{"id":79941,"date":"2019-12-12T15:20:54","date_gmt":"2019-12-12T18:20:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=79941"},"modified":"2019-12-12T15:20:54","modified_gmt":"2019-12-12T18:20:54","slug":"jose-antonio-severo-a-danca-das-cadeiras-no-prata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/jose-antonio-severo-a-danca-das-cadeiras-no-prata\/","title":{"rendered":"JOS\u00c9 ANTONIO SEVERO\/A dan\u00e7a das cadeiras no Prata"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Jos\u00e9 Antonio Severo<\/span><br \/>\nO presidente Alberto Fern\u00e1ndez e o vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o botaram o balde de \u00e1gua fria na fervura da crise Argentina\/Brasil, arrefecendo o arranca-rabo verbal entre o brasileiro Jair Bolsonaro e o novo governo portenho, que tomou posse nesta semana em Buenos Aires. Essa solu\u00e7\u00e3o lembra, com pap\u00e9is trocados entre os atores, revivendo a pacifica\u00e7\u00e3o de 1910, quando os dois pa\u00edses quase foram \u00e0 guerra por causa da mesma desfeita: O Brasil n\u00e3o mandou representantes \u00e0 festa do primeiro centen\u00e1rio da independ\u00eancia das ent\u00e3o Prov\u00edncias Unidas del R\u00edo de La Plata, futura (1860) Rep\u00fablica Argentina. Vamos refrescar a mem\u00f3ria hist\u00f3rica.<br \/>\nO atual epis\u00f3dio aparentemente se extinguiu quando o presidente Maur\u00edcio Macri, com sua proverbial eleg\u00e2ncia bonaerense, conseguiu botar panos quentes para evitar que seu sucessor Alberto Fern\u00e1ndez ficasse exposto a algum constrangimento logo no in\u00edcio do mandato, aceitando antecipar a 55 \u00aa Reuni\u00e3o de C\u00fapula do Mercosul, realizada em Bento Gon\u00e7alves (RS). Assim, deu mais tempo para seu amigo Jair Bolsonaro se acomodar na situa\u00e7\u00e3o \u201cpragm\u00e1tica\u201d, sem precisar se retratar. Dar tempo ao tempo, \u00e9 a regra.<br \/>\nCom isto, Brasil e Argentina fizeram, ter\u00e7a feira, um afago no lugar de disparar improp\u00e9rios. Mas as tens\u00f5es n\u00e3o se resumem aos arrufos entre os dois mandat\u00e1rios. Tamb\u00e9m o Uruguai, vendo seus vizinhos tra\u00e7ando riscas no ch\u00e3o, amoleceu, mandando como chefe da delega\u00e7\u00e3o a vice-presidente Lucia Topolansky, igualmente nos \u00faltimos dias de seu mandato. Com isto, o presidente brasileiro, que estava deixando a presid\u00eancia pr\u00f3 tempore do Mercosul, passou o martelo (como disse Bolsonaro, referindo-se ao bast\u00e3o de comando) para seu sucessor pelos pr\u00f3ximos seis meses, o tamb\u00e9m estreante presidente do Paraguai, Marco Abdo Ben\u00edtez.<br \/>\n<strong>Pausa na velha pol\u00eamica<\/strong><br \/>\nA manobra n\u00e3o desanuviou inteiramente o cen\u00e1rio pol\u00edtico das duas maiores economias da sub-regi\u00e3o. As rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre os dois pa\u00edses v\u00eam se atritando desde a elei\u00e7\u00e3o do candidato peronista, podendo, rapidamente, contaminar o interc\u00e2mbio comercial e minar irremediavelmente o bloco regional, o Mercosul, que j\u00e1 vem mal das pernas. Foi prudente o chefe do governo argentino, contribuindo para adiar a peleja.<br \/>\nO sinal de alerta foi dado pelo deputado nacional(federal) argentino Ricardo Alfons\u00edn, do Partido Uni\u00e3o C\u00edvica Radical, advertindo que pode ir por terra a delicada costura realizada por seu pai, o ex-presidente Ra\u00fal Alfons\u00edn (1983\/89) e o brasileiro Jos\u00e9 Sarney. Os dois deram por finda uma rivalidade estratificada de s\u00e9culos, criando o Mercosul.