{"id":84833,"date":"2026-05-19T15:00:24","date_gmt":"2026-05-19T18:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=84833"},"modified":"2026-05-19T15:00:26","modified_gmt":"2026-05-19T18:00:26","slug":"100-anos-de-lutzenberger-da-borregaard-a-cmpc-celulose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/100-anos-de-lutzenberger-da-borregaard-a-cmpc-celulose\/","title":{"rendered":"100 anos de Lutzenberger: da Borregaard a CMPC Celulose"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O sil\u00eancio, ainda que leg\u00edtimo enquanto escolha institucional, inevitavelmente gera d\u00favidas e abre espa\u00e7o para questionamentos p\u00fablicos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Cristiano Goldschmidt<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Lutzenberger completaria 100 anos em 2026. E talvez n\u00e3o exista s\u00edmbolo mais eloquente de sua genialidade do que a transforma\u00e7\u00e3o de um dos maiores passivos ambientais da hist\u00f3ria recente do Rio Grande do Sul em uma solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica reconhecida internacionalmente. Foi justamente diante da crise provocada pela antiga Borregaard, em Gua\u00edba \u2014 empresa que marcou os anos 1970 pelo forte odor, pela polui\u00e7\u00e3o e pela degrada\u00e7\u00e3o ambiental \u00e0s margens do lago Gua\u00edba \u2014 que Lutzenberger demonstrou sua capacidade de unir cr\u00edtica ecol\u00f3gica, ci\u00eancia aplicada e vis\u00e3o de futuro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"460\" height=\"309\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-10.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-84834\" style=\"width:359px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-10.png 460w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-10-300x202.png 300w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Naquele per\u00edodo, a f\u00e1brica norueguesa tornou-se sin\u00f4nimo de agress\u00e3o ambiental. O movimento ecol\u00f3gico ga\u00facho, ainda nascente, encontrou em Lutzenberger uma de suas vozes mais l\u00facidas e firmes. Ao lado de outros ecologistas, ele denunciou a contamina\u00e7\u00e3o do ar e da \u00e1gua, os impactos sobre a sa\u00fade p\u00fablica e a aus\u00eancia de responsabilidade ambiental de uma ind\u00fastria que operava sem o devido controle. A antiga Borregaard, instalada em Gua\u00edba em 1972, passou posteriormente por diferentes fases e grupos empresariais, transformando-se em Riocell, em 1975, Klabin Riocell, em 2000, Aracruz Celulose, em 2003, at\u00e9 chegar \u00e0 atual CMPC Celulose Riograndense, em 2009. E foi justamente a partir da fase da Riocell que a parceria de Jos\u00e9 Lutzenberger com a ind\u00fastria de celulose se efetivou, ajudando a construir caminhos t\u00e9cnicos para minimizar parte dos danos ambientais associados \u00e0 atividade industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da empresa VIDA \u00e9 um exemplo concreto disso. Desenvolvida a partir de solu\u00e7\u00f5es de tratamento biol\u00f3gico e anaer\u00f3bico de lodos de celulose, a iniciativa tornou-se refer\u00eancia no processamento de res\u00edduos s\u00f3lidos industriais que antes eram despejados inadequadamente no ambiente. O tratamento anaer\u00f3bico desenvolvido pela empresa permitiu reduzir impactos ambientais e criar um modelo economicamente sustent\u00e1vel de gest\u00e3o de res\u00edduos. Hoje, a VIDA, administrada pelas duas filhas do ecologista, possui faturamento anual multimilion\u00e1rio e mant\u00e9m opera\u00e7\u00f5es em diferentes polos do setor de celulose brasileiro: na pr\u00f3pria CMPC Celulose Riograndense, em Gua\u00edba; na Veracel Celulose, na Bahia; nas unidades da Suzano Papel e Celulose em Tr\u00eas Lagoas e Ribas do Rio Pardo, no Mato Grosso do Sul; e em Imperatriz, no Maranh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse legado t\u00e9cnico e ambiental de Lutzenberger torna ainda mais