{"id":82604,"date":"2020-07-02T18:26:03","date_gmt":"2020-07-02T21:26:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/analise\/?p=82604"},"modified":"2020-07-02T18:26:03","modified_gmt":"2020-07-02T21:26:03","slug":"luiz-olynto-telles-da-silva-do-caos-a-desordem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/luiz-olynto-telles-da-silva-do-caos-a-desordem\/","title":{"rendered":"LUIZ-OLYNTO TELLES DA SILVA\/Do Caos \u00e0 Desordem"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luiz-Olyntho Telles da Silva<\/strong><\/p>\n<p>Uma vez um Dalai-lama disse s\u00f3 haver dois dias no ano em que n\u00e3o se pode fazer nada. Um se chama ontem e o outro amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Uma premissa ret\u00f3rica para dizer da import\u00e2ncia do dia de hoje para crescer, amar, fazer e, principalmente, viver. \u00c9 assim. Mas temos de lembrar que uma das coisas importantes a fazer no hoje \u00e9 historiar o ontem e planejar o amanh\u00e3.<\/p>\n<p>A grande mensagem desse l\u00edder espiritual \u00e9 destacar a import\u00e2ncia destes tr\u00eas momentos, o passado, o presente e o futuro. E o interessante \u00e9 que essas palavras n\u00e3o s\u00e3o atribu\u00eddas nem a Gedum Truppa, nem a Tenzin Gyatso, quer dizer, nem ao primeiro nem ao \u00faltimo Dalai-lama.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o soa como uma simples emana\u00e7\u00e3o da sabedoria oce\u00e2nica de sua posi\u00e7\u00e3o, a qual consiste, antes de tudo, em p\u00f4r ordem nas coisas.<\/p>\n<p>Pela busca da ordem come\u00e7a tamb\u00e9m o G\u00eanese. Primeiro separou o c\u00e9u da terra, depois a luz das trevas, as \u00e1guas acima do firmamento das \u00e1guas abaixo do firmamento, os mares dos continentes e, com todas essas realiza\u00e7\u00f5es, o Criador estava muito empolgado.<\/p>\n<p>No dia seguinte, fez um pomar, com todas as frutas, e crescia sua empolga\u00e7\u00e3o. Mais um dia e fez aparecer as estrelas, o sol e a lua, para iluminar o dia e a noite, sempre contente.<\/p>\n<p>No quinto dia fez os peixes e as aves, e no dia seguinte os animais e o homem, sendo este \u00faltimo \u2013 j\u00e1 pleno de j\u00fabilo, como uma esp\u00e9cie de assinatura, para garantir sua autoria \u2013, feito \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a.<\/p>\n<p>Enfim, estava pronto! E tomou todo o s\u00e9timo dia para descansar. O descanso, contudo, n\u00e3o estava na frase do Dalai-lama e minha m\u00e3e, muito pr\u00e1tica, justificava dizendo que se descansa de uma coisa fazendo outra. Thomas Hobbes, por exemplo, como quem puxa as brasas para sua sardinha, preferia pensar no \u00f3cio como sendo a m\u00e3e da filosofia.<\/p>\n<p>Seja por isto, ou por aquilo, a quest\u00e3o \u00e9 que a felicidade do Criador, depois de ter parado para descansar, e pensar, j\u00e1 n\u00e3o foi a mesma, a completude estava perdida. Suas reflex\u00f5es levaram-no a perceber que algo n\u00e3o estava bem.<\/p>\n<p>Quer dizer, ao olhar para tr\u00e1s, para o que tinha feito no ontem, historiando-se pela primeira vez, pensou que, para o futuro, seria melhor que o homem tivesse uma auxiliar que lhe correspondesse.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que, provavelmente no primeiro flashback da literatura universal, o narrador volta no tempo para dizer como tinham sido feitos os animais e conduzidos ao homem para serem nomeados; mas, como em nenhuma dessas feras encontrou a tal da auxiliar que lhe correspondesse, isto \u00e9, aquela com quem, de forma conjunta, pudesse responder \u00e0s emerg\u00eancias da vida, o Criador fez cair um torpor sobre o homem, que dormiu e, ao sonhar, forneceu um modelo a partir do qual sua companheira foi feita.<\/p>\n<p>Depois de pronta, o Grande Arquiteto, vendo-a pelos olhos de Ad\u00e3o, por certo sorriu, com aquele ar de satisfa\u00e7\u00e3o, e l\u00e1 com seus bot\u00f5es pensou: &#8211; Este, sem sua hist\u00f3ria, nunca ter\u00e1 futuro!<\/p>\n<p>Cerca de mil anos depois desse primeiro livro do Pentateuco, o evangelista Jo\u00e3o, com os recursos cr\u00edticos de sua \u00e9poca, tendo percebido a cria\u00e7\u00e3o do mundo como efeito de discurso, como efeito do Fiat, e convencido de ter feito uma descoberta importante, j\u00e1 n\u00e3o teve d\u00favidas em afirmar que no princ\u00edpio era o verbo. Foi seu modo de p\u00f4r um pouco mais de ordem na narrativa.<\/p>\n<p>Todo o trabalho da cultura, no final das contas, \u00e9 uma tentativa de colocar ordem no caos cotidiano. Cada vez que um historiador reescreve a hist\u00f3ria, ele o faz a partir de dados encontrados no seu pr\u00f3prio tempo, na sua contemporaneidade. Quando n\u00e3o h\u00e1 dados dispon\u00edveis para saber da hist\u00f3ria, inventam-se mitos.