<br \/>\n\u00c9 verdade que as rela\u00e7\u00f5es do mundo lusitano com os hisp\u00e2nicos platinos nunca foram muito tranquilas. Sarney e Alfons\u00edn conseguiram aplainar arestas, o que foi mantido por seus sucessores, Collor, Fernando Henrique, Lula e Dilma. No s\u00e9culo passado houve momentos dram\u00e1ticos, \u00e0 beira do conflito.<br \/>\n<strong>Artigo abriu os olhos<\/strong><br \/>\nUm artigo de jornal abriu os olhos nos dois pa\u00edses. Neste sentido, vale transcrever trechos de um artigo publicado no jornal Clar\u00edn, o maior em circula\u00e7\u00e3o na Argentina, pelo historiador Rosendo Fraga, relembrando os momentos de maior tens\u00e3o entre os dois pa\u00edses no S\u00e9culo XX. Fraga \u00e9 um cientista pol\u00edtico e diplomata, que serviu com o mais famoso embaixador argentino no Brasil, Oscar Camillon, depois chanceler de seu pa\u00eds. \u00c9 um especialista respeitad\u00edssimo.<br \/>\nEscreve Rosendo (em tradu\u00e7\u00e3o livre): \u201cOs atuais embates entre Alberto Fern\u00e1ndez e Jair Bolsonaro refletem uma dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o no v\u00ednculo bilateral. Mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Houve outro muito mais dif\u00edcil\u201d, diz o historiador.<br \/>\nContinua: \u201cde fato, o momento mais dif\u00edcil das rela\u00e7\u00f5es entre Brasil e Argentina no S\u00e9culo passado ocorreu na primeira d\u00e9cada, concretamente entre 1906 e 1910\u201d.<br \/>\nFraga adverte que a grande crise se iniciou com um incidente menor, em 1906, insignificante, que descambou para a insensatez e quase levou os dois pa\u00edses \u00e0s vias de fato.<br \/>\nCome\u00e7ou numa a\u00e7\u00e3o desastrada da guarda costeira portenha, envolvendo um navio de bandeira uruguaia que navegava numa \u00e1rea proibida do Rio da Prata, disputada na demarca\u00e7\u00e3o de limites entre Argentina e Uruguai. O bate-boca entre Montevid\u00e9u e Buenos Aires foi escalando, at\u00e9 que o Uruguai, o c\u00e9lebre algod\u00e3o entre os cristais, \u201csentindo-se amea\u00e7ado por um vizinho maior\u2013 conta Rosendo \u2013 aproximou-se do outro, no caso o Brasil. Tratava-se do jogo pendular que pa\u00edses como Bol\u00edvia, Paraguai e Uruguai, que t\u00eam fronteiras com os pa\u00edses de maiores dimens\u00f5es, fazem o jogo buscando certo equil\u00edbrio de poder conveniente a seus interesses\u201d. A\u00ed a confus\u00e3o dos platinos chega ao Rio de Janeiro.<br \/>\n<strong>A Primeira Li\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nVamos acompanhar mais um trecho da narrativa de Rosendo Fraga: \u201cneste caso (do barco uruguaio) a crise foi mais longe do que o previsto. Esta \u00e9 a primeira li\u00e7\u00e3o que deixa este conflito: as crises podem escalar por erro de c\u00e1lculo\u201d.<br \/>\nEsta hist\u00f3ria \u00e9 uma boa advert\u00eancia ao Itamaraty, atualmente conduzido por um diplomata de carreira ainda pouco experiente, sem grande experi\u00eancia nas \u00e1reas de conflito. Est\u00e1 mais habituado aos embates ret\u00f3ricos. Entretanto, como conta Rosendo Fraga, a quest\u00f5es pode evoluir das bocas-rotas para a boca de um cano de canh\u00e3o. A\u00ed, literalmente, esquenta.<br \/>\nA recusa do presidente Bolsonaro de comparecer \u00e0 posse do novo presidente da Argentina lembra o incidente do in\u00edcio do s\u00e9culo passado.