{"id":84794,"date":"2026-05-14T11:45:20","date_gmt":"2026-05-14T14:45:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=84794"},"modified":"2026-05-14T12:02:48","modified_gmt":"2026-05-14T15:02:48","slug":"inverno-memoria-e-pertencimento-entre-a-poesia-e-a-crueldade-do-frio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/inverno-memoria-e-pertencimento-entre-a-poesia-e-a-crueldade-do-frio\/","title":{"rendered":"Inverno, Mem\u00f3ria e Pertencimento: entre a poesia e a crueldade do frio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O inverno aquecido pelo fog\u00e3o a lenha, pelo conforto e pelo afeto contrasta com a dureza do frio para quem n\u00e3o tem sequer abrigo<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p>Por Cristiano Goldschmidt<br>Assim que a primeira onda de frio chegou ao Rio Grande do Sul neste in\u00edcio de maio de 2026 (o inverno s\u00f3 come\u00e7a oficialmente em 21 de junho), eu tive a sensa\u00e7\u00e3o de que o tempo havia aberto uma velha gaveta da mem\u00f3ria. Bastou o vento gelado come\u00e7ar a riscar os dias e o cheiro da lenha queimando reaparecer no ar para que eu voltasse, sem pedir licen\u00e7a, \u00e0 inf\u00e2ncia dividida entre o Oeste do Paran\u00e1 e a regi\u00e3o das Miss\u00f5es.<br>Sou filho de pais ga\u00fachos, nascido na comunidade de Santa Cec\u00edlia, munic\u00edpio de Missal, no interior do Paran\u00e1, onde vivi at\u00e9 os dezesseis anos. Em dezembro de 1992, como faz\u00edamos todos os anos, viemos passar as f\u00e9rias de ver\u00e3o em Sete de Setembro, ent\u00e3o pertencente ao munic\u00edpio de Guarani das Miss\u00f5es. Ali acabei ficando, acolhido pelo tio Wilson, irm\u00e3o de minha m\u00e3e, e por sua esposa, tia Lourdes. Em 1994, meus pais retornaram<br>definitivamente ao Rio Grande do Sul, trazendo a mudan\u00e7a na carroceria do caminh\u00e3o e uma vida inteira de afetos apertados entre caixas de papel\u00e3o.<br>Antes disso, eu j\u00e1 conhecia o frio ga\u00facho pelas f\u00e9rias escolares de julho na casa dos tios e tias \u2013 em Sete de Setembro, Santo \u00c2ngelo, Giru\u00e1, Guarani das Miss\u00f5es, S\u00e3o Paulo das Miss\u00f5es \u2013, pelos galp\u00f5es cheirando a fuma\u00e7a e pelos cobertores de pena de ganso da casa dos av\u00f3s maternos.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-6-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-84798\" style=\"aspect-ratio:1.5000146485805526;width:410px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-6-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-6-300x200.png 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-6-768x512.png 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-6-1536x1024.png 1536w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-6-2048x1365.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A inf\u00e2ncia, para mim, sempre teve temperatura baixa. Mesmo no Paran\u00e1, onde os invernos eram menos rigorosos do que no Rio Grande do Sul, havia geadas suficientes para transformar o amanhecer em  espet\u00e1culo. Eu lembro da grama branca no quintal, das m\u00e3os aquecendo no fog\u00e3o a lenha, da \u00e1gua chiando na chaleira e do leite fervendo devagar enquanto o r\u00e1dio anunciava mais uma frente fria vinda do Sul. A casa em Port\u00e3o do Ocoy \u2013 minha inf\u00e2ncia e parte da adolesc\u00eancia foram vividas entre Santa Cec\u00edlia, Dom Armando e Port\u00e3o do Ocoy \u2013, Missal, era confort\u00e1vel. N\u00e3o havia luxo, mas havia alegria e aconchego \u2014 e isso, descobri mais tarde, vale muito. O inverno n\u00e3o significava sofrimento; significava proximidade. Era a esta\u00e7\u00e3o em que a fam\u00edlia parecia se recolher para dentro dela mesma.