{"id":84890,"date":"2026-06-03T13:53:22","date_gmt":"2026-06-03T16:53:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=84890"},"modified":"2026-06-03T13:53:24","modified_gmt":"2026-06-03T16:53:24","slug":"andre-venzon-e-a-poetica-dos-limites-urbanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/andre-venzon-e-a-poetica-dos-limites-urbanos\/","title":{"rendered":"Andr\u00e9 Venzon e a po\u00e9tica dos limites urbanos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Em suas obras, a cidade deixa de ser simples paisagem: torna-se organismo vivo, territ\u00f3rio de disputa, mem\u00f3ria em ru\u00ednas e possibilidade permanente de reinven\u00e7\u00e3o do olhar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"679\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/serie-consumidores-de-espacos-fotografia-80x100cm-porto-alegre-2001-acervo-pinacoteca-barao-de-santo-angelo-1024x679.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-84891\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/serie-consumidores-de-espacos-fotografia-80x100cm-porto-alegre-2001-acervo-pinacoteca-barao-de-santo-angelo-1024x679.jpeg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/serie-consumidores-de-espacos-fotografia-80x100cm-porto-alegre-2001-acervo-pinacoteca-barao-de-santo-angelo-300x199.jpeg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/serie-consumidores-de-espacos-fotografia-80x100cm-porto-alegre-2001-acervo-pinacoteca-barao-de-santo-angelo-768x509.jpeg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/serie-consumidores-de-espacos-fotografia-80x100cm-porto-alegre-2001-acervo-pinacoteca-barao-de-santo-angelo-1536x1019.jpeg 1536w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/serie-consumidores-de-espacos-fotografia-80x100cm-porto-alegre-2001-acervo-pinacoteca-barao-de-santo-angelo-2048x1358.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">S\u00c9RIE CONSUMIDORES DE ESPA\u00c7OS. FOTOGRAFIA, 80X100CM, PORTO ALEGRE, 2001, Acervo Pinacoteca Bar\u00e3o de Santo Angelo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Cristiano Goldschmidt<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria de Andr\u00e9 Venzon ocupa um lugar singular dentro da arte contempor\u00e2nea brasileira porque sua produ\u00e7\u00e3o nasce precisamente do atrito entre cidade, arquitetura e experi\u00eancia humana. Em vez de compreender o espa\u00e7o urbano apenas como cen\u00e1rio ou pano de fundo, Venzon transforma a pr\u00f3pria materialidade da cidade em linguagem est\u00e9tica e reflex\u00e3o cr\u00edtica. Sua obra emerge das fissuras do ambiente metropolitano, dos dispositivos de conten\u00e7\u00e3o e ocultamento que organizam o cotidiano das grandes cidades, convertendo estruturas aparentemente banais em campos de investiga\u00e7\u00e3o po\u00e9tica. Poucos artistas brasileiros desenvolveram uma pesquisa t\u00e3o consistente sobre os modos como a paisagem urbana condiciona afetos, percep\u00e7\u00f5es e formas de conviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nascido em Porto Alegre em 1976, Venzon construiu uma trajet\u00f3ria em que pensamento visual, atua\u00e7\u00e3o institucional e elabora\u00e7\u00e3o conceitual caminham lado a lado. Mestre em Po\u00e9ticas Visuais pelo Instituto de Artes da UFRGS e especialista em Gest\u00e3o e Pol\u00edticas Culturais pela Universidade de Girona, sua forma\u00e7\u00e3o revela um artista interessado n\u00e3o apenas na cria\u00e7\u00e3o de imagens, mas na compreens\u00e3o ampla dos sistemas culturais e simb\u00f3licos que organizam a experi\u00eancia contempor\u00e2nea. Essa dimens\u00e3o intelectual nunca aparece em sua produ\u00e7\u00e3o como discurso ornamental: ela se manifesta organicamente na densidade cr\u00edtica das obras e na coer\u00eancia de sua pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os elementos mais emblem\u00e1ticos de sua produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 a investiga\u00e7\u00e3o dos tapumes urbanos \u2014 