{"id":83297,"date":"2021-11-01T20:36:08","date_gmt":"2021-11-01T23:36:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=83297"},"modified":"2021-11-01T20:43:15","modified_gmt":"2021-11-01T23:43:15","slug":"jose-lutzenberger-a-cop-e-a-releitura-de-a-alternativa-fatal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/jose-lutzenberger-a-cop-e-a-releitura-de-a-alternativa-fatal\/","title":{"rendered":"JOS\u00c9 LUTZENBERGER \/ A COP e a releitura de \u201cA Alternativa Fatal\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">O in\u00edcio da 26 Confer\u00eancia do Clima (<a href=\"https:\/\/ukcop26.org\/\">COP26<\/a>) em Glasgow, torna muito oportuna a releitura de um cl\u00e1ssico. <strong>&#8220;Dois Caminhos\/A Alternativa Fatal&#8221;<\/strong>, traz o resumo de um texto publicado originalmente na segunda metade dos anos 70 e reproduzido <a href=\"https:\/\/books.google.com\/books\/about\/Sinfonia_inacabada.html?id=T96RAAAACAAJ\">no livro Sinfonia Inacabada,<\/a> da jornalista Lilian Dreyer. Seu autor, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jos%C3%A9_Lutzenberger\">Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Kroeff Lutzenberger<\/a>, o &#8220;Lutz&#8221; (1926 &#8211; 2002), n\u00e3o foi apenas ministro do meio ambiente, o primeiro do Brasil, ou um dos <a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/agapan-promove-atividades-para-comemorar-50-anos-em-defesa-do-meio-ambiente\/\">ambientalistas pioneiros<\/a> e <a href=\"https:\/\/rightlivelihood.org\/the-change-makers\/find-a-laureate\/jose-lutzenberger\/\">mais destacados da na\u00e7\u00e3o<\/a>. Ele foi um vision\u00e1rio. \u00c0 dist\u00e2ncia no tempo, fica n\u00edtida sua an\u00e1lise quase prof\u00e9tica e sua cr\u00edtica profunda ao sistema econ\u00f4mico-pol\u00edtico e social vigente. Para quem chegar ao final do artigo, fica a pergunta: ainda conseguiremos evitar uma freada abrupta nessa autopista? Vale a reflex\u00e3o!<\/span><\/p>\n<p class=\"intertit\"><span style=\"font-weight: 400\">Dois Caminhos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA humanidade se aproxima de uma encruzilhada fatal. O caminho atual leva direto ao precip\u00edcio. Muito em breve &#8211; e muito antes de alcan\u00e7ado o precip\u00edcio &#8211; teremos perdido outras op\u00e7\u00f5es, agora ainda abertas. Este caminho poderia ser comparado a uma autopista para altas velocidades onde, a partir de certo ponto e ap\u00f3s alcan\u00e7ada certa velocidade, as pontes ru\u00edram ap\u00f3s a passagem. Dali por diante n\u00e3o haver\u00e1 volta. A queda ser\u00e1 inevit\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A continua\u00e7\u00e3o pura e simples dos processos em marcha, isto \u00e9, a extrapola\u00e7\u00e3o das formas de desenvolvimento hoje universalmente propostas e cegamente aceitas, far\u00e1 com que aconte\u00e7a exatamente o que hoje toda pessoa informada e preocupada prev\u00ea.<\/span><\/p>\n<pre><strong>N\u00e3o existem neste planeta recursos energ\u00e9ticos e materiais suficientes para um Produto Nacional Bruto (PNB) em crescimento exponencial sem fim.<\/strong><\/pre>\n<p class=\"intertit\"><span style=\"font-weight: 400\">Polui\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os crentes da doutrina do PNB crescente gostam de argumentar que precisamos primeiro de produ\u00e7\u00e3o, custe o que custar, seja qual for a forma de produ\u00e7\u00e3o, para s\u00f3 depois pensar em distribuir riqueza. Este argumento \u00e9 muito c\u00f4modo para eles, pois os isenta de responsabilidade por uma real justi\u00e7a social, permite que apresentem, honesta ou cinicamente, a imagem da &#8220;polui\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria\u201d, que s\u00f3 o desenvolvimento seria capaz de eliminar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas esta pobreza \u00e9 consequ\u00eancia das atuais formas de desenvolvimento. A pobreza relativa \u00e9 sempre resultado de estruturas de poder. O \u00edndio, quando em sua estrutura tribal intacta, em ambiente intacto, em seu idioma original nem a palavra \u201cproblema\u201d conhece.