{"id":84703,"date":"2026-04-21T12:09:00","date_gmt":"2026-04-21T15:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=84703"},"modified":"2026-04-21T12:47:24","modified_gmt":"2026-04-21T15:47:24","slug":"tiradentes-o-martir-que-ainda-nos-observa-e-as-inquietacoes-de-um-brasil-inacabado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/tiradentes-o-martir-que-ainda-nos-observa-e-as-inquietacoes-de-um-brasil-inacabado\/","title":{"rendered":"Tiradentes: o M\u00e1rtir que ainda nos observa e as inquieta\u00e7\u00f5es de um Brasil inacabado"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>CRISTIANO GOLDSCHMIDT<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 datas que n\u00e3o se imp\u00f5em pelo alarde, mas pela persist\u00eancia silenciosa com que atravessam os s\u00e9culos e se insinuam na consci\u00eancia coletiva. O 21 de abril pertence a essa estirpe discreta. N\u00e3o chega ornado de euforia, tampouco se anuncia com a grandiloqu\u00eancia de outras celebra\u00e7\u00f5es; antes, aproxima-se como uma lembran\u00e7a antiga, dessas que dispensam explica\u00e7\u00f5es e, justamente por isso, nos desarmam. Talvez resida a\u00ed sua for\u00e7a: provocar um estado raro de escuta interior, como se algo long\u00ednquo \u2014 e ainda n\u00e3o inteiramente resolvido \u2014 insistisse em encontrar voz no presente.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, a narrativa oficial que desperta essa inquieta\u00e7\u00e3o. Aquela vers\u00e3o ordenada, ensinada com a nitidez dos fatos bem alinhados, pouco alcan\u00e7a o que verdadeiramente nos perturba. O que emerge, em seu lugar, \u00e9 uma indaga\u00e7\u00e3o mais resistente, menos confort\u00e1vel e, por isso mesmo, mais fecunda: quem foi, de fato, o homem que chamamos Tiradentes antes de ser imobilizado na est\u00e1tua, antes que sua imagem se tornasse um signo e seu nome, um recurso simb\u00f3lico?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"628\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/tiradentes-esquartejado-1893-do-artista-pedro-americo-628x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-84705\" style=\"aspect-ratio:0.6132818303372456;width:383px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/tiradentes-esquartejado-1893-do-artista-pedro-americo-628x1024.jpg 628w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/tiradentes-esquartejado-1893-do-artista-pedro-americo-184x300.jpg 184w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/tiradentes-esquartejado-1893-do-artista-pedro-americo-768x1253.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/tiradentes-esquartejado-1893-do-artista-pedro-americo-942x1536.jpg 942w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/tiradentes-esquartejado-1893-do-artista-pedro-americo.jpg 1060w\" sizes=\"(max-width: 628px) 100vw, 628px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tiradentes Esquartejado, de 1893, obra do artista Pedro Am\u00e9rico. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 quase inevit\u00e1vel imagin\u00e1-lo despojado de solenidade. Um homem comum, percorrendo trilhas de terra sob o sol inclemente de Minas Gerais, inserido em um mundo onde o ouro cintilava para poucos enquanto a dureza da sobreviv\u00eancia se impunha \u00e0 maioria. O s\u00e9culo XVIII, tantas vezes revestido de um romantismo retrospectivo, devia ser, em sua mat\u00e9ria mais concreta, \u00e1spero e desigual \u2014 mais marcado pela escassez, pela vigil\u00e2ncia e pela cobran\u00e7a incessante da Coroa portuguesa do que por qualquer promessa de esplendor.