{"id":58336,"date":"2017-12-15T21:28:02","date_gmt":"2017-12-15T23:28:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=58336"},"modified":"2017-12-15T21:28:02","modified_gmt":"2017-12-15T23:28:02","slug":"os-pingentes-3-aprimorando-a-arte-das-panaceias-populares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/os-pingentes-3-aprimorando-a-arte-das-panaceias-populares\/","title":{"rendered":"Os pingentes 3 &#8211; Aprimorando a arte das panaceias populares"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span class=\"assina\">GERALDO HASSE<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cO que \u00e9 um peido pra quem est\u00e1 cagado?\u201d, murmurou o senador, enquanto vasculhava os bolsos em busca de um trocado. Ele gostava dos ditados populares, desses que numa frase sintetizam uma situa\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo simples e complexa.<\/p>\n<p>Por um momento, sentiu que faria bem para seu ego, seu id e seu superego ajudar aquela pobre criatura que se metera em sua frente com uma bra\u00e7ada de alvos panos de cozinha.<br \/>\nNos quatro bolsos das cal\u00e7as e nos quatro bolsos no palet\u00f3, o bem votado n\u00e3o encontrou o que procurava.<br \/>\nInfelizmente para a pobre vendedora-pidona, ele s\u00f3 tinha notas gra\u00fadas, al\u00e9m dos cart\u00f5es de cr\u00e9dito. O que fazer?<br \/>\nDar-lhe uma nota de 50 pegaria mal. De 100, nem pensar.<br \/>\n\u201cCompra pra me ajudar, Doutor\u201d, exclamou a mocinha, j\u00e1 pressentindo o N\u00c3O.<br \/>\nSeis panos por 10 reais: uma das maiores pechinchas do Brasil contempor\u00e2neo.<br \/>\nDesde o final do s\u00e9culo XX proliferam nas ruas os vendedores dessa utilidade dom\u00e9stica.<br \/>\nDas elei\u00e7\u00f5es de 2014 para c\u00e1, vender panos de cozinha se tornou uma sugest\u00e3o metaf\u00f3rica para o pa\u00eds, como se esses humildes ambulantes estivessem a propor uma limpeza geral.<br \/>\n\u201cMinha querida\u201d, disse o senador, \u201cinfelizmente n\u00e3o tenho trocado\u201d.<br \/>\n\u201cEnt\u00e3o me d\u00e1 uma moeda, pelo amor de Deus&#8230;\u201d<br \/>\nPenalizado, o pol\u00edtico olhou para um dos seguran\u00e7as que lhe abria a porta do carro e mandou:<br \/>\n\u201cCara, ajuda a\u00ed a mocinha que depois a gente acerta&#8230;\u201d<br \/>\n\u201cDot\u00f4, tamb\u00e9m t\u00f4 desprevenido&#8230;\u201d, miou o h\u00e9rcules.<br \/>\nEnt\u00e3o, virando-se para a vendedora de panos, o senador disse:<br \/>\n\u201cMo\u00e7a, infelizmente, n\u00e3o podemos ajudar. Fica para a pr\u00f3xima, est\u00e1 bem?\u201d<br \/>\n\u201cDesculpe, Doutor\u201d, falou a mo\u00e7a. \u201cN\u00e3o vai ter pr\u00f3xima vez. Nem pra mim, nem pro senhor.\u201d<br \/>\nPor essa fala o senador poderia ver o quanto est\u00e1 sujo no conceito popular mas tudo indica que ele perdeu a capacidade de se autoavaliar.<br \/>\nFechada a porta do carro oficial, a imagem do pol\u00edtico desapareceu atr\u00e1s dos vidros fum\u00ea.<br \/>\n<strong><em>LEMBRETE DE OCASI\u00c3O<\/em><\/strong><br \/>\n\u201cMais cedo ou mais tarde todo pol\u00edtico corresponde aos que n\u00e3o confiam nele\u201d<br \/>\nMill\u00f4r Fernandes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GERALDO HASSE \u201cO que \u00e9 um peido pra quem est\u00e1 cagado?\u201d, murmurou o senador, enquanto vasculhava os bolsos em busca de um trocado. Ele gostava dos ditados populares, desses que numa frase sintetizam uma situa\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo simples e complexa. 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