<\/p>\n<p>Assim que, quando Hes\u00edodo, por exemplo, nos diz que no come\u00e7o do mundo havia o Caos, precisamos fazer um esfor\u00e7o para lembrar que ele n\u00e3o \u00e9 um rep\u00f3rter, que ele n\u00e3o \u00e9 uma testemunha ocular da hist\u00f3ria: ele n\u00e3o estava l\u00e1. Ali\u00e1s, no decantado come\u00e7o, n\u00e3o estava ningu\u00e9m que pudesse vir mussitar esse segredo.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7amos um pouco de Hes\u00edodo. \u00c9 um poeta que faz poiesis, que cria a partir do que lhe inspiram as Musas helic\u00f4nias, quer dizer, cria a partir do que est\u00e1 no seu cotidiano.<\/p>\n<p>Vale dizer que no cotidiano de Hes\u00edodo estava o Caos \u2013 e tamb\u00e9m as Musas; necessariamente, tinham que estar porque, se n\u00e3o, como poderia Hes\u00edodo falar deles? E com tal inspira\u00e7\u00e3o? E o que era para ele esse Caos?<\/p>\n<p>Posso pensar em algo parecido com a minha mesa de trabalho, no in\u00edcio de cada novo texto, mas por certo n\u00e3o seria apenas algo t\u00e3o superficial. O que move um poeta precisa passar por suas entranhas, causando-lhe aquela sensa\u00e7\u00e3o de vazio, de escuro, a partir do qual se pode inventar todo um mundo.<\/p>\n<p>Sabemos que Hes\u00edodo nasceu na antiga Ascra, na Be\u00f3cia, bem pr\u00f3ximo ao golfo de Corinto. Na \u00e9poca de seu nascimento, seus pais haviam mudado recentemente para a\u00ed, vindos de Kain\u00e9, na E\u00f3lia, do outro lado do mar Egeu e por tr\u00e1s da ilha de Lesbos.<\/p>\n<p>Parecia-lhes que nesse lugar estariam melhor e, na verdade, tudo indica que nele tenham prosperado, pois mais tarde o poeta teve muitas disputas com seu irm\u00e3o Perses, por causa da divis\u00e3o das terras e dos bens herdados.<\/p>\n<p>Suponho que essa seja uma maneira de dizer que o caos renova-se a cada dia. Na minha mesa de trabalho, pelo menos, \u00e9 assim. De modo que Hes\u00edodo nasceu a\u00ed, junto ao monte H\u00e9licon \u2013 onde diz viverem as Musas inspiradoras.<\/p>\n<p>J\u00e1 velho, conta-se, foi assassinado. Mesmo tendo sido criado em um ambiente agr\u00edcola, ele abandonou a agricultura para dedicar-se \u00e0 poesia, provavelmente devido \u00e0s disputas com o irm\u00e3o, julgando que este teria sido beneficiado na divis\u00e3o das terras.<\/p>\n<p>De certo modo, \u00e9 como se ele tivesse aprendido com Caim e Abel que, quando um irm\u00e3o se dedica a alguma coisa, no caso do irm\u00e3o de Hes\u00edodo \u00e0 agricultura, o melhor que o outro tem a fazer \u00e9 dedicar-se a outra atividade.<\/p>\n<p>Caim, a prop\u00f3sito, tamb\u00e9m estava ocupado com a organiza\u00e7\u00e3o de seu caos; para garantir seu futuro, queria ser amado por Deus e, para isso, em suas obla\u00e7\u00f5es, oferecia em sacrif\u00edcio uma amostra de sua messe. Mas o cheiro que alcan\u00e7ava as narinas de Zeus era de palha queimada, quer dizer, nada arom\u00e1tico, ainda mais, perto do perfume das oferendas de seu irm\u00e3o, criador de gado. E comparar o odor da palha carbonizada ao aroma da carne assada? N\u00e3o d\u00e1! Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil organizar nosso caos.<\/p>\n<p>Para Hes\u00edodo, dedicar-se \u00e0 poesia, honrando os deuses imortais com sua genealogia e ocupando-se da organiza\u00e7\u00e3o do mundo dos mortais, desde sua origem, limita\u00e7\u00f5es e deveres, parece ter sido a sua maneira de encontrar seu pr\u00f3prio caminho, seu pr\u00f3prio dom\u00ednio, buscando assim colocar ordem nos seus sentimentos fraternos transformados em um caos pelas desaven\u00e7as. Em todo o caso, longe de casa, n\u00e3o consegue come\u00e7ar um poema sem antes invocar as Mousai de sua inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade tamb\u00e9m que dizer Caos, hoje, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o mesmo que no s\u00e9culo VIII (ou VII) a.C., \u00e9poca em que Hes\u00edodo viveu; se, para ele, o Caos era apenas uma desordem pass\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o, uma desordem capaz de comportar uma organiza\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o esta, quem sabe, j\u00e1 compreendida no pr\u00f3prio Caos, a cultura de nossa \u00e9poca, quando se come\u00e7a a investigar as leis da desordem, e tendo alcan\u00e7ado a segunda lei da termodin\u00e2mica, confirma-nos a previs\u00e3o aristot\u00e9lica de \u00a0que a desordem parece ser o destino de tudo que nasce. Da\u00ed a busca da ordem cotidiana ser uma luta que n\u00e3o parece ter fim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz-Olyntho Telles da Silva Uma vez um Dalai-lama disse s\u00f3 haver dois dias no ano em que n\u00e3o se pode fazer nada. Um se chama ontem e o outro amanh\u00e3. Uma premissa ret\u00f3rica para dizer da import\u00e2ncia do dia de hoje para crescer, amar, fazer e, principalmente, viver. \u00c9 assim. 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