{"id":85035,"date":"2026-07-21T11:37:14","date_gmt":"2026-07-21T14:37:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=85035"},"modified":"2026-07-21T11:37:17","modified_gmt":"2026-07-21T14:37:17","slug":"leandro-machado-e-a-arqueologia-das-fraturas-contemporaneas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/leandro-machado-e-a-arqueologia-das-fraturas-contemporaneas\/","title":{"rendered":"Leandro Machado e a arqueologia das fraturas contempor\u00e2neas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Cristiano Goldschmidt<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma \u00e9poca em que parte significativa da arte contempor\u00e2nea parece oscilar entre o espet\u00e1culo vazio e a hermen\u00eautica excessivamente autocentrada, a trajet\u00f3ria de Leandro Machado se imp\u00f5e como um raro exerc\u00edcio de densidade po\u00e9tica aliada \u00e0 intelig\u00eancia formal. Nascido em 1970, em Porto Alegre, Leandro construiu uma obra que n\u00e3o busca apenas ocupar espa\u00e7os institucionais ou responder \u00e0s demandas do circuito art\u00edstico; ela parece movida por uma necessidade mais profunda: compreender as zonas de fric\u00e7\u00e3o entre mat\u00e9ria, mem\u00f3ria, cidade e subjetividade. H\u00e1 em sua produ\u00e7\u00e3o uma esp\u00e9cie de arqueologia do sens\u00edvel, um trabalho cont\u00ednuo de escava\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da experi\u00eancia urbana e humana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"775\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/autorretrato-2017-leandro-machado-775x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85036\" style=\"aspect-ratio:0.7568467080921274;width:494px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/autorretrato-2017-leandro-machado-775x1024.jpg 775w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/autorretrato-2017-leandro-machado-227x300.jpg 227w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/autorretrato-2017-leandro-machado-768x1015.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/autorretrato-2017-leandro-machado.jpg 941w\" sizes=\"(max-width: 775px) 100vw, 775px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Autorretrato, 2017. Leandro Machado<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artista negro, Leandro Machado incorpora em sua trajet\u00f3ria elementos identit\u00e1rios que n\u00e3o aparecem como mero discurso de superf\u00edcie, mas como constitui\u00e7\u00e3o \u00e9tica, hist\u00f3rica e espiritual de seu olhar sobre o mundo. Quando afirma ser \u201cde Xang\u00f4 e de Ob\u00e1\u201d, n\u00e3o est\u00e1 apenas evocando pertencimentos religiosos ou simb\u00f3licos ligados \u00e0s matrizes africanas; est\u00e1 afirmando uma cosmologia, uma heran\u00e7a de resist\u00eancia e uma dimens\u00e3o ancestral que atravessa sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Em sua obra, essa ancestralidade n\u00e3o se traduz por ilustra\u00e7\u00e3o folcl\u00f3rica nem por exotiza\u00e7\u00e3o da negritude. Ela aparece como for\u00e7a estruturante, como energia subterr\u00e2nea que reorganiza a percep\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, do gesto e do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"651\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/de-quem-e-o-corpo-que-pode-ser-torturado-2018-leandro-machado-1024x651.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85037\" style=\"width:535px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/de-quem-e-o-corpo-que-pode-ser-torturado-2018-leandro-machado-1024x651.jpg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/de-quem-e-o-corpo-que-pode-ser-torturado-2018-leandro-machado-300x191.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/de-quem-e-o-corpo-que-pode-ser-torturado-2018-leandro-machado-768x488.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/de-quem-e-o-corpo-que-pode-ser-torturado-2018-leandro-machado.jpg 1255w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">De quem \u00e9 o corpo que pode ser torturado, 2018. Leandro Machado.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica tamb\u00e9m ajuda a compreender a complexidade de sua linguagem. Leandro possui forma\u00e7\u00e3o em artes visuais \u2014 bacharelado em pintura e licenciatura em educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u2014 ambos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Essa dupla experi\u00eancia, simultaneamente t\u00e9cnica e pedag\u00f3gica, parece ter contribu\u00eddo para a elabora\u00e7\u00e3o de uma obra que alia dom\u00ednio formal rigoroso a uma reflex\u00e3o permanente sobre o papel social e humano da arte. Em seus trabalhos, percebe-se claramente algu\u00e9m que conhece profundamente os mecanismos da imagem, da composi\u00e7\u00e3o e da hist\u00f3ria da pintura, mas que se recusa a transformar esse conhecimento em mero virtuosismo est\u00e9ril.