<\/span><\/p>\n<pre><strong>S\u00e3o ainda muito poucos os que j\u00e1 compreenderam, e a polariza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica convencional impede muitas vezes que se compreenda, o fato de que as atuais estruturas tecnol\u00f3gicas s\u00e3o esquemas de exerc\u00edcio de poder.<\/strong><\/pre>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"> As tecnologias que as grandes burocracias empresariais, multinacionais ou estatais escolhem, por entre as in\u00fameras alternativas poss\u00edveis, s\u00e3o sempre aquelas tecnologias que geram poder. Estas s\u00e3o as tecnologias imediatistas, duras, de grave impacto ambiental e social.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"intertit\"><span style=\"font-weight: 400\">Escravid\u00e3o tecnol\u00f3gica<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em suas fases finais, o Imp\u00e9rio Romano partiu tamb\u00e9m para uma agricultura predat\u00f3ria como a nossa, destruidora da produtividade futura do solo; partiu para a grande monocultura, mantida pela m\u00e3o do escravo. Naquela \u00e9poca a escravatura era direta, o chicote disciplinava o escravo. Hoje a m\u00e1quina fixa o homem na estrutura do poder e destr\u00f3i o ambiente. Pouco a pouco nos tornamos todos servos das grandes burocracias. Estas alicer\u00e7am seu poder na crescente sofistica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, na progressiva concentra\u00e7\u00e3o do capital e na acelerada centraliza\u00e7\u00e3o do poder de decis\u00e3o econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para o indiv\u00edduo emaranhado na teia, que importa uma imagin\u00e1ria diferen\u00e7a entre poder empresarial, multinacional ou estatal! As teias se entrela\u00e7am e envolvem o globo. <\/span><\/p>\n<pre><strong>O pr\u00f3prio movimento de luta por uma maior sanidade ambiental apenas agora come\u00e7a a compreender que o desastre ambiental que hoje nos assola \u00e9 aspecto inerente desse tipo de sociedade industrial e n\u00e3o ter\u00e1 solu\u00e7\u00e3o enquanto n\u00e3o houver mudan\u00e7a de rumo tecnol\u00f3gico.<\/strong><\/pre>\n<p class=\"intertit\"><span style=\"font-weight: 400\">Tecnologia da vida<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Voltemos \u00e0 nossa met\u00e1fora vi\u00e1ria. O primeiro caminho \u00e9 uma autopista r\u00edgida, sem retornos, sa\u00eddas ou voltas colaterais. O segundo caminho, nem sempre pavimentado, tem muitos ramais, todos em terreno diversificado e fascinante, todos com retorno sempre aberto. O primeiro caminho \u00e9 o caminho duro, insens\u00edvel, desligado da paisagem e do povo; o segundo \u00e9 o caminho ecol\u00f3gico, totalmente integrado na paisagem, que sente a cada instante, da qual faz parte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A op\u00e7\u00e3o branda apoia-se nas mesmas for\u00e7as que v\u00eam mantendo, h\u00e1 tr\u00eas e meio bilh\u00f5es de anos, a Vida na Terra. Estas s\u00e3o energias permanentemente renov\u00e1veis de nossa inesgot\u00e1vel fonte de vida: o Sol. S\u00e3o for\u00e7as que se nos apresentam sob formas diversas: radia\u00e7\u00e3o solar, vento, desn\u00edvel h\u00eddrico, biomassa, mar\u00e9s e vagas. As t\u00e9cnicas de aproveitamento seguem as leis da vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A tecnologia da vida n\u00e3o conhece a concentra\u00e7\u00e3o, nem uniformiza\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser como mera fase de transi\u00e7\u00e3o, a equil\u00edbrios mais complexos e disseminados. A vida \u00e9 tamb\u00e9m uma permanente rebeli\u00e3o contra a entropia, enquanto que as tecnologias duras aceleram em toda parte a entropia. As tecnologias brandas, entretanto, freiam ou diminuem a entropia.