{"id":62603,"date":"2018-05-26T22:30:47","date_gmt":"2018-05-27T01:30:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=62603"},"modified":"2018-05-26T22:30:47","modified_gmt":"2018-05-27T01:30:47","slug":"jornalismo-passivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/jornalismo-passivo\/","title":{"rendered":"Jornalismo passivo"},"content":{"rendered":"<p>Chamo de jornalismo passivo esse que se pratica nas nossas grandes reda\u00e7\u00f5es, sujeito a uma pauta que vem de fora para dentro.<br \/>\nS\u00e3o os atos oficiais, as leis, os decretos, os lan\u00e7amentos, s\u00e3o os aumentos, os indicadores, as inaugura\u00e7\u00f5es, os eventos, as promo\u00e7\u00f5es, os projetos, as entrevistas coletivas.<br \/>\n\u00c9 inevit\u00e1vel, intr\u00ednseco ao jornalismo de massa difundido pelos grandes canais de comunica\u00e7\u00e3o. E, sem d\u00favida,\u00a0 essas fontes trazem uma informa\u00e7\u00e3o relevante, que merece a aten\u00e7\u00e3o que recebe.<br \/>\nO problema \u00e9 que esses fatos programados acabam ocupando 90% ou mais da<br \/>\ncobertura.<br \/>\nUma vez fiz um levantamento na Gazeta Mercantil, que era um jornal criterioso e tinha<br \/>\numa reportagem bastante ativa. Nenhum <em>press release<\/em> era publicado sem que se falasse com o emissor, para checar todas as informa\u00e7\u00f5es e esclarecer alguns pontos, o que muitas vezes rendia belas mat\u00e9rias.<br \/>\nMas mesmo na velha GZM era um desafio chegar a 30% de pautas que n\u00e3o viessem de agentes externos, atos oficias ou gente interessada em divulgar a sua informa\u00e7\u00e3o, vender o seu peixe.<br \/>\n\u00c9 leg\u00edtima essa press\u00e3o, e a imprensa existe tamb\u00e9m para isso, mas ela deveria ser equilibrada internamente, com as pautas de quem n\u00e3o tem assessoria, n\u00e3o organiza eventos, nem assina decretos, mas \u00e9 o verdadeiro sentido do jornalismo: a cidadania.<br \/>\nO jornalismo passivo \u00e9 c\u00f4modo e vantajoso. O espa\u00e7o na m\u00eddia concentrada \u00e9 disputado, \u00e9 s\u00f3 selecionar as informa\u00e7\u00f5es relevantes, a margem de erro \u00e9 quase zero, n\u00e3o gera atrito com ningu\u00e9m e, importante nesses tempos de crise, economiza m\u00e3o de obra.<br \/>\nMas tem um efeito colateral daninho: torna-se um jornalismo oficioso, acomodado, que se vale do bom tr\u00e2nsito com a autoridade.<br \/>\nA\u00ed acontece uma &#8220;greve de caminhoneiros&#8221;.<br \/>\nH\u00e1 um m\u00eas ela foi anunciada ao governo. Como o governo n\u00e3o divulgou os of\u00edcios que recebeu das associa\u00e7\u00f5es dos caminhoneiros, a manchete n\u00e3o foi not\u00edcia.<br \/>\nO v\u00eddeo que mostra como uma greve de caminh\u00f5es pode paralisar o pa\u00eds em cinco dias, s\u00f3 foi divulgado nesta s\u00e1bado, sexto dia da greve. A federa\u00e7\u00e3o que o produziu diz que ele \u00e9 do ano passado.<br \/>\nNo sexto dia da greve, com o pa\u00eds mergulhado na crise, pouco se sabe das reais motiva\u00e7\u00f5es e dos agentes desse movimento.<br \/>\nO jornalismo passivo deveria pedir desculpas ao pa\u00eds pelos preju\u00edzos da desinforma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<div class=\"yj6qo\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chamo de jornalismo passivo esse que se pratica nas nossas grandes reda\u00e7\u00f5es, sujeito a uma pauta que vem de fora para dentro. 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