<br \/>\n\u201cA deteriora\u00e7\u00e3o do relacionamento para valer come\u00e7ou quando ao se comemorar na Argentina o primeiro centen\u00e1rio (da independ\u00eancia da Espanha), n\u00e3o compareceu nenhuma delega\u00e7\u00e3o brasileira\u201d.<br \/>\nIsto causou grande desconforto em Buenos Aires. Na posse de Fern\u00e1ndez, o governo Bolsonaro seria representado pelo ministro Osmar Terra, da Cidadania. A escolha do delegado brasileiro justificava-se porque o ministro foi prefeito de Santa Rosa, \u00e0s margens do Rio Uruguai, fronteira entre os dois pa\u00edses e terra de Xuxa Meneghel, que at\u00e9 hoje \u00e9 a artista brasileira mais popular nos pampas argentinos. Esperava-se que isto baste para contornar o car\u00e3o. Entretanto, na \u00faltima hora o presidente brasileiro desfez a delega\u00e7\u00e3o e disse que n\u00e3o iria ningu\u00e9m na festa castelhana. A fervura voltou a subir. Tal qual em 1910. Voltemos \u00e0 narrativa de Rosendo.<br \/>\nNaqueles tempos, a m\u00eddia argentina abriu a boca e considerou um desaforo que o Brasil n\u00e3o mandasse ningu\u00e9m \u00e0 grande comemora\u00e7\u00e3o. \u201cAo mesmo tempo \u2013 escreve Rosendo \u2013 os dois pa\u00edses haviam embarcado numa car\u00edssima corrida armamentista, que tinha como ponto mais importante a compra de dois navios encoura\u00e7ados\u201d. Estas eram as armas estrat\u00e9gicas mais poderosas daqueles tempos. Cada qual encomendara tr\u00eas embarca\u00e7\u00f5es de grande porte, o Brasil na Inglaterra, a Argentina nos Estados Unidos.<br \/>\n<strong>Segunda Li\u00e7\u00e3o: vaidades e rancores<\/strong><br \/>\nConta Rosendo Fraga: \u201cNeste conflito, tinham papel importante as personalidades: no Brasil, comandava as rela\u00e7\u00f5es exteriores o bar\u00e3o do Rio Branco, chanceler entre 1902 e 1912 \u2013 quando morre \u2013 com quatro presidentes sucessivos. Do outro lado, o presidente argentino Jos\u00e9 Figueroa Alcorta \u2013 sem experi\u00eancia internacional, escolheu Estanislao Zeballos, uma s\u00f3lida personalidade na pol\u00edtica, no direito, no jornalismo e nas letras, como seu chanceler. Era um grande erudito nas quest\u00f5es de limites em nosso Pa\u00eds (Argentina)\u201d, conta Rosendo.<br \/>\nContinua o narrador: \u201cParecia o homem certo. Mas ao come\u00e7ar a \u00faltima d\u00e9cada do S\u00e9culo XIX, Zeballos e Rio Branco haviam sido os peritos designados por seus respectivos pa\u00edses para defender suas posi\u00e7\u00f5es na arbitragem do presidente (Stephen Grover) Cleveland dos Estados Unidos, que deveria pronunciar-se sobre a quem pertencia o territ\u00f3rio das Miss\u00f5es, cont\u00edguo \u00e0 prov\u00edncia argentina que leva seu nome. No Brasil abrangia grande parte de Santa Catarina e um peda\u00e7o do Paran\u00e1. (Essa terra sem dono produziu, depois o conflito do Contestado).<br \/>\nO brasileiro Rio Branco havia chegado a esse encontro, preparando-se durante muitos anos nas quest\u00f5es de limites. O argentino n\u00e3o percebeu, pois acreditava ter pela frente um opaco c\u00f4nsul de seu pa\u00eds em Liverpool.<br \/>\nLedo engano. Rio Branco aproveitara o tempo na Inglaterra, para estudar, pesquisar e escrever importantes livros sobre a hist\u00f3ria e a geografia de seu pa\u00eds. O argentino, por seu lado, chegava muito seguro, com fama e prest\u00edgio. Mas o bar\u00e3o terminou sendo mais eficaz e convincente e a senten\u00e7a de Cleveland favoreceu os interesses do Brasil\u201d.<br \/>\nNesse ponto, um lembrete ao jovem chanceler Ernesto Ara\u00fajo.