{"id":84517,"date":"2026-02-24T07:07:00","date_gmt":"2026-02-24T10:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=84517"},"modified":"2026-02-24T17:10:38","modified_gmt":"2026-02-24T20:10:38","slug":"feminicidio-nova-campanha-vai-mostrar-o-agressor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/feminicidio-nova-campanha-vai-mostrar-o-agressor\/","title":{"rendered":"Feminic\u00eddio, nova campanha vai mostrar o  agressor"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00c1RCIA TURCATO<br><br>O governo federal relan\u00e7ou em fevereiro o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminic\u00eddio. \u00c9 um \u201crelan\u00e7amento\u201d porque o pacto nasceu em 2023 e n\u00e3o colheu resultados. A nova estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o da campanha muda a linguagem ao colocar o foco n\u00e3o mais na v\u00edtima, a mulher, mas no agressor, o homem. Desde que o crime de feminic\u00eddio foi definido h\u00e1 10 anos, as campanhas de publicidade exibidas nas m\u00eddias mostravam a imagem de mulheres agredidas, vulner\u00e1veis. TV e outdoor, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o mostravam imagens de homens recriminados ou presos. <br><br>A mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas est\u00e9tica, \u00e9 de conceito. A imagem de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, a maioria delas com um olho roxo, parece estimular e banalizar a viol\u00eancia. \u00c9 como se colocasse em primeiro plano a op\u00e7\u00e3o pelo espancamento. \u201cAo retirar o foco da v\u00edtima, a campanha apela \u00e0 sociedade que assuma um papel ativo na preven\u00e7\u00e3o e na den\u00fancia de viol\u00eancias contra as mulheres\u201d, explica Jos\u00e9 Augusto Nigro, vice-presidente da ag\u00eancia Calia, que produziu a campanha.<br><br>O filme, que ser\u00e1 veiculado ap\u00f3s o carnaval, mostra o homem agressor sendo criticado nos locais que frequenta. O objetivo \u00e9 interromper a rotina de viol\u00eancia que milhares de mulheres s\u00e3o submetidas n\u00e3o somente dentro de suas casas mas tamb\u00e9m em locais p\u00fablicos. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 da ag\u00eancia Calia, que atende a Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o do governo federal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"SECOM \u2013 BRASIL CONTRA O FEMINIC\u00cdDIO\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zfNMrfLX0dw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><br><strong>Crime em Goi\u00e1s<br><\/strong> <br> \u201cPapai ama voc\u00eas\u201d. Essa foi a declara\u00e7\u00e3o do pai assassino dos filhos de 12 e 8 anos, publicada numa rede social, pouco antes de matar as crian\u00e7as e cometer o suic\u00eddio. Aconteceu no interior de Goi\u00e1s na madrugada do dia 12 de fevereiro. O assassino deixou uma carta responsabilizando a ex-esposa pela motiva\u00e7\u00e3o do crime brutal. O ato mostra o n\u00edvel de crueldade cometido pelo criminoso, que tirou a vida dos pr\u00f3prios filhos e deixou a ex-companheira num luto sem fim. Grav\u00edssima tamb\u00e9m \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o da sociedade local que adotou a vers\u00e3o do assassino e impediu que a m\u00e3e enlutada participasse do vel\u00f3rio de seus filhos. O ato mostra o tanto que a sociedade aprova o machismo e acaba pactuando com o crime.<br><br><strong>Situa\u00e7\u00e3o no RS e Brasil<br><\/strong><br>No primeiro semestre de 2025, no Rio Grande do Sul, uma em cada cinco pris\u00f5es foi decretada por viol\u00eancia dom\u00e9stica. O n\u00famero de pris\u00f5es por esse tipo de crime no RS subiu 99% em oito anos, passando de 1.341 no primeiro semestre de 2017 para 2.677 no mesmo per\u00edodo de 2025. Os n\u00fameros s\u00e3o da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica Contra a Mulher (Cevid) do TJ-RS.<br><br>De acordo com relat\u00f3rio apresentado pela deputada Maria do Ros\u00e1rio (PT-RS), relatora da Comiss\u00e3o Externa da C\u00e2mara Federal sobre os Feminic\u00eddios ocorridos no Estado do Rio Grande do Sul, de 2020 ao primeiro semestre de 2025, 660 crian\u00e7as e adolescentes ficaram \u00f3rf\u00e3s de m\u00e3es, que foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio, na maioria dos casos praticado pelo companheiro ou ex-companheiro.<br><br>No relat\u00f3rio, a deputada cita 95 propostas para viabilizar o compromisso dos governos federal e estadual na redu\u00e7\u00e3o das mortes de mulheres. O relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Externa deve ser apresentado e votado na C\u00e2mara dos Deputados, em Bras\u00edlia, ainda em fevereiro. <br><br>A deputada diz que n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica profunda e articulada no Rio Grande do Sul e no Brasil para interromper as mortes por feminic\u00eddio. Maria do Ros\u00e1rio anunciou que as deputadas federais ir\u00e3o apresentar um projeto de lei para ampliar o Fundo Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica para combate ao feminic\u00eddio nos estados, mas enfatizou que os governos municipais, estaduais e federal precisam assumir compromisso com a causa. <br><br>No Brasil, os casos de feminic\u00eddio tamb\u00e9m cresceram. O pa\u00eds atingiu o n\u00famero recorde de 1.518 v\u00edtimas em 2025, ano em que a san\u00e7\u00e3o da Lei do Feminic\u00eddio completou dez anos. No ano anterior, 2024, o pa\u00eds tamb\u00e9m j\u00e1 havia atingido recorde, com 1.458 mulheres assassinadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00c1RCIA TURCATO O governo federal relan\u00e7ou em fevereiro o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminic\u00eddio. \u00c9 um \u201crelan\u00e7amento\u201d porque o pacto nasceu em 2023 e n\u00e3o colheu resultados. A nova estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o da campanha muda a linguagem ao colocar o foco n\u00e3o mais na v\u00edtima, a mulher, mas no agressor, o homem. 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