{"id":47879,"date":"2017-05-01T22:07:48","date_gmt":"2017-05-02T01:07:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=47879"},"modified":"2017-05-01T22:07:48","modified_gmt":"2017-05-02T01:07:48","slug":"inter-x-noia-a-final-da-decada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/inter-x-noia-a-final-da-decada\/","title":{"rendered":"Inter x Noia, a final da d\u00e9cada"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Geraldo Hasse<\/span><br \/>\nVi-o jogar uma \u00fanica vez, ao vivo, num s\u00e1bado \u00e0 tarde de setembro de 1958, no Est\u00e1dio dos Eucaliptos. Jogavam Internacional x Floriano, de Novo Hamburgo, e fomos em comitiva, um grupinho do curso de admiss\u00e3o ao gin\u00e1sio do Roque de Cachoeira. Era nossa primeira viagem \u00e0 capital e quem nos ciceroneava era um irm\u00e3o-professor colorado.<br \/>\nA partida terminou em 6 x 1 e o artilheiro colorado marcou cinco gols, municiado por um alem\u00e3ozinho driblador chamado Sapiranga. Esse ponteiro-direito de cabelo amarelo trabalhava furiosamente no espa\u00e7o que lhe cabia e, quando se aproximava da pequena \u00e1rea, ouvia o berro impositivo (\u201cD\u00e1!\u201d) do centro-avante postado de frente para o gol. Inesquec\u00edvel para um guri de 11 anos.<br \/>\nMais de 50 anos depois, o antigo craque passa por mim na rua e o identifico. Imposs\u00edvel n\u00e3o reconhec\u00ea-lo. Magr\u00e3o, o topete grisalho arrumado na testa e a ginga de ex-atleta. Puxei assunto, disse que gostaria de entrevist\u00e1-lo, que achava sua hist\u00f3ria muito interessante. Ele esbo\u00e7ou um sorriso resignado, mas n\u00e3o mostrou entusiasmo: \u201cMinha hist\u00f3ria \u00e9 p\u00fablica, n\u00e3o h\u00e1 novidades a meu respeito\u201d.<br \/>\nN\u00e3o era esnoba\u00e7\u00e3o. Afinal, Larry Pinto de Faria n\u00e3o fora apenas um atleta vencedor, festejado onde quer que andasse. Depois de marcar quase 200 gols pelo colorado, ele fez uma carreira como mandat\u00e1rio do povo junto \u00e0s altas esferas do poder. Foi vereador, deputado, secret\u00e1rio municipal. Se no futebol jogava pelo centro, na pol\u00edtica atuou pela direita. Come\u00e7ou na UDN, terminou na Arena. Uma figura p\u00fablica que, no entanto, podia passear livremente pelas ruas.<br \/>\nUsando abrigo de esportista, ele caminhava diariamente de casa at\u00e9 o Parc\u00e3o, reduto triarborizado que sequer existia quando ele chegou a Porto Alegre, emprestado pelo Fluminense, em meados de 1954. No lugar do atual parque, funcionava o Hip\u00f3dromo dos Moinhos de Vento, ao qual se podia chegar de bonde, subindo do centro pela Independ\u00eancia e a Mostardeiro. Naquele tempo Larry n\u00e3o frequentava o prado porque, nos dias de corrida dos cavalos (em pista areia), ele tamb\u00e9m tinha de correr no (gramado do) Est\u00e1dio dos Eucaliptos, sede do SC Internacional.<br \/>\nCorrer \u00e9 modo de dizer. Larry n\u00e3o corria atr\u00e1s da bola. Ele a chamava e ela vinha. Era impressionante como se adonava dos espa\u00e7os do campo para exercer a rara arte de fazer gols. Dava a impress\u00e3o de que era f\u00e1cil colocar a bola dentro dos tr\u00eas paus. Por isso levou muita pancada dos zagueiros advers\u00e1rios, especialmente de Airton e Ortunho, do Gr\u00eamio.<br \/>\nNo seu primeiro Gre-Nal, em 1954, marcou quatro na vit\u00f3ria por 6 x 2. Em 1956, fez parte da Sele\u00e7\u00e3o Ga\u00facha que representou o Brasil no Pan Americano. Naquele que foi um dos melhores ataques do Inter, teve ao seu lado Luizinho, Bodinho, Chinesinho e Canhotinho. Eram cinco no ataque, mas s\u00f3 dois recuavam para ajudar o volante, outrora chamado de centro-m\u00e9dio.<br \/>\nDada sua \u201cescassa movimenta\u00e7\u00e3o\u201d (express\u00e3o do \u201cprofessor\u201d Ruy Carlos Ostermann, que marcou \u00e9poca como comentarista de futebol), Larry foi chamado de \u201cO Cerebral\u201d. Nascido em Nova Friburgo, afei\u00e7oou-se ao clube ga\u00facho, arranjou namorada na cidade, casou e ficou para sempre em Porto Alegre.<br \/>\nAgora que o Est\u00e1dio dos Eucaliptos n\u00e3o existe mais e o prado dos Moinhos de Vento h\u00e1 mais de 50 anos se mudou para o Cristal, um cronista mundano diria que o maior centroavante da hist\u00f3ria do Inter nunca perdeu o aplomb nem depois que parou de jogar bola.<br \/>\nE sempre foi fiel ao Internacional. Nos anos 60, quando o time viveu um jejum de t\u00edtulos enquanto o clube constru\u00eda o BeiraRio, Larry chegou a trabalhar de gra\u00e7a por algumas semanas como uma esp\u00e9cie de consultor t\u00e9cnico. Desistiu porque, mais do que recursos financeiros, faltava harmonia. \u201cNingu\u00e9m se entendia\u201d, ele me disse.<br \/>\nNaquela d\u00e9cada perdida o time colorado permitiu que o Gr\u00eamio fosse heptacampe\u00e3o, mas nunca correu o risco de cair para a segunda divis\u00e3o, como acabou acontecendo em 2016 &#8212; coisa que Larry n\u00e3o chegou a ver. Ele faleceu em abril de 2016, com 80 e poucos anos.<br \/>\nSe Larry tivesse sobrevivido \u00e0 pneumonia que o atacou pelas costas, talvez viesse a ver o ex-Floriano ser o campe\u00e3o ga\u00facho de 2017. Com seu bom-humor, certamente diria: \u201cO t\u00edtulo ficou em boas m\u00e3os\u201d. \u00c9 dif\u00edcil, mas o Noia merece.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse Vi-o jogar uma \u00fanica vez, ao vivo, num s\u00e1bado \u00e0 tarde de setembro de 1958, no Est\u00e1dio dos Eucaliptos. Jogavam Internacional x Floriano, de Novo Hamburgo, e fomos em comitiva, um grupinho do curso de admiss\u00e3o ao gin\u00e1sio do Roque de Cachoeira. 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