\u00a0\u00a0Rosendo demonstra como as idiossincrasias podem colocar em grande risco as rela\u00e7\u00f5es internacionais.<br \/>\nRosendo recorda a derrota do figur\u00e3o argentino ante o ainda desconhecido, mas j\u00e1 experiente e bem preparado Rio Branco: \u201cIsto gerou em Zeballos um rancor, que ao assumir o Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, tendo quem o havia derrotado como novo antagonista, fez o conflito escalar desnecessariamente. O argentino queria sua revanche\u201d, escreve Rosendo, advertindo: \u201cAqui aparece uma segunda li\u00e7\u00e3o: personalidade e os rancores podem escalar os conflitos desnecessariamente. Podem levar a se perder a perspectiva e tomar atitudes arriscadas e imprudentes\u201d.<br \/>\nRosendo relembra o que foi o Bar\u00e3o do Rio Branco no Brasil daqueles tempos, continuando no cargo ao longo de v\u00e1rios governos. Ent\u00e3o n\u00e3o era mais o jovem c\u00f4nsul dos tempos da arbitragem de Cleveland. Era um gigante diplom\u00e1tico.<br \/>\n<strong>Golpe de Mestre<\/strong><br \/>\n\u201cO chanceler brasileiro era um poder permanente em seu pa\u00eds. J\u00e1 no \u00b4primeiro ano no cargo (1902), trocava cartas regularmente com o presidente argentino, general J\u00falio A. Roca, que nesse momento exercia sua segunda presid\u00eancia (. Por esta raz\u00e3o quando escala o conflito e Roca se preparava para regressar de uma prolongada viagem \u00e0 Europa, ap\u00f3s finalizar seu segundo governo, em 1904, recebe a sugest\u00e3o do chanceler brasileiro para desembarcar em algum ponto do Brasil. Roca era um advers\u00e1rio pol\u00edtico de seu sucessor ( Alcina), mas todavia controlava o Senado e os governos de v\u00e1rias prov\u00edncias. A intens\u00e3o (de Rio Branco) era demonstrar \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica brasileira que haveria quem (na Argentina) n\u00e3o acompanhasse \u00e0 r\u00edgida postura de Zeballos\u201d.<br \/>\nA manobra teve grande \u00eaxito: \u201cEscolheu-se o porto de Santos para a escala (do navio\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0que levava o ex-presidente argentino) e ali foi recebido pelo bar\u00e3o, junto com o ex-presidente Campos Salles, que entre 1899 e 1900 havia trocado visitas com o general Roca. O encontro n\u00e3o resolveu o conflito, mas distendeu.<br \/>\nAo mesmo tempo, n\u00e3o obstante a aus\u00eancia brasileira nas festas do Centen\u00e1rio (da independ\u00eancia da Argentina), Rio Branco realiza um segundo movimento. \u00c9 eleito presidente o embaixador argentino na It\u00e1lia, Roque S\u00e1enz Pe\u00f1a. Sempre atento \u00e0s oportunidades, o bar\u00e3o sugere (ao novo presidente) que poderia ser conveniente, dada a deteriora\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es bilaterais, que em seu regresso passasse pelo Rio de Janeiro. E assim se faz. O presidente eleito re\u00fane-se com o brasileiro (o rec\u00e9m empossado marechal Hermes da Fonseca) e com seu chanceler. Acertam que uma vez em Buenos Aires, S\u00e1enz Pe\u00f1a enviar\u00e1 uma pessoa de sua confian\u00e7a para iniciar uma negocia\u00e7\u00e3o e chegar a um acordo. J\u00e1 na capital argentina, o novo presidente escolhe para a delicada miss\u00e3o ao deputado nacional (federal) Ram\u00f3n J. C\u00e1rcano, que ser\u00e1 um importante embaixador argentino no Brasil nos anos 1930\u201d.