especialmente as placas de madeirite tingidas em tonalidades vibrantes de f\u00facsia e magenta, t\u00e3o presentes em canteiros de obras das cidades brasileiras. O que para muitos seria apenas res\u00edduo arquitet\u00f4nico ou barreira provis\u00f3ria transforma-se, em suas m\u00e3os, em mat\u00e9ria est\u00e9tica, signo pol\u00edtico e superf\u00edcie de mem\u00f3ria. H\u00e1 algo profundamente revelador nessa escolha. O tapume \u00e9, por natureza, uma estrutura de separa\u00e7\u00e3o: delimita espa\u00e7os, impede acessos, esconde transforma\u00e7\u00f5es, anuncia interven\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e reorganiza a circula\u00e7\u00e3o dos corpos. Venzon percebe nesse objeto aparentemente funcional uma poderosa met\u00e1fora da vida urbana contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/andre-venzon-modulor-caminhante-2003-fotografia-emoldurada-com-tapume-andre-venzon-100-x-65-cm-tiragem-1-de-5-acervo-do-museu-nacional-de-belas-artes-rj-682x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-84892\" style=\"aspect-ratio:0.6660173862857555;width:577px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/andre-venzon-modulor-caminhante-2003-fotografia-emoldurada-com-tapume-andre-venzon-100-x-65-cm-tiragem-1-de-5-acervo-do-museu-nacional-de-belas-artes-rj-682x1024.jpeg 682w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/andre-venzon-modulor-caminhante-2003-fotografia-emoldurada-com-tapume-andre-venzon-100-x-65-cm-tiragem-1-de-5-acervo-do-museu-nacional-de-belas-artes-rj-200x300.jpeg 200w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/andre-venzon-modulor-caminhante-2003-fotografia-emoldurada-com-tapume-andre-venzon-100-x-65-cm-tiragem-1-de-5-acervo-do-museu-nacional-de-belas-artes-rj-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/andre-venzon-modulor-caminhante-2003-fotografia-emoldurada-com-tapume-andre-venzon-100-x-65-cm-tiragem-1-de-5-acervo-do-museu-nacional-de-belas-artes-rj-1024x1536.jpeg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/andre-venzon-modulor-caminhante-2003-fotografia-emoldurada-com-tapume-andre-venzon-100-x-65-cm-tiragem-1-de-5-acervo-do-museu-nacional-de-belas-artes-rj-1365x2048.jpeg 1365w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/andre-venzon-modulor-caminhante-2003-fotografia-emoldurada-com-tapume-andre-venzon-100-x-65-cm-tiragem-1-de-5-acervo-do-museu-nacional-de-belas-artes-rj-scaled.jpeg 1706w\" sizes=\"(max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Andr\u00e9 Venzon, Modulor\/Caminhante, 2003, fotografia emoldurada com tapume , 100 x 65 cm, tiragem 1 de 5, Acervo do Museu Nacional de Belas Artes &#8211; RJ.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua obra desloca o tapume do campo estritamente utilit\u00e1rio para uma esfera simb\u00f3lica carregada de ambiguidades. Essas superf\u00edcies tornam-se registros da tens\u00e3o permanente entre visibilidade e ocultamento. Em muitos trabalhos, percebe-se que o artista n\u00e3o est\u00e1 interessado apenas na apar\u00eancia f\u00edsica desses materiais, mas no universo social que eles silenciosamente revelam. O tapume indica que algo est\u00e1 sendo erguido, demolido ou interditado; ele anuncia progresso e, simultaneamente, exclus\u00e3o. Existe nele uma promessa de futuro, mas tamb\u00e9m a viol\u00eancia impl\u00edcita de quem redefine o espa\u00e7o urbano sem necessariamente considerar os sujeitos que o habitam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao incorporar esses elementos \u00e0 sua po\u00e9tica, Andr\u00e9 Venzon realiza uma opera\u00e7\u00e3o de ressignifica\u00e7\u00e3o extremamente sofisticada. A cidade deixa de ser apenas tema e converte-se em suporte, arquivo e linguagem. Fragmentos urbanos, res\u00edduos arquitet\u00f4nicos e materiais desgastados passam a carregar camadas de mem\u00f3ria afetiva, social e hist\u00f3rica. Em vez de idealizar o espa\u00e7o urbano, sua obra investiga justamente aquilo que costuma permanecer invis\u00edvel: os limites impostos pela arquitetura, os bloqueios cotidianos, os sil\u00eancios urbanos, as formas sutis de isolamento produzidas pelas cidades contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1, em sua produ\u00e7\u00e3o, uma dimens\u00e3o melanc\u00f3lica que jamais se confunde com nostalgia passiva. Muitos de seus trabalhos parecem operar como cartografias emocionais de uma cidade em permanente muta\u00e7\u00e3o. Rastros de inf\u00e2ncia, refer\u00eancias afetivas, signos populares e res\u00edduos do cotidiano s\u00e3o reorganizados numa linguagem visual que oscila entre abstra\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria concreta. Em suas obras, percebe-se frequentemente o embate entre utopia e deteriora\u00e7\u00e3o \u2014 como se a promessa moderna de conviv\u00eancia coletiva tivesse sido atravessada por processos cont\u00ednuos de fragmenta\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/dreaming-2012-offset-em-moldura-de-tapume-registro-de-intervencao-com-letras-caixa-luminosas-de-tapume-na-fachada-da-ccmq-edicao-09-300-76x545x43cm-colecao-do-artista-2-683x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-84895\" style=\"width:627px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/dreaming-2012-offset-em-moldura-de-tapume-registro-de-intervencao-com-letras-caixa-luminosas-de-tapume-na-fachada-da-ccmq-edicao-09-300-76x545x43cm-colecao-do-artista-2-683x1024.jpeg 683w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/dreaming-2012-offset-em-moldura-de-tapume-registro-de-intervencao-com-letras-caixa-luminosas-de-tapume-na-fachada-da-ccmq-edicao-09-300-76x545x43cm-colecao-do-artista-2-200x300.jpeg 200w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/dreaming-2012-offset-em-moldura-de-tapume-registro-de-intervencao-com-letras-caixa-luminosas-de-tapume-na-fachada-da-ccmq-edicao-09-300-76x545x43cm-colecao-do-artista-2-768x1151.jpeg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/dreaming-2012-offset-em-moldura-de-tapume-registro-de-intervencao-com-letras-caixa-luminosas-de-tapume-na-fachada-da-ccmq-edicao-09-300-76x545x43cm-colecao-do-artista-2-1025x1536.jpeg 1025w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/dreaming-2012-offset-em-moldura-de-tapume-registro-de-intervencao-com-letras-caixa-luminosas-de-tapume-na-fachada-da-ccmq-edicao-09-300-76x545x43cm-colecao-do-artista-2-1366x2048.jpeg 1366w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/dreaming-2012-offset-em-moldura-de-tapume-registro-de-intervencao-com-letras-caixa-luminosas-de-tapume-na-fachada-da-ccmq-edicao-09-300-76x545x43cm-colecao-do-artista-2.jpeg 1401w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dreaming, 2012. Offset em moldura de tapume, registro de interven\u00e7\u00e3o com letras-caixa luminosas de tapume na fachada da CCMQ. Edi\u00e7\u00e3o 09 -300_76x54,5&#215;4,3cm_Cole\u00e7\u00e3o do artista.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa tens\u00e3o aparece tamb\u00e9m na materialidade de suas composi\u00e7\u00f5es. As superf\u00edcies carregam marcas do tempo, sobreposi\u00e7\u00f5es, desgastes, camadas interrompidas e acidentes incorporados ao processo criativo. Nada parece excessivamente polido ou artificialmente conclu\u00eddo. Ao contr\u00e1rio: Venzon preserva nas obras os vest\u00edgios do percurso, como se a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o da imagem precisasse permanecer exposta. Existe nisso uma \u00e9tica do processo que resiste \u00e0 assepsia visual dominante em grande parte da produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea internacionalizada. Sua obra reivindica o direito \u00e0 imperfei\u00e7\u00e3o, ao ru\u00eddo e \u00e0 fratura como formas leg\u00edtimas de experi\u00eancia est\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora dialogue com tradi\u00e7\u00f5es como a abstra\u00e7\u00e3o informal, o expressionismo e certas vertentes da arte urbana contempor\u00e2nea, Andr\u00e9 Venzon evita qualquer submiss\u00e3o