{"id":85069,"date":"2026-07-29T17:04:00","date_gmt":"2026-07-29T20:04:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=85069"},"modified":"2026-07-31T13:06:56","modified_gmt":"2026-07-31T16:06:56","slug":"a-operaria-do-gesto-andrea-beltrao-e-o-oficio-de-existir-em-cena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/a-operaria-do-gesto-andrea-beltrao-e-o-oficio-de-existir-em-cena\/","title":{"rendered":"A oper\u00e1ria do gesto: Andr\u00e9a Beltr\u00e3o e o of\u00edcio de existir em cena"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Homenageada em Gramado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"672\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/andrea-beltrao-recebera-trofeu-oscarito-foto-edison-vara-divulgacao-festival-de-cinema-de-gramado-672x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85070\" style=\"width:445px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/andrea-beltrao-recebera-trofeu-oscarito-foto-edison-vara-divulgacao-festival-de-cinema-de-gramado-672x1024.jpg 672w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/andrea-beltrao-recebera-trofeu-oscarito-foto-edison-vara-divulgacao-festival-de-cinema-de-gramado-197x300.jpg 197w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/andrea-beltrao-recebera-trofeu-oscarito-foto-edison-vara-divulgacao-festival-de-cinema-de-gramado-768x1171.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/andrea-beltrao-recebera-trofeu-oscarito-foto-edison-vara-divulgacao-festival-de-cinema-de-gramado-1008x1536.jpg 1008w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/andrea-beltrao-recebera-trofeu-oscarito-foto-edison-vara-divulgacao-festival-de-cinema-de-gramado-1344x2048.jpg 1344w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/07\/andrea-beltrao-recebera-trofeu-oscarito-foto-edison-vara-divulgacao-festival-de-cinema-de-gramado-scaled.jpg 1680w\" sizes=\"(max-width: 672px) 100vw, 672px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Andr\u00e9a Beltr\u00e3o vai receber o Oscarito | Foto: Bruna Sussekind\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Cristiano Goldschmidt<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns artistas se confundem com o pr\u00f3prio ve\u00edculo em que atuam \u2014 a televis\u00e3o os consome, o cinema os cristaliza, o teatro os devora e os vomita transformados. Andr\u00e9a Beltr\u00e3o, essa carioca de 1963 que aos 14 anos j\u00e1 pisava o palco do Tablado de Maria Clara Machado, nunca se deixou consumir por inteiro. Ela pertence a um grupo raro de artistas para quem a cena n\u00e3o \u00e9 um trampolim, mas uma morada. E \u00e9 precisamente essa condi\u00e7\u00e3o de habitante \u2014 e n\u00e3o de visitante \u2014 dos tr\u00eas territ\u00f3rios das artes c\u00eanicas que a 54\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival de Cinema de Gramado decidiu celebrar ao lhe conceder o Trof\u00e9u Oscarito, joia da coroa do evento serrano, destinado \u00e0queles que dedicaram uma vida ao cinema brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A not\u00edcia, anunciada em meados de julho, chega acompanhada de um gesto de justi\u00e7a po\u00e9tica: Andr\u00e9a tamb\u00e9m estrela <em>Ant\u00e1rtida<\/em>, o filme de abertura do festival. H\u00e1 algo de simb\u00f3lico nessa coincid\u00eancia. A atriz que abre o festival \u00e9 a mesma que o festival homenageia \u2014 como se o tempo, esse senhor caprichoso, resolvesse fechar um c\u00edrculo virtuoso entre a obra e o reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para compreender Andr\u00e9a