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu percurso evidencia um artista interessado menos em repetir assinaturas visuais facilmente reconhec\u00edveis e mais em tensionar linguagens, suportes e procedimentos. Essa inquieta\u00e7\u00e3o \u00e9 precisamente uma das for\u00e7as centrais de sua produ\u00e7\u00e3o: a percep\u00e7\u00e3o de que a arte n\u00e3o deve cristalizar-se em identidade estanque, mas permanecer como campo aberto de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua obra opera frequentemente na intersec\u00e7\u00e3o entre pintura, desenho, interven\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, assemblagem e experi\u00eancias visuais que dialogam com a materialidade da cidade contempor\u00e2nea. No entanto, reduzir seu trabalho a uma simples aproxima\u00e7\u00e3o com o universo urbano seria insuficiente. A cidade, em Leandro Machado, n\u00e3o aparece apenas como tema; ela surge como estrutura mental, ru\u00eddo psicol\u00f3gico e campo de disputa simb\u00f3lica. Seus trabalhos parecem capturar aquilo que o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Walter Benjamin chamava de \u201cexperi\u00eancia fragment\u00e1ria da modernidade\u201d: restos, sobreposi\u00e7\u00f5es, apagamentos, cicatrizes visuais e camadas temporais convivendo em tens\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2023-fotografia-leandro-machado-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85038\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2023-fotografia-leandro-machado-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2023-fotografia-leandro-machado-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2023-fotografia-leandro-machado-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2023-fotografia-leandro-machado-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2023-fotografia-leandro-machado-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sem t\u00edtulo, 2023. Fotografia. Leandro Machado.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 algo profundamente musical em sua constru\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica. N\u00e3o no sentido decorativo da palavra, mas na maneira como ritmos, interrup\u00e7\u00f5es, vazios e densidades organizam o olhar do observador. Em muitas de suas obras, percebe-se um equil\u00edbrio sofisticado entre conten\u00e7\u00e3o e explos\u00e3o. A composi\u00e7\u00e3o nunca \u00e9 arbitr\u00e1ria; existe uma intelig\u00eancia espacial rigorosa sustentando a aparente liberdade gestual. Esse dom\u00ednio formal impede que a energia expressiva descambe para o mero impulso ca\u00f3tico. Leandro compreende que a pot\u00eancia est\u00e9tica nasce justamente do atrito entre controle e vertigem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua rela\u00e7\u00e3o com a mat\u00e9ria tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o especial. Em um per\u00edodo hist\u00f3rico profundamente digitalizado, no qual imagens s\u00e3o produzidas e descartadas numa velocidade quase desumana, sua obra reafirma o valor da fisicalidade. Texturas, camadas, marcas, res\u00edduos e superf\u00edcies n\u00e3o s\u00e3o elementos acess\u00f3rios, mas partes constitutivas do pensamento visual. A mat\u00e9ria em seus trabalhos possui mem\u00f3ria. Cada desgaste parece carregar um vest\u00edgio temporal; cada interven\u00e7\u00e3o sugere uma narrativa interrompida. Essa dimens\u00e3o t\u00e1til devolve \u00e0 experi\u00eancia art\u00edstica algo que o excesso de virtualiza\u00e7\u00e3o frequentemente dilui: a consci\u00eancia do tempo inscrito nos objetos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"678\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2021-intervencao-urbana-e-fotografia-leandro-machado-678x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85039\" style=\"width:404px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2021-intervencao-urbana-e-fotografia-leandro-machado-678x1024.jpg 678w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2021-intervencao-urbana-e-fotografia-leandro-machado-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2021-intervencao-urbana-e-fotografia-leandro-machado-768x1159.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2021-intervencao-urbana-e-fotografia-leandro-machado.jpg 848w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sem t\u00edtulo, 2021. Interven\u00e7\u00e3o Urbana e Fotografia. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe ainda em sua produ\u00e7\u00e3o uma dimens\u00e3o \u00e9tica silenciosa. Diferentemente de artistas que transformam posicionamentos pol\u00edticos em slogans visuais imediatos, Leandro Machado opera numa esfera mais complexa e menos panflet\u00e1ria. Sua arte n\u00e3o simplifica a realidade em discursos bin\u00e1rios. Ela produz estranhamento, deslocamento e reflex\u00e3o. Ao inv\u00e9s de oferecer respostas confort\u00e1veis, convoca o espectador a habitar ambiguidades. Nesse sentido, sua obra dialoga com uma tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica importante da arte latino-americana, especialmente aquela que compreende o espa\u00e7o art\u00edstico como territ\u00f3rio de elabora\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica das tens\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua trajet\u00f3ria em Porto Alegre tamb\u00e9m possui relev\u00e2ncia cultural mais ampla. Em um pa\u00eds historicamente marcado pela concentra\u00e7\u00e3o institucional no eixo Rio\u2013S\u00e3o Paulo, artistas do sul do Brasil muitas vezes precisaram construir percursos de reconhecimento em condi\u00e7\u00f5es menos favorecidas de visibilidade nacional. Leandro Machado pertence a uma gera\u00e7\u00e3o que ajudou a afirmar a vitalidade intelectual e est\u00e9tica da produ\u00e7\u00e3o ga\u00facha contempor\u00e2nea sem recorrer a regionalismos caricatos. Sua obra n\u00e3o busca representar um \u201cfolclore do sul\u201d, mas elaborar experi\u00eancias universais a partir de uma viv\u00eancia situada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"756\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/te-reconhece-diante-da-imagem-que-o-espelho-insiste-2016-gravura-para-o-museu-do-trabalho-leandro-machado-756x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85040\" style=\"aspect-ratio:0.7382941860210102;width:526px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/te-reconhece-diante-da-imagem-que-o-espelho-insiste-2016-gravura-para-o-museu-do-trabalho-leandro-machado-756x1024.jpg 756w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/te-reconhece-diante-da-imagem-que-o-espelho-insiste-2016-gravura-para-o-museu-do-trabalho-leandro-machado-222x300.jpg 222w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/te-reconhece-diante-da-imagem-que-o-espelho-insiste-2016-gravura-para-o-museu-do-trabalho-leandro-machado-768x1040.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/te-reconhece-diante-da-imagem-que-o-espelho-insiste-2016-gravura-para-o-museu-do-trabalho-leandro-machado.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 756px) 100vw, 756px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Te reconhece diante da imagem que o espelho insiste, 2016. Gravura para o Museu do Trabalho. Leandro Machado.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os reconhecimentos conquistados ao longo de sua trajet\u00f3ria, destaca-se a circula\u00e7\u00e3o internacional do projeto \u201cArqueologia do Caminho\u201d. Entre dezembro de 2018 e agosto de 2019, Leandro apresentou seu livro e a exposi\u00e7\u00e3o hom\u00f4nima em tr\u00eas pa\u00edses, consolidando um importante momento de expans\u00e3o de sua presen\u00e7a art\u00edstica para al\u00e9m das fronteiras brasileiras. No Brasil, o projeto passou pelo Museu de Arte Contempor\u00e2nea do Rio Grande do Sul e pelo Espa\u00e7o Cultural Canto da Carambola, no Rio de Janeiro; no Uruguai, foi apresentado em Montevid\u00e9u, na Galeria Marte; e, na Fran\u00e7a, em La Rochelle, no Centre Intermondes. Essa itiner\u00e2ncia n\u00e3o representou apenas um reconhecimento institucional, mas tamb\u00e9m a confirma\u00e7\u00e3o da capacidade de sua obra dialogar com diferentes contextos culturais sem perder sua singularidade po\u00e9tica e pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"799\" height=\"398\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/travessias-afro-atlanticas-2002-foto-de-leandro-machado.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85041\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/travessias-afro-atlanticas-2002-foto-de-leandro-machado.jpg 799w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/travessias-afro-atlanticas-2002-foto-de-leandro-machado-300x149.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/travessias-afro-atlanticas-2002-foto-de-leandro-machado-768x383.