{"id":84421,"date":"2025-09-07T18:03:47","date_gmt":"2025-09-07T21:03:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=84421"},"modified":"2025-09-08T16:29:58","modified_gmt":"2025-09-08T19:29:58","slug":"mino-carta-mestre-de-todos-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/mino-carta-mestre-de-todos-nos\/","title":{"rendered":"ELMAR BONES \/ Mino Carta, mestre de todos n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p>Mino Carta n\u00e3o gostava de ser chamado de mestre, mas ele n\u00e3o foi outra coisa sen\u00e3o o grande mestre de duas gera\u00e7\u00f5es de jornalistas brasileiros, entre os quais orgulhosamente me incluo.<\/p>\n<p>Tinha 24 anos, era um \u201cfoca\u201d provinciano quando o conheci, em S\u00e3o Paulo, no curso da Editora Abril, em 1968. Ele formava a equipe que ia fazer a Veja.<\/p>\n<p>Lembro de sua figura elegante, um Mastroiani, rumo \u00e0 sua sala no fundo da reda\u00e7\u00e3o, no sexto andar da Abril, onde ele reuniu uma sele\u00e7\u00e3o de editores de primeira linha: S\u00e9rgio Pompeu, Lu\u00eds Garcia, Renato Pompeu, Raimundo Pereira, Sebasti\u00e3o Gomes Pinto, Leo Gilson Ribeiro, Jos\u00e9 Ramos Tinhor\u00e3o, Carmo Chagas, Geraldo Mayrink, Ulisses Alves de Souza, Bernardo Kuscinsky, Roberto Muggiatti, Henrique Caban&#8230; Mino Carta regia aquele grupo, brilhante e heterog\u00eaneo, com \u00a0maestria.<\/p>\n<p>N\u00e3o era diretor de ficar no gabinete dando ordens. De portas abertas, discutia em voz alta, \u00e0s vezes italianamente aos gritos, raramente perdendo o humor. Acompanhava todo o processo, da reuni\u00e3o de pauta ao fechamento. Em cima de sua mesa tinha sempre os diagramas, onde ia desenhando p\u00e1gina a p\u00e1gina da revista.<\/p>\n<p>Fiquei quatro anos na Veja e posso dizer que ali me formei. Com Mino e aquele grupo, percebi o jornalismo, com suas responsabilidades, seus riscos e suas ilus\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o t\u00ednhamos proximidade e, nos \u00faltimos anos, nos encontramos esporadicamente. A \u00faltima vez que fui a S\u00e3o Paulo, em julho, ele j\u00e1 n\u00e3o recebia visitas.<\/p>\n<p>Como profissional, por\u00e9m, acompanhei-o sempre, como uma refer\u00eancia segura e inspiradora, que ele foi e ser\u00e1 sempre para todos os que exercem esse dif\u00edcil e espinhoso of\u00edcio de \u201cinformar o que acontece\u201d.<\/p>\n<p><em>(Texto que escrevi a pedido do meu amigo Lu\u00eds Augusto Fischer para a revista Par\u00eantese)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mino Carta n\u00e3o gostava de ser chamado de mestre, mas ele n\u00e3o foi outra coisa sen\u00e3o o grande mestre de duas gera\u00e7\u00f5es de jornalistas brasileiros, entre os quais orgulhosamente me incluo. Tinha 24 anos, era um \u201cfoca\u201d provinciano quando o conheci, em S\u00e3o Paulo, no curso da Editora Abril, em 1968. 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