{"id":51683,"date":"2017-07-18T13:01:16","date_gmt":"2017-07-18T16:01:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=51683"},"modified":"2017-07-18T13:01:16","modified_gmt":"2017-07-18T16:01:16","slug":"a-greve-de-1917","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/a-greve-de-1917\/","title":{"rendered":"A greve de 1917"},"content":{"rendered":"<div class=\"m_-2427451512254540746m_-1113885937982943220m_6147445782279300296container\">\n<div class=\"m_-2427451512254540746m_-1113885937982943220m_6147445782279300296row\">\n<div class=\"m_-2427451512254540746m_-1113885937982943220m_6147445782279300296col-lg-9 m_-2427451512254540746m_-1113885937982943220m_6147445782279300296col-md-9 m_-2427451512254540746m_-1113885937982943220m_6147445782279300296col-sm-12 m_-2427451512254540746m_-1113885937982943220m_6147445782279300296col-xs-12\">\n<div class=\"m_-2427451512254540746m_-1113885937982943220m_6147445782279300296row\">\n<div class=\"m_-2427451512254540746m_-1113885937982943220m_6147445782279300296col-lg-12 m_-2427451512254540746m_-1113885937982943220m_6147445782279300296col-md-12 m_-2427451512254540746m_-1113885937982943220m_6147445782279300296col-sm-12 m_-2427451512254540746m_-1113885937982943220m_6147445782279300296col-xs-12 m_-2427451512254540746m_-1113885937982943220m_6147445782279300296font_a\">\nPassou despercebido o centen\u00e1rio da greve paulista de 1917, deflagrada por trabalhadores t\u00eaxteis. O movimento teve in\u00edcio no dia 10 de junho na ind\u00fastria de tecidos Rodolfo Crespi, localizada no bairro do Br\u00e1s. Os oper\u00e1rios reivindicavam aumento salarial de 25%. O propriet\u00e1rio recusa-se a entrar em negocia\u00e7\u00f5es, amea\u00e7a os grevistas de demiss\u00e3o e afirma que fechar\u00e1 a f\u00e1brica.<br \/>\nEm poucas horas a paralisa\u00e7\u00e3o ganha o apoio dos empregados de outras ind\u00fastrias do bairro. Os empres\u00e1rios acreditam na derrota do movimento pelo cansa\u00e7o e fome, e pedem o aux\u00edlio da pol\u00edcia. A For\u00e7a P\u00fablica interv\u00e9m e passa a efetuar pris\u00f5es de homens e mulheres. No final do m\u00eas o movimento paredista havia se espalhado pelo interior do Estado. A dire\u00e7\u00e3o da Votorantin, em Sorocaba, dispensa alguns oper\u00e1rios, provocando intensa agita\u00e7\u00e3o em todas as se\u00e7\u00f5es da fabrica.<br \/>\nA greve permanece firme e avan\u00e7a pelo m\u00eas de julho. Everardo Dias (1886-1966), anarco-sindicalista espanhol imigrara crian\u00e7a para o Brasil, acompanhando o pai Antonio Dias, professor e ma\u00e7on, envolvido em fracassado levante republicano. Aos 13 anos come\u00e7a a trabalhar como tip\u00f3grafo no jornal \u201cO Estado de S. Paulo\u201d, onde permanece at\u00e9 concluir os estudos de professor. Autor do cl\u00e1ssico Hist\u00f3ria das Lutas Sociais no Brasil, editado em 1962, como uma das lideran\u00e7as do movimento, assim descreveu a greve: \u201c8 e 9 de julho \u2013 Densas demonstra\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias no Br\u00e1s e Mooca. Os estabelecimentos fabris v\u00e3o paralisando o trabalho e os oper\u00e1rios aderem imediatamente \u00e0 massa que est\u00e1 na porta. Algumas f\u00e1bricas onde se verifica que h\u00e1 oper\u00e1rios trabalhando s\u00e3o apupadas e apedrejadas. A pol\u00edcia, que guarnece as portas das f\u00e1bricas, coloca-se, \u00e0 ordem do delegado que patrulha, em posi\u00e7\u00e3o de atirar, mas ningu\u00e9m se intimida. J\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o alguns milhares, mas dezenas de milhares de grevistas que tomam conta das ruas. Na f\u00e1brica Mari\u00e2ngela, \u00e0 Rua Fl\u00f3rida, a cavalaria carrega sobre a multid\u00e3o, enquanto os agentes da pol\u00edcia, \u00e0 ordem do delegado, descarregam suas armas sobre os grevistas. Cai ferido mortalmente um jovem oper\u00e1rio Antonio\u00a0 I. Martinez, enquanto muitos outros est\u00e3o tamb\u00e9m machucados. Efetuam-se pris\u00f5es em massa\u201d (p\u00e1g. 293).