inevit\u00e1vel o debate atual sobre a nova expans\u00e3o da ind\u00fastria de celulose na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre. Nos \u00faltimos meses, venho acompanhando atentamente, especialmente atrav\u00e9s das reportagens do Jornal J\u00c1 e do Sul21, as discuss\u00f5es em torno do chamado \u201cProjeto Natureza\u201d, da CMPC, que prev\u00ea a instala\u00e7\u00e3o de uma nova megaf\u00e1brica de celulose em Barra do Ribeiro, \u00e0s margens do Gua\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros impressionam. A atual planta da CMPC em Gua\u00edba possui capacidade de produ\u00e7\u00e3o de aproximadamente 2,4 milh\u00f5es de toneladas de celulose por ano. O novo empreendimento prev\u00ea adicionar entre 2,5 e 3 milh\u00f5es de toneladas anuais, dobrando a produ\u00e7\u00e3o regional de celulose. O investimento estimado est\u00e1 entre R$ 25 e 27 bilh\u00f5es, considerado um dos maiores investimentos privados da hist\u00f3ria do Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas junto aos n\u00fameros bilion\u00e1rios surgem alertas igualmente gigantescos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadores, ambientalistas, t\u00e9cnicos independentes e entidades da sociedade civil v\u00eam chamando aten\u00e7\u00e3o para o potencial impacto ambiental do projeto sobre o lago Gua\u00edba, sobre o bioma Pampa, sobre as comunidades ind\u00edgenas Guarani Mby\u00e1 e Kaingang, sobre pescadores artesanais e sobre o abastecimento h\u00eddrico da regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as preocupa\u00e7\u00f5es levantadas est\u00e3o o lan\u00e7amento di\u00e1rio de enormes volumes de efluentes industriais nas \u00e1guas do Gua\u00edba, o aumento da carga t\u00f3xica associada ao branqueamento da celulose, os riscos de compostos organoclorados, dioxinas e furanos, al\u00e9m da amplia\u00e7\u00e3o massiva das monoculturas de eucalipto para abastecimento da futura planta industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m o temor de agravamento da press\u00e3o h\u00eddrica regional, perda de biodiversidade, aumento do risco de inc\u00eandios florestais e comprometimento de territ\u00f3rios tradicionais. O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal j\u00e1 ingressou com a\u00e7\u00e3o questionando o processo de licenciamento ambiental e cobrando consulta pr\u00e9via, livre e informada \u00e0s comunidades tradicionais potencialmente afetadas, conforme determina a Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante registrar que n\u00e3o se trata de uma oposi\u00e7\u00e3o simplista \u00e0 atividade econ\u00f4mica ou ao setor de celulose em si. O pr\u00f3prio manifesto lan\u00e7ado em 27 de abril de 2026 pelo Comit\u00ea T\u00e9cnico de An\u00e1lise e Questionamento do EIA \u2013 RIMA do novo Projeto da CMPC Celulose deixa claro que o debate central est\u00e1 relacionado \u00e0 dimens\u00e3o dos impactos, \u00e0 qualidade dos estudos ambientais apresentados e \u00e0 necessidade de um processo transparente e rigoroso de licenciamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento foi assinado por diversas entidades ambientalistas, associa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, pesquisadores e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, incluindo AGAPAN, InG\u00e1, Instituto Mira-Serra, Amigas da Terra Brasil e outras institui\u00e7\u00f5es historicamente ligadas \u00e0 defesa ambiental no Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>E justamente a\u00ed surge um questionamento inevit\u00e1vel \u2014 um questionamento respeitoso, mas necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Causa estranhamento a aus\u00eancia da Funda\u00e7\u00e3o Gaia entre as entidades signat\u00e1rias do manifesto. A Funda\u00e7\u00e3o Gaia, criada por Jos\u00e9 Lutzenberger, ocupa um espa\u00e7o hist\u00f3rico e simb\u00f3lico fundamental no ambientalismo brasileiro. Mais do que isso: carrega o legado intelectual e \u00e9tico de algu\u00e9m que nunca hesitou em se posicionar diante de amea\u00e7as ambientais, independentemente do peso econ\u00f4mico ou pol\u00edtico dos interesses envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que a Funda\u00e7\u00e3o Gaia n\u00e3o assina o manifesto? Por que n\u00e3o se manifesta publicamente diante de um tema de tamanha relev\u00e2ncia ambiental e social para o Rio Grande do Sul? Por que permanece em sil\u00eancio justamente quando se discute um empreendimento que poder\u00e1 alterar profundamente a din\u00e2mica ecol\u00f3gica da bacia do Gua\u00edba?