a modelos reconhec\u00edveis. Sua linguagem possui autonomia pr\u00f3pria. O artista absorve refer\u00eancias sem se tornar ilustrador de tend\u00eancias. O resultado \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o marcada por forte identidade visual e por uma investiga\u00e7\u00e3o persistente das rela\u00e7\u00f5es entre cor, mat\u00e9ria e arquitetura. O uso recorrente do magenta \u2014 cor associada aos tapumes urbanos que o fascinam \u2014 acaba adquirindo em sua obra uma dimens\u00e3o quase psicol\u00f3gica: uma presen\u00e7a vibrante que simultaneamente atrai e interrompe o olhar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"856\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/serie-para-ver-que-nao-vemos-tudo-2025-intervencao-com-bordado-industrial-sobre-tapecaria-estilo-gobelin-vintage-em-moldura-de-tapume-61-x-73-x-4-cm-acervo-do-artista-1024x856.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-84896\" style=\"width:673px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/serie-para-ver-que-nao-vemos-tudo-2025-intervencao-com-bordado-industrial-sobre-tapecaria-estilo-gobelin-vintage-em-moldura-de-tapume-61-x-73-x-4-cm-acervo-do-artista-1024x856.jpeg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/serie-para-ver-que-nao-vemos-tudo-2025-intervencao-com-bordado-industrial-sobre-tapecaria-estilo-gobelin-vintage-em-moldura-de-tapume-61-x-73-x-4-cm-acervo-do-artista-300x251.jpeg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/serie-para-ver-que-nao-vemos-tudo-2025-intervencao-com-bordado-industrial-sobre-tapecaria-estilo-gobelin-vintage-em-moldura-de-tapume-61-x-73-x-4-cm-acervo-do-artista-768x642.jpeg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/serie-para-ver-que-nao-vemos-tudo-2025-intervencao-com-bordado-industrial-sobre-tapecaria-estilo-gobelin-vintage-em-moldura-de-tapume-61-x-73-x-4-cm-acervo-do-artista.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">S\u00e9rie PARA VER QUE N\u00c3O VEMOS TUDO, 2025, interven\u00e7\u00e3o com bordado industrial sobre tape\u00e7aria estilo Gobelin vintage em moldura de tapume, 61 x 73 x 4 cm, Acervo do artista.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas limitar a relev\u00e2ncia de Andr\u00e9 Venzon apenas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica seria insuficiente. Sua trajet\u00f3ria tamb\u00e9m possui enorme import\u00e2ncia institucional e cultural no Rio Grande do Sul. Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, ele exerceu fun\u00e7\u00f5es decisivas na articula\u00e7\u00e3o da cena art\u00edstica ga\u00facha, ocupando posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a em espa\u00e7os fundamentais da cultura brasileira. Foi presidente da Associa\u00e7\u00e3o Riograndense de Artes Pl\u00e1sticas Francisco Lisboa, conselheiro estadual de cultura, integrante do Colegiado Nacional de Artes Visuais e diretor do Museu de Arte Contempor\u00e2nea do Rio Grande do Sul em diferentes per\u00edodos. Sua atua\u00e7\u00e3o demonstra compreens\u00e3o rara da arte como pr\u00e1tica social e como instrumento de constru\u00e7\u00e3o p\u00fablica da sensibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa dimens\u00e3o coletiva de sua atua\u00e7\u00e3o talvez explique a coer\u00eancia entre obra e pensamento. Venzon nunca tratou a arte como exerc\u00edcio isolado de individualismo autoral. Seu percurso revela compromisso cont\u00ednuo com a cria\u00e7\u00e3o de ambientes de circula\u00e7\u00e3o cultural, forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e fortalecimento institucional das artes visuais. Como coordenador da galeria da Funda\u00e7\u00e3o ECARTA e diretor art\u00edstico do Instituto Cultural Laje de Pedra, contribui para ampliar o di\u00e1logo entre produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, p\u00fablico e reflex\u00e3o contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m merece destaque sua participa\u00e7\u00e3o em projetos ligados \u00e0 mem\u00f3ria