{"id":57913,"date":"2017-12-03T17:59:20","date_gmt":"2017-12-03T19:59:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=57913"},"modified":"2017-12-03T17:59:20","modified_gmt":"2017-12-03T19:59:20","slug":"a-virada-do-carvao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/a-virada-do-carvao\/","title":{"rendered":"A virada do carv\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">ELMAR BONES<\/span><br \/>\nN\u00e3o tiveram repercuss\u00e3o os calorosos aplausos que o governador Ivo Sartori arrancou de um seleto p\u00fablico que lotou o audit\u00f3rio Mercosul da Fiergs, esta semana. No entanto, havia ali uma manchete.<br \/>\nEram 120 convidados &#8211; prefeitos, empres\u00e1rios, representantes de investidores e fornecedores de tecnologia da Alemanha, Estados Unidos, Jap\u00e3o e China &#8211; reunidos num semin\u00e1rio sobre as perspectivas da economia do carv\u00e3o, no Rio Grande do Sul.<br \/>\n\u201cEstamos aqui criando um ponto de partida para um futuro diferente\u201d, discursou Sartori. Quando disse que a lei, que havia assinado pouco antes, \u00e9 prova de que faz um \u201cgoverno de parcerias\u201d, o p\u00fablico aplaudiu de p\u00e9.<br \/>\nA lei que Sartori sancionou naquela quarta-feira, na abertura do semin\u00e1rio na Fiergs, cria o Pr\u00f3 Carv\u00e3o um amplo programa de est\u00edmulos para formar dois polos carboqu\u00edmicos no Rio Grande do Sul.<br \/>\n\u00c9 uma lei que andou r\u00e1pido. Saiu do Pal\u00e1cio Piratini com data de 15 de setembro, tramitou trinta e nove dias. Na sess\u00e3o de 24 de outubro, estava aprovada, inclusive com votos da oposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSartori fez quest\u00e3o de esperar mais de um m\u00eas para sancion\u00e1-la perante aquele p\u00fablico seleto, na Fiergs.<br \/>\nO Rio Grande do Sul tem mais de 90% das jazidas de carv\u00e3o mineral do Brasil, que est\u00e1 entre os 15 pa\u00edses com as maiores reservas no mundo.<br \/>\nEstima-se que no subsolo da regi\u00e3o carbon\u00edfera no sudoeste ga\u00facho h\u00e1 uma energia enterrada equivalente a tr\u00eas vezes e meia o potencial de petr\u00f3leo no pr\u00e9-sal.<br \/>\nMas o carv\u00e3o \u00e9 um insumo marginal mesmo na economia ga\u00facha, praticamente banido dos projetos de desenvolvimento, acossado por um estigma ambiental secular. No Estado pioneiro do ambientalismo no pa\u00eds, o carv\u00e3o tem sido o vil\u00e3o n\u00famero um.<br \/>\nO desafio que Sartori abra\u00e7ou \u00e9 o de inverter essa equa\u00e7\u00e3o e colocar o carv\u00e3o como base de um grande ciclo de desenvolvimento sustent\u00e1vel, atrav\u00e9s da carboqu\u00edmica.<br \/>\nSartori disse que o governo faz estudos desde 2015, quando lan\u00e7ou o Plano Estadual de Energia. \u00c9 for\u00e7a de express\u00e3o.<br \/>\nA carboqu\u00edmica entrou nas prioridades do governo estadual este ano, depois que a Copelmi apresentou o projeto de uma planta para extrair g\u00e1s do carv\u00e3o e viabilizar um conjunto de ind\u00fastrias qu\u00edmicas, num complexo capaz de alavancar mais de quatro bilh\u00f5es de d\u00f3lares em investimentos.<br \/>\nFoi a partir da\u00ed que se materializou a viagem que o governo promoveu ao Jap\u00e3o e \u00e0 China, onde Sartori conheceu plantas e ind\u00fastrias semelhantes ao que se pretende fazer aqui.<br \/>\nA viagem consolidou a percep\u00e7\u00e3o do governador de que estava diante de uma grande oportunidade. Um polo carboqu\u00edmico significa a quebra de um tabu secular que envolve a explora\u00e7\u00e3o da grande riqueza mineral dos ga\u00fachos, o carv\u00e3o.<br \/>\nA Copelmi tem 120 anos de experi\u00eancia na minera\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o no Rio Grande do Sul. Tem concess\u00e3o para explorar reservas de 200 milh\u00f5es de toneladas do melhor carv\u00e3o encontrado no sub-solo ga\u00facho, na regi\u00e3o do baixo jacu\u00ed, a 60 quil\u00f4metros de Porto Alegre. Al\u00e9m de indice menor de cinzas, o carv\u00e3o do Jacu\u00ed pode ser minerado a c\u00e9u aberto.<br \/>\nDesde 2012, a empresa trabalha num projeto para o aproveitamento sustent\u00e1vel dessas jazidas, que as novas tecnologias tornaram vi\u00e1vel nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<br \/>\nEm vez de queimar o carv\u00e3o para gerar energia, enfrentando restri\u00e7\u00f5es ambientais cada vez maiores, extrair o g\u00e1s que pode tanto ser queimado, quanto transformado em mat\u00e9rias-primas de larga utiliza\u00e7\u00e3o, inclusive na petroqu\u00edmica.<br \/>\nJ\u00e1 com alguns parceiros internacionais acertados, a Copelmi agora tenta atrair investidores e fornecedores de tecnologia.<br \/>\nNa lei sancionada por Sartori est\u00e3o previstos dois complexos carboqu\u00edmicos.<br \/>\nO que est\u00e1 previsto no projeto da Copelmi j\u00e1 tem cronograma e trabalha com a perspectiva de dar in\u00edcio \u00e0s obras em dois anos.<br \/>\nO outro, junto a Candiota, chamado Complexo da Campanha, \u00e9 uma aposta no futuro, uma miragem por enquanto.<br \/>\nApoiada amplamente pelo empresariado, a pol\u00edtica de est\u00edmulo \u00e0\u00a0 carboqu\u00edmica tem voto inclusive de pol\u00edticos de oposi\u00e7\u00e3o, representantes da regi\u00e3o carbon\u00edfera, deprimida pela decad\u00eancia do carv\u00e3o e sem alternativa at\u00e9 agora.<br \/>\nN\u00e3o por acaso, os prefeitos dos munic\u00edpios onde est\u00e3o as reservas eram os mais entusiasmados a bater palmas para Sartori no semin\u00e1rio da Fiergs.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ELMAR BONES N\u00e3o tiveram repercuss\u00e3o os calorosos aplausos que o governador Ivo Sartori arrancou de um seleto p\u00fablico que lotou o audit\u00f3rio Mercosul da Fiergs, esta semana. 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