{"id":84390,"date":"2025-08-21T15:33:49","date_gmt":"2025-08-21T18:33:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=84390"},"modified":"2025-08-21T15:33:49","modified_gmt":"2025-08-21T18:33:49","slug":"geraldo-hasse-ja-40-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/geraldo-hasse-ja-40-anos\/","title":{"rendered":"GERALDO HASSE \/ J\u00c1 40 ANOS"},"content":{"rendered":"<p>Algumas vezes brinquei com Elmar Bones quando ele voltava animado de um almo\u00e7o com alguma figura importante do Rio Grande do Sul. Ap\u00f3s ouvi-lo comentar a perspectiva de fazer uma grande mat\u00e9ria que talvez abrisse as portas para uma s\u00e9rie hist\u00f3rica de reportagem ou at\u00e9 um livro, como tantos feitos por J\u00c1 Editores no s\u00e9culo XXI, eu lhe perguntava se, findo o papo, n\u00e3o houve clima para colocar na mesa o tema crucial da sobreviv\u00eancia da imprensa alternativa. \u201cPra tratar disso seria necess\u00e1rio um segundo encontro&#8230; e depois outro\u201d, ele dizia, certo de que um jornalista de verdade n\u00e3o pode carregar tamb\u00e9m, al\u00e9m do caderninho de anota\u00e7\u00f5es ou do gravador, um tal\u00e3o de nota fiscal. Era uma brincadeira com certo fundo de verdade.<\/p>\n<p>A imagem do dubl\u00ea de rep\u00f3rter\/corretor de reclames \u00e9 exagerada, especialmente na imprensa alternativa, mas vale aqui como ilustra\u00e7\u00e3o do dilema do jornalista aut\u00f4nomo ou independente que precisa fazer das tripas cora\u00e7\u00e3o para sobreviver ou, na velha met\u00e1fora futebol\u00edstica, bater o escanteio e correr pra cabecear. \u00c9 imposs\u00edvel fazer as duas coisas ao mesmo tempo, pois sabemos que boas ideias n\u00e3o remuneram o capital. Prevalece a picaretagem.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s estamos cansados de saber que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil arranjar aliados e que poucos, muito poucos se disp\u00f5em a apoiar projetos editoriais de longo prazo. Sem parceiros,\u00a0<strong><em>la nave no va<\/em><\/strong>. E aqui estamos vendo o J\u00c1\u00a0<strong><em>peludiando<\/em><\/strong>\u00a0pra se manter vivo.\u00a0 E l\u00e1 se foram 40 anos.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos um exerc\u00edcio r\u00e1pido de mem\u00f3ria: quantas organiza\u00e7\u00f5es genuinamente jornal\u00edsticas se mant\u00eam vivas no Brasil? A maior parte sucumbiu ou est\u00e1 acuada economicamente nesse momento de transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O J\u00c1 faz parte de um grupo de blogues e sites nanicos que sobrevivem basicamente gra\u00e7as ao apoio de leitores, mas cabe lembrar que resta outro caminho poss\u00edvel para sustentar o jornalismo tal como foi ensinado nas faculdades e praticado em boas casas do ramo: \u00e9 o cooperativismo, o \u00fanico capaz de unir jornalistas, artistas, publicit\u00e1rios, acad\u00eamicos, anunciantes e leitores na busca democr\u00e1tica de um mundo mais igualit\u00e1rio, sustent\u00e1vel e feliz.<\/p>\n<p>Neste momento em que o fascismo bate nas portas amea\u00e7ando banir os direitos fundamentais, me apraz lembrar a experi\u00eancia da Coojornal, fundada em agosto de 1974 por algumas dezenas de jornalistas e logo incorporando centenas de associados dentro e fora do Rio Grande.<\/p>\n<p>Sim, nossa cooperativa teve dissen\u00e7\u00f5es internas mas faliu mesmo por a\u00e7\u00e3o da ditadura militar, que coagiu o mercado a deixar de apoiar aquele modelo singular de neg\u00f3cio. Agora que estamos sob o jugo das grandes plataformas tecnol\u00f3gicas inspiradas pelo ide\u00e1rio neoliberal, creio portanto que faz sentido pensar em formas cooperativas de cria\u00e7\u00e3o e debate de informa\u00e7\u00f5es e ideias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas vezes brinquei com Elmar Bones quando ele voltava animado de um almo\u00e7o com alguma figura importante do Rio Grande do Sul. 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