<\/p>\n\n\n\n<p>As perguntas tornam-se ainda mais pertinentes quando lembramos que o pr\u00f3prio Lutzenberger criou a empresa VIDA, especializada justamente no tratamento de res\u00edduos da ind\u00fastria de celulose. Se existe hoje no Brasil um conjunto de profissionais e t\u00e9cnicos capazes de avaliar, com profundidade e experi\u00eancia pr\u00e1tica, os impactos ambientais associados ao tratamento de lodos e efluentes da atividade celul\u00f3sica, certamente esses quadros est\u00e3o ligados \u00e0 experi\u00eancia constru\u00edda pela VIDA ao longo de d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o teriam, portanto, condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas de contribuir com um parecer independente? N\u00e3o poderiam oferecer uma an\u00e1lise qualificada sobre os impactos potenciais da amplia\u00e7\u00e3o prevista para a regi\u00e3o metropolitana? N\u00e3o seria extremamente relevante que a Funda\u00e7\u00e3o Gaia e t\u00e9cnicos vinculados \u00e0 experi\u00eancia da VIDA colaborassem com as demais entidades do Comit\u00ea T\u00e9cnico de An\u00e1lise e Questionamento do EIA-RIMA?<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma simples aus\u00eancia formal em um manifesto, o sil\u00eancio da Funda\u00e7\u00e3o Gaia e da empresa VIDA acaba produzindo um vazio simb\u00f3lico e t\u00e9cnico em um dos debates ambientais mais relevantes das \u00faltimas d\u00e9cadas no Rio Grande do Sul. Trata-se justamente de um tema diretamente relacionado \u00e0 trajet\u00f3ria de Jos\u00e9 Lutzenberger, \u00e0 hist\u00f3ria da ecologia ga\u00facha e \u00e0 pr\u00f3pria experi\u00eancia acumulada no enfrentamento dos impactos da ind\u00fastria de celulose. Em um momento em que pesquisadores independentes, universidades, entidades ambientalistas e movimentos sociais v\u00eam alertando para poss\u00edveis insufici\u00eancias no EIA-RIMA apresentado pela CMPC, seria natural esperar uma participa\u00e7\u00e3o mais ativa de institui\u00e7\u00f5es historicamente vinculadas ao pensamento ecol\u00f3gico constru\u00eddo por Lutzenberger. O sil\u00eancio, ainda que leg\u00edtimo enquanto escolha institucional, inevitavelmente gera d\u00favidas e abre espa\u00e7o para questionamentos p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o o fato de que a empresa VIDA, cuja notoriedade foi constru\u00edda justamente a partir da capacidade t\u00e9cnica de lidar com res\u00edduos e passivos ambientais da cadeia da celulose, permane\u00e7a distante do debate p\u00fablico sobre os limites ambientais de uma nova expans\u00e3o industrial dessa magnitude. Ningu\u00e9m espera da empresa o que muitos podem chamar de milit\u00e2ncia ideol\u00f3gica ou posicionamentos panflet\u00e1rios. O que se espera \u00e9 contribui\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, transpar\u00eancia e disposi\u00e7\u00e3o para o di\u00e1logo p\u00fablico qualificado. Afinal, se a experi\u00eancia acumulada pela VIDA ajudou a demonstrar que desenvolvimento industrial e responsabilidade ambiental podem caminhar juntos, por que n\u00e3o compartilhar esse conhecimento agora, quando a sociedade ga\u00facha discute os riscos, as garantias e os impactos de um empreendimento que poder\u00e1 marcar profundamente o futuro ambiental da regi\u00e3o metropolitana?