{"id":48195,"date":"2017-05-09T15:10:42","date_gmt":"2017-05-09T18:10:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=48195"},"modified":"2017-05-09T15:10:42","modified_gmt":"2017-05-09T18:10:42","slug":"o-diabolico-desmanche-do-amparo-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/o-diabolico-desmanche-do-amparo-social\/","title":{"rendered":"O diab\u00f3lico desmanche do amparo social"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"m_-4975338440122331451m_1383316038570788864article-title\"><b>Geraldo Hasse<\/b><\/h2>\n<div class=\"m_-4975338440122331451m_1383316038570788864shortcode-content\">\n<div>O desmanche da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e a reforma da Previd\u00eancia Social s\u00e3o dois ar\u00edetes com que o trio de gladiadores Meirelles-Padilha-Temer pretende abrir para o sistema financeiro o mercado das aposentadorias e pens\u00f5es, que se configura como uma esp\u00e9cie de fil\u00e9 mignon do neoliberalismo \u00e0 moda brasileira.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Rola nesse terreno uma grana monumental. Basta lembrar que, em abril de 2016, os 250 fundos de pens\u00f5es ativos no Brasil tinham um patrim\u00f4nio total de R$ 721 bilh\u00f5es, ou 12,6% do PIB nacional. \u00a0Os maiores fundos pertencem a empresas estatais (BB, CEF, Furnas, Petrobras, Correios etc) e tiveram grande crescimento no s\u00e9culo XXI.<br \/>\nNo caso do Funcef, da Caixa, o patrim\u00f4nio saltou de R$ 9,7 bilh\u00f5es em 2002 para R$ 44 bilh\u00f5es em 2010, fruto de uma boa gest\u00e3o dentro de um quadro de crescimento econ\u00f4mico. Outros fundos tamb\u00e9m tiveram grande valoriza\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foram justamente esses grandes fundos estatais que, trabalhando em conjunto com o BNDES e outras institui\u00e7\u00f5es financeiras p\u00fablicas e privadas, se tornaram potentes investidores em projetos de infraestrutura (usinas, portos, ferrovias e rodovias).<\/div>\n<div>Entretanto, mesmo com o aprimoramento da legisla\u00e7\u00e3o, os fundos de pens\u00e3o brasileiros n\u00e3o assumiram a dimens\u00e3o alcan\u00e7ada pelos similares de pa\u00edses mais desenvolvidos, onde eles operam em parceria\/alian\u00e7a com os chamados \u201cventure capital\u201d, que investem em empresas novas (startups) especializadas em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Al\u00e9m disso, ocorreram esc\u00e2ndalos em alguns fundos que sofreram interfer\u00eancias pol\u00edticas ou deram margem a gest\u00f5es duvidosas. O caso mais grave deu-se com o Aerus, que deixou na chuva milhares de aeronautas da Varig. No momento, h\u00e1 algumas acusa\u00e7\u00f5es mais ou menos vagas e interesseiras contra o Funcef.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para complicar a situa\u00e7\u00e3o, a crise de 2008 desvalorizou barbaramente os ativos em que os fundos tinham aplica\u00e7\u00f5es, provocando perdas consider\u00e1veis.<\/div>\n<div>\u00a0No caso brasileiro, em abril de 2016 o d\u00e9ficit total era de R$ 55,3 bilh\u00f5es, com 93 fundos com resultados negativos e 133 com super\u00e1vits.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nos EUA, em 2015, j\u00e1 com a crise relativamente amainada, o total de ativos dos fundos p\u00fablicos correspondia a apenas 69% do total de suas obriga\u00e7\u00f5es.<\/div>\n<div>Nesse quadro de crise, o vi\u00e9s liberal do governo p\u00f3s-Dilma se imp\u00f4s nos \u00faltimos meses, configurando uma mudan\u00e7a radical no panorama dos investimentos p\u00fablicos e privados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o se sabe exatamente o que ser\u00e1 proposto, mas tudo indica que os fundos p\u00fablicos n\u00e3o ter\u00e3o horizonte para crescer, pois o objetivo do ministro Henrique Meirelles (que se comporta como um soberano ajudado por Eliseu Padilha) \u00e9 abrir espa\u00e7o para a atua\u00e7\u00e3o da iniciativa privada onde quer que haja demandas reprimidas, mal atendidas ou desatendidas.<br \/>\nE aqui podemos ver o tamanho da jogada.<br \/>\nSomando o que movimentam o INSS, os fundos de pens\u00e3o estatais, os fundos privados de capitaliza\u00e7\u00e3o, as poupan\u00e7as particulares e o sistema de sa\u00fade\/seguridade social, temos um giro de R$ 1,5 trilh\u00e3o a R$ 2 trilh\u00f5es por ano ou, seja, de 25% a 40% do PIB.<br \/>\nBoa parte dessa grana gigantesca j\u00e1 roda no sistema financeiro privado, que est\u00e1 se lambendo para engolir o prato especial servido pelo governo plantado em Bras\u00edlia.<\/div>\n<div>Com as mudan\u00e7as em curso na previd\u00eancia p\u00fablica e na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, s\u00f3 falta mesmo entregar as poupan\u00e7as dos trabalhadores estatais e particulares.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><em><strong>LEMBRETE DE OCASI\u00c3O<\/strong><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>\u201cO governo, no melhor dos casos, nada mais do que um artif\u00edcio conveniente; mas a maioria dos governos \u00e9 por vezes uma inconveni\u00eancia,e todo governo algum dia acaba sendo inconveniente\u201d<\/em><\/div>\n<div><em><strong>Henry Thoreau (1817-1862), fil\u00f3sofo norte-americano<\/strong><\/em><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse O desmanche da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e a reforma da Previd\u00eancia Social s\u00e3o dois ar\u00edetes com que o trio de gladiadores Meirelles-Padilha-Temer pretende abrir para o sistema financeiro o mercado das aposentadorias e pens\u00f5es, que se configura como uma esp\u00e9cie de fil\u00e9 mignon do neoliberalismo \u00e0 moda brasileira. 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