Beltr\u00e3o, \u00e9 preciso recuar at\u00e9 1976, quando uma menina de treze anos vestiu a pele de Jo\u00e3o Grilo em <em>O Auto da Compadecida<\/em>, de Ariano Suassuna. Que uma adolescente interpretasse o mais astuto dos personagens do teatro nordestino j\u00e1 dizia algo sobre sua inclina\u00e7\u00e3o: Andr\u00e9a nunca buscou o adorno f\u00e1cil. Queria o desafio. O Tablado, escola de teatro que formou gera\u00e7\u00f5es de int\u00e9rpretes brasileiros, foi seu ch\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o. Ali, sob a influ\u00eancia de Maria Clara Machado, ela aprendeu que o teatro n\u00e3o \u00e9 exerc\u00edcio de vaidade, mas de disciplina coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos anos 1980, enquanto a televis\u00e3o brasileira vivia sua era de ouro, Andr\u00e9a mergulhava em grupos teatrais \u2014 o Arco da Velha, o Manhas e Manias \u2014 e fazia teatro de rua, daquele em que o ator disputa a aten\u00e7\u00e3o do transeunte com o barulho do tr\u00e2nsito. Essa experi\u00eancia de um teatro quase artesanal, despojado de parafern\u00e1lias, forjou nela uma qualidade que a acompanharia por toda a carreira: a capacidade de preencher o vazio com presen\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 pouca coisa. Num pa\u00eds onde o ator de televis\u00e3o frequentemente abandona os palcos, Andr\u00e9a fez o percurso inverso: levou para a TV a densidade que s\u00f3 o teatro sabe dar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas foi em 1985 que o Brasil a descobriu em massa. <em>Arma\u00e7\u00e3o Ilimitada<\/em>, cria\u00e7\u00e3o an\u00e1rquica de Ant\u00f4nio Calmon, Euclydes Marinho e Nelson Motta, com dire\u00e7\u00e3o de Guel Arraes, era um programa que n\u00e3o se parecia com nada que a televis\u00e3o brasileira havia produzido at\u00e9 ent\u00e3o. Uma mistura de videoclipe, hist\u00f3ria em quadrinhos e cinema, a s\u00e9rie acompanhava as aventuras de jovens na Zona Sul carioca. Andr\u00e9a vivia Zelda Scott, uma jornalista que era, ao mesmo tempo, a consci\u00eancia cr\u00edtica e o cora\u00e7\u00e3o pulsante da trupe. Ao lado de Kadu Moliterno e Andr\u00e9 de Biase, ela construiu uma personagem que se tornaria \u00edcone de uma gera\u00e7\u00e3o \u2014 a mo\u00e7a moderna, inteligente, dona do pr\u00f3prio nariz, que n\u00e3o precisava ser salva por ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zelda Scott poderia ter sido uma armadilha para a carreira de Andr\u00e9a \u2014 o tipo de papel que gruda na pele do ator e n\u00e3o o deixa mais escapar. Mas ela fez o que os grandes artistas fazem: recusou-se a repetir a f\u00f3rmula. Nos anos seguintes, percorreu um arco que vai da m\u00edstica \u00darsula de <em>Pedra sobre Pedra<\/em> (1992) \u00e0 doce e enigm\u00e1tica Dora de <em>A Viagem<\/em> (1994), novela de Ivani Ribeiro que marcou \u00e9poca na TV Globo. Em <em>Mulheres de Areia<\/em> (1993), viveu a sofrida Virg\u00ednia, papel que exigia dela um registro dram\u00e1tico que at\u00e9 ent\u00e3o o grande p\u00fablico n\u00e3o conhecia. A cada nova personagem, Andr\u00e9a parecia dizer: n\u00e3o estou aqui para agradar, estou aqui para investigar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas \u00e9 imposs\u00edvel falar de Andr\u00e9a Beltr\u00e3o sem dedicar um cap\u00edtulo \u00e0 sua parceria com Marieta Severo. As duas atrizes n\u00e3o s\u00e3o apenas amigas \u00edntimas \u2014 s\u00e3o c\u00famplices de um projeto est\u00e9tico. Juntas, fundaram o Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, espa\u00e7o que se tornou um dos mais