<br>Minha m\u00e3e, professora, assava p\u00e3o caseiro nas tardes frias dos finais de semana. Meu pai cuidava do fogo como quem vigia um patrim\u00f4nio sagrado. O cheiro da madeira queimando se misturava ao do caf\u00e9 rec\u00e9m passado e da roupa secando perto do fog\u00e3o. At\u00e9 hoje, nenhum aquecedor conseguiu reproduzir a sensa\u00e7\u00e3o daquele calor amigo. Havia um ritual silencioso nos invernos da minha inf\u00e2ncia: fechar as janelas cedo, preparar a \u00e1gua quente para o chimarr\u00e3o, ouvir o vento assobiar e perceber que, l\u00e1 fora, o frio era quase um personagem rondando a casa.<br>Nas f\u00e9rias passadas nas Miss\u00f5es, no Rio Grande do Sul, o inverno tinha outra densidade. Parecia mais s\u00e9rio, mais encorpado, mas n\u00e3o menos po\u00e9tico. Os adultos falavam da geada como quem comenta um acontecimento importante. As madrugadas eram t\u00e3o frias que a fuma\u00e7a da respira\u00e7\u00e3o parecia querer ficar suspensa no ar. Eu me lembro dos galos cantando antes do amanhecer e da cerra\u00e7\u00e3o cobrindo as estradas de ch\u00e3o. Lembro dos p\u00e9s congelando no assoalho de madeira e da corrida at\u00e9 a cozinha para encontrar o fog\u00e3o j\u00e1 aceso pela v\u00f3.<br>Talvez tenha sido ali que nasceu minha paix\u00e3o definitiva pelas esta\u00e7\u00f5es bem \u2013 ou mais ou menos \u2013 definidas. Crescer entre o Paran\u00e1 e o Rio Grande do Sul me ensinou que o clima tamb\u00e9m constr\u00f3i identidade. O ver\u00e3o tinha sua alegria espalhafatosa, mas era no inverno que a vida parecia ganhar profundidade. As conversas duravam mais. As refei\u00e7\u00f5es reuniam mais gente em volta da mesa. O sil\u00eancio da noite fria trazia uma esp\u00e9cie de<br>introspec\u00e7\u00e3o boa, dessas que ajudam a gente a se enxergar melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voltamos definitivamente ao Rio Grande do Sul, naquele in\u00edcio dos anos 1990, alguns parentes e amigos dos meus pais estavam fazendo o caminho contr\u00e1rio. Muita gente vendia o que aqui tinha e sa\u00eda do Estado em busca de ampliar suas oportunidades no centro-oeste. N\u00f3s retorn\u00e1vamos carregando saudade e pertencimento. Eu era adolescente e poderia ter<br>encarado aquilo como perda, mas n\u00e3o foi assim. O frio das manh\u00e3s ga\u00fachas me dava a sensa\u00e7\u00e3o estranha de estar em casa antes mesmo de eu compreender totalmente o que era pertencimento.<br>J\u00e1 adulto, a vida tamb\u00e9m me ofereceu oportunidades de sair do Sul. Algumas eram tentadoras. Havia promessas de crescimento profissional em regi\u00f5es onde o inverno praticamente n\u00e3o existia, onde julho parecia uma continua\u00e7\u00e3o cansada de mar\u00e7o. Pensei muitas vezes. Pesei sal\u00e1rio, estabilidade, futuro. Mas nunca consegui ignorar o peso afetivo das esta\u00e7\u00f5es na minha vida. Pode parecer exagero para quem n\u00e3o sente isso, mas h\u00e1 pessoas que precisam do inverno como outras precisam do mar. Eu precisava da neblina nas manh\u00e3s, dos ventos cortantes em dias de c\u00e9u azul, do cheiro de chuva fria chegando, das \u00e1rvores perdendo folhas, da sensa\u00e7\u00e3o de recolhimento que o frio traz. Permanecer no Rio Grande do Sul foi tamb\u00e9m uma escolha emocional.<br>O inverno tamb\u00e9m nos obriga a desacelerar num tempo em que tudo parece funcionar em velocidade excessiva. Talvez seja por isso que eu goste tanto dele. H\u00e1 uma honestidade no frio que o ver\u00e3o n\u00e3o possui. Nos dias gelados, ningu\u00e9m consegue fingir invulnerabilidade por muito tempo. O corpo pede pausa, recolhimento, abrigo. A gente aprende a respeitar limites simples: o hor\u00e1rio em que a noite chega mais cedo, o banho quente que vira recompensa, a necessidade de estar perto de algu\u00e9m ou de alguma lembran\u00e7a que aque\u00e7a. O inverno reduz os excessos e valoriza o essencial. Uma caneca quente entre as m\u00e3os pode significar mais conforto do que muitos luxos