer tem promovido uma pol\u00edtica de terra arrasada, a partir da qual tudo teria que ser reconstru\u00eddo noutros termos.<br \/>\nCitem-se, no plano social, por exemplo, a desobriga\u00e7\u00e3o de aplica\u00e7\u00e3o de valores do or\u00e7amento da Uni\u00e3o definidos constitucionalmente para as \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade; a revis\u00e3o das pol\u00edticas de habita\u00e7\u00e3o popular; o n\u00e3o pagamento do reajuste do valor do Programa Bolsa Fam\u00edlia; a acelera\u00e7\u00e3o da tramita\u00e7\u00e3o dos projetos de lei que visam a mudan\u00e7a na pol\u00edtica previdenci\u00e1ria e de aposentadorias; a terceiriza\u00e7\u00e3o total das contrata\u00e7\u00f5es de m\u00e3o de obra, com a consequente precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e o enfraquecimento das organiza\u00e7\u00f5es sindicais, bem como a altera\u00e7\u00e3o de outros dispositivos da CLT que garantem conquistas dos trabalhadores.<br \/>\nVai na mesma dire\u00e7\u00e3o, no plano das rela\u00e7\u00f5es internacionais e da pol\u00edtica econ\u00f4mica, a pressa com que o governo interino se lan\u00e7ou ao esfor\u00e7o para desmontar a pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o Sul-Sul, empreendida pelos governos Lula e Dilma, e para reintegrar o Brasil ao sistema de com\u00e9rcio controlado pelos EUA; a tentativa em curso de altera\u00e7\u00e3o do regime de partilha para a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo na zona do Pr\u00e9 Sal, que visa desobrigar que a Petrobras participe com pelo menos 30% em qualquer contrato de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo firmado com empresas privadas.<br \/>\nSe aprovada, esta altera\u00e7\u00e3o colocar\u00e1 nas m\u00e3os de empresas n\u00e3o brasileiras a quinta maior reserva de petr\u00f3leo do mundo, inviabilizar\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o do Fundo Soberano, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de investimento de longo prazo realizado pelo pa\u00eds, e impedir\u00e1 que parcela importante dos royalties do petr\u00f3leo sejam revertidos para o Fundo Social destinado \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 Sa\u00fade.<br \/>\nDestaque-se, ainda, a proposta de emenda constitucional, apresentada como a salva\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as p\u00fablicas, que visa <a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/congelar-os-gastos-publicos-temeridade-e-desastre\/\">congelar os gastos<\/a> com custeio e manuten\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina estatal e dos investimentos nas \u00e1reas sociais, limitando seu reajuste \u00e0 corre\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o do ano anterior. Uma limita\u00e7\u00e3o que o governo Temer j\u00e1 imp\u00f5e como condi\u00e7\u00e3o para a revis\u00e3o da d\u00edvida dos estados subnacionais com a Uni\u00e3o.<br \/>\nSe o novo contrato for aceito pelos estados, n\u00e3o apenas os atuais governadores, mas tamb\u00e9m todos os futuros governadores durante os pr\u00f3ximos 20 anos estar\u00e3o impedidos de aumentar os gastos de investimento, de pol\u00edticas p\u00fablicas e de custeio. Considerando-se apenas o aumento vegetativo da popula\u00e7\u00e3o, em decl\u00ednio mas ainda positivo, a consequ\u00eancia ser\u00e1 n\u00e3o apenas o congelamento dos gastos dos governos, mas a diminui\u00e7\u00e3o destes gastos.<br \/>\nCom isto, piorar\u00e3o ainda mais as pol\u00edticas de seguran\u00e7a, de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o, por exemplo, e o Estado estar\u00e1 impossibilitado de investir em obras p\u00fablicas como estradas, transportes, energia, infraestrutura etc. Diversos servi\u00e7os que hoje s\u00e3o prestados pelo Estado e obras que s\u00e3o executadas diretamente por ag\u00eancias e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos passar\u00e3o a ser prestados e realizados por empresas privadas. Al\u00e9m disso, os sal\u00e1rios de todos os servidores e servidoras p\u00fablicas ser\u00e3o congelados aos n\u00edveis atuais, pois s\u00f3 ser\u00e3o reajustados para repor a infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo anterior aos reajustes.