urbana e simb\u00f3lica do estado, como a autoria do monumento dedicado \u00e0 primeira imigra\u00e7\u00e3o judaica organizada para o Brasil, instalado no Parque Farroupilha. Esse trabalho evidencia outro aspecto importante de sua trajet\u00f3ria: a capacidade de articular arte p\u00fablica, mem\u00f3ria hist\u00f3rica e pertencimento coletivo sem recorrer ao monumentalismo vazio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao observar o conjunto de sua produ\u00e7\u00e3o, torna-se evidente que Andr\u00e9 Venzon pertence \u00e0 categoria de artistas que transformam materiais cotidianos em instrumentos de pensamento cr\u00edtico. Sua obra n\u00e3o busca oferecer respostas simples nem imagens de consumo imediato. Ela exige aten\u00e7\u00e3o, dura\u00e7\u00e3o e disponibilidade perceptiva. Em tempos marcados pela acelera\u00e7\u00e3o digital e pela superficialidade das experi\u00eancias visuais, seu trabalho reafirma o poder da arte como espa\u00e7o de resist\u00eancia simb\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A contribui\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Venzon para as artes brasileiras reside justamente nessa capacidade de unir rigor po\u00e9tico, consci\u00eancia urbana e atua\u00e7\u00e3o cultural consistente. Sua produ\u00e7\u00e3o demonstra que ainda \u00e9 poss\u00edvel construir uma arte profundamente conectada ao presente sem abdicar de complexidade formal e densidade intelectual. Em suas obras, a cidade deixa de ser simples paisagem: torna-se organismo vivo, territ\u00f3rio de disputa, mem\u00f3ria em ru\u00ednas e possibilidade permanente de reinven\u00e7\u00e3o do olhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em suas obras, a cidade deixa de ser simples paisagem: torna-se organismo vivo, territ\u00f3rio de disputa, mem\u00f3ria em ru\u00ednas e possibilidade permanente de reinven\u00e7\u00e3o do olhar. Por Cristiano Goldschmidt A trajet\u00f3ria de Andr\u00e9 Venzon ocupa um lugar singular dentro da arte contempor\u00e2nea brasileira porque sua produ\u00e7\u00e3o nasce precisamente do atrito entre cidade, arquitetura e experi\u00eancia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":190,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-84890","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analiseopiniao"],"aioseo_notices":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack-related-posts":[{"id":84847,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/a-restauracao-do-viaduto-da-borges-e-o-debate-sobre-pichacao\/","url_meta":{"origin":84890,"position":0},"title":"A restaura\u00e7\u00e3o do Viaduto da Borges e o debate sobre picha\u00e7\u00e3o","author":"An\u00e1lise &amp; Opini\u00e3o","date":"26 de maio de 2026","format":false,"excerpt":"A restaura\u00e7\u00e3o do Viaduto Ot\u00e1vio Rocha representa uma tentativa de reconectar Porto Alegre com parte de sua pr\u00f3pria dignidade arquitet\u00f4nica e cultural. 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Em Porto Alegre, poucos espa\u00e7os simbolizam t\u00e3o profundamente essa\u2026","rel":"","context":"Em &quot;An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/category\/analiseopiniao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-11.png?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-11.png?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-11.png?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-11.png?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/image-11.png?resize=1050%2C600&ssl=1 3x"},"classes":[]},{"id":84609,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/o-centro-historico-de-porto-alegre\/","url_meta":{"origin":84890,"position":1},"title":"O Centro (Hist\u00f3rico) de Porto Alegre","author":"Cleber Dioni Tentardini","date":"30 de mar\u00e7o de 2026","format":false,"excerpt":"CLEBER DIONI TENTARDINI Porto Alegre, nove horas da manh\u00e3 do dia\u00a030\u00a0de mar\u00e7o de 2026. 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