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 precisamente nesses terrenos \u00e1ridos que as ideias costumam germinar. N\u00e3o nascem prontas nem majestosas, mas como pequenos inc\u00f4modos que se acumulam em sil\u00eancio \u2014 um tributo excessivo, uma cobran\u00e7a arbitr\u00e1ria, a famigerada amea\u00e7a da derrama pairando como sombra constante sobre vidas j\u00e1 exauridas. Nesse cen\u00e1rio, a atua\u00e7\u00e3o de Tiradentes ganha densidade hist\u00f3rica: n\u00e3o como a de um estrategista refinado, mas como a de um difusor inquieto de ideias, algu\u00e9m que, ao entrar em contato com os ventos do Iluminismo e com as not\u00edcias das transforma\u00e7\u00f5es que agitavam o mundo atl\u00e2ntico, ousou traduzir essas abstra\u00e7\u00f5es em linguagem acess\u00edvel, quase cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p>A Inconfid\u00eancia Mineira, vista de perto, talvez se revele menos como uma conspira\u00e7\u00e3o heroica e mais como um murm\u00fario coletivo que, pouco a pouco, cresceu al\u00e9m do limite do toler\u00e1vel. N\u00e3o era apenas um levante contra impostos, mas a express\u00e3o embrion\u00e1ria de um desejo de autonomia \u2014 difuso, imperfeito, mas decisivo. Nesse contexto, Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier emerge como uma figura singular: n\u00e3o o mais erudito entre os conjurados, tampouco o mais prudente, mas talvez aquele em quem a chama da ideia se fez mais vis\u00edvel, mais indom\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Diz-se que falava em demasia. Essa caracter\u00edstica, tantas vezes tratada como falha, talvez seja justamente aquilo que o torna mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s. Em uma sociedade marcada pela conten\u00e7\u00e3o e pelo c\u00e1lculo, sua verborragia adquire contornos de gesto pol\u00edtico \u2014 n\u00e3o necessariamente deliberado, mas profundamente revelador. \u00c9 f\u00e1cil admirar a prud\u00eancia dos estrategistas; mais dif\u00edcil \u00e9 compreender aquele que se exp\u00f5e, que ultrapassa o c\u00e1lculo em nome de uma convic\u00e7\u00e3o que transborda. Talvez lhe faltasse medida. Ou talvez lhe sobrasse algo raro: a incapacidade de se calar diante do que julgava intoler\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o movimento ruiu \u2014 como frequentemente acontece quando o ideal colide com o peso da realidade \u2014, o medo desempenhou seu papel habitual. Reorganizou alian\u00e7as, imp\u00f4s recuos, produziu sil\u00eancios. Alguns se retra\u00edram, outros buscaram prote\u00e7\u00e3o onde puderam. Tiradentes, no entanto, permaneceu. Se por escolha deliberada ou por circunst\u00e2ncias inevit\u00e1veis, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar com precis\u00e3o. Mas h\u00e1, nesse gesto \u2014 ainda que amb\u00edguo \u2014, algo de decisivo: uma perman\u00eancia que, aos olhos do poder, se converteria em culpa exemplar.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua execu\u00e7\u00e3o, em 1792, n\u00e3o foi apenas um desfecho, mas uma encena\u00e7\u00e3o cuidadosamente arquitetada. O poder colonial, zeloso de sua autoridade, compreendia que a puni\u00e7\u00e3o precisava ultrapassar o corpo e atingir o imagin\u00e1rio. E, ainda assim, por mais meticulosa que seja a repress\u00e3o, sempre subsiste algo que escapa ao seu controle \u2014 uma mem\u00f3ria residual, um significado imprevisto, uma possibilidade de reinterpreta\u00e7\u00e3o. Ao tentar silenciar um homem, acabou-se por inaugurar um s\u00edmbolo.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, Tiradentes n\u00e3o se converteu de imediato na figura que hoje reconhecemos. Sua transfigura\u00e7\u00e3o exigiu tempo \u2014 e, sobretudo, conveni\u00eancia hist\u00f3rica. Com a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, emergiu a necessidade de um personagem que encarnasse ruptura, sacrif\u00edcio e coragem. E ali estava ele, dispon\u00edvel para ser reinventado. Acrescentaram-lhe tra\u00e7os quase messi\u00e2nicos, uma iconografia que evocava outras tradi\u00e7\u00f5es, um sil\u00eancio digno que o afastava de suas contradi\u00e7\u00f5es humanas. Tornaram-no, enfim, um emblema \u2014 e, ao faz\u00ea-lo, inscreveram-no definitivamente na narrativa nacional como precursor de uma liberdade que ele pr\u00f3prio jamais testemunhou.