acumulados ao longo do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar dos anos, percebi tamb\u00e9m que o inverno tem uma rela\u00e7\u00e3o profunda com a mem\u00f3ria. Existem cheiros que s\u00f3 aparecem nessa \u00e9poca e que funcionam como portas invis\u00edveis para o passado. O aroma da lenha queimando, da roupa guardada por meses no arm\u00e1rio, do caf\u00e9 passado e do chimarr\u00e3o cevado ainda no escuro da manh\u00e3, tudo isso desperta lembran\u00e7as que estavam quietas dentro da gente. Talvez porque o frio nos torne mais introspectivos, mais atentos ao que sentimos. No ver\u00e3o, a vida parece acontecer para fora; no inverno, ela acontece por dentro. E nesse movimento interior, reencontramos pessoas que j\u00e1 partiram, casas que j\u00e1 n\u00e3o existem e vers\u00f5es antigas de n\u00f3s mesmos que permanecem vivas em algum canto da mem\u00f3ria.<br>H\u00e1 ainda uma beleza silenciosa na paisagem do inverno ga\u00facho que sempre me emociona. A cerra\u00e7\u00e3o cobrindo os campos, as \u00e1rvores despidas ou as que s\u00f3 d\u00e3o frutos nesta esta\u00e7\u00e3o, o brilho branco da geada antes do sol nascer, tudo parece lembrar que a natureza tamb\u00e9m possui seus per\u00edodos de recolhimento e pausa.<br>Vivemos numa \u00e9poca em que se cobra produtividade permanente, entusiasmo constante, felicidade exibida o tempo inteiro. O inverno ensina justamente o contr\u00e1rio: ensina que existem ciclos de sil\u00eancio, de espera e de interioriza\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rios para florescer depois. Talvez seja essa a grande li\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o mais fria do ano \u2014 a de que at\u00e9 a vida precisa, \u00e0s vezes, diminuir o ritmo para continuar pulsando com verdade.<br>Claro que existe certa romantiza\u00e7\u00e3o no olhar de quem viveu o inverno cercado de prote\u00e7\u00e3o. Hoje, quando a primeira massa polar de 2026 derruba as temperaturas e as redes sociais e os grupos de mensagens se enchem de fotos de caf\u00e9s especiais e cobertores felpudos, eu penso muito em quem enfrenta essa mesma esta\u00e7\u00e3o de maneira brutal. O frio \u00e9 po\u00e9tico quando existe estrutura. Fora disso, ele pode ser cruel.<br>H\u00e1 uma diferen\u00e7a imensa entre apreciar o inverno e sobreviver a ele. Quem tem casa aquecida transforma a esta\u00e7\u00e3o em experi\u00eancia sensorial: sopa fumegante, vinho, pinh\u00e3o, pantufas, filmes, sil\u00eancio confort\u00e1vel. J\u00e1 quem vive em moradias prec\u00e1rias sente o frio entrando pelas frestas como uma agress\u00e3o cont\u00ednua. Enquanto alguns comemoram a chegada das temperaturas baixas, outros contam cobertores, improvisam abrigo ou aquecimento e atravessam madrugadas inteiras sem dormir direito.<br>Talvez por isso o inverno seja a esta\u00e7\u00e3o mais humana de todas, porque ele escancara desigualdades. O calor excessivo incomoda a todos, mas o frio seleciona seus alvos com mais viol\u00eancia. Ele pune quem n\u00e3o tem teto adequado, agasalho, comida quente. E isso muda completamente a maneira como olhamos para ele.<br>Ainda assim, continuo esperando o inverno todos os anos. N\u00e3o apenas pelo conforto das lembran\u00e7as, mas porque ele me devolve partes de mim mesmo. H\u00e1 algo de profundamente emocional em ouvir o vento minuano soprando \u00e0 noite e lembrar do menino que corria sobre a grama branca no interior do Paran\u00e1, que passava f\u00e9rias nas Miss\u00f5es, que dormia ouvindo a madeira estalar no fog\u00e3o a lenha dos av\u00f3s. O frio tem esse poder estranho de conservar mem\u00f3rias como quem preserva brasas sob a cinza.