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Travessias afro-atl\u00e2nticas, 2002. Foto de Leandro Machado<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso talvez explique por que sua produ\u00e7\u00e3o consegue dialogar simultaneamente com refer\u00eancias internacionais e com uma sensibilidade profundamente brasileira. H\u00e1 ecos do expressionismo, da abstra\u00e7\u00e3o l\u00edrica, da arte urbana e mesmo de certas estrat\u00e9gias conceituais contempor\u00e2neas, mas tudo isso \u00e9 atravessado por uma experi\u00eancia concreta da instabilidade urbana latino-americana. O resultado n\u00e3o \u00e9 derivativo. Pelo contr\u00e1rio: Leandro parece absorver influ\u00eancias para depois submet\u00ea-las a um processo de reinven\u00e7\u00e3o subjetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em julho de 2025, sob curadoria de Cristina Barros e Francisco Dalcol, sua primeira exposi\u00e7\u00e3o individual no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, \u201cLeandro Machado \u2013 <em>Hosp\u00edcios e balne\u00e1rios [\u00e9 preciso uma aldeia inteira para educar uma crian\u00e7a]<\/em>\u201d, evidenciou de maneira contundente a amplitude e a maturidade de sua pesquisa art\u00edstica. A mostra reuniu obras produzidas desde os anos 1990 e articulou diferentes linguagens, procedimentos gr\u00e1ficos, objetos, fotografias e instala\u00e7\u00f5es, compondo uma experi\u00eancia visual marcada pela sobreposi\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias, narrativas urbanas e tens\u00f5es sociais. A partir do pr\u00f3prio t\u00edtulo da exposi\u00e7\u00e3o e da atmosfera constru\u00edda pelo artista, era poss\u00edvel perceber uma reflex\u00e3o profunda sobre pertencimento, vulnerabilidade social, ancestralidade e experi\u00eancias de deslocamento humano. Hosp\u00edcios e balne\u00e1rios surgiam menos como categorias fixas de espa\u00e7o e mais como imagens simb\u00f3licas capazes de evocar simultaneamente cuidado, abandono, exclus\u00e3o e desejo de comunidade. Em vez de oferecer leituras fechadas, a exposi\u00e7\u00e3o parecia convidar o p\u00fablico a pensar sobre as formas como a sociedade contempor\u00e2nea administra a diferen\u00e7a, a fragilidade e a conviv\u00eancia coletiva. O subt\u00edtulo \u2014 \u201c\u00e9 preciso uma aldeia inteira para educar uma crian\u00e7a\u201d \u2014 introduzia ainda uma dimens\u00e3o \u00e9tica e comunit\u00e1ria particularmente poderosa, sugerindo que nenhum processo de forma\u00e7\u00e3o humana pode existir sem mem\u00f3ria compartilhada, v\u00ednculos afetivos e responsabilidade coletiva. A mostra confirmou a capacidade de Leandro Machado de transformar mat\u00e9ria visual em reflex\u00e3o cr\u00edtica sem perder intensidade po\u00e9tica, consolidando sua presen\u00e7a como uma das vozes mais densas e singulares da arte contempor\u00e2nea produzida no sul do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/abertura-no-margs-leandro-machado-hospicios-e-balnearios-e-preciso-uma-aldeia-inteira-para-educar-uma-crianca-2025-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85042\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/abertura-no-margs-leandro-machado-hospicios-e-balnearios-e-preciso-uma-aldeia-inteira-para-educar-uma-crianca-2025-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/abertura-no-margs-leandro-machado-hospicios-e-balnearios-e-preciso-uma-aldeia-inteira-para-educar-uma-crianca-2025-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/abertura-no-margs-leandro-machado-hospicios-e-balnearios-e-preciso-uma-aldeia-inteira-para-educar-uma-crianca-2025-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/abertura-no-margs-leandro-machado-hospicios-e-balnearios-e-preciso-uma-aldeia-inteira-para-educar-uma-crianca-2025-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/abertura-no-margs-leandro-machado-hospicios-e-balnearios-e-preciso-uma-aldeia-inteira-para-educar-uma-crianca-2025-2048x1367.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Abertura no MARGS. Leandro Machado \u2013 Hosp\u00edcios e balne\u00e1rios [\u00e9 preciso uma aldeia inteira para educar uma crian\u00e7a]. 2025.