{"id":84876,"date":"2026-06-02T12:31:53","date_gmt":"2026-06-02T15:31:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=84876"},"modified":"2026-06-02T12:31:54","modified_gmt":"2026-06-02T15:31:54","slug":"o-filho-florian-zeller-e-o-retrato-intimo-de-um-naufragio-familiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/o-filho-florian-zeller-e-o-retrato-intimo-de-um-naufragio-familiar\/","title":{"rendered":"O Filho: Florian Zeller e o retrato \u00edntimo de um naufr\u00e1gio familiar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A dire\u00e7\u00e3o compreende que a grande trag\u00e9dia do texto de Zeller n\u00e3o est\u00e1 nos fatos extraordin\u00e1rios, mas na banalidade devastadora dos afetos mal administrados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Cristiano Goldschmidt<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 pe\u00e7as que se estruturam sobre acontecimentos. Outras, mais raras, organizam-se em torno de aus\u00eancias. <em>O Filho<\/em>, texto do dramaturgo e cineasta franc\u00eas Florian Zeller, pertence a essa segunda categoria. Sua mat\u00e9ria dram\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 propriamente o conflito, mas aquilo que se deteriora silenciosamente dentro das rela\u00e7\u00f5es humanas enquanto todos ainda insistem em manter a apar\u00eancia de normalidade. Assistir \u00e0 montagem brasileira dirigida por L\u00e9o Stefanini, no Sal\u00e3o de Atos da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul, no \u00faltimo domingo, 31 de maio, foi menos uma experi\u00eancia teatral convencional do que um mergulho gradual numa esp\u00e9cie de vertigem emocional cuidadosamente arquitetada. Ao final, o que permanecia n\u00e3o era apenas a mem\u00f3ria das atua\u00e7\u00f5es ou da encena\u00e7\u00e3o, mas um mal-estar profundo, desses que n\u00e3o se dissipam quando as luzes da plateia se acendem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"619\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/gabriel-braga-nunes-andreas-trotta-e-maria-ribeiro-em-o-filho-peca-do-dramaturgo-e-cineasta-frances-florian-zeller-1024x619.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-84877\" style=\"width:727px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/gabriel-braga-nunes-andreas-trotta-e-maria-ribeiro-em-o-filho-peca-do-dramaturgo-e-cineasta-frances-florian-zeller-1024x619.jpeg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/gabriel-braga-nunes-andreas-trotta-e-maria-ribeiro-em-o-filho-peca-do-dramaturgo-e-cineasta-frances-florian-zeller-300x181.jpeg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/gabriel-braga-nunes-andreas-trotta-e-maria-ribeiro-em-o-filho-peca-do-dramaturgo-e-cineasta-frances-florian-zeller-768x464.jpeg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/gabriel-braga-nunes-andreas-trotta-e-maria-ribeiro-em-o-filho-peca-do-dramaturgo-e-cineasta-frances-florian-zeller.jpeg 1141w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gabriel Braga Nunes, Andreas Trotta e Maria Ribeiro em O FILHO, pe\u00e7a do dramaturgo e cineasta franc\u00eas Florian Zeller<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O m\u00e9rito maior desta montagem talvez esteja justamente na recusa do melodrama f\u00e1cil. Em m\u00e3os menos sofisticadas, <em>O Filho<\/em> poderia transformar-se numa narrativa sobre adolesc\u00eancia problem\u00e1tica ou numa den\u00fancia sentimental sobre sa\u00fade mental. Nada disso acontece aqui. A dire\u00e7\u00e3o compreende que a grande trag\u00e9dia do texto de Zeller n\u00e3o est\u00e1 nos fatos extraordin\u00e1rios, mas na banalidade devastadora dos afetos mal administrados. Pais que acreditam estar fazendo o melhor. Filhos incapazes de traduzir o pr\u00f3prio sofrimento. Adultos t\u00e3o ocupados em reorganizar suas vidas que n\u00e3o percebem as rachaduras crescendo dentro da casa. H\u00e1 uma crueldade involunt\u00e1ria circulando por toda a pe\u00e7a \u2014 e \u00e9 precisamente isso que a torna t\u00e3o perturbadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dramaturgia de Zeller possui uma intelig\u00eancia estrutural admir\u00e1vel. O autor escreve di\u00e1logos aparentemente simples, cotidianos