<\/span><\/p>\n<p class=\"intertit\"><span style=\"font-weight: 400\">Tabus e dogmas<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por isso, o caminho brando parte de filosofia fundamentalmente oposta \u00e0 filosofia que rege a atual Sociedade Industrial. O dogma do crescimento d\u00e1 lugar \u00e0 doutrina do equil\u00edbrio sustent\u00e1vel e da qualidade de vida. Progresso n\u00e3o mais se mede com \u00edndice t\u00e3o simpl\u00f3rio, insens\u00edvel e desconcertante quanto o PNB. Progresso \u00e9, ent\u00e3o, algo muito mais complicado, que inclui, predominantemente, fatores que nada t\u00eam a ver com fluxo de dinheiro e movimenta\u00e7\u00e3o de materiais, tais como a maior dissemina\u00e7\u00e3o da felicidade individual, melhor integra\u00e7\u00e3o da humanidade em seu ambiente, ambiente mais belo, mais saud\u00e1vel, mais rico em vida, com vida mais diversificada; mais est\u00e1vel e harm\u00f4nica estrutura social, mais cultura, mais excel\u00eancia intelectual, mais arte, recrea\u00e7\u00e3o, interc\u00e2mbio social, mais alegria de vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A \u00eanfase est\u00e1 toda na qualidade, n\u00e3o na quantidade. O que interessa \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio real, material e espiritual, n\u00e3o o simples incremento do capital monet\u00e1rio. <\/span><\/p>\n<pre><strong>O dinheiro \u00e9 simples contrato an\u00f4nimo, avulso e divis\u00edvel, perde seu significado quando desaparecem os recursos.<\/strong><\/pre>\n<p class=\"intertit\"><span style=\"font-weight: 400\">Novo paradigma<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Teremos ent\u00e3o grande escolha de meios e procedimentos. Os recursos materiais n\u00e3o-renov\u00e1veis, as mat\u00e9rias-primas de origem mineral, utilizados frugal e inteligentemente, ser\u00e3o sempre reciclados. Todos os objetos ser\u00e3o concebidos e fabricados de maneira que durem o m\u00e1ximo e que possam, ap\u00f3s o uso final, ser reciclados. N\u00e3o mais ser\u00e1 considerado progresso o uso de uma t\u00e9cnica que esbanja preciosos materiais irrecuper\u00e1veis para economizar dinheiro e m\u00e3o de obra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao contr\u00e1rio do que vem acontecendo, a energia ser\u00e1 considerada algo precioso, a ser usado com muito crit\u00e9rio, nunca esbanjando. \u00c9 inevit\u00e1vel, em futuro muito pr\u00f3ximo, o aumento do custo de todas as formas de energia. Se continuarmos trilhando o caminho duro, esse aumento causar\u00e1 crises econ\u00f4micas sempre mais graves, com as consequentes convuls\u00f5es sociais, conflitos e endurecimento do despotismo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No caminho brando, entretanto, este encarecimento far\u00e1 florescer grandes variedades de tecnologias apropriadas, precisas, eficientes no verdadeiro sentido da palavra, de tecnologias anti-entr\u00f3picas, tecnologias de baixo impacto ambiental e mesmo impacto ambiental positivo, al\u00e9m de promover diversidade cultural e maior justi\u00e7a social.<\/span><\/p>\n<p class=\"intertit\"><span style=\"font-weight: 400\">Balan\u00e7o energ\u00e9tico<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Terra tem um fluxo limitado de energia, mas este fluxo \u00e9 amplamente suficiente para o funcionamento da ecosfera e para uma vida civilizada da humanidade, n\u00e3o para um esbanjamento exponencial. N\u00e3o tem sentido o edif\u00edcio sem janelas ou janelas insuficientes, que usa ilumina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica dia e noite. Existem hoje edif\u00edcios que gastam, para cinco ou dez mil pessoas, mais energia ao meio-dia do que uma cidade de cem mil habitantes gastava em 1950, \u00e0 noite.