importantes palcos da cidade. A pe\u00e7a de inaugura\u00e7\u00e3o, <em>Sonata de Outono<\/em> (2005), baseada no filme de Ingmar Bergman e dirigida por Aderbal Freire Filho, foi um acontecimento. Andr\u00e9a e Marieta dividiam o palco como m\u00e3e e filha, num duelo de afetos e ressentimentos que s\u00f3 duas atrizes de primeira grandeza poderiam sustentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Teatro Poeira n\u00e3o \u00e9 apenas uma sala de espet\u00e1culos. \u00c9 uma declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios. Num momento em que a classe art\u00edstica brasileira enfrenta sucessivas crises de financiamento e visibilidade, Andr\u00e9a e Marieta apostaram na autonomia: construir o pr\u00f3prio espa\u00e7o, produzir o pr\u00f3prio repert\u00f3rio, manter-se vivas pela for\u00e7a do trabalho. E h\u00e1 algo de heroico nessa teimosia. O Poeira \u00e9 a prova de que o teatro brasileiro sobrevive pela obstina\u00e7\u00e3o dos seus artistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse palco que Andr\u00e9a realizou um dos feitos mais impressionantes de sua carreira: <em>Ant\u00edgona<\/em> (2016), seu primeiro solo. Sozinha, sem rede de prote\u00e7\u00e3o, ela enfrentou o cl\u00e1ssico de S\u00f3focles numa montagem dirigida por Amir Haddad que come\u00e7ava com a porta do camarim entreaberta e a atriz conversando com a plateia como se estivesse em sua pr\u00f3pria sala. Aos poucos, a intimidade dava lugar \u00e0 trag\u00e9dia, e Andr\u00e9a conduzia o p\u00fablico pelas m\u00e3os at\u00e9 o abismo. O espet\u00e1culo rendeu-lhe o Pr\u00eamio Shell de Melhor Atriz \u2014 o terceiro de sua carreira, depois de <em>A Prova<\/em> e <em>As Centen\u00e1rias<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No cinema, sua trajet\u00f3ria \u00e9 igualmente vigorosa. Foram mais de trinta longas-metragens, mas um deles merece destaque especial: <em>Hebe: A Estrela do Brasil<\/em> (2019), de Maur\u00edcio Farias. Interpretar Hebe Camargo n\u00e3o era apenas um exerc\u00edcio de imita\u00e7\u00e3o \u2014 era um mergulho na alma de uma das figuras mais complexas da televis\u00e3o brasileira. Andr\u00e9a n\u00e3o fez uma caricatura da apresentadora loira e espalhafatosa. Ela encontrou a Hebe que existia por tr\u00e1s da Hebe: a mulher que enfrentou o machismo da ind\u00fastria, que lutou por seu espa\u00e7o, que carregava dores que o sorriso largo n\u00e3o deixava entrever.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atua\u00e7\u00e3o rendeu-lhe o Grande Otelo de Melhor Atriz, o pr\u00eamio m\u00e1ximo do cinema brasileiro, ap\u00f3s dez indica\u00e7\u00f5es ao longo da carreira. Mais do que isso: valeu-lhe uma indica\u00e7\u00e3o ao Emmy Internacional, colocando seu nome ao lado dos maiores int\u00e9rpretes do planeta. Hebe, a personagem, e Andr\u00e9a, a atriz, encontraram-se num ponto de intersec\u00e7\u00e3o raro: ambas sabiam que o show deve continuar, mas que o show n\u00e3o \u00e9 tudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros filmes pontuam sua filmografia com a mesma precis\u00e3o. <em>Salve Geral<\/em> (2009), de S\u00e9rgio Rezende, que representou o Brasil na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mostrou uma Andr\u00e9a dram\u00e1tica, densa, capaz de sustentar sozinha o peso de uma narrativa sobre o colapso social. <em>A Partilha<\/em> (2001), de Daniel Filho, revelou seu talento para a com\u00e9dia de costumes. <em>Jogo de Cena<\/em> (2007), de Eduardo Coutinho, document\u00e1rio em que ela e outras atrizes interpretavam hist\u00f3rias