quase prosaicos, mas faz deles instrumentos de compress\u00e3o psicol\u00f3gica. Cada conversa cont\u00e9m algo que n\u00e3o est\u00e1 sendo dito. Cada sil\u00eancio parece mais eloquente do que as frases pronunciadas. Em cena, a linguagem nunca \u00e9 plenamente comunicativa; ela funciona como m\u00e1scara, defesa ou fracasso. Talvez por isso o texto provoque tamanha sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia: ningu\u00e9m ali consegue realmente alcan\u00e7ar o outro. Todos falam. Ningu\u00e9m consegue tocar o n\u00facleo do sofrimento alheio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A montagem brasileira entende essa arquitetura emocional e evita excessos explicativos. Gabriel Braga Nunes constr\u00f3i um pai dividido entre afeto genu\u00edno e incapacidade emocional com admir\u00e1vel conten\u00e7\u00e3o. Seu personagem n\u00e3o \u00e9 monstruoso, negligente ou ego\u00edsta de maneira caricatural. Ao contr\u00e1rio: \u00e9 justamente sua humanidade imperfeita que torna tudo mais doloroso. H\u00e1 momentos em que o ator parece operar quase por suspens\u00e3o, como algu\u00e9m permanentemente atrasado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gravidade da situa\u00e7\u00e3o que vive. Sua interpreta\u00e7\u00e3o rejeita grandes explos\u00f5es emocionais \u2013 h\u00e1 uma \u00fanica exce\u00e7\u00e3o \u2013 e aposta numa esp\u00e9cie de desgaste interno cont\u00ednuo. O resultado \u00e9 profundamente convincente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao lado dele, Maria Ribeiro realiza talvez o trabalho mais delicado da montagem. Sua personagem carrega uma culpa difusa, dessas imposs\u00edveis de organizar racionalmente. A atriz evita transformar a m\u00e3e numa figura exclusivamente fragilizada. Existe nela irrita\u00e7\u00e3o, cansa\u00e7o, ressentimento e, sobretudo, uma exaust\u00e3o moral que Maria Ribeiro traduz com extrema precis\u00e3o. Seu desempenho possui uma dimens\u00e3o quase documental: em v\u00e1rios momentos, parece menos uma atua\u00e7\u00e3o do que a observa\u00e7\u00e3o \u00edntima de algu\u00e9m tentando sobreviver emocionalmente ao colapso da pr\u00f3pria fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tha\u00eds Lago tamb\u00e9m merece destaque individual pela intelig\u00eancia com que constr\u00f3i sua personagem. Em uma pe\u00e7a dominada por tens\u00f5es familiares de alta voltagem emocional, a atriz compreende que sua fun\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica n\u00e3o est\u00e1 em disputar protagonismo, mas em oferecer contrapontos de sensibilidade e estabilidade aos conflitos centrais. Sua atua\u00e7\u00e3o revela um trabalho cuidadoso de escuta c\u00eanica, sustentado por uma presen\u00e7a discreta, por\u00e9m constantemente significativa. Lago evita qualquer excesso interpretativo e investe numa composi\u00e7\u00e3o marcada pela naturalidade, permitindo que pequenos gestos, pausas e inflex\u00f5es revelem camadas emocionais que enriquecem a narrativa. \u00c9 justamente essa economia expressiva que confere densidade \u00e0 personagem e amplia a credibilidade do universo humano constru\u00eddo pela montagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas \u00e9 Andreas Trotta quem sustenta o cora\u00e7\u00e3o mais brutal da pe\u00e7a. Seu trabalho como o jovem Nicolas impressiona n\u00e3o pela intensidade ostensiva, mas pelo controle rigoroso da vulnerabilidade. O ator compreende algo fundamental: adolescentes em sofrimento raramente parecem tr\u00e1gicos o tempo inteiro. H\u00e1 ironia, apatia, humor involunt\u00e1rio, dispers\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o afetiva e ternura coexistindo simultaneamente. Trotta evita todos os clich\u00eas da juventude atormentada. Seu Nicolas n\u00e3o \u00e9 um s\u00edmbolo geracional nem uma abstra\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica; \u00e9 um corpo exausto tentando continuar existindo num mundo que perdeu legibilidade emocional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em diversos momentos da apresenta\u00e7\u00e3o no Sal\u00e3o de Atos, era poss\u00edvel perceber a plateia mergulhada num sil\u00eancio particularmente denso \u2014 n\u00e3o o sil\u00eancio protocolar do respeito teatral, mas aquele outro, mais raro, que surge quando o p\u00fablico reconhece em cena alguma verdade desconfort\u00e1vel sobre si mesmo. <em>O Filho<\/em> produz esse efeito porque n\u00e3o oferece dist\u00e2ncia moral segura. N\u00e3o h\u00e1 vil\u00f5es evidentes. N\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es redentoras. O espet\u00e1culo obriga o espectador a confrontar uma pergunta inquietante: at\u00e9 que ponto o amor basta quando faltam instrumentos emocionais para compreender o sofrimento do outro?