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro aspecto fundamental de sua contribui\u00e7\u00e3o art\u00edstica reside na capacidade de preservar complexidade sem perder for\u00e7a comunicativa. Muitas obras contempor\u00e2neas sofrem de um hermetismo excessivo que afasta o p\u00fablico; outras, ao contr\u00e1rio, sacrificam profundidade em nome da f\u00e1cil assimila\u00e7\u00e3o visual. Leandro Machado evita ambos os extremos. Sua obra pode ser intelectualmente sofisticada sem tornar-se fria. Pode ser emocionalmente intensa sem perder elabora\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Essa coexist\u00eancia rara entre sensibilidade e pensamento talvez seja um dos elementos que tornam seu trabalho particularmente relevante no cen\u00e1rio atual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o a maneira como sua produ\u00e7\u00e3o parece resistir \u00e0 l\u00f3gica acelerada do consumo imag\u00e9tico contempor\u00e2neo. Suas obras exigem perman\u00eancia do olhar. N\u00e3o se revelam integralmente num primeiro contato. H\u00e1 camadas perceptivas que emergem lentamente, como se cada trabalho recusasse a instantaneidade superficial que domina grande parte da cultura digital. Em tempos de hiperestimula\u00e7\u00e3o visual, essa desacelera\u00e7\u00e3o perceptiva possui quase um valor pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A arte de Leandro Machado tamb\u00e9m pode ser compreendida como um exerc\u00edcio de sobreviv\u00eancia simb\u00f3lica. Em suas superf\u00edcies fragmentadas, em suas tens\u00f5es gr\u00e1ficas e em seus res\u00edduos materiais, percebe-se uma tentativa cont\u00ednua de reorganizar o caos da experi\u00eancia contempor\u00e2nea em alguma forma de sentido est\u00e9tico. N\u00e3o um sentido conclusivo ou pacificador, mas um sentido aberto, inquieto e permanentemente inacabado. Talvez por isso suas obras provoquem simultaneamente desconforto e fasc\u00ednio: elas reconhecem a fratura do mundo sem abdicar da possibilidade de produzir beleza.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"424\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/prato-2016-leandro-machado.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85043\" style=\"width:468px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/prato-2016-leandro-machado.jpg 640w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/prato-2016-leandro-machado-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Prato, 2016. Leandro Machado.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num circuito art\u00edstico frequentemente seduzido por modismos ef\u00eameros e estrat\u00e9gias de autopromo\u00e7\u00e3o, Leandro Machado representa a persist\u00eancia de uma \u00e9tica do trabalho art\u00edstico fundada em pesquisa, elabora\u00e7\u00e3o e coer\u00eancia. Sua trajet\u00f3ria evidencia um artista comprometido com a constru\u00e7\u00e3o paciente de linguagem pr\u00f3pria, algo cada vez mais raro numa cultura marcada pela ansiedade da visibilidade instant\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que produzir imagens, Leandro Machado constr\u00f3i experi\u00eancias perceptivas que interrogam o olhar contempor\u00e2neo. Sua contribui\u00e7\u00e3o para as artes visuais brasileiras reside justamente nessa capacidade de transformar mat\u00e9ria, gesto e fragmento em pensamento visual complexo. Em sua obra, a arte ainda preserva algo essencial: a pot\u00eancia de fazer o mundo parecer simultaneamente mais enigm\u00e1tico e mais humano.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2023-intervencao-urbana-e-fotografia-leandro-machado-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85044\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2023-intervencao-urbana-e-fotografia-leandro-machado-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2023-intervencao-urbana-e-fotografia-leandro-machado-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2023-intervencao-urbana-e-fotografia-leandro-machado-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2023-intervencao-urbana-e-fotografia-leandro-machado-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2023-intervencao-urbana-e-fotografia-leandro-machado-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sem t\u00edtulo, 2023. Interven\u00e7\u00e3o Urbana e Fotografia. Leandro Machado.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"678\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2024-leandro-machado-678x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85045\" style=\"width:422px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2024-leandro-machado-678x1024.jpg 678w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2024-leandro-machado-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2024-leandro-machado-768x1160.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2024-leandro-machado-1017x1536.jpg 1017w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2024-leandro-machado-1356x2048.jpg 1356w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2024-leandro-machado-scaled.jpg 1696w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sem t\u00edtulo, 2024. Leandro Machado.