reais de mulheres an\u00f4nimas, foi uma aula de metalinguagem: Andr\u00e9a n\u00e3o atuava, testemunhava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na televis\u00e3o, dois personagens merecem ser lembrados como marcos da cultura popular brasileira. O primeiro \u00e9 Marilda, a empregada dom\u00e9stica de <em>A Grande Fam\u00edlia<\/em>, seriado que acompanhou a vida dos Silva ao longo de catorze anos. Marilda era muito mais do que a &#8220;secret\u00e1ria do lar&#8221; \u2014 era a voz da raz\u00e3o, o esteio emocional, a figura que sustentava as contradi\u00e7\u00f5es daquela fam\u00edlia t\u00e3o brasileira. Andr\u00e9a deu a ela uma dignidade silenciosa que transcendeu o texto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo \u00e9 F\u00e1tima, a metade feminina da dupla de <em>Tapas &amp; Beijos<\/em> (2011\u20132015), cria\u00e7\u00e3o de Cl\u00e1udio Paiva. Ao lado de Fernanda Torres, Andr\u00e9a construiu uma das parcerias c\u00f4micas mais afinadas da televis\u00e3o brasileira. F\u00e1tima e Sueli eram duas amigas solteiras que administravam uma loja de noivas em Copacabana \u2014 e, de quebra, administravam suas pr\u00f3prias solid\u00f5es. A s\u00e9rie, que rendeu a Andr\u00e9a o Pr\u00eamio Extra de Televis\u00e3o de Melhor Atriz, era uma com\u00e9dia sobre a vida comum, sobre os pequenos naufr\u00e1gios e as pequenas vit\u00f3rias de quem n\u00e3o \u00e9 famoso nem rico. Andr\u00e9a e Fernanda faziam isso com uma naturalidade que s\u00f3 o talento verdadeiro permite: parecia que n\u00e3o estavam atuando, estavam vivendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais recentemente, em <em>No Rancho Fundo<\/em> (2024), novela das seis da TV Globo, Andr\u00e9a mostrou que continua em plena forma, recebendo o Pr\u00eamio APCA de Melhor Atriz em Televis\u00e3o. A personagem, uma mulher do sert\u00e3o nordestino, exigia dela um registro completamente diverso de tudo o que havia feito antes. Ela, mais uma vez, correspondeu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Trof\u00e9u Oscarito que Andr\u00e9a Beltr\u00e3o receber\u00e1 em Gramado no dia 15 de agosto de 2026 n\u00e3o \u00e9 um ponto de chegada. \u00c9 uma pausa para contempla\u00e7\u00e3o. A atriz que come\u00e7ou interpretando Jo\u00e3o Grilo aos treze anos, que fez teatro de rua, que fundou um teatro, que emocionou o pa\u00eds como Hebe e o fez rir como F\u00e1tima, que enfrentou S\u00f3focles sozinha no palco e venceu \u2014 essa atriz ainda tem muito a dizer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00eamio, que leva o nome do grande Oscarito, o comediante genial que marcou o cinema brasileiro das chanchadas, \u00e9 uma homenagem ao conjunto da obra. Mas, no caso de Andr\u00e9a, o conjunto \u00e9 t\u00e3o vasto que mal cabe num trof\u00e9u. Caberia, talvez, numa frase: ela fez da arte de representar um ato de resist\u00eancia cotidiana. N\u00e3o pela fama, n\u00e3o pelo dinheiro \u2014 mas porque, como ela mesma disse certa vez, &#8220;o palco \u00e9 o lugar onde a gente fica inteiro&#8221;. E Andr\u00e9a Beltr\u00e3o, ao longo de cinco d\u00e9cadas de of\u00edcio, nunca deixou de ser inteira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que venham os pr\u00f3ximos atos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homenageada em Gramado Por Cristiano Goldschmidt Alguns artistas se confundem com o pr\u00f3prio ve\u00edculo em que atuam \u2014 a televis\u00e3o os consome, o cinema os cristaliza, o teatro os devora e os vomita transformados. 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