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas todo emblema, ao mesmo tempo em que revela, tamb\u00e9m oculta.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s da imagem consolidada, persiste o homem imperfeito \u2014 algu\u00e9m que provavelmente hesitou, que conheceu o medo, que talvez n\u00e3o tenha compreendido plenamente a dimens\u00e3o de seus pr\u00f3prios atos. Um homem que n\u00e3o testemunhou vit\u00f3rias, que n\u00e3o colheu frutos, que permaneceu, em muitos sentidos, inacabado. E \u00e9 justamente essa incompletude que o aproxima de n\u00f3s de forma mais perturbadora e, paradoxalmente, mais verdadeira.<\/p>\n\n\n\n<p>O 21 de abril parece habitar esse intervalo delicado entre o vivido e o narrado, entre o fato bruto e sua reconstru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. Em cidades como Ouro Preto, \u00e9 tentador imaginar que as pedras guardem mais do que a hist\u00f3ria oficial consente \u2014 que nelas sobrevivam as d\u00favidas, os sil\u00eancios e as conversas interrompidas que nunca foram registradas. H\u00e1 ali uma mem\u00f3ria subterr\u00e2nea, resistente \u00e0s simplifica\u00e7\u00f5es e \u00e0s vers\u00f5es definitivas.<\/p>\n\n\n\n<p>No fundo, talvez o que nos faz retornar a Tiradentes n\u00e3o seja o hero\u00edsmo em si, mas o desconforto que ele suscita. Ele n\u00e3o libertou o pa\u00eds, n\u00e3o assistiu \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o que sonhava, n\u00e3o concluiu a hist\u00f3ria que ajudou a iniciar. E, ainda assim, permanece \u2014 n\u00e3o como resposta, mas como pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p>E essa pergunta reverbera no presente. Seguimos cercados por pequenas inconformidades, por tens\u00f5es que raramente se convertem em a\u00e7\u00e3o, por limites que aceitamos mais do que gostar\u00edamos. Tamb\u00e9m n\u00f3s hesitamos, recuamos, silenciamos. E, de tempos em tempos, somos atravessados por aquela inquieta\u00e7\u00e3o persistente: o que fazer com aquilo que sabemos \u2014 ou ao menos intu\u00edmos \u2014 estar errado?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse ponto que Tiradentes deixa de ser apenas uma figura hist\u00f3rica e se transforma em um espelho imperfeito. N\u00e3o um modelo a ser imitado, mas uma presen\u00e7a que insiste em lembrar que toda transforma\u00e7\u00e3o nasce, inevitavelmente, de um desconforto que algu\u00e9m se recusou a ignorar.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda um aspecto mais sutil, quase impercept\u00edvel, nessa perman\u00eancia: o modo como a mem\u00f3ria coletiva seleciona aquilo que merece ser lembrado e aquilo que conv\u00e9m esquecer. Ao elev\u00e1-lo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de m\u00e1rtir, o pa\u00eds construiu uma narrativa que, ao mesmo tempo em que inspira, simplifica. E, nessa simplifica\u00e7\u00e3o, corre-se o risco de perder justamente o que h\u00e1 de mais f\u00e9rtil na hist\u00f3ria: sua ambiguidade, suas tens\u00f5es, sua recusa em oferecer respostas f\u00e1ceis.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez o Brasil, nesse sentido, continue a reconhecer-se como um projeto inacabado n\u00e3o apenas por suas estruturas sociais e pol\u00edticas, mas por sua dificuldade em encarar o passado sem o amparo dos s\u00edmbolos prontos. Tiradentes, ent\u00e3o, deixa de ser apenas um homem do s\u00e9culo XVIII para se tornar um ponto de tens\u00e3o permanente \u2014 entre aquilo que fomos, aquilo que afirmamos ter sido e aquilo que ainda n\u00e3o conseguimos nos tornar.<\/p>\n\n\n\n<p>O feriado passa, como todos passam. A rotina retoma seu curso, o caf\u00e9 esfria na x\u00edcara, as horas seguem seu ritmo indiferente. Nada parece se alterar de imediato. E, no entanto, algo permanece \u2014 uma leve perturba\u00e7\u00e3o, quase impercept\u00edvel, como se a hist\u00f3ria se acomodasse ao nosso lado n\u00e3o para oferecer respostas, mas para nos manter inquietos.