<\/p>\n\n\n\n<p>Um posicionamento t\u00e9cnico dessa natureza agregaria densidade cient\u00edfica ao debate p\u00fablico e honraria, ao mesmo tempo, a tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e propositiva deixada por Lutzenberger. Em um ano simb\u00f3lico como o centen\u00e1rio de seu nascimento, uma manifesta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, \u00e9tica e independente talvez fosse n\u00e3o apenas pertinente, mas coerente com o legado que tanto a Funda\u00e7\u00e3o Gaia quanto a VIDA afirmam representar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que o Rio Grande do Sul necessita de desenvolvimento econ\u00f4mico, gera\u00e7\u00e3o de empregos e atra\u00e7\u00e3o de investimentos. Tamb\u00e9m \u00e9 evidente que a ind\u00fastria de celulose possui enorme peso na economia brasileira e no mercado internacional. Entretanto, justamente pela dimens\u00e3o do empreendimento e pelos riscos associados, a sociedade ga\u00facha tem o direito \u2014 e talvez o dever \u2014 de exigir m\u00e1xima transpar\u00eancia, m\u00e1xima prud\u00eancia e m\u00e1xima responsabilidade ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>O hist\u00f3rico recente do pr\u00f3prio estado demonstra como eventos clim\u00e1ticos extremos, degrada\u00e7\u00e3o ambiental e fragilidade dos ecossistemas passaram a representar riscos concretos para milh\u00f5es de pessoas. Discutir profundamente os impactos de um megaprojeto industrial \u00e0s margens do principal manancial h\u00eddrico da regi\u00e3o metropolitana n\u00e3o \u00e9 radicalismo. \u00c9 responsabilidade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, ganha import\u00e2ncia a audi\u00eancia p\u00fablica marcada para o dia 20 de maio, \u00e0s 10h30, na Sala Maur\u00edcio Cardoso da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O encontro dever\u00e1 discutir o novo empreendimento da CMPC e os impactos socioambientais envolvidos no processo de licenciamento ambiental. Ser\u00e1 uma oportunidade importante para que pesquisadores, t\u00e9cnicos, parlamentares, ambientalistas e sociedade civil possam debater de forma democr\u00e1tica os riscos, as contrapartidas e as exig\u00eancias necess\u00e1rias diante de um projeto dessa magnitude.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Lutzenberger jamais confundiu ecologia com nega\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica. Pelo contr\u00e1rio: sua trajet\u00f3ria demonstra que ele acreditava profundamente na capacidade humana de criar solu\u00e7\u00f5es inteligentes para problemas ambientais complexos. Foi assim quando enfrentou a Borregaard nos anos 1970. E foi assim, posteriormente, quando ajudou a desenvolver solu\u00e7\u00f5es concretas para o tratamento de res\u00edduos da pr\u00f3pria ind\u00fastria de celulose.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso mesmo, parece dif\u00edcil imaginar que, se estivesse vivo hoje, Lutzenberger permaneceria em sil\u00eancio diante do atual debate sobre a expans\u00e3o da CMPC na bacia do Gua\u00edba. Muito provavelmente faria o que sempre fez: estudaria profundamente o tema, ouviria cientistas, analisaria dados t\u00e9cnicos e emitiria uma opini\u00e3o clara, respons\u00e1vel e fundamentada \u2014 ainda que isso contrariasse interesses econ\u00f4micos poderosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez n\u00e3o exista homenagem mais coerente para o centen\u00e1rio de seu nascimento do que justamente essa: retomar sua coragem intelectual, sua independ\u00eancia cr\u00edtica e sua disposi\u00e7\u00e3o permanente de buscar solu\u00e7\u00f5es ambientalmente respons\u00e1veis para os desafios do desenvolvimento humano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto: Right Livelihood Award Foundation Archive<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sil\u00eancio, ainda que leg\u00edtimo enquanto escolha institucional, inevitavelmente gera d\u00favidas e abre espa\u00e7o para questionamentos p\u00fablicos. 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