<br \/>\nO enterro de Antonio Martinez, falecido no dia 11, \u00e9 realizado no dia 12. O f\u00e9retro sai \u00e0s 8 horas da rua Caetano Pinto para o cemit\u00e9rio do Ara\u00e7\u00e1. Escreve Everardo Dias: \u201cDesde muito antes, a rua fica intransit\u00e1vel pela massa popular que se aglomera e se espalha pela avenida Rangel Pestana. H\u00e1 tamb\u00e9m grande aparato de for\u00e7a militar: um batalh\u00e3o forma na cal\u00e7ada fronteira de baioneta calada\u201d.<br \/>\nO esp\u00edrito libert\u00e1rio, que dava vida ao sindicalismo nas duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, foi estrangulado pela Carta Constitucional de 1937, outorgada por Get\u00falio Vargas, e sepultado em 1943 pelos autores da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), que encontraram na Carta Del Lavoro, de Benito Mussolini, a inspira\u00e7\u00e3o que buscavam para submeter a estrutura sindical ao controle do governo.<br \/>\nA redemocratiza\u00e7\u00e3o em 1946, e o restabelecimento das liberdades democr\u00e1ticas em 1988, n\u00e3o foram suficientes para proporcionar o direito \u00e0 autonomia de organiza\u00e7\u00e3o \u00e0s classes trabalhadoras e patronais. O art. 8\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o conserva os sindicatos sob o controle do Minist\u00e9rio do Trabalho, mant\u00e9m a divis\u00e3o de empregados e patr\u00f5es em categorias, garante o monop\u00f3lio de representa\u00e7\u00e3o, preserva a Contribui\u00e7\u00e3o Sindical, que deixar\u00e1 de ser compuls\u00f3ria.<br \/>\nOs estudiosos da mat\u00e9ria advertem sobre a possibilidade do desaparecimento das organiza\u00e7\u00f5es sindicais como instrumentos de luta.\u00a0 Diversos fatores atuariam nesse sentido: a) a incapacidade de formularem propostas convincentes de combate ao desemprego; b) o desaparecimento dos antagonismos de classes; c) a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista; d) a politiza\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es; g) o desencanto dos jovens.<br \/>\nA greve de 1917, encerrada no dia 17 de julho, mediante acordo negociado com o governo e os empres\u00e1rios pelos jornalistas Nestor Pestana, Amadeu Amaral, Paulo Mazzoldi, Jo\u00e3o Castaldi, Valdomiro Fleury, J.M. Lisboa J\u00fanior, Umberto Serpieri, Valente de Andrade, Jo\u00e3o Silveira Junior, deve ser rememorada como cap\u00edtulo heroico da luta do nascente operariado paulista contra o capitalismo selvagem.\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O sindicalismo do s\u00e9culo XXI d\u00e1 demonstra\u00e7\u00f5es de perda do conte\u00fado ideol\u00f3gico, para se tornar fisiol\u00f3gico, alimentado por ambi\u00e7\u00f5es pessoais alheias aos problemas das classes trabalhadoras.<\/p>\n<div class=\"yj6qo ajU\">\n<div id=\":o2\" class=\"ajR\" data-tooltip=\"Mostrar conte\u00fado cortado\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passou despercebido o centen\u00e1rio da greve paulista de 1917, deflagrada por trabalhadores t\u00eaxteis. O movimento teve in\u00edcio no dia 10 de junho na ind\u00fastria de tecidos Rodolfo Crespi, localizada no bairro do Br\u00e1s. Os oper\u00e1rios reivindicavam aumento salarial de 25%. 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