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez resida a\u00ed seu gesto mais honesto. N\u00e3o resolver, n\u00e3o consolar, n\u00e3o concluir \u2014 apenas permanecer como uma pergunta aberta. E talvez seja justamente isso que n\u00e3o dever\u00edamos nos permitir ignorar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CRISTIANO GOLDSCHMIDT H\u00e1 datas que n\u00e3o se imp\u00f5em pelo alarde, mas pela persist\u00eancia silenciosa com que atravessam os s\u00e9culos e se insinuam na consci\u00eancia coletiva. O 21 de abril pertence a essa estirpe discreta. 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Foto Jo\u00e3o Pedro Rodrigues\/SecomRS ELMAR BONES Ningu\u00e9m \u00e9 candidato de si mesmo. Essa \u00e9 a regra n\u00e3o escrita da pol\u00edtica partid\u00e1ria, que as velhas raposas n\u00e3o cansam de repetir aos novatos. Eduardo Leite parece n\u00e3o t\u00ea-la aprendido. Ele n\u00e3o tem\u2026","rel":"","context":"Em &quot;An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/category\/analiseopiniao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/infraestrutura-escolar.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/infraestrutura-escolar.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/infraestrutura-escolar.jpeg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/infraestrutura-escolar.jpeg?resize=700%2C400&ssl=1 2x"},"classes":[]},{"id":84693,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/fim-da-escala-6x1-cabe-ao-congresso-decidir-entre-o-progresso-e-o-atraso\/","url_meta":{"origin":84703,"position":5},"title":"Fim da escala 6&#215;1: cabe ao Congresso decidir entre o progresso e o atraso","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"20 de abril de 2026","format":false,"excerpt":"Plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados durante sess\u00e3o solene do Congresso Nacional. Caber\u00e1 ao parlamento a decis\u00e3o final sobre a nova escala de trabalho. Foto: Leopoldo Silva\/Ag\u00eancia Senado CRISTIANO GOLDSCHMIDT A discuss\u00e3o sobre o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil tem ganhado centralidade no debate p\u00fablico contempor\u00e2neo por tocar\u2026","rel":"","context":"Em &quot;An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/category\/analiseopiniao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/plenario-do-congresso-nacional-posse-presidencial-2023-foto-de-leopoldo-silva-agencia-senado-scaled.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/plenario-do-congresso-nacional-posse-presidencial-2023-foto-de-leopoldo-silva-agencia-senado-scaled.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/plenario-do-congresso-nacional-posse-presidencial-2023-foto-de-leopoldo-silva-agencia-senado-scaled.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/plenario-do-congresso-nacional-posse-presidencial-2023-foto-de-leopoldo-silva-agencia-senado-scaled.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/plenario-do-congresso-nacional-posse-presidencial-2023-foto-de-leopoldo-silva-agencia-senado-scaled.jpg?resize=1050%2C600&ssl=1 3x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/plenario-do-congresso-nacional-posse-presidencial-2023-foto-de-leopoldo-silva-agencia-senado-scaled.jpg?resize=1400%2C800&ssl=1 4x"},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbKo0s-m2b","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84703","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84703"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84703\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84711,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84703\/revisions\/84711"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84705"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84703"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84703"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84703"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}