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dire\u00e7\u00e3o de L\u00e9o Stefanini demonstra intelig\u00eancia ao n\u00e3o tentar \u201cembelezar\u201d essa devasta\u00e7\u00e3o. Sua encena\u00e7\u00e3o aposta na limpeza formal, na circula\u00e7\u00e3o precisa dos atores e numa administra\u00e7\u00e3o rigorosa do ritmo. H\u00e1 um entendimento claro de que o horror da pe\u00e7a nasce justamente da normalidade dos ambientes. Tudo parece funcional, civilizado, organizado \u2014 e talvez seja exatamente isso que torne a experi\u00eancia t\u00e3o angustiante. O desastre emerge n\u00e3o do caos, mas da vida cotidiana funcionando aparentemente como deveria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o figurino concebido por Yakini Rodrigues revela sensibilidade dramat\u00fargica rara. Em vez de buscar estiliza\u00e7\u00f5es ostensivas ou signos visuais excessivamente simb\u00f3licos, Yakini constr\u00f3i uma apar\u00eancia de absoluta normalidade que, paradoxalmente, aprofunda a dimens\u00e3o tr\u00e1gica do espet\u00e1culo. As roupas parecem pertencer organicamente \u00e0 vida cotidiana daqueles personagens: tecidos discretos, cortes funcionais, tons s\u00f3brios, escolhas que traduzem pessoas absorvidas por rotinas urbanas emocionalmente desgastadas. H\u00e1 algo particularmente inteligente na maneira como o figurino evita individualizar excessivamente os personagens por meio da apar\u00eancia, permitindo que a tens\u00e3o psicol\u00f3gica emerja sobretudo da rela\u00e7\u00e3o entre os corpos, os sil\u00eancios e os afetos interrompidos. Trata-se de um trabalho de refinada discri\u00e7\u00e3o, desses que n\u00e3o procuram chamar aten\u00e7\u00e3o para si mesmos, mas sustentam silenciosamente a credibilidade emocional da encena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O elenco de apoio contribui decisivamente para a engrenagem emocional da pe\u00e7a. Marcio Marinello imprime densidade \u00e0s pequenas apari\u00e7\u00f5es, enquanto Luciano Schwab trabalha com precis\u00e3o as zonas perif\u00e9ricas da tens\u00e3o dram\u00e1tica. Ambos compreendem a l\u00f3gica de conten\u00e7\u00e3o que atravessa a encena\u00e7\u00e3o e evitam qualquer movimento que desestabilize o delicado equil\u00edbrio tonal do espet\u00e1culo. Nenhuma atua\u00e7\u00e3o parece fora da frequ\u00eancia dram\u00e1tica proposta pela montagem. Existe um raro senso de conjunto em cena, resultado de um trabalho coletivo que compreende a import\u00e2ncia de cada presen\u00e7a para a constru\u00e7\u00e3o da atmosfera de inquieta\u00e7\u00e3o e fragilidade que sustenta o todo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m impressiona a forma como o espet\u00e1culo evita discursos simplificadores sobre sofrimento ps\u00edquico. Em tempos nos quais tantas obras transformam temas emocionais complexos em slogans terap\u00eauticos ou mensagens motivacionais embaladas para consumo r\u00e1pido, <em>O Filho<\/em> recusa qualquer sentimentalismo pedag\u00f3gico. A pe\u00e7a n\u00e3o pretende ensinar o p\u00fablico a lidar com depress\u00e3o, adolesc\u00eancia ou rela\u00e7\u00f5es familiares. Sua ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil \u2014 e artisticamente mais relevante. Ela procura expor a fal\u00eancia parcial da comunica\u00e7\u00e3o humana contempor\u00e2nea. Pais e filhos dividem espa\u00e7os, rotinas, afetos e ainda assim permanecem separados por dist\u00e2ncias emocionais imensas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 algo profundamente contempor\u00e2neo na maneira como Zeller retrata fam\u00edlias emocionalmente alfabetizadas apenas