{"id":83440,"date":"2022-03-24T11:24:54","date_gmt":"2022-03-24T14:24:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=83440"},"modified":"2022-03-24T11:24:54","modified_gmt":"2022-03-24T14:24:54","slug":"vania-moller-paradoxo-da-tolerancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/vania-moller-paradoxo-da-tolerancia\/","title":{"rendered":"V\u00c2NIA M\u00d6LLER \/ Paradoxo da toler\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>Um paradoxo \u00e9 algo que vai na contram\u00e3o da opini\u00e3o geral ou de cren\u00e7as comuns que uma maioria cultiva sobre determinada coisa, pessoa ou situa\u00e7\u00e3o. Se \u00e9 assim, \u00e9 permiss\u00edvel chamar, tamb\u00e9m, de desacordo ao que uma multiplicidade de pessoas entende como adequado ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Ser tolerante significa ter flexibilidade para aceitar a\u00e7\u00f5es, discursos e fatos contr\u00e1rios aos de suas pr\u00f3prias cren\u00e7as. E como a toler\u00e2ncia fornece espa\u00e7o para a exist\u00eancia e ratifica\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, \u00e9 um ato social essencial para a viv\u00eancia em grupo. E quanto a isso n\u00e3o restam d\u00favidas.<\/p>\n<p>Contudo, a toler\u00e2ncia que engloba as formas de liberdade religiosa, moral, pol\u00edtica ou social pode e deve ser estancada, na pr\u00e1tica, naquelas situa\u00e7\u00f5es em que a exist\u00eancia humana corre o risco de acabar ou quando algo ou algu\u00e9m provoca, inegavelmente, sofrimento e medo a outro e deixa evidente os ind\u00edcios de perda de liberdade. E isso gera um paradoxo.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo Karl Popper, em seu livro <em>A sociedade aberta e seus inimigos<\/em>, bem observou que no ambiente social a toler\u00e2ncia sem limites gera o desaparecimento da toler\u00e2ncia, tra\u00e7ando, com isso, o paradoxo da toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>E aqui entramos numa seara delicada, por vezes dif\u00edcil, e cabe a pergunta: at\u00e9 que ponto devemos ser tolerantes? Qual \u00e9 o n\u00edvel m\u00e1ximo que devemos admitir e que se torna um farol para agir contrariamente \u00e0 toler\u00e2ncia? Uma das conclus\u00f5es a que se pode chegar \u00e9 a de que a toler\u00e2ncia n\u00e3o pode e n\u00e3o deve ser aceita se estiver em pauta a liberdade e a tranquilidade de ir e vir e de viver em paz.<\/p>\n<p>E \u00e9 quando aparecem os desacordos, ou os paradoxos, e a forte indica\u00e7\u00e3o de ser importante n\u00e3o cair no excessivo zelo que rege a liberdade de expressar-se ou agir, pois existem, sim, situa\u00e7\u00f5es em que a toler\u00e2ncia pode gerar atos danosos e incontrol\u00e1veis. E essas especificidades recebem o nome de paradoxos da toler\u00e2ncia porque se n\u00e3o houver um freio na capacidade de tolerar, haver\u00e1, decididamente, amplitude de atitudes que, al\u00e9m de danosas, podem chegar a extremos e a circunst\u00e2ncias irrepar\u00e1veis.<\/p>\n<p>Exemplos de comportamentos que n\u00e3o devem ser tolerados s\u00e3o in\u00fameros, e eles n\u00e3o ficam restritos a atos que acometem corpos, mas se manifestam em palavras, gritos ou mesmo em discursos que podem vir a arruinar mentes. S\u00e3o caracterizados por abusos f\u00edsicos e morais sofridos no pr\u00f3prio seio familiar, por imposi\u00e7\u00e3o de comportamentos com o uso da for\u00e7a e que cerceiam movimentos e falas, e aparecem nitidamente em apologias a doutrinas que j\u00e1 demonstraram, pelo terror causado, que n\u00e3o devem tratadas de modo banal.<\/p>\n<p>Temas que ferem a dignidade humana e ultrapassam os limites cab\u00edveis de tolerar devem ser freados e regidos conforme as regras do bem viver. E quando pessoas tentam burlar tais regras e impor comportamentos que n\u00e3o devem ser aceitos, o jeito \u00e9 deixar a toler\u00e2ncia de lado e dizer: \u201cisso n\u00e3o, e ponto\u201d. E pode e deve ser uma carta a ser tirada da manga, uma ferramenta apta a ser usada em situa\u00e7\u00f5es que extrapolam e tentam acabar com o que est\u00e1 sacramentado como bom e aceit\u00e1vel para todos.<\/p>\n<p>________________________<\/p>\n<p>V\u00e2nia M\u00f6ller <em>\u00e9 licenciada em filosofia, d\u00e1 cursos de argumenta\u00e7\u00e3o e \u00e9 criadora do @canaldoargumento (Instagram).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um paradoxo \u00e9 algo que vai na contram\u00e3o da opini\u00e3o geral ou de cren\u00e7as comuns que uma maioria cultiva sobre determinada coisa, pessoa ou situa\u00e7\u00e3o. Se \u00e9 assim, \u00e9 permiss\u00edvel chamar, tamb\u00e9m, de desacordo ao que uma multiplicidade de pessoas entende como adequado ou n\u00e3o. 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