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Certamente n\u00e3o se pode dizer que aquelas cidades n\u00e3o eram civilizadas. E ser\u00e1 mesmo saud\u00e1vel e necess\u00e1rio o esporte do snowmobile e o motor de popa de 70 cavalos? Quem j\u00e1 voou em planador sabe da fabulosa experi\u00eancia que \u00e9 o v\u00f4o sem motor &#8211; silencioso, sens\u00edvel aos elementos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O barco \u00e0 vela constitui atividade f\u00edsica e intelectualmente superior \u00e0 barulhenta e brutal corrida do barco a motor. Por que, ali\u00e1s, n\u00e3o poderiam os barcos de carga, para mercadorias que n\u00e3o t\u00eam muita pressa, complementar seus motores com vela? \u00c9 verdade que haveria mais gente a bordo. Mas tamb\u00e9m a vida a bordo seria mais divertida! Nada mais triste que a vida a bordo de um supertanqueiro ou de um grande barco de containers, com meia d\u00fazia apenas de homens na tripula\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o p\u00e1ra mais que um dia em cada porto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na agricultura, partiremos para os m\u00e9todos org\u00e2nicos, de produ\u00e7\u00e3o ecologicamente sustent\u00e1vel, que melhoram constantemente a produtividade da paisagem agr\u00edcola, ao mesmo tempo em que a tornam mais bela e humana e invertem o \u00eaxodo rural. Mais uma vez, a ado\u00e7\u00e3o generalizada destes m\u00e9todos, por si s\u00f3 , significar\u00e1 enorme economia de energia.<\/span><\/p>\n<pre><strong> \u00c9 por poucos conhecido o fato de que os m\u00e9todos agr\u00edcolas e pecu\u00e1rios modernos t\u00eam balan\u00e7o energ\u00e9tico negativo. Gasta-se muito mais energia nos insumos do que a energia fixada na fotoss\u00edntese da lavoura.<\/strong><\/pre>\n<p class=\"intertit\"><span style=\"font-weight: 400\">Tecnocracia centralizadora<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No aproveitamento das energias alternativas o enfoque ser\u00e1 outro que o atual. A tecnocracia insiste hoje na energia concentrada, centralmente manipulada e distribu\u00edda sobre imensas regi\u00f5es. Nesta forma, o poder de decis\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os de poucos e o usu\u00e1rio aceita as condi\u00e7\u00f5es impostas pela burocracia central, sem a m\u00ednima chance de participa\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<pre><strong>Assim, a capta\u00e7\u00e3o de energia solar em esquema mega tecnol\u00f3gico tem impacto ambiental t\u00e3o negativo quanto \u00e0s demais tecnologias duras. Continuariam as extensas linhas de alta tens\u00e3o, a gigantesca concentra\u00e7\u00e3o de capital e as grandes burocracias.<\/strong><\/pre>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O sol nos oferece sua energia de forma difusa, amplamente distribu\u00edda. Para que reconcentr\u00e1-la e depois redistribu\u00ed-la? A capta\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser em n\u00edvel familiar ou em pequena comunidade; captamos o sol nos tetos, que j\u00e1 s\u00e3o pequenos desertos. Desaparecem as inevit\u00e1veis perdas de transmiss\u00e3o, a infra-estrutura t\u00e9cnica \u00e9 muito menor, o capital est\u00e1 disseminado, desaparece a burocracia da administra\u00e7\u00e3o e est\u00e1 distribu\u00eddo o poder de decis\u00e3o. A vulnerabilidade do sistema global \u00e9 quase zero.<\/span><\/p>\n<p class=\"intertit\"><span style=\"font-weight: 400\">Instrumento de domina\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Se o que se quer \u00e9 \u00e1gua a 35 graus no banho, o chuveiro el\u00e9trico \u00e9 a forma mais ineficiente de transforma\u00e7\u00e3o de energia. Algo assim como destilar u\u00edsque para obter \u00e1gua pot\u00e1vel. Mas um painel solar para aquecimento direto de \u00e1gua, numa t\u00e9cnica que est\u00e1 ao alcance de qualquer funileiro, resolve magnificamente o problema, especialmente em nossas latitudes. Este painel pode ser adaptado em qualquer teto, custa pouco, n\u00e3o conhece patente, nem royalty, d\u00e1 trabalho a pequenos artes\u00e3os, incrementa a pequena e m\u00e9dia ind\u00fastria, diminui o poder das multinacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Neste caso n\u00e3o h\u00e1 nem redu\u00e7\u00e3o de PNB, mas melhor distribui\u00e7\u00e3o e menos impacto ambiental. Num simp\u00f3sio sobre energia, quando algu\u00e9m prop\u00f4s que o esquema oficial de energia el\u00e9trica propagasse o painel solar de \u00e1gua quente para