{"id":41602,"date":"2016-11-24T23:16:40","date_gmt":"2016-11-25T02:16:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=41602"},"modified":"2016-11-24T23:16:40","modified_gmt":"2016-11-25T02:16:40","slug":"um-raro-livro-sobre-a-pratica-do-fotojornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/um-raro-livro-sobre-a-pratica-do-fotojornalismo\/","title":{"rendered":"Um raro livro sobre a pr\u00e1tica do fotojornalismo"},"content":{"rendered":"<p>Se me fosse dada a chance de escrever um livro sobre minha vida de jornalista, eu tomaria como refer\u00eancia <em>A For\u00e7a do Tempo<\/em> (Libretos, 184 p\u00e1ginas), de Ricardo Chaves, rep\u00f3rter-fotogr\u00e1fico que atuou a partir de 1970 no pol\u00edgono Porto Alegre-Rio-S\u00e3o Paulo-Bras\u00edlia, voltando em 1992 ao ponto de origem &#8211; o di\u00e1rio <em>Zero Hora<\/em>\u00a0-, onde segue na labuta como editor do Almanaque Ga\u00facho, se\u00e7\u00e3o que lhe permite ir e voltar ao passado a bordo de fotografias antigas, e praticando com per\u00edcia a escrita.<br \/>\n\u00c9 claro que, no tal livro imagin\u00e1rio, eu teria de me contentar em escrever textos mais ou menos saudosistas, e at\u00e9 recordaria ter feito uma ou reportagem com alguns dos melhores fot\u00f3grafos brasileiros \u2013 Assis Hoffmann, Leonid Streliaev, Marcelo Curia, T\u00e2nia Meinerz, Carlinhos Rodrigues e o pr\u00f3prio Kad\u00e3o Chaves, entre os ga\u00fachos -, mas me faltaria a mat\u00e9ria-prima fotogr\u00e1fica que, no caso de Kad\u00e3o, constitui a ess\u00eancia deste livro sem precedentes no panorama jornal\u00edstico brasileiro. \u00c9 muito bom que tenha surgido uma obra desta dimens\u00e3o no momento em que, atrapalhado por uma converg\u00eancia de novas m\u00eddias sem sustentabilidade econ\u00f4mica, o of\u00edcio de jornalista atravessa uma baita crise existencial. Kad\u00e3o \u00e9 precisamente um dos \u00faltimos moicanos a operar \u2013 como PJ, n\u00e3o mais como CLT &#8211; num ve\u00edculo sem perspectiva de sucesso, como a maioria dos newspapers.<br \/>\nNesse livro editado com maestria por Pedro Haase (Quati Produ\u00e7\u00f5es) e Cl\u00f4 Barcellos (Libretos), o sessent\u00e3o Kad\u00e3o esbanja categoria como fot\u00f3grafo e se revela um redator preciso e sens\u00edvel \u2013 uma surpresa para todos aqueles que se acostumaram a ver a maioria dos chamados retratistas limitando-se a ler apenas t\u00edtulos e legendas, sem paci\u00eancia para atravessar as colunas cinzentas dos textos, porque lhes bastavam as imagens. Na realidade, se ficasse s\u00f3 com as imagens e suas respectivas legendas, o fotojornalista j\u00e1 formaria uma obra respeit\u00e1vel. Com os textos, d\u00e1 de relho na concorr\u00eancia.<br \/>\nAo lembrar os melhores momentos de sua carreira, sem ter esquecido sequer o nome dos motoristas que o levavam \u00e0s metas, Kad\u00e3o Chaves se equilibra bem como autor e personagem de um raro documento sobre a hist\u00f3ria da reportagem fotogr\u00e1fica no Brasil e no mundo. Tamanho comedimento, sem falsa mod\u00e9stia, pode ser de extrema utilidade como mat\u00e9ria de estudo em escolas de jornalismo. Kad\u00e3o Chaves fotografou grandes figuras do s\u00e9culo XX \u2013 Fidel Castro, o Papa, Pel\u00e9, Atahualpa Yupanqui, Erico Verissimo e Chico Mendes, entre outros \u2013 mas n\u00e3o perdeu a capacidade de refletir sobre as pequenas grandezas e as grandes mis\u00e9rias deste mundo velho sem porteira. Da capa que mostra a fachada de uma relojoaria desativada de Montevideo \u00e0 contracapa com a cara do pr\u00f3prio <em>photo worker, A For\u00e7a do Tempo<\/em> n\u00e3o desperdi\u00e7a imagens nem palavras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se me fosse dada a chance de escrever um livro sobre minha vida de jornalista, eu tomaria como refer\u00eancia A For\u00e7a do Tempo (Libretos, 184 p\u00e1ginas), de Ricardo Chaves, rep\u00f3rter-fotogr\u00e1fico que atuou a partir de 1970 no pol\u00edgono Porto Alegre-Rio-S\u00e3o Paulo-Bras\u00edlia, voltando em 1992 ao ponto de origem &#8211; o di\u00e1rio Zero Hora\u00a0-, onde segue [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-41602","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analiseopiniao"],"aioseo_notices":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack-related-posts":[{"id":84564,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/a-nova-celulose-a-beira-do-guaiba-e-o-risco-de-repetir-a-borregaard\/","url_meta":{"origin":41602,"position":0},"title":"A nova celulose \u00e0 beira do Gua\u00edba e o risco de repetir a Borregaard","author":"An\u00e1lise &amp; Opini\u00e3o","date":"6 de mar\u00e7o de 2026","format":false,"excerpt":"ELMAR BONES No dia 16 de mar\u00e7o de 1972 foi inaugurada a Ind\u00fastria de Celulose Borregaard, em Gua\u00edba, com a presen\u00e7a das mais altas autoridades e manchetes ufanistas em todos os jornais. 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