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1022\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2015-pintura-leandro-machado-1022x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85046\" style=\"aspect-ratio:0.9980506822612085;width:640px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2015-pintura-leandro-machado-1022x1024.jpg 1022w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2015-pintura-leandro-machado-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2015-pintura-leandro-machado-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2015-pintura-leandro-machado-768x770.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2015-pintura-leandro-machado-1532x1536.jpg 1532w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/sem-titulo-2015-pintura-leandro-machado-2043x2048.jpg 2043w\" sizes=\"(max-width: 1022px) 100vw, 1022px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sem t\u00edtulo, 2015. Pintura. Leandro Machado.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/margs-leandro-machado-hospicios-e-balnearios-e-preciso-uma-aldeia-inteira-para-educar-uma-crianca-2025-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85047\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/margs-leandro-machado-hospicios-e-balnearios-e-preciso-uma-aldeia-inteira-para-educar-uma-crianca-2025-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/margs-leandro-machado-hospicios-e-balnearios-e-preciso-uma-aldeia-inteira-para-educar-uma-crianca-2025-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/margs-leandro-machado-hospicios-e-balnearios-e-preciso-uma-aldeia-inteira-para-educar-uma-crianca-2025-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/margs-leandro-machado-hospicios-e-balnearios-e-preciso-uma-aldeia-inteira-para-educar-uma-crianca-2025-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/margs-leandro-machado-hospicios-e-balnearios-e-preciso-uma-aldeia-inteira-para-educar-uma-crianca-2025-2048x1367.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">MARGS. Leandro Machado \u2013 Hosp\u00edcios e balne\u00e1rios [\u00e9 preciso uma aldeia inteira para educar uma crian\u00e7a]. 2025.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Cristiano Goldschmidt Em uma \u00e9poca em que parte significativa da arte contempor\u00e2nea parece oscilar entre o espet\u00e1culo vazio e a hermen\u00eautica excessivamente autocentrada, a trajet\u00f3ria de Leandro Machado se imp\u00f5e como um raro exerc\u00edcio de densidade po\u00e9tica aliada \u00e0 intelig\u00eancia formal. 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Por Cristiano Goldschmidt Aldemir Martins. Jogadores de futebol, 1966. Guache e grafite sobre papel. Cole\u00e7\u00e3o Gilberto Chateaubriand - MAM Rio H\u00e1 algo de profundamente brasileiro \u2014 no melhor e no pior sentido do\u2026","rel":"","context":"Em &quot;An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/category\/analiseopiniao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/1-aldemir-martins-jogadores-de-futebol-1966-guache-e-grafite-sobre-papel-colecao-gilberto-chateaubriand-mam-rio-scaled.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/1-aldemir-martins-jogadores-de-futebol-1966-guache-e-grafite-sobre-papel-colecao-gilberto-chateaubriand-mam-rio-scaled.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/1-aldemir-martins-jogadores-de-futebol-1966-guache-e-grafite-sobre-papel-colecao-gilberto-chateaubriand-mam-rio-scaled.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/1-aldemir-martins-jogadores-de-futebol-1966-guache-e-grafite-sobre-papel-colecao-gilberto-chateaubriand-mam-rio-scaled.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/1-aldemir-martins-jogadores-de-futebol-1966-guache-e-grafite-sobre-papel-colecao-gilberto-chateaubriand-mam-rio-scaled.jpg?resize=1050%2C600&ssl=1 3x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/1-aldemir-martins-jogadores-de-futebol-1966-guache-e-grafite-sobre-papel-colecao-gilberto-chateaubriand-mam-rio-scaled.jpg?resize=1400%2C800&ssl=1 4x"},"classes":[]},{"id":84838,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/jornalismo-nao-existe-para-proteger-zonas-de-conforto-institucionais\/","url_meta":{"origin":85035,"position":2},"title":"Jornalismo n\u00e3o existe para proteger zonas de conforto institucionais","author":"An\u00e1lise &amp; Opini\u00e3o","date":"20 de maio de 2026","format":false,"excerpt":"O jornalismo que antes buscava escavar estruturas ocultas do poder passou, em in\u00fameros casos, a atuar como um sistema de media\u00e7\u00e3o de narrativas j\u00e1 prontas. Por Cristiano Goldschmidt O epis\u00f3dio envolvendo as revela\u00e7\u00f5es recentes sobre as conex\u00f5es entre integrantes da fam\u00edlia Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro exp\u00f5e muito mais\u2026","rel":"","context":"Em &quot;An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/category\/analiseopiniao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/reproducao-site-the-intercept-brasil.