{"id":36400,"date":"2016-07-14T22:18:48","date_gmt":"2016-07-15T01:18:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=36400"},"modified":"2016-07-14T22:18:48","modified_gmt":"2016-07-15T01:18:48","slug":"cenas-de-um-linchamento-que-quase-aconteceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/cenas-de-um-linchamento-que-quase-aconteceu\/","title":{"rendered":"Cenas de um linchamento que quase aconteceu"},"content":{"rendered":"<p><strong>P.C. DE LESTER<\/strong><br \/>\nCerca de 60 clientes que faziam suas compras no Zaffari da rua Fernando Machado, num dos pontos mais movimentados de Porto Alegre, viveram uma hora de tens\u00e3o e medo nesta quinta-feira, 14.<br \/>\nEles assistiram ao que seria um linchamento, n\u00e3o fossem os dois seguran\u00e7as do supermercado, que evitaram o crime.<br \/>\nFoi por volta de 18 horas, num dos hor\u00e1rios de bom movimento desta loja que atende a uma populosa regi\u00e3o do centro.<br \/>\nUm homem, com falha de dois dentes na frente, entrou correndo e gritando no supermercado. Teria uns 20 anos, vestia um moleton verde.<br \/>\nAtr\u00e1s dele entrou um grupo de uns 20 jovens armados de guarda-chuvas, tijolos, canos&#8230; o teriam massacrado n\u00e3o fosse o seguran\u00e7a que estava na entrada.<br \/>\nO seguran\u00e7a levou socos e pontap\u00e9s, mas impediu o linchamento at\u00e9 que chegassem outros funcion\u00e1rios. Mesmo assim, a viol\u00eancia parecia incontrol\u00e1vel, e mesmo depois, j\u00e1 passados quarenta minutos ou mais, quando apareceu o primeiro brigadiano.<br \/>\nAcossado entre dois caixas, protegido pelos seguran\u00e7as, mas mesmo assim recebendo golpes de guarda-chuva, socos, pontap\u00e9s, o fugitivo n\u00e3o se intimidava: \u201cTu j\u00e1 era meu, te marquei\u201d, dizia para um rapag\u00e3o que lhe aplicou um soco no rosto.<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 voltou ao controle quase uma hora depois, quando chegou uma viatura com tr\u00eas brigadianos. Mesmo assim, n\u00e3o foi f\u00e1cil dissolver a turba que queria linchar o perseguido. \u201cTem que matar, se ele vai preso em dez minutos t\u00e1 na\u00a0 rua\u201d, gritava um homem que se dizia da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito. J\u00e1 dentro da viatura, o preso trocava insultos com seus agressores. \u201cTu vai morrer. Tu vai ser mulherzinha l\u00e1 no Central\u201d, gritavam uns rapazes atrav\u00e9s dos vidros fechados da viatura.<br \/>\nOs relatos que ficaram eram desencontrados. O perseguido teria agarrado uma jovem na altura da Reitoria, no parque da Reden\u00e7\u00e3o. Segundo uns, teria roubado sua mochila; segundo outros, teria abusado dela. Uma frase que os pretensos linchadores gritavam para as pessoas que queriam impedir o massacre, era: \u201cQueria ver se fosse sua filha\u201d.<br \/>\nUm senhor no caixa, depois que todos j\u00e1 haviam sa\u00eddo, comentou: &#8220;A viol\u00eancia est\u00e1 a\u00ed, s\u00f3 falta um estopim&#8221;.<br \/>\nO caso foi para a 1a Delegacia.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P.C. DE LESTER Cerca de 60 clientes que faziam suas compras no Zaffari da rua Fernando Machado, num dos pontos mais movimentados de Porto Alegre, viveram uma hora de tens\u00e3o e medo nesta quinta-feira, 14. 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