<br \/>\n<span class=\"intertit\">O avan\u00e7o do atraso e a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de uma frente ampla democr\u00e1tica<\/span><br \/>\nO avan\u00e7o das pol\u00edticas ultraliberais, com a tentativa de desmonte dos Estados de Bem-Estar Social, hoje em curso desde o plano internacional, passando pelo nacional e chegando aos estaduais, tem aberto espa\u00e7o para a manifesta\u00e7\u00e3o de grupos xen\u00f3fobos e obscurantistas, dispostos a estancar e a fazer retroceder os avan\u00e7os das liberdades civis j\u00e1 conquistadas em boa parte do mundo. No Brasil, citando-se apenas um exemplo crucial, no plano da educa\u00e7\u00e3o, avan\u00e7am as propostas de altera\u00e7\u00e3o no Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, de interrup\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o curricular que come\u00e7ava a ser constru\u00edda e, at\u00e9, de aprova\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o que pro\u00edbe o pensamento cr\u00edtico nas escolas p\u00fablicas, sob a alcunha de \u201cescola sem ideologia\u201d, mas que melhor seria denominar de escola com ideologia \u00fanica.<br \/>\nTanto no plano nacional quanto no plano estadual, s\u00f3 h\u00e1 uma sa\u00edda para o enfrentamento dessas for\u00e7as reacion\u00e1rias e antidemocr\u00e1ticas que avan\u00e7am. A constru\u00e7\u00e3o de uma grande frente popular em defesa da democracia e do estado democr\u00e1tico de direito, que congregue partidos pol\u00edticos, sindicatos, centrais sindicais, comit\u00eas e movimentos em defesa da democracia e contra o impeachment e todos aqueles que, engajados ou n\u00e3o em partidos e movimentos, estejam dispostos a defender a democracia. Uma frente suficientemente ampla para agregar todos os democratas, sejam eles liberais, sejam socialistas e at\u00e9 os que n\u00e3o t\u00eam defini\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-ideol\u00f3gica firmada, mas defendem a democracia.<br \/>\nA intransig\u00eancia de alguns partidos de esquerda e de centro-esquerda, apoiada em avalia\u00e7\u00f5es de que poder\u00e3o firmar posi\u00e7\u00f5es e preservar territ\u00f3rios, e o oportunismo de outros, acreditando que se apropriar\u00e3o do esp\u00f3lio dos derrotados, s\u00f3 favorecer\u00e1 o retrocesso e os avan\u00e7os da direita golpista que hoje assalta o poder e as riquezas populares e nacionais. Frente \u00e0s elei\u00e7\u00f5es municipais deste ano, cada partido lan\u00e7a candidatura isolada, justificando-se com a promessa de \u201cuni\u00e3o no segundo turno\u201d, ao qual, possivelmente, nenhum deles chegar\u00e1. Quando se derem conta do equ\u00edvoco, a direita e o retrocesso j\u00e1 ter\u00e3o atropelado a todos.<br \/>\nEstamos em um momento de refluxo das for\u00e7as democr\u00e1ticas e de esquerda em todo o mundo e tamb\u00e9m no Brasil. \u00c9 hora de resist\u00eancia, de acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e de prepara\u00e7\u00e3o para a rea\u00e7\u00e3o de m\u00e9dio e de longo prazos. Disputas e diverg\u00eancias cabem e s\u00e3o bem-vindas nos momentos de avan\u00e7o e de conquistas, pois nesses momentos \u00e9 preciso se definir rumos e explicitar mais e novos objetivos a serem alcan\u00e7ados. Nos momentos de refluxo, como o atual, \u00e9 preciso saber buscar semelhan\u00e7as e, com elas, construir os consensos poss\u00edveis, para que se crie uma barreira capaz de conter o avan\u00e7o das for\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam compromissos com os interesses nacionais, com as necessidades da ampla maioria da popula\u00e7\u00e3o e com a democracia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Benedito Tadeu C\u00e9sar \u2013 Cientista Pol\u00edtico Vivemos um momento de refluxo das for\u00e7as democr\u00e1ticas e de esquerda em todo o mundo e tamb\u00e9m no Brasil. \u00c9 hora de resist\u00eancia e de ac\u00famulo de for\u00e7as para poder voltar a avan\u00e7ar. No plano internacional, o panorama \u00e9 de avan\u00e7o da direita. 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