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/reproducao-site-the-intercept-brasil.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/reproducao-site-the-intercept-brasil.jpeg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/reproducao-site-the-intercept-brasil.jpeg?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/reproducao-site-the-intercept-brasil.jpeg?resize=1050%2C600&ssl=1 3x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/05\/reproducao-site-the-intercept-brasil.jpeg?resize=1400%2C800&ssl=1 4x"},"classes":[]},{"id":84900,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/5-de-junho-meio-ambiente-poder-e-o-futuro-da-civilizacao\/","url_meta":{"origin":85035,"position":3},"title":"5 de junho: Meio Ambiente, poder e o futuro da civiliza\u00e7\u00e3o","author":"cristianog","date":"5 de junho de 2026","format":false,"excerpt":"O conflito ambiental brasileiro nunca foi apenas ecol\u00f3gico. Ele \u00e9 econ\u00f4mico, pol\u00edtico, social e civilizat\u00f3rio Vista a\u00e9rea da regi\u00e3o central de Porto Alegre afetada pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul em maio de 2024. Foto de Ricardo Stuckert\/PR\/J\u00c1 CRISTIANO GOLDSCHMIDT O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em\u2026","rel":"","context":"Em &quot;An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/category\/analiseopiniao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/vista-aerea-da-regiao-central-de-porto-alegre-afetada-pelas-fortes-chuvas-no-rio-grande-do-sul-em-maio-de-2024-foto-de-ricardo-stuckert-presidencia-da-republica.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/vista-aerea-da-regiao-central-de-porto-alegre-afetada-pelas-fortes-chuvas-no-rio-grande-do-sul-em-maio-de-2024-foto-de-ricardo-stuckert-presidencia-da-republica.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/vista-aerea-da-regiao-central-de-porto-alegre-afetada-pelas-fortes-chuvas-no-rio-grande-do-sul-em-maio-de-2024-foto-de-ricardo-stuckert-presidencia-da-republica.jpeg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/vista-aerea-da-regiao-central-de-porto-alegre-afetada-pelas-fortes-chuvas-no-rio-grande-do-sul-em-maio-de-2024-foto-de-ricardo-stuckert-presidencia-da-republica.jpeg?resize=700%2C400&ssl=1 2x"},"classes":[]},{"id":84876,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/o-filho-florian-zeller-e-o-retrato-intimo-de-um-naufragio-familiar\/","url_meta":{"origin":85035,"position":4},"title":"O Filho: Florian Zeller e o retrato \u00edntimo de um naufr\u00e1gio familiar","author":"An\u00e1lise &amp; Opini\u00e3o","date":"2 de junho de 2026","format":false,"excerpt":"A dire\u00e7\u00e3o compreende que a grande trag\u00e9dia do texto de Zeller n\u00e3o est\u00e1 nos fatos extraordin\u00e1rios, mas na banalidade devastadora dos afetos mal administrados. Por Cristiano Goldschmidt H\u00e1 pe\u00e7as que se estruturam sobre acontecimentos. Outras, mais raras, organizam-se em torno de aus\u00eancias. 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Trump no UFC Freedom 250, 14 de junho de 2026 | Foto oficial da Casa Branca por Andrea Hanks Por Cristiano Goldschmidt H\u00e1 algo de profundamente revelador no fato de Donald Trump desejar celebrar seus oitenta anos e os duzentos e cinquenta anos da independ\u00eancia dos Estados Unidos\u2026","rel":"","context":"Em &quot;An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/category\/analiseopiniao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/image.png?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/image.png?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/image.png?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/06\/image.png?resize=700%2C400&ssl=1 2x"},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbKo0s-m7x","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85035","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/190"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85035"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85035\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85048,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85035\/revisions\/85048"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85035"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85035"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85035"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}