na superf\u00edcie. Todos conhecem os vocabul\u00e1rios corretos, os protocolos do cuidado, os discursos da escuta, mas poucos conseguem verdadeiramente sustentar a presen\u00e7a necess\u00e1ria diante da dor radical do outro. O espet\u00e1culo toca nesse nervo exposto do presente com rara honestidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao final da sess\u00e3o, conclui-se que <em>O Filho<\/em> pertence a essa categoria cada vez mais rara de experi\u00eancias art\u00edsticas que n\u00e3o desejam apenas entreter ou emocionar, mas produzir fric\u00e7\u00e3o moral, desconforto reflexivo e mem\u00f3ria duradoura. \u00c9 um espet\u00e1culo que permanece reverberando muito depois da sa\u00edda do teatro. Na noite de 31 de maio, no Sal\u00e3o de Atos da PUC-RS, essa reverbera\u00e7\u00e3o era quase palp\u00e1vel. As pessoas deixavam seus lugares mais silenciosas do que o habitual, como quem regressa lentamente de um territ\u00f3rio emocional dif\u00edcil de nomear. Talvez porque <em>O Filho <\/em>nos lembre de algo que preferimos esquecer: h\u00e1 sofrimentos que acontecem diante dos nossos olhos sem que saibamos reconhec\u00ea-los a tempo. E h\u00e1 amores sinceros que, mesmo verdadeiros, ainda assim fracassam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dire\u00e7\u00e3o compreende que a grande trag\u00e9dia do texto de Zeller n\u00e3o est\u00e1 nos fatos extraordin\u00e1rios, mas na banalidade devastadora dos afetos mal administrados. Por Cristiano Goldschmidt H\u00e1 pe\u00e7as que se estruturam sobre acontecimentos. Outras, mais raras, organizam-se em torno de aus\u00eancias. 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E talvez n\u00e3o exista s\u00edmbolo mais eloquente de sua genialidade do que a transforma\u00e7\u00e3o de um dos maiores passivos ambientais da hist\u00f3ria recente\u2026","rel":"","context":"Em &quot;An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/category\/analiseopiniao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-10.png?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":84838,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/jornalismo-nao-existe-para-proteger-zonas-de-conforto-institucionais\/","url_meta":{"origin":84876,"position":4},"title":"Jornalismo n\u00e3o existe para proteger zonas de conforto institucionais","author":"An\u00e1lise &amp; Opini\u00e3o","date":"20 de maio de 2026","format":false,"excerpt":"O jornalismo que antes buscava escavar estruturas ocultas do poder passou, em in\u00fameros casos, a atuar como um sistema de media\u00e7\u00e3o de narrativas j\u00e1 prontas. Por Cristiano Goldschmidt O epis\u00f3dio envolvendo as revela\u00e7\u00f5es recentes sobre as conex\u00f5es entre integrantes da fam\u00edlia Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro exp\u00f5e muito mais\u2026","rel":"","context":"Em &quot;An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/category\/analiseopiniao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/reproducao-site-the-intercept-brasil.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/reproducao-site-the-intercept-brasil.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/reproducao-site-the-intercept-brasil.jpeg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/reproducao-site-the-intercept-brasil.jpeg?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/reproducao-site-the-intercept-brasil.jpeg?resize=1050%2C600&ssl=1 3x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/reproducao-site-the-intercept-brasil.jpeg?resize=1400%2C800&ssl=1 4x"},"classes":[]},{"id":84564,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/a-nova-celulose-a-beira-do-guaiba-e-o-risco-de-repetir-a-borregaard\/","url_meta":{"origin":84876,"position":5},"title":"A nova celulose \u00e0 beira do Gua\u00edba e o risco de repetir a Borregaard","author":"An\u00e1lise &amp; Opini\u00e3o","date":"6 de mar\u00e7o de 2026","format":false,"excerpt":"ELMAR BONES No dia 16 de mar\u00e7o de 1972 foi inaugurada a Ind\u00fastria de Celulose Borregaard, em Gua\u00edba, com a presen\u00e7a das mais altas autoridades e manchetes ufanistas em todos os jornais. 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