diminuir o consumo de eletricidade dos chuveiros el\u00e9tricos, o dirigente deste esquema argumentou que o chubveiro el\u00e9trico custava menos de quinhentos cruzeiros, enquanto que o painel solar estava por volta dos vinte mil. Entretanto, mais adiante, no mesmo simp\u00f3sio, este mesmo administrador citou, tranquilamente, trinta mil cruzeiros como o total de investimento por KW em seu esquema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ora, o painel que substitui o chuveiro el\u00e9trico corresponde a pe\u013ao menos dois KW. Quer dizer que ele economiza no esquema uns sessenta mil cruzeiros. A vantagem social, portanto, \u00e9 de um para tr\u00eas, com uma diferen\u00e7a importante: o equipamento de vinte mil cruzeiros \u00e9 meu, est\u00e1 sob meu controle, os sessenta mil no esquema s\u00e3o deles, s\u00e3o controlados por eles, mas s\u00e3o pagos por mim, atrav\u00e9s da tarifa ou pela infla\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<pre><strong>Pode-se ver claramente que a concentra\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica \u00e9 instrumento de domina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de efici\u00eancia produtiva e atendimento social.<\/strong><\/pre>\n<p class=\"intertit\"><span style=\"font-weight: 400\">Fato pol\u00edtico<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o se pode afirmar que haja conspira\u00e7\u00e3o consciente. A megatecnologia n\u00e3o surgiu com o intuito de escravizar. Seus executivos s\u00e3o, muitas vezes, gente muito bem intencionada. Pessoalmente fui tecnocrata, participei da megatecnologia agroqu\u00edmica, e tive a oportunidade de observar a psicologia reinante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c0 medida que os esquemas mega tecnol\u00f3gicos se estendem, eles criam suas pr\u00f3prias leis, eliminam alternativas para o usu\u00e1rio impotente, manipulam mercados. O aspecto mais perigoso \u00e9 que a megatecnologia se transforma em fato pol\u00edtico. Ela acaba manipulando a pol\u00edtica a seu favor, em contradi\u00e7\u00e3o frontal \u00e0 doutrina da livre iniciativa, que ela diz defender.<\/span><\/p>\n<p class=\"intertit\"><span style=\"font-weight: 400\">Invers\u00e3o dos fatos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 comum o ecologista ser acusado por burocratas e tecnocratas de defender a natureza em detrimento do homem. Essa \u00e9 uma c\u00ednica invers\u00e3o dos fatos. O alvo fundamental de toda megatecnologia \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o e, quando poss\u00edvel, elimina\u00e7\u00e3o total de m\u00e3o-de-obra, isto \u00e9, afastamento do homem do processo de produ\u00e7\u00e3o. Para manter pleno emprego argumenta-se ent\u00e3o com a necessidade do crescimento constante do PNB. <\/span><\/p>\n<pre><strong>Mas grande parte deste crescimento significa ainda mais equipamento, sempre mais sofisticado, destinado \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra e dom\u00ednio do homem sobre o homem, em espiral sem fim.<\/strong><\/pre>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao contr\u00e1rio do que acontece com as tecnologias duras, que hoje arrasam o planeta porque, ao resolverem um problema sempre causam uma constela\u00e7\u00e3o de outros, as tecnologias brandas sempre resolvem v\u00e1rios problemas ao mesmo tempo. Os dois caminhos, o caminho duro e o caminho brando, ainda n\u00e3o se separaram de todo, ainda temos \u00e0 frente algumas sa\u00eddas na autopista sem retorno. O que precisamos agora \u00e9 frear, n\u00e3o brutalmente, mas suave e decididamente.\u201d<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O in\u00edcio da 26 Confer\u00eancia do Clima (COP26) em Glasgow, torna muito oportuna a releitura de um cl\u00e1ssico. &#8220;Dois Caminhos\/A Alternativa Fatal&#8221;, traz o resumo de um texto publicado originalmente na segunda metade dos anos 70 e reproduzido no livro Sinfonia Inacabada, da jornalista Lilian Dreyer. 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