<br \/>\nO novo embaixador (ainda antes da posse) \u00e9 recebido no Rio com todas as honras, recorda Rosendo Fraga: \u201cChega ao Rio de Janeiro, atendendo a um convite intermediado pelo bar\u00e3o, para fazer uma confer\u00eancia no Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Rio de Janeiro sobre a hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses. Trazia, tamb\u00e9m, a proposta para que os dois pa\u00edses concordem e anunciem a suspens\u00e3o do terceiro encoura\u00e7ado que haviam encomendado. O Bar\u00e3o n\u00e3o concorda. Diz que n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Ter\u00e1 de convencer o presidente. Combinam um c\u00f3digo telegr\u00e1fico para informar do \u00eaxito da gest\u00e3o. De volta a Buenos Aires, C\u00e1rcano informa ao presidente sobre as conversa\u00e7\u00f5es. Em poucos dias chega a resposta positiva. O acordo \u00e9 anunciado. Ao suspender a constru\u00e7\u00e3o dos terceiros encoura\u00e7ados, os pa\u00edses davam por finda a corrida armamentista, que consumia recursos e aumentava os desconfortos e preven\u00e7\u00f5es.<br \/>\n(No final, os dois pa\u00edses ficaram com dois encoura\u00e7ados cada um: No Brasil foram batizados como Minas Gerais e S\u00e3o Paulo. O terceiro seria o Rio de Janeiro; na Argentina foram denominados Rivadavia e o Moreno, nomes de her\u00f3is da independ\u00eancia).<br \/>\n<strong>Terceira Li\u00e7\u00e3o, diplomacia<\/strong><br \/>\nConclui o historiador argentino: \u201cAqui aparece a terceira li\u00e7\u00e3o: Uma boa diplomacia \u2013 neste caso exercida por um chanceler de um lado e dois presidentes sucessivos do outro \u2013 podem conter e inclusive superar conflitos. Estas li\u00e7\u00f5es do passado podem ser uteis quando Argentina e Brasil atravessam um momento delicado em sua rela\u00e7\u00e3o bilateral\u201d.<br \/>\nNa posse do novo governo argentino, com a a\u00e7\u00e3o decidida do vice-presidente brasileiro, convencendo Bolsonaro a lhe dar a miss\u00e3o, os papeis se inverteram. O cordato Alberto Fern\u00e1ndez fez o papel do presidente brasileiro, o ga\u00facho Hermes da Fonseca (S\u00e3o Gabriel) baixou o tom de seu discurso, Mour\u00e3o fez os rapap\u00e9s, e os assim Bolsonaro, no lugar do estridente Alcina, baixou abola, e ministro do Exterior Ernesto Ara\u00fajo teve de engolir suas diatribes anti-peronistas. OU seja, pela segunda vez esses dois porto-alegrenses se encontraram na arena diplom\u00e1tica, Mour\u00e3o e Ernesto. A primeira foi em Bogot\u00e1, quando o vice-presidente brasileiro desconversou a invas\u00e3o da Venezuela, e acabou com a guerra de Ara\u00fajo. Agora uma vez mais o general cont\u00e9m o belicoso diplomata profissional. Quantos ga\u00fachos nesses imbr\u00f3glios: Mour\u00e3o, Enresto Ara\u00fajo e Osmar Terra. Tinha tudo para dar nova briga com os castelhanos. Mas a\u00ed enterram os homens do dinheiro e influ\u00edram para que seus presidentes dessem uma meia trava. Segundo fontes, foi a Fiesp que deu a prensa decisiva em Bolsonaro, que ouviu e acatou Mour\u00e3o, do grupo dos generais (Villas-Boas, de Cruz Alta e Santos Cruz \u2013 j\u00e1 defenestrado, mas influente \u2013 de Rio Grande). Desce o pano do primeiro ato.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Antonio Severo O presidente Alberto Fern\u00e1ndez e o vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o botaram o balde de \u00e1gua fria na fervura da crise Argentina\/Brasil, arrefecendo o arranca-rabo verbal entre o brasileiro Jair Bolsonaro e o novo governo portenho, que tomou posse nesta semana em Buenos Aires. 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