<br>Nesta primeira onda de frio de 2026, enquanto o Rio Grande do Sul amanhece outra vez sob os impactos das baixas temperaturas, eu percebo que algumas escolhas da vida foram feitas menos pela raz\u00e3o do que pelos afetos. Permaneci aqui porque aprendi cedo que certas paisagens clim\u00e1ticas tamb\u00e9m viram morada emocional. E porque, apesar dos dissabores que o inverno inevitavelmente carrega, ainda encontro nele uma forma antiga de aconchego \u2014 aquela mesma que come\u00e7ou muitos anos atr\u00e1s, entre o interior de Missal e as Miss\u00f5es, diante de um fog\u00e3o a lenha aceso antes do amanhecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O inverno aquecido pelo fog\u00e3o a lenha, pelo conforto e pelo afeto contrasta com a dureza do frio para quem n\u00e3o tem sequer abrigo Por Cristiano GoldschmidtAssim que a primeira onda de frio chegou ao Rio Grande do Sul neste in\u00edcio de maio de 2026 (o inverno s\u00f3 come\u00e7a oficialmente em 21 de junho), eu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-84794","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analiseopiniao"],"aioseo_notices":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack-related-posts":[{"id":84673,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/40-anos-sem-simone-de-beauvoir-uma-interlocutora-ainda-incomoda-do-presente\/","url_meta":{"origin":84794,"position":0},"title":"40 anos sem Simone de Beauvoir, uma interlocutora ainda inc\u00f4moda do presente","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"14 de abril de 2026","format":false,"excerpt":"CRISTIANO GOLDSCHMIDT Quarenta anos ap\u00f3s a morte de Simone de Beauvoir (9 de janeiro de 1908 - 14 de abril de 1986), descubro que sua aus\u00eancia n\u00e3o \u00e9 propriamente um vazio \u2014 \u00e9 antes um rumor cont\u00ednuo, uma esp\u00e9cie de presen\u00e7a indireta que se infiltra nas conversas, nos livros, nas\u2026","rel":"","context":"Em &quot;An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/category\/analiseopiniao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/simone-de-beauvoir-memorias-de-uma-menina-bemcomportada.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":84681,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/recordar-zuzu-angel-50-anos-apos-sua-morte-e-um-ato-etico\/","url_meta":{"origin":84794,"position":1},"title":"Recordar Zuzu Angel 50 anos ap\u00f3s sua morte \u00e9 um ato \u00e9tico","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"16 de abril de 2026","format":false,"excerpt":"CRISTIANO GOLDSCHMIDT Cinco d\u00e9cadas transcorreram desde o silenciamento brutal de Zuzu Angel (05 de junho de 1921 - 14 de abril de 1976), e ainda assim sua voz persiste \u2014 n\u00e3o como eco esmaecido, mas como um timbre agudo que rasga o tecido do tempo e se inscreve na mem\u00f3ria\u2026","rel":"","context":"Em &quot;An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/category\/analiseopiniao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/zuzu-angel-1972-fotografo-desconhecido-colecao-arquivo-nacional.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/zuzu-angel-1972-fotografo-desconhecido-colecao-arquivo-nacional.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/zuzu-angel-1972-fotografo-desconhecido-colecao-arquivo-nacional.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/zuzu-angel-1972-fotografo-desconhecido-colecao-arquivo-nacional.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/zuzu-angel-1972-fotografo-desconhecido-colecao-arquivo-nacional.jpg?resize=1050%2C600&ssl=1 3x"},"classes":[]},{"id":84690,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/17-de-abril-de-1996-30-anos-do-massacre-de-eldorado-do-carajas\/","url_meta":{"origin":84794,"position":2},"title":"17 de abril de 1996: 30 anos do Massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"17 de abril de 2026","format":false,"excerpt":"Cruz marca o local do massacre em Eldorado dos Caraj\u00e1s, Par\u00e1. 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