{"id":83260,"date":"2021-10-04T23:28:34","date_gmt":"2021-10-05T02:28:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=83260"},"modified":"2021-10-04T23:28:34","modified_gmt":"2021-10-05T02:28:34","slug":"lourenco-cazarre-mestre-da-palavraria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/lourenco-cazarre-mestre-da-palavraria\/","title":{"rendered":"LOUREN\u00c7O CAZARR\u00c9: Mestre da Palavraria"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400\">Conheci Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Severo em Bras\u00edlia, no come\u00e7o de 2017, quando n\u00f3s &#8211; jornalistas da Princesa do Sul exilados no Planalto, uma alegre e colorida comunidadede velhinhos &#8211; lan\u00e7amos um livro intitulado \u201c50 tons de rosa \u2013 Pelotas na ditadura\u201d. O t\u00edtulo era t\u00e3o infeliz e infame que fez com que perd\u00eassemos um pr\u00eamio liter\u00e1rio importante. Mas, em compensa\u00e7\u00e3o, aquilo que obramos recebeu um tremendo elogio do Severo:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">&#8211; O de voc\u00eas \u00e9 o \u00fanico livro sobre a ditadura que se l\u00ea dando gargalhadas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00c9 verdade. Uma das partes mais divertidas do livro \u00e9 aquela em que o L\u00facio Vaz \u2013 que devassou os arquivos nefandos &#8211; reproduz os textos canhestros dos espi\u00f5es da nossa \u201credentora\u201d sobre os \u201cperigosos\u201d subversivos locais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Na pr\u00f3pria sess\u00e3o de lan\u00e7amento, em um restaurante de pratos caros e pequenas por\u00e7\u00f5es, Severo embrenhou-se na leitura do op\u00fasculo e o devorou. Algu\u00e9m de n\u00f3s tem a foto de um senhor elegante enfronhado na leitura em meio \u00e0 badala\u00e7\u00e3o est\u00e9ril.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Caraoqu\u00ea<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Um segundo contato ocorreu quando umantigo jornalista ga\u00facho e agora artista pl\u00e1stico paulistano, chamado \u00canio Squeff &#8211; um turco nascido no meio da italianada da Serra -, me ligou informando que levaria um amigo para o jantar que ter\u00edamos naquela noite em minha casa. A reboque arrastou consigo o multi-instrumentista Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Severo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ao final da noite, v\u00e1rios escoceses derrotados -esva\u00eddos, ca\u00eddos sobre a mesa, sem f\u00f4lego para soprar suas obscenas gaitas de fole \u2013, os dois setenten\u00e1riossenhores sa\u00edram incertos para a noite solit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Baleado na asa, como diz o povo das nossas incultas cidades fronteiri\u00e7as, o bem-comportado \u00canio, que \u00e9 mais bonito que o Omar Sharif, quis recolher-se logo \u00e0 casa de seu filho que mora em Bras\u00edlia, o economista Gabriel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Severo discordou. Tinha em mente um programa bem mais movimentado. Queria arrastar o otomano at\u00e9 um caraoqu\u00ea, onde elespoderiam seguir palavreando e apojando.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o conseguiu. Squeff recolheu-se.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Dono da cena<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Quem conheceu o Imperador de Ca\u00e7apava do Sul sabe que, onde querque chegasse, o jornalista e escritor Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Severo \u2013 que tamb\u00e9m andou dando uns tapas na arte cinematogr\u00e1fica- assumia a cena. Especialmente se a tomada estivesse sendo filmada em torno de uma mesa engarrafada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Como sempre fui apaixonado por Hist\u00f3ria, identifique-me de imediato com aquele sujeito alto e desempenado nos seus setenta e tantos outonos. Era propriet\u00e1rio de uma invej\u00e1vel cabeleira integral e ligeiramente grisalha, ao contr\u00e1rio da minha, dez anos mais nova, por\u00e9m totalmente branca e rarefeita na cumeeira.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Os amigos que o conheceram jovem dizem que Severo era um p\u00e3o, um gal\u00e3 do tipo portenho, sempre trajando ternos bem cortados e de cabeleira riscada na lateral elambida com muito Glostora. Por esses distantes anos \u2013 asseguram seus invejosos parceiros -, sem muito esfor\u00e7o,Jos\u00e9 Ant\u00f4nio extraia fundos e enternecidos suspiros das criaturas do remotamente considerado sexo fr\u00e1gil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Pois bem, ao redor de uma t\u00e1vola, todo assunto que era levantado \u2013 pol\u00edtico, hist\u00f3rico, econ\u00f4mico, comportamental ou art\u00edstico \u2013 Severo cortava.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0Sujeito de vast\u00edssima cultura, para cada tema que pipocasse, ele tinha sempre uma informa\u00e7\u00e3o desconhecida, inesperada, surpreendente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Curtido em d\u00e9cadas fumacentas ao redor de mesas de bar, ele cortava at\u00e9 mesmo quando estava, como dizia, batendo em retiradasem muni\u00e7\u00e3o. Ou seja, dava umas talhadas na melancia mesmo quando seu conhecimento sobre a bobagem tratada era insuficiente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Como sabem os que estudam essa maravilhosa ci\u00eancia que \u00e9 conversa vadia de boteco, sempre desencontrada e perfeitamente in\u00fatil, o grande contador de hist\u00f3ria \u00e9 aquele que descobriu, ainda jovem, que os fatos verdadeiros pouca ou nenhuma import\u00e2ncia t\u00eam em uma noitada flu\u00edda.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O que vale &#8211; dizem os poetas e os dementes &#8211; \u00e9 o estilo, a t\u00e9cnica, a sintaxe, a prosopopeia. E, claro, a performance c\u00eanica: a tragada funda no mata-rato, a inclina\u00e7\u00e3o estudada do copo e a pot\u00eancia da voz. O vozeir\u00e3o do Severo era daqueles de acuar guaipeca contra o alambrado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Historiador<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Depois de ler osdois volumes da obra de Severo sobre guerras no Sul da Am\u00e9rica, pensando elogi\u00e1-lo, eu disse a ele que, no meu imodesto entender, ele era, no fundo, um verdadeiro historiador, um redator de epopeias,lamentavelmente perdido para o ramerrame rasteiro do jornalismo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Eis que Jos\u00e9 Ant\u00f4nio, que era um lorde brit\u00e2nico, quase perdeu as cadernetas. Desencontrou-se de sua fleugma. Desatinou-se. Que n\u00e3o! Que era um rep\u00f3rter puro sangue!Um mastim farejador!Que havia dado um furo mundial sobre o pre\u00e7o ou produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo nos anos 1970, quando viajava frequentemente \u00e0s Ar\u00e1bias. Que dirigira reda\u00e7\u00f5es pesadas. Que criara um grande jornal televisivo. E por a\u00ed se foi.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o retruquei. Mas ainda mantenho o meu veredicto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Cavalheiro gentil e generoso<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Quando digo queJos\u00e9 Ant\u00f4nio Severo era um gentleman londrino, eu me refiro tamb\u00e9m \u00e0 maneira como ele era visto pelas donzelas. Era um cavalheiro \u00e0s antigas. Sem a falsa cordialidade dos, hoje, politicamente corretos. Era um galanteador nato, porque herdara esse dom de seus ancestrais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Gentil e atencioso com as damas, ele era o exato contr\u00e1rio da maioria dos b\u00e1rbaros barbadosque, quando mamados, n\u00e3o prestam aten\u00e7\u00e3o \u00e0s mo\u00e7as da mesa, quase sempre mais interessadas em discutir assuntos transcendentes e elevados. Como A Rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A extrema generosidade \u00e9 um outro tra\u00e7o que certas literaturas costumam conceder aos personagens cavalheirescos. Severo deu in\u00fameros exemplos de sua magnanimidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Como exerceu muitos cargos de comand\u00e2ncia, pode ajudar muitos colegas competentes que \u2013 pelas cat\u00e1strofes quase di\u00e1rias do jornalismo &#8211; se viram de repente de m\u00e3os abanando e privados do ganha-p\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Amigos contam, porexemplo, que Severo foi o elemento que conseguiu \u2013 em um tempo em que eram raros os agentes liter\u00e1rios \u2013 a edi\u00e7\u00e3o de um livro do jornalista ga\u00facho Walter Galvani sobre Pedro \u00c1lvares Cabral. Essa obra valorosa, fruto de vasta pesquisa, poderia ter naufragado numa editora pequena, mas o nosso her\u00f3i obteve que fosse lan\u00e7ada por uma casa editorial de peso. O livro ganhou depois, inclusive, um destacado pr\u00eamio internacional.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Craque das noitadas<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Deixo para os que conviveram com Severo nas muitas reda\u00e7\u00f5es que ele chefiou brilhantemente a escritura das suas muitas hist\u00f3rias e vit\u00f3rias no jornalismo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Com esse texto quero registrar apenas o carinho que eu sinto por um craque das noitadas, um mestre da palavraria eum terno e sequioso amante daquilo que a Esc\u00f3cia produz de melhor. Nas madrugadas que atravessamos juntos, jamais deixamos em p\u00e9 um desses sujeitos que vestem saias xadrez.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Numa \u00e9poca em que passava frequentemente pela loja livre de impostos do aeroporto, eu comprava a minha cota j\u00e1 pensando no Severo.E guardava os Jo\u00e3ozinhosCaminhadores verdinhos e dourados para o grande\u00a0<em>connoisseur<\/em>\u00a0e apreciador, sir Joseph Anthony.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Lembro,ainda, o prest\u00edgio que Severo conquistou \u2013 com sua conversa cintilante \u2013 junto aos poucos jovens que frequentam aquela mesa que costuma receber, prioritariamente, pessoas da melhor idade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Melhor? Sei.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Meu filho \u00c9rico, cineasta e jornalista, e meu genro Rafael, diplomata, ambos chegando aos quarenta, ficaram imediatamente cativos do charme desse imenso contador de boas hist\u00f3rias quando o conheceram.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Escritor<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Passemos agora aos dois grandes livros &#8211;\u00a0<em>Rios desangue<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Cinzas do Sul<\/em>\u2013 sobre os quais escrevi uma resenha em que ressalto import\u00e2ncia e as peculiaridades desse trabalho historiogr\u00e1fico que mescla muito jornalismo com uma pitada de fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Reproduzo a seguir trechos do meu tratadoseveriano:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u201cLeitor entusiasmado dos historiadores que narraram as incont\u00e1veis guerras, revolu\u00e7\u00f5es, revoltas, insurrei\u00e7\u00f5es, quarteladas e rebeli\u00f5es que sacudiram o Cone Sul entre os s\u00e9culos 18 e 19, o jornalista ga\u00facho Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Severo devorou tamb\u00e9m as negligenciadas obras publicadas em pequenas editoras por autores de final de semana. Para conferir, visitou os locais que foram palco das maiores batalhas travadas naquele per\u00edodo. E juntou a tudo isso conversas que, quando menino, escutava de seus ancestrais, participantes desses entreveros. Para amarrar o pacote, inventou um fio liter\u00e1rio \u2013 a vida de um dos maiores militares brasileiros, o general Manuel Lu\u00eds Os\u00f3rio, o marqu\u00eas do Herval\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u201cCom uma carreira jornal\u00edstica de mais de meio s\u00e9culo, vivida em algumas das principais reda\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Severo escreveu em cerca de 10 meses\u00a0<em>100 anos de guerra no continente americano,\u00a0<\/em>obra de dimens\u00f5es pampianas, com um total de 1.089 p\u00e1ginas&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u201cTalvez se possa dizer que o grande m\u00e9rito deste livro, al\u00e9m, claro, de sistematizar toda uma vasta e dispersa bibliografia, \u00e9 a presen\u00e7a de um jornalista em uma seara quase sempre restrita a excessivamente contidos, ou por vezes derramados, historiadores\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u201cCom um texto \u00e1gil, claro e direto, despido dos conhecidos rococ\u00f3s ret\u00f3ricos caracter\u00edsticos da Am\u00e9rica Latina, Severo esbo\u00e7a diante de seus leitores um quadro amplo e detalhado das lutas que acabaram por moldar os quatro dos pa\u00edses do extremo sul da Am\u00e9rica Latina\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u201cRep\u00f3rter acima de tudo, o autor comparece com grande n\u00famero de informa\u00e7\u00f5es pouco ventiladas que surpreendem at\u00e9 mesmo ratos de biblioteca razoavelmente versados nesse tipo de literatura&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u201c&#8230;fala da introdu\u00e7\u00e3o da alfafa em uma terra onde os pangar\u00e9s s\u00f3 comiam grama rala; das carretas de bois que necessitavam de doze juntas para arrastar 80 arrobas; que o custo de um escravo era cinco vezes maior do que o de um imigrante europeu; conta que os caudilhos argentinos Rosas e Urquiza eram os dois homens mais ricos daquele pa\u00eds; que cada soldado de cavalaria arrastava consigo tr\u00eas rocins mal nutridos; que os fort\u00edssimos cavalos de batalha, ferrados e alimentados a milho, s\u00f3 eram usados nas cargas; que os cavaleiros minuanos e charruas levavam um homem na garupa para lan\u00e7\u00e1-lo dentro da linha de defesa dos brancos; descreve a tomada de Porto Alegre pelos guerreiros farroupilhas e de como eles a perderam depois de um porre geral e hom\u00e9rico; informa que dom Pedro II j\u00e1 era a favor da aboli\u00e7\u00e3o em 1845 e que lamentava que ela n\u00e3o fosse aprovada no Parlamento por oposi\u00e7\u00e3o das bancadas de Rio de Janeiro, Minas Gerais e S\u00e3o Paulo; esmi\u00fa\u00e7a a profunda liga\u00e7\u00e3o de Caxias com o Rio Grande do Sul por 20 anos (foi governador e senador pelo Estado); informa que para viajar a Mato Grosso a rota mais c\u00f4moda era a mar\u00edtimo-fluvial, passando por Montevid\u00e9u e seguindo por rios interiores; que o Paraguai antes da guerra n\u00e3o tinha moeda, mas havia implantado a primeira linha de trem da Am\u00e9rica do Sul; que Solano Lopez em sua fuga final conduzia sua m\u00e3e e sua irm\u00e3, prisioneiras, em uma jaula; que o espi\u00e3o do Paraguai em Montevid\u00e9u era o embaixador portugu\u00eas; e lamenta os imensos preju\u00edzos trazidos por esses conflitos sempre acompanhados de saques e viola\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Dedicat\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Cerca de dez dias antes da morte de Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Severo, minha editora, S\u00f4nia Junqueira, das editoras Aut\u00eantica e Yellowfante, sugeriu-me que colocasse uma dedicat\u00f3ria no livro\u00a0<em>Amor e guerra em Canudos<\/em>\u00a0\u2013 novela juvenil que tem a cidade de Ant\u00f4nio Conselheiro como cen\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Lasquei:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>Para Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Severo, meu historiador favorito, dedico este livro que ele leu quando ainda era um esbo\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Eu queria fazer uma surpresa a ele. Creio que se alegraria muito, embora sempre ficasse meio sestroso e desconfiado quando eu dizia que ele era \u201cO Her\u00f3doto da pampa\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Infelizmente, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio n\u00e3o receber\u00e1 o primeiro exemplar autografado, como eu planejava. Eu o enviarei para C\u00e9lia, sua esposa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">C\u00e9lia e sua irm\u00e3 Celma, que formam uma consagrada dupla musical, brindaram nossa confraria com um breve e delicioso recital quando vieram com Severo a Bras\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">PS1.Detalhe sob o qual eu jamais falarei, mesmo sob amea\u00e7a de ser guilhotinado: o grande Severo, ao ler esse meu livro no original,descobriu um erro hist\u00f3rico que havia escapado \u00e0 minha \u2013 e de outros desatentos \u2013 revis\u00e3o. Sem Severo, o livro sairia com uma barrigada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">PS2. Depois dessa \u201cbarrigada\u201d, s\u00f3 nos resta, a n\u00f3s, velhos jornalistas, dos tempos de Remington e Olivetti (n\u00e3o eram jogadores de futebol, viu, garotada?), encapar nossas m\u00e1quinas de escrever e sair em busca de um boteco p\u00e9-sujo para beber uns licores em mem\u00f3ria dessa figura\u00e7a inesquec\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conheci Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Severo em Bras\u00edlia, no come\u00e7o de 2017, quando n\u00f3s &#8211; jornalistas da Princesa do Sul exilados no Planalto, uma alegre e colorida comunidadede velhinhos &#8211; lan\u00e7amos um livro intitulado